Historias de amor

4 O péssimo amante


Notas iniciais
Ele fazia de tudo para ser um marido exemplar, carinhoso, terno, mas sua esposa lhe impedia todas as formas de chamego. Evitava fazer amor com ele, e estava sempre com dor de cabeça. E, para completar a situação, ela tomava pílulas anticoncepcionais e se negava a ser mãe. Uma saída para sua situação era o divórcio, é claro. Uma solução que todo homem fracassado no casamento sempre faz. Mas o complexo de ser um péssimo amante e um fracassado no amor, o impedia de convidar uma colega da empresa a fazer um belo programa.

Aqui na Terra, arrasado e desiludido com sua vida, Carlos estava a ponto de um suicídio. Todas as noites eram a mesma coisa. Ele fazia de tudo para ser um marido exemplar, carinhoso, terno, mas sua esposa lhe impedia todas as formas de chamego. Evitava fazer amor com ele, e estava sempre com dor de cabeça. E, para completar a situação, ela tomava pílulas anticoncepcionais e se negava a ser mãe.

Uma saída para sua situação era o divórcio, é claro. Uma solução que todo homem fracassado no casamento sempre faz. Mas o complexo de ser um péssimo amante e um fracassado no amor, o impedia de convidar uma colega da empresa a fazer um belo programa.

Mas tudo mudou na sua vida, inesperadamente. Durante o verão, Carlos começou a fazer hora-extra, para evitar chegar cedo a casa. Também queria juntar uma grana para se perder pelo mundo à procura de alguém que combinasse com ele, que o amasse, que o fizesse feliz.

Sua casa ficava à uma hora de viagem do emprego e a empresa pagava a gasolina, é claro. Senão já teria trocado essa mordomia pelo ônibus há muito tempo. Viajar prensado por um monte de gente, sentado num assento duro, quando conseguisse, era sua segunda opção, que felizmente ele não necessitava experimentar.

Uma noite, depois de ter ficado trabalhando até tarde na empresa, resolveu parar numa lanchonete na beira de estrada. Bebeu um guaraná, comeu um x-salada, acendeu um cigarro e sorriu. Estava se sentindo um pouco melhor. Cada vez que chegava a casa sua mulher já estava dormindo. Não fazer amor com ela nesta altura, já não fazia nenhuma diferença. Tudo assinalava que a paixão se apagava e morria entre ambos, a cada dia mais e mais. Aspirou fundo, pagou a conta e subiu no seu carrinho. Dirigiu lentamente pela estrada, sem pensar em nada.

De repente, viu uma claridade ofuscante no céu, que viajava na mesma direção que ele. A princípio, quase morreu de medo, pois só podia ser um OVNI. Parou o carro para se acalmar e ficou olhando o estranho objeto, hipnotizado.

Pouco a pouco, a nave desceu a uns 500 metros numa clareira no meio do mato, e as luzes apagaram. Cobrou coragem e caminhou com cautela para ver mais de perto, se escondendo entre as árvores

Uma mulher coberta de panos semitransparentes saiu dessa nave caminhando como uma assombração. Ela parecia flutuar, pois mal tocava o chão, mexendo o corpo vagarosamente. Seu cabelo comprido, vermelho-dourado, caindo em cascatas esvoaçava com a leve brisa noturna. Sua cintura era mínima, os quadris voluptuosos e todo seu corpo era uma escultura humana perfeita. Era realmente maravilhosa.

Carlos, nessa altura estava mudo, convertido em estátua, olhando para essa bela mulher. Uma vez de perto, viu os lábios mais sensuais que já tinha visto em toda sua vida, embaixo de dois olhos cristalinos cativantes. Timidamente levantou a mão e falou um tímido:

— Oi...

— Oi, eu sou Acrina, do mundo de Agarta, em viagem de férias... E você, quem é?

— Car...los... Sou... Sou da.... da... daqui mesmo...

— Gostaria de conhecer minha nave?

— Adoraria...

E como um robô caminhou atrás daquele mulherão de outro mundo.

Quando chegaram perto, a nave se iluminou sozinha e abriu uma porta banhada com uma luz branca, como poeira estelar, com estrelas flutuando no vazio. Acrina lhe explicou que iam ser esterilizados, que não ficasse com medo. Pouco a pouco, a luminosidade os rodeou e suavemente eles foram içados, lentamente, subindo por um corredor redondo da altura de um edifício de 8 andares. Outra porta abriu no alto e eles pousaram numa plataforma, que também flutuava, enquanto a nave começava a voar lentamente ao redor da Terra.

E ainda atônito, Carlos viu os robôs fazendo os trabalhos de manutenção na sala de comando, de pilotagem, na sala de jantar, no cinema, bar e cozinha. Em seguida ele viu uma pequena horta com telhado transparente, onde a luz das estrelas amadurecia frutos de todas as cores. Acrina o convidou a sentar no chão dessa horta, por cima de um tapete de grama macia, pegou uma fruta verde deliciosa e deu para ele experimentar. Em seguida, chegou um banquete trazido por um robô em bandeja de cristal. Bebeu o melhor vinho de todas as galáxias, comeu pasteis deliciosos, canapés coloridos, suflês, compotas, e sobremesas de cremes.

