Notas iniciais
Boa Leitura!

Harry espalhou as folhas perto da fogueira, em uma distância segura, ambos se acomodaram em meio à folhagem e adormeceram.

No dia seguinte acordaram com o cantar dos pássaros, na fogueira antes ascese agora restava apenas às cinzas dos gravetos.

Ambos se saudaram com um bom dia, comeram algumas frutinhas que ainda restavam do dia anterior, arrumaram a mochila e por fim Harry encheu uma garrafinha, que Charlotte havia encontrado perdida dentro de sua mochila, com água. A dupla seguiu em frente, em meio ao verde da floresta. Haviam caminhado cerca de duas horas, agora descansavam sentados em um tronco de árvore tombado, mas, não se demoraram muito naquele local logo continuando a caminhada.

O casal caminhava lado a lado, às vezes conversando, outras em silêncio, no caminho encontraram mais frutinhas das quais acabaram comendo algumas e outras levaram para comerem mais tarde.

Já estavam cansados de tanto caminhar quando avistaram em cima de uma árvore ao longe uma espécie de casa.

— Aquilo é uma casa? – perguntou Charlotte.

— Está parecendo. – respondeu Harry.

Os jovens rumaram até aquele local, quando chegaram ao pé da árvore puderam notar que era realmente uma casa, feita de bambus e folhas e que parecia ter sido construída há alguns anos, pois o telhado era pontilhado por alguns furos.

Harry subiu na árvore, entrou na casinha observando-a, estava debilitada por causa dos efeitos do tempo, mas era o suficiente para abrigá-los, pois pela cara do tempo, logo uma chuva iria cair.

— Acho melhor ficarmos por aqui. – gritou aparecendo na porta. – O tempo está com uma cara feia.

A garota não pestanejou, apenas entrou na casinha, estava empoeirado, tinha teias de aranha, fezes de pássaros e folhas das árvores. Mas no momento não tinham escolha, era melhor do que ficar na chuva, que por sinal não demorou muito e logo surgiu. E ela não estava sozinha, vinha acompanhada de raios e trovões.

Sentaram-se em um canto que era mais abrigado naquela casa, Charlotte pegou o livro e continuou a ler, Harry estudava o misterioso livro que havia encontrado dentro do caixote no porão, olhava-o de todos os ângulos procurando uma forma para abri-lo.

Em um certo momento a garota fala de repente:

— Harry! – o chamou.

— Hum... – resmungou apenas, estava entretido demais com o livro.

— Você lembra que no diário falava que Hanna e Lewis, fugiram para uma floresta e ficaram por ali alguns anos...– deixou a frase no ar.

— E? – perguntou sem muito interesse.

— E que as descrições da casinha que eles fizeram bate com essa.

Harry parou por um instante, pensou um pouco e disse:

— Bom... Já que você falou, – parou um pouco, – faz sentido, mas acontece que isso tudo aconteceu há séculos atrás, – olhou-a. – será que resistiriam tanto assim ao tempo?

— Hum... Verdade! – pensou um pouco. – Mas parece. – por fim disse.

Voltaram a ficar em silêncio novamente, Harry coçou a nuca ainda intrigado com aquele livro, tentou daqui e dali até que conseguiu abri-lo, tinha uma espécie de segredo.

Enquanto isso Charlotte continuou a leitura:

1482/Março

Não sei onde estava com minha cabeça, acabei por me entregar aos delírios da paixão naquele momento. Foi algo mágico, não tenho palavras para descrever!

Sempre soube que era algo impossível, uma camponesa e um príncipe, por mais que ele me dissesse que largaria tudo para ficarmos juntos, sei bem que as coisas não funcionam assim!

Há poucos dias soube que Joshua estava noivo de uma princesa de um reino próximo, não me recordo de seu nome, mas este é o assunto mais falado pela plebe.

Meu coração dói em saber que jamais poderei ficar com meu amado, Joshua.

— Harry, – chamou o garoto. – mas e agora? – parecia aflita.

— O quê? – olhou-a confuso.

— Joshua está noivo.– respondeu.

— Ah! Você está nesta parte. – sorriu.

— Como consegue ficar tão calmo?– indagou.

— Porque nada vai adiantar ficar nervoso ou angustiado. – deu um meio sorriso.

— Mas, e o que acontece?

— Você enh! – apertou sua bochecha de leve. – É insistente.

Charlotte apenas sorriu e continuou a encará-lo esperando que ele lhe contasse algo.

— Ok! – disse. – Você venceu, vou te contar um pedaço, – olhou-a sério. – mas só um pedaço.

A garota apenas sorriu animada, e aprumou-se deixando os ouvidos bem atentos, sempre gostara de escutar histórias.