Histórias de Shadowhunters
7 Desenhos diferentes
Notas iniciais
"Como assim? Você não sabe andar de bicicleta?"
O caçador de sombras corou e olhou para ele, com vergonha.
"Não... Não sei andar de bicicleta..."
"Como não, Alec?"
Magnus já não segurava o riso.
"Nunca me ensinaram... Eu nunca tive tempo para aprender...e nem interesse."
"Ah, é? Então como o Jace sabe?"
"Ele viveu em Idris por dez anos! Já viu o espaço que tem lá?! Eu sempre morei aqui, em New York, não tive espaço e nem tempo..."
"Vamos mudar isso."
O feiticeiro já estava se levantando do sofá e indo pegar "o necessário".
"O que você quer dizer, Magnus?"
"Quero dizer, o problema é espaço?
Resolvo. O problema é não ter bicicleta?"-estalou os dedos e uma bicicleta apareceu-"Resolvo."
O adolescente olhava confuso enquanto Magnus andava de um lado para outro no apartamento, até que entendeu o que ele estava fazendo, mas era tarde para impedí-lo. Quando o caçador de sombras se levantou para pará-lo, já era tarde, o portal já estava aberto. O feiticeiro aproveitou que Alec se levantara e andava em sua direção e puxou-o pelo portal com uma mão enquanto pegava a bicicleta com a outra.
Quando saíram de dentro do turbilhão que é um portal, estavam em uma grande planície de barro seco.
"Magnus... Onde. Estamos?"
"Isso não é uma informação necessária."
"Magnus..."
"Antes de começarmos, assim vai ser mais difícil de você aprender...no barro... Não."
O feiticeiro estalou os dedos e toda a planície foi asfaltada. Um lindo e novinho estacionamento.
"Magnus! Você não..."
"Acalme-se, querido. Eu tiro quando acabarmos. Agora sim, podemos começar."
Magnus se abaixou até bicicleta, que estava caída no chão, levantando-a e depois chamando Alec com a mão para subir naquela coisa instável de duas rodas.
"Magnus, eu...não sei se..."
"Vamos, não é tão difícil. Olhe."
Então o namorado estava em cima da bicicleta, pedalando muito rápido ao redor da planície. Quando ele soltou as mãos Alec quase teve um ataque do coração, morrendo de medo que ele caísse, e então ele fez pior, subiu no banco e ficou em pé naquilo em alta velocidade.
"Magnus! Desça daí! Eu tento! Só desça!"
E ele o fez, sentando orgulhoso de si mesmo por ter convencido Alec a tentar, voltou para perto de seu namorado.
"Então vamos lá! Suba."
O caçador de sombras olhou assustado para o feiticeiro.
"Calma, eu vou te segurar."
Então ele foi em direção à besta de duas rodas. Passou uma das pernas para o lado que Magnus segurava firmemente e se sentou no banco duro daquela coisa demoníaca.
"Agora pedale. Eu vou continuar te segurando, não vou soltar, vou correr do seu lado."
O caçador de sombras começou a mover os pés, cambaleante. Mas depois de mais uma hora já não cambaleava e mal percebeu quando Magnus o soltou e ficou olhando para ele de longe com um sorriso enorme estampado no rosto.
Foi aí que houve um problema. Alec resolveu olhar para o namorado ao seu lado e percebeu que ele não estava ali, ele entrou em pânico, perdeu o controle e caiu. O feiticeiro saiu correndo em sua direção, mas, ao chegar lá, o caçador de sombras já tinha saído de debaixo da bicicleta e estava sangrando no braço.
"Alec, você está bem? Trouxe sua Estela?"
"Não."
"Bom, então parece que você vai ter que lidar com o jeito mundano de andar de bicicleta por um tempo. Venha, agora você vai sozinho."
O mais novo fingiu relutância, mas já estava gostando do desafio. Subiu na bicicleta e tentou começar sozinho, porém logo perdeu o equilíbrio e quase caiu de novo.
"Aqui, olha"-Magnus já segurava o guidão-"você tem que começar com um pé só e por o outro quando já tiver começado a andar."
E Alec o fez, conseguindo andar sozinho por pouco tempo e então perdendo o equilíbrio novamente. O feiticeiro já andava em sua direção.
"Não. Não me ajude. Eu não posso deixar essa coisa me vencer. Eu sou um caçador de sombras. Eu vou conseguir."
"Está bem, então..."
Magnus olhava curioso enquanto o namorado tentava e tentava, até que começou a pegar o jeito e, depois de um certo tempo, já conseguia começar sozinho e andar em linha reta. Estava fácil demais...
"Muito bem, Alec! Agora vamos dificultar um pouquinho!"
"Como assim?!"
Então o feiticeiro estalou os dedos.
Curvas. Apareceram curvas cercadas por muros baixos para que Alec não pudesse desviar, mas poderia ver o que vinha em frente. O caçador de sombras não estava preparado e não foi rápido o suficiente para fazer a curva, batendo no primeiro muro.
"Ma...gnus!"
"Alec! Você está bem?"
"Estou! Mas...porque você fez isso?!
Eu estava indo tão bem..."
"Estava fácil demais. E, se você continuasse daquele jeito, nunca ia aprender a fazer curvas. Agora vamos. Suba na bicicleta de novo e comece a tentar."
E ele o fez. Sem controle quase nenhum nas curvas, caiu nas primeiras 20 tentativas e sempre batia no muro, capotando às vezes.
Até que começou a conseguir fazer as curvas sem bater, mas ainda sem confiança. Então Magnus estalou os dedos novamente e outra bicicleta apareceu do seu lado, ele subiu nela e pedalou até Alec.
"Você está indo muito bem! Só falta confiança!"
"Não falta não! É..essa coisa que está bamba!"
"Uhum... Esqueceu que eu andei nela antes de você? Eu sei que está tudo certo, e mais, eu não ia pegar uma quebrada."
"Espera... Você roubou essas bicicletas, não é? Temos que devolver!"
"Só quando você tiver aprendido, cacadorzinho de sombras."
E Magnus acelerou, passando bastante de seu namorado.
"É uma corrida que você quer? Então uma corria você terá!"
O mais novo foi atrás do outro, passando direto por todas as curvas, sem cambalear. Depois de muito correr nas bicicletas os dois param, cansados.
"Ai, ai... Isso sempre funciona com você."
"O que?"
"É só te provocar que você fica todo nervosinho e faz exatamente o que eu quero que faça."
"Não faço não!"
"Faz sim. Agora vamos para casa."
Disse isso estalando os dedos, fazendo sumir o asfalto e as bicicletas, e começando a fazer o portal. Alec olhava o namorado andar de um lado para outro enquanto desenhava coisas que ele não sabia o que era ao certo, afinal não eram suas runas, mas as que Magnus usava.
Mesmo quando o caçador de sombras não queria, ele sempre dava um jeito de deixá-lo feliz com aqueles desenhos tão diferentes.
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