Notas iniciais
O tema do desafio é Auto Retrato do passado. O passado mais agradável que pude imaginar seria a infância na roça como viveu minha mãe. Embora tenha sido uma vida difícil, sei que quando se é criança, tudo é aventura.

Retrato.

Pois num auto retrato, se me retrato, já não sou mais eu.

E me sou assim: mais moça, mais boba, mas dona de mim.

Acentuadas rosáceas; se não trabalhasse ao sol não seria assim.

Redondo o rosto. Redondo a expressão; sempre doce demais, sem demais explosão.

Nessa cara tem olhos miúdos e belos ao sol. Um nariz, uma boca que prende como charuto o prendedor do lençol.

Comprido comprimento médio de cachos que não cacheiam, mas ficam assim hora parcos hora esvoaçantes.

Não tenho mais idade, mas ainda assim as pernas e joelhos num ralado sem fim.

Pano simples é o que há para vestir, doado da vizinha da tia do Alcir.

Vestido curto, quase mostrando o joelho. Pai finge que não vê, a prioridade é o fedelho.

Não ligo, nem tô!

Até que um dia Pietro vem e me chama de flô.

Aí passa a roupa, passa a juba, passa mamona na boca para dar uma cor.

Fico boba, fico triste, querendo um vestidinho que nem existe.

Mas passa, mas foi, como nuvem bonita que só se vê e se vai.

Mas que conversa, Jesuzinho! Fiquei de olhar no fogão o porquinho.

Notas finais
Obrigada a todos que lerem ') grande abraço, até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!