Notas iniciais
Oiii galerinha, voltei! Me desculpem a demora, foi mal mesmo, está é um miniconto que eu fiz em um curso de escrita criativa. Resolvi postar aqui para vocês.
Espero que apreciem.

Carterville era uma pequena comunidade cristã localizada ao sul da Inglaterra, a cidade fora fundada por duas famílias os Richardson e os Carter. Alguns membros das duas famílias casaram entre si como Mary, a filha de Emma e Henry Richardson casou com Walter o filho caçula de Amanda e Peter Carter Mathew.Posteriormente a família Richardson fundou a cidade de Richardville, diferente de Carterville que era conservadora e muito atrasada, Richardville era mais a frente do seu tempo, pode-se dizer que era uma cidade jovial.Anos depois da chegada dos Carter e dos Richardson, chegaram os James e os Lewis, dos James não tem muito o que falar, talvez apenas que era uma família muito parecida com os Carter, já os Lewis e os Richardson eram famílias mais alegre e modernas, não gostavam do conservadorismo e hipocrisia das duas outras famílias.

Carterville era famosa pela produção de laticionios, bem como as festas e feiras que a igreja produzia.

O pastor James Lewis era casado com Lily e tinha um filho chamado Edward,antigo colega de Lauren Carter Mathews na escola particular da cidade a escola primaria de Carterville contudo eles não conversavam muito. Lauren filha de Walter, um homem conservador e cristão fervoroso, seguia a risca as palavras da bíblia e o que ele acreditava ser as palavras da igreja, vivia ainda na idade média mesmo já estando no século XXI, Walter era o dono da fábrica de laticínios da cidade e vivia com o rei na barriga porque sua família fundara Carterville, era casado com Mary, uma mulher submissa, servente a Deus, ao marido e a família, trabalhava com costura apenas para dizer que trabalhava, mas na verdade era dona de casa e quando o marido estava em casa era uma estátua.

Nossa história começa no final da tarde de uma sexta feira, chuvosa, a maioria das crianças naquele dia aguardavam ansiosas pelo final da aula que estava próximo, afinal era véspera do final de semana, assim como Lauren e Melanie que apressavam em guardar o material escolar nas mochilas enquanto sorriam uma para a outra. O coração de Lauren apertava ao ver os ponteiros do relógio à cima do quadro se aproximar da hora exata para o término das aulas, ela não tinha certeza se era porque seu pai a buscaria ou sentia que algo ruim iria acontecer, Lauren pressentia, que quando cruzassem o portão da escola depois que o sino tocasse, sua vida mudaria para sempre. Infelizmente ela não poderia estar mais certa. Quando saíram da escola de mãos dadas como sempre os olhos de Lauren bateram nos do pai na mesma hora, viu o rosto do homem de cabelos lisos lambidos e negros como os dela se retorcer em uma máscara de ira. Melanie que também percebera tentou soltar a mão da amiga mas não conseguiu, Lauren segurou com mais força, com medo que se soltasse, aquela seria a última vez que seguraria a mão macia da amiga, o medo era mais forte que ela.

Mel sentindo a mão que segurava a sua começar a suar de nervoso a puxou para um abraço, apertou o corpo da menina contra o seu, beijou a bochecha rosada e sussurrou em seu ouvido.

“Não tenha medo, eu sempre vou estar aqui com você.” Soltou a amiga e seguiu para os seus pais, naquele dia ela passaria em casa, arrumaria as malas e no dia seguinte iria para a casa de uma tia em Londres passar o final de semana.

Lauren se aproximou do pai de cabeça baixa, olhos assustados e foi puxada violentamente pelas mãos daquele homem que ate pouco tempo era seu herói. Walter sem deixar que a menina falasse ou abanasse para os pais da amiga, seguiu com a filha em direção ao carro sem falar nada, ate chegarem a casa onde o homem furioso a levou ate o porão e começou a gritar. Ela não entendia os motivos dele estar tão bravo.

—O que você pensou que estava fazendo? Quantas vezes tenho que te falar que não pode andar de mãos dadas com meninas? Isso é pecado, o diabo está colocando estas coisas na tua cabeça Lauren.

Walter fez a filha baixar a saia, apoiar os braços em um mesa de madeira meio renga e pegou a palmatória, foi a primeira das várias vezes em que ela apanhara daquele homem. Lauren não parava de chorar, gritava muito alto de dor, gemia e quanto mais ela gritava mais as palmadas aconteciam, Lauren então percebera que quanto mais ela fizesse escândalo, mais o pai lhe bateria, então engoliu o choro, cessou os gemidos e calou os gritos. As palmadas cessaram mas o castigo não.

Walter pegou um saco de milho cru e duro de dentro de algum lugar que ela não vira e despejou no chão.

—Ajoelhe-se – O homem apontou para o montinho de milho em frente a ela. Não precisou falar duas vezes, ela estava tão fraca que não conseguia se manter em pé por muito tempo –Vai ficar ajoelhada aí rezando para que Jesus te perdoe dos teus pecados, na hora certa eu venho te soltar.