Acrina colocou uma mão na barriga de seu convidado, e seu cocô no interior do intestino desapareceu. Sua bexiga também esvaziou, miraculosamente, e Carlos não necessitou ir ao banheiro para esvaziar o banquete. Afinal, nunca comera tanto na sua vida. Engolira tudo gulosamente, pois essa comida era a coisa mais deliciosa que experimentasse. Enquanto Carlos ria às gargalhadas, ela então colocou a mão sobre seu peito, abriu sua camisa, e beijou-o no pescoço, torso e no rosto.

Carlos fechou os olhos e se deixou amar. Depois, ele devolveu cada beijo, cada caricia, sem saber quanto tempo ele ficou fazendo amor com essa mulher cativante. Ele, simplesmente dormiu num momento qualquer, e quando abriu os olhos, tinha ao seu lado mais um banquete delicioso, mais um vinho, e longas horas de chamego pela frente.

Depois desse primeiro encontro o amor virou vício eterno, pois os robôs os alimentavam trazendo bandejas com banquetes maravilhosos, que davam a Carlos energias redobradas para começar tudo de novo, com uma mulher que dormia pouco e nada.

Olhando para a Terra desde a janela da suíte, Carlos lhe falou o quanto a amava. Contou-lhe de seu casamento fracassado, sua desilusão antes de conhecê-la, e perguntou-lhe do que é que fariam dali para frente. E ela lhe disse:

— Nunca um homem namorou-me com tamanha paixão, nem tanta doçura. Parece que você me adora.

— Adoro, amo, só quero você...

– Então, vamos para meu mundo, pois eu também amo você...

– Viajar para outro planeta? Não vou morrer?

— Não se fizer uma cirurgia equivalente para ficar igual a mim.

— Não vai doer?

— Nadinha! Não falei que sou Cirurgiã?

— Nossa! Eu sou apenas Contador. Lido com as finanças da fábrica e realizo cálculos dos lucros, das aplicações, essas coisas...

— Em Agarta vai ficar desempregado! Lá não existe o dinheiro...

— E vou fazer o quê?

— Pode estudar.

— Posso ser médico também?

— Claro, já pensou, vai ser meu aluno, meu amado, o pai de meus filhos, não quer casar para completar o lote?

— Mas eu já sou casado...

— Mas seu casamento aconteceu frente aos homens... Estou falando de casar frente à “Imagem divina” no templo mágico. Nele há um espelho e dá para ver a morada dos pais celestiais, dos anjos, e eles nos unem pela eternidade desta vida e de todas as vidas que teremos que encarnar novamente...

— Então casamos. E serei seu aluno, seu marido, o pai de seus filhos e...

E Carlos começou a chorar. Tudo parecia um sonho, ou, um filme de ficção. Custava acreditar que a felicidade havia chegado a sua vida.

Acrina o abraçou com doçura, esperando que se acalmasse novamente. Depois lhe colocou um dedo na testa para desmaiá-lo.

Para fazer a cirurgia, um robô o levou até a enfermaria dessa nave, e estendeu-o sobre uma mesa branca que flutuava no ar, iluminada por uma luz vermelha. Acrina introduziu uma agulha fina no baço, e depois ligou essa agulha a uma mangueira com um líquido grosso que começou a pingar. Foram colocadas mais duas mangueiras, uma na bexiga e outra no reto, para a urina e as fezes esvaziarem eternamente, numa roda que duraria mil batidas do coração.

Quando Carlos recobrou a memória, ele era outro homem. Igual em tudo, mas desta vez seus neurônios haviam se multiplicado de tal forma que doía sua cabeça. Podia escutar os ruídos mínimos, ver de uma distância fantástica, e lia os pensamentos de Acrina como num livro aberto. Soube que ela tinha 569 anos, e que saíra de Agarta com em busca do amor verdadeiro no meio do espaço. Havia deitado com 100 homens de outros mundos antes dele, e jamais havia amado ninguém. E o que mais o emocionou foi saber que ela estava grávida, e tinha engravidado no primeiro encontro, quando se amaram por cima dessa grama verde da horta.

Não quis fazer perguntas para não perder tempo. Beijou-a na boca com ternura, abraçou-a delicadamente e namoraram sem tempo para terminar. Carlos nunca mais desmaiou de cansaço, dali em diante, e somente a fome, que fazia doer o estomago, os separavam da eterna roda de amor. Abandonavam a suíte para esticar as pernas, comer os banquetes deliciosos dos robôs, na beira de uma piscina, ou, deitados na horta sobre a grama macia, embaixo de árvores carregadas de frutas deliciosas.

No dia em que chegaram a Agarta o filho deles mamava nos seios de Acrina, enquanto ambos balançavam numa rede, em meio dessa horta maravilhosa.

Como foi a vida de Carlos em Agarta?

Bem, ele não quis contar...

Notas finais
- Claro, já pensou, vai ser meu aluno, meu amado, o pai de meus filhos, não quer casar para completar o lote? - Mas eu já sou casado... - Mas seu casamento aconteceu frente aos homens... Estou falando de casar frente à “Imagem divina” no templo mágico. Nele há um espelho e dá para ver a morada dos pais celestiais, dos anjos, e eles nos unem pela eternidade desta vida e de todas as vidas que teremos que encarnar novamente... - Então casamos. E serei seu aluno, seu marido, o pai de seus filhos e... E Carlos começou a chorar. Tudo parecia um sonho, ou, um filme de ficção. Custava acreditar que a felicidade havia chegado a sua vida.