Histórias Infantis... Ou Não!
10 A Fera e A Garota Da Capa Vermelha
Notas iniciais
Blood era uma garota de dez anos que vivia em uma pequena aldeia chamada Red Moon. Ela não se sentia bem em sua aldeia, ela não se sentia ‘em seu lugar’.
Ela sempre fora uma menina deslocada por sua aparência, seu jeito de ser e sua linda capa vermelha. As outras meninas da aldeia tinham bochechas gorduchas ou coradas, mas as de Blood eram lizas e bem pálidas; a maioria das garotas tinham belos cabelos loiros com cachinhos de anjo, Blood tinha cabelos negros como a noite, mas o que realmente destacava Blood de todos naquela aldeia eram os seus olhos, ela possuía olhos extremamente negros e profundos.
Blood adorava subir nas árvores, ela escalava até os galhos mais altos apenas para ter o gostinho de ver todas as pessoas pequenas e insignificantes abaixo dos seus pés vivendo uma vida de inseto num espaço mínimo. Ela se perguntava como aquela gente se contentava com tão pouco.
Sua mãe era uma bela mulher de corpo perfeito, Roseline, assim como a filha, também não estava feliz em Red Moon, para piorar a situação vivia em um casamento infeliz e sem amor, a única coisa que á impedia de sair daquele lugar era a sua Blood. Ela se perguntava como uma menina perfeita como Blood poderia ter nascido num lugar como Red Moon.
Ninguém conhecia a aldeia pelo nome, mas todo o reino já tinha ouvido falar das historias. Red Moon era uma aldeia amaldiçoada por um mal terrível... Uma fera.
Não se sabia a verdadeira aparência da fera, pois todos que o viram morreram.
Milhares de caçadores já tentaram capturar a fera, mas todos fracassaram.
A muitas gerações o mal corria pelas ruas de Red Moon, toda vez que a lua cheia era erguida uma certeza era erguida com ela: Alguém morreria.
Todos os aldeões esperavam pelo abate, tudo o que restava á eles era rezar e pedir aos anjos para que passassem a vez.
Ouve um tempo em que famílias inteiras eram mortas pela fera, mas isso foi na geração dos anciões da aldeia.
Um dia a mãe de Blood, sabendo que a avó estava doente, mandou a menina levar uma cesta com bolos e doces envenenados até a casa dela, pois queria vê-la morta. Advertindo-a dos perigos de ir pela floresta e mandando-a ir pelo bosque, pois naquela floresta havia uma fera grande e má devoradora de gente. Ela não retrucou e seguiu seu caminho.
Blood foi como sempre para a casa da avó numa sexta-feira á tarde, o céu estava feio naquele dia, ás nuvens tampavam o Sol não permitindo que ele brilhasse e iluminasse o bosque por onde Blood era obrigada a passar para chegar até a casa de sua avó. O bosque estava estranhamente sombrio naquela tarde, Blood tentou se convencer de que aquilo era apenas efeito do céu escuro e chuvoso.
O caminho do bosque era o mais longo, então a garota começou a colher flores para se distrair, no entanto ela se distraiu demais e acabou entrando na floresta.
A besta já espreitava, até que ela surpreende a menina surgindo da mata na forma de um lobo grande e horrendo, dizendo:
– Aonde vai garotinha?
– Vou à casa da minha avó, na primeira casa depois da floresta, porque ela está doente e minha mamãe me mandou levar uns doces para ela! — Falou sem desconfiar de nada, nem da besta e muito menos do veneno nos doces de sua cesta.
– Sabe, eu sou um protetor dos viajantes da floresta! – Disse a besta muito esperta.
– Minha mãe disse que aqui há uma besta horrível que devora gente sem piedade.
– Por isso vou ir à frente, e te livrarei de todo o mal! – Disse a fera enganando a menina.
A fera saiu desesperadamente, correndo para chegar logo na casa da vovó e executar seu plano maligno.
Ao chegar lá à fera matou a vovó, cortou e preparou sua carne, colocou o sangue dela em uma taça.
Quando Blood chegou, bateu na porta, o lobo mandou-a entrar.
– O que faz aqui? – Perguntou a menina estranhando. – Onde está a vovó?
– Ela mandou eu lhe avisar que foi ao médico! – Mentiu a fera. – Mas ela me disse que fez um almoço especial para você!
A fera serviu-lhe comida(a carne e sangue de sua avó), ela comeu sem desconfiar, então o lobo mandou-a se despir, jogar suas roupas no fogo e ir deitar com ele, e ela ingênua fez tudo que ele pediu.
Então começou a perguntar:
– Que olhos grandes você tem?
– É pra te olhar melhor!
– Que nariz grande você tem?
– É pra se cheirar melhor, minha querida!
– Que mãos grandes você tem?
– É pra acariciar melhor!
– E que boca grande você tem?
– É para te devorar melhor!
A fera revelou sua verdadeira forma para a menina.
A garota gritou desesperadamente, mas ninguém conseguiu ouvi-la... E quem teria coragem de ir ver do que se tratava? Blood vivia num lugar onde só existia medo, um ruído no meio da noite já era motivo para pânico na pequena aldeia.
Blood foi devorada pela fera e ninguém jamais soube o que houve com ela!
A fera, gulosa como era, decidiu espiar o que tinha na cesta da garota... Claro que a fera comeu todos os doces sem suspeitar do veneno...

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