Histórias do WEBoteco.
1 Nomar e Steve.
Fazia algum tempo que Steve havia começado a trabalhar no WEBoteco, e desde que colocou seus pés ali, cumpria fielmente com suas funções. Nunca foi relatado reclamação alguma sobre o mesmo, afinal, quem não gostaria de ter uma pessoa tão exemplar como Steve por perto? Diferente de Sua Mãe, Steve sempre cumpriu com todos os seus afazeres.
Mas, nem tudo é perfeito. Sempre haverá alguém para colocar em risco suas habilidades.E Bastet estava ali justamente para isso.
Ela se encontrava em uma das mesas do WEBoteco, distraída em seu celular. Repentinamente, começou a rir, o que atiçou a curiosidade de Steve que, timidamente, ia se aproximando dela. Bastet notou sua presença, virando seu celular para ele e compartilhando do que ria exatamente. O garçom se curvou para ver com mais detalhes do que se tratava, e sua expressão serena se tornou espantosa. Ele tirou o celular das mãos da garota, que o encarou indagada.
— O que houve? — questionou, levantando-se da cadeira.
— Você... — ele rangia os dentes, olhando furiosamente para ela. — Você usou muitos emojis! Como ousa?
— E-eu só tava repassando, Steve! Não vai se repetir, eu juro!
Ela pegou seu celular da mão do garçom, voltando para a mesa com os olhos cheios de lágrimas. Já Steve, olhava para as próprias mãos trêmulas, ainda tentando processar o que acabara de ver. Ouvi-se os passos pesados de alguém adentrando ao boteco, mas o garçom estava tao desconcentrado da realidade que sequer notou. Apenas saiu de seu transe quando sentiu uma mão pousar em seu ombro. Instintivamente, virou-se de forma bruta, deparando-se com Nomar, um furry pequeno nas horas vagas, mas que de torna uma aberração quando algo lhe incomoda, e era exatamente assim que ele estava. Um furry de 2 metros de altura, mostrando suas presas em sinal de desprezo ao garçom.
— Por que fez isso, Steve? — questionou Nomar, curvando-se para alcançar a altura do garçom.
Steve tentou dar um passo para trás, mas acabou esbarrando em alguém. Era Stanley, que o encarava sem expressão alguma.
— Tá tudo certo, Steve. Não atrapalhe mais os clientes.
— C-certo, eu...
Antes mesmo de terminar sua frase, as mãos pesadas de Nomar o segurava pelos ombros, o trazendo para mais perto. O olhar do furry era repleto de fúria, enquanto Steve o encarava com medo.
— Você não me respondeu ainda. Por que fez isso? Você estragou o dia da minha amiga por causa disso?
O garçom tentava manter distância das presas de Nomar, que rosnava enquanto falava. Seus olhos procuravam por ajuda, mas ninguém parecia se importar com o que estava acontecendo. Ele então pousou suas mãos sobre a do furry, guiando-as para longe de seus ombros.
— Eu só segui ordens, perdão... Não vai se repetir.
Sua voz emanava tamanho arrependimento e tristeza, assim como seus olhos que agora encaravam o chão. Observar aquilo deixava Nomar um pouco desconfortável, repensando se deveria ter aquele tipo de atitude com o garçom. Conduziu gentilmente uma de suas patas em direção ao queixo do garçom, o arqueando com um de seus dedos para que o mesmo o encarasse. Ele se aproximou lentamente, o envolvendo em seus braços peludos e confortáveis. Steve sentia seu rosto queimar com aquela atitude inesperada, ao mesmo tempo que não conseguia conter as lágrimas que escorriam timidamente pelo seu rosto. Nomar percebeu, o aconchegando ainda mais em seus braços.
— Desculpe, eu não deveria ter te abordado assim. Você deve estar cheio dessas coisas. Bom... Quero te compensar com algo.
Steve o encarou, e quando menos esperava, o furry selou seus lábios aos dele, o apertando ainda mais em seu abraço. Por algum momento, o garçom ficou confuso, não sabendo ao certo como reagir. Mas Nomar logo adentrou com sua língua, a roçando na de Steve, o que fez com que o garçom deixasse que o furry conduzisse, porém, o retribuindo da mesma forma. Seus corpos estavam muito colados um ao outro, ambos sentindo o calor que seu parceiro emanava. Repentinamente, Nomar separou o beijo, se afastando lentamente. Um fio de saliva unia os dois, mas logo foi desfeito quando o furry virou-se de costas, encarando de canto o garçom.
— Até mais tarde, Steve.
Ele encarou as costas largas de Nomar passar pela porta de saída do bar e desaparecer de vez. Deu um passo para trás, e novamente, havia esbarrado em alguém.
— Você viu tudo?! — questionou, surpreso por ainda ver o pato ali, o encarando sem expressão alguma.
— Sim. Algum problema?
— N-não, eu só... Eu vou voltar para os meus afazeres, com licença.
Em passos rápidos, chegou aos fundos do bar, mais necessariamente a sala de funcionários onde ele e Sua Mãe passavam bastante tempo. Seu coração estava acelerado, mas ao mesmo tempo sentia-se feliz com o que havia acontecido. Seu rosto corou levemente ao lembrar da cena que ocorreu a momentos atrás, escorando suas costas na parede e rindo como um bobo. O desejo de ver Nomar novamente cresceu, e toda vez que pensava no mesmo seu coração se enchia de alegria. De repente, olhou para seu relógio de pulso, que ainda marcava 10:50 a.m.
— Ele disse "até mais tarde", certo?... Eu irei esperar.
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