História Grinch: Aventura Natalina
2 Noel ao resgate!
Notas iniciais
Pov. Ochaco
— Por mil renas! A-Ah, desculpe! — disse o duende, que logo reconheci.
Um pequeno duende vestido com um traje verde e vermelho, com um chapéu preto, claramente o duende do Papai Noel que conheci no ano passado. Ele parecia confuso, mas logo sorriu de alívio ao me ver.
Mina, que ainda estava em estado de alerta, avançou em direção ao duende, com um olhar de quem iria atacar.
— Quem é você? Veio tentar nos assaltar? Saiba que somos futuras heroínas! — ela gritou, segurando o travesseiro e quase arremessando no duende.
— Espera, Mina! — Eu pulei da cama, entrando na frente dele. — Ele não é um vilão!
Olhei para o duende e Toru perguntou:
— Conhece ele, Ochaco-Chan?
— Sim, ele é um duende do Papai Noel, é uma longa história... Soluço! O que faz aqui? — pergunto ao me virar.
— Senhorita Ochaco, temos um grande problema, o Papai Noel foi sequestrado!
Meus olhos se arregalaram de surpresa ao ouvir tais palavras vindo do duende.
— O que? Como assim: ele foi sequestrado? Tão perto do Natal ainda por cima…
— Foi o Grinch! Aquele Quem invadiu a cidade de Quemlândia, nosso lar, e capturou o senhor Nicolau! Sem ele, o Natal está em apuros!
— Grinch? Daqueles contos de Natal? — Não me lembro de tê-lo visto ano passado…
— Ochaco, o que está acontecendo? Como conhece ele? — Toru pergunta e suspiro.
— Ano passado, eu e o Shouto, conhecemos o bom velhinho, pois, o Soluço — falo apontando para o duende — veio pedir nossa ajuda, afinal, o Papai Noel estava doente e não ia conseguir entregar os presentes para as crianças do mundo todo, aquele dia foi bem divertido e foi por causa daquele Natal que nós dois ficamos juntos.
— Uau, quem diria que o natal era mesmo milagroso! — disse Toru.
— É, mas agora temos que ajudar os duendes!
Soluço assentiu e falou:
— Conto com vocês! Aliás, querem andar de rena voadora?
— Rena voadora? Não me diga que trouxe o... Trovão e Cometa! Ah, quanto tempo! — digo ao ver as renas espiando pela janela do segundo andar. Me aproximo do vidro e abro a vidraça para acariciar o focinho deles.
— Senhorita Ochaco, é bom te ver de novo. — diz Trovão.
— Igualmente — respondo feliz.
Mina estava de boca aberta ao ver as renas e imagino que Toru também estivesse, elas saíram do transe e Mina diz:
— Nós vamos andar de renas?
— Isso aí — confirmo. — Antes de irmos, coloquem suas roupas mais quentes, pois lá é bem frio.
Elas assentem e seguem para seus quartos para se trocarem, e faço o mesmo ao pegar um conjunto de roupas quentes, seguindo para meu banheiro enquanto Soluço esperava lá fora, já montado em Trovão. Quando ficamos prontas, sou a primeira a passar pela janela e me sento logo atrás do duende, fazendo sinal para elas subirem em Cometa.
Quando ambas estavam prontas, digo uma última palavrinha:
— Só mais uma coisinha, recomendo que vocês se segurem bem firmes neles, ou podem acabar caindo no meio do ar, essas renas são as mais velozes de todo o Polo Norte!
— O que quer dizer com… — Mina pergunta, mas a interrompi.
— Prontos, Trovão e Cometa? Preparar e… lançar voo!
Ao meu sinal, elas se preparam e começam a correr pegando cada vez mais velocidade até atingir a velocidade máxima, tão veloz que minhas colegas gritam e se agarram nos chifres das renas enquanto eu solto os braços erguendo os para cima.
— Yupi!! Há, há, há, há, esqueci como era divertido! É como estar na montanha-russa mais rápida do mundo! — falo em meio a adrenalina.
A sensação do vento tocando meu rosto era refrescante. Meus cabelos curtos voavam para trás enquanto Trovão e Cometa seguiam a toda velocidade.
— Isso é uma loucura! — grita Mina, que tentava se equilibrar para não cair.
— Relaxa, Mina! Só aproveite a sensação da magia natalina! — grito de volta para ela. Olho para Soluço, que estava completamente à vontade sob o Trovão, ele já deve ter feito esses voos milhares de vezes.
Abaixo de nós, o cenário urbano foi sendo substituído por gelo à medida que nos aproximávamos da cidade dos duendes, logo, as renas perderam a velocidade, onde pudemos apreciar o ambiente enfeitado deles.
— Bem-vindas a vila de Quemlândia, onde o Natal nunca termina para os Quem! — anuncia Soluço. Os olhos das meninas se iluminaram ao ver as casas decoradas e cheias de luzes coloridas.
— Uau... Isso é… incrível! — Mina comenta ao ver ao longe a fábrica de brinquedos e a pequena vila logo ao lado.
— Não é? — digo. Cometa e Trovão, fizeram uma curva para se aproximar do celeiro onde as renas descansavam e, ao pousar no chão, descemos e apreciamos a vista. — Obrigada por nos trazer até aqui.
— Não tem de que, Ochaco.
Andamos até a vila para mostrar um pouco às duas, os Quem ficaram curiosos ao nos ver e no meio do caminho, Soluço passa por um Quem de aparência emo, o cumprimentando:
— E aí JoJo? Como vai seu amigo gigante?
— Mas que saco! — Revira os olhos — Outra hora a gente fala dele.
— Então ‘tá... Bem, liