Historietas para se deliciar
1 Herança
Notas iniciais
Um dia alguém falou para mim:
–Não preciso estudar, minha família é rica... Serei uma pessoa bem sucedida, terei uma herança de milhões de reais.
Fiquei abismado com isso, até que depois de alguns anos, nos formamos, começamos a trabalhar e nada dessa pessoa. Passaram-se os anos e seu avô morreu, e a Herança havia ficado para ela, mas ela ficou triste e fui lá ver o que havia acontecido.
Chegando, ela me falou que seu avô havia deixado apenas um pequena caixa que continha um bilhete dentro e uma chave para abri-la.
–"Espero que você não tenha desperdiçado sua vida, pois eu deixarei o meu antigo escritório de quando eu estava começando na minha carreira... Desejo-te muita sorte nessa sua jornada e que ele te ajude a produzir muito" — Ela leu em voz alta alta, chorando.
De repente ela jogou a chave e no chão e saiu correndo. Peguei-a do chão, abri o escritório e fiquei perplexo com o que vi. Milhões de reais dentro de um armário que havia lá. Mas após uma semana eu fui ligar para ela.
–Acho que você deveria vir aqui. — Foram as únicas coisas que eu falei, ela deveria saber aonde eu estava. Se passaram alguns minutos e ela não chegava, eu esta começando a me preocupar, com a mão na cabeça já estava pensando em ir buscá-la. Mas eu ouvi o barulho de seus sapatos pretos All Star pisando fortemente, a porta de madeira escura se abriu.
Parecia que eu estava vendo um vulto, ela estava parada na frente da porta, pálida, seu olhar me dava medo. Agora eu sabia o porque de seu atraso. Mas quando eu abri o armário que ficava ao lado da janela, atrás da escrivania, eu vi os seus olhos brilhando seguido por um sorriso majestoso e suas pernas se tremendo enquanto caia lentamente com a mão no rosto, no chão duro feito de mármore, suas lágrimas preenchiam aquele espaço entre eu e ela até eu ir abraçá-la. Ainda me lembro de suas palavras:
–Eu prometo, um dia, eu irei retribuir. Irei me esforçar ao máximo, minha vida agora dedicarei a você! — Eu via nela, que naquele momento, a esperança reinava todo seu ser. Apenas estiquei minha mão para levantá-la, dei-a um abraço e sussurrei:
–Espero não ter gastado meus esforços. — E fui embora.
Mas isso foi à trinta anos atrás, recebi uma caixa um dia desses. Tinha uma maleta dentro, dentro da maleta havia um milhão de reais.
–"Agora é sua vez de aproveitar" — Era o que se lia num bilhete que estava em um papel grosso ainda molhado, de lágrimas ou coisa assim.
João Coruja
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