Lauren rezou fervorosamente, embora não entendesse a qual pecado seu pai se referia. Não sabia que era tão errado assim andar de mãos dadas com uma menina.

Quando Walter finalmente saiu do porão subiu para o escritório da casa e se trancou lá,ligou para alguém, gritou com a pessoa, não se podia escutar as palavras inteligíveis pois o escritório tinha proteção anti ruído, que encontramos nas boates, mas era sabido que ele estava com muita raiva. Apenas era possível de escutar ruídos.

Já devia ser tarde quando Walter permitiu que Lauren saísse daquele lugarzinho sujo, a lua já estava bem aparente e o céu estava bem escuro. Mandou que a filha fosse para o quarto onde ficaria durante todo o final de semana sem contato com ninguém.

Lauren acordou com batidas na porta e ouviu a mesma sendo destrancada, viu o rosto da mãe com grandes hematomas.

—Mamãe, o que aconteceu? – Perguntou a menina ainda inocente.

—Não foi nada querida, eu bati a cabeça no bidê ao lado da cama quando fui levantar. Trouxe algo para você comer, mas por favor, faça silêncio, não queremos incomodar o seu pai – Mary falou entre sussurros, sentando no pé da cama da filha após trancar a porta e colocar a bandeja na cama.

—Porque papai estava tão bravo?

—Problemas no trabalho, não tem importância, apenas coma –Mary pediu carinhosa.

—Mas ele me bateu. – Lauren falou com a voz magoada.

—Ele só quis te ensinar uma lição – Mary encerrou o assunto, depois que Lauren comeu, saiu silenciosamente com a bandeja e levou a mesma para a cozinha sem fazer qualquer barulho.

O resto do final de semana de Lauren foi assim, presa no quarto, com a mãe se esgueirando escondida para levar comida para ela. Aquele fora o primeiro castigo de Lauren, fora a maior decepção e mágoa da menina.

Mary nunca fora de falar muito, alguns diziam que ela era tímida ou recatada demais, Lauren depois que começara a compreender o que se passava em casa passou a acreditar que ela morria de medo de abrir a boca dentro ou fora de casa para não apanhar do marido então ela só cumpria as ordens dele calada e de cabeça baixa, uma perfeita senhora do lar, submissa, conservadora e ignorante quanto à maioria das coisas.

Chegou segunda feira e Lauren voltou para a escola, ao chegar à sala de aula Lauren procurou por Melanie mas ela ainda não havia chegado, a sala já estava lotada e nem sinal da Mel, a morena encarou para a professora e tomou coragem de perguntar por ela.

—Srtª Philips, sabe por que a Mel não veio hoje?

—Os pais da Melanie resolveram mudar para Londres e a levaram para outra escola, sinto muito Lauren. – Lauren viu sinceridade nos olhos da professora, mas tinha algo a mais ali e ela sabia que algo acontecera, sentia que algo acontecera com Melanie.

Naquele dia Lauren ficou sentada sozinha, no recreio não brincou com as outras crianças, não comeu o lanche que a mãe mandara, e ninguém tentou se aproximar ou mudar a situação. Nos dias que passaram, uma menina mais velha e mais alta, loira de olhos azuis com um olhar triste e o rosto sério começou a se aproximar dela.

—Oi, posso sentar contigo? – Barbra perguntou.

—O banco é público. – Lauren falou fria, isto não impediu que a menina sentasse ao seu lado.

—Que um pedaço do meu lanche? – A loirinha perguntou mostrando o sanduíche natural e a barrinha de chocolate.

—Não to com fome. – Foi a conversa mais curta que tiveram.

Barbra vinha todos os dias sentar ao lado da pequena, todos os dias via que a menina não comia e oferecia um pedaço do lanche, Lauren recusava, ate que um dia ela não recusou. Foi neste dia que uma conseguiu começar a confiar na outra.

Lauren pensava todos os dias em Mel, fora obrigada a andar com as meninas da igreja e o pai fazia de tudo para que ela não andasse com Barbra, mas não adiantava, ela contrariava as ordens de Walter, afinal não entendia o problema, Barbra era da igreja, seus pais eram bons cristãos, como dizia o homem. Porque ela não poderia andar com a única amiga verdadeira que tinha.

Lauren não soltava gargalhada e os poucos sorrisos que apareciam em seus lábio não eram sinceros, os únicos momentos de alegria ela só tinha quando estava com Barbra ou os avós maternos. Eram bons momentos, embora raros.

Lauren aprendeu a chorar em silêncio tanto que depois de um tempo nem sabia quando começava a chorar e não demonstrar dor quando apanhava, a menina alegre endureceu, Lauren esfriou se tornou uma criança sarcástica e rude, não tentava manter amizade com ninguém.

Notas finais
Para quem não leu, História de Carterville, esta é a primeira fase, para entender o que aconteceu com os personagens é necessário que leiam depois a segunda fase.
Irei repostar em breve a segunda fase, estou editanto.
Quanto as outras histórias vou voltar com elas em breve, como estou fazendo cursos este ano, vou demorar um tempo para continuar.
Enfim, espero que tenham gostado, vou postar a segunda fase ainda esta semana.
Beijinho pessoal!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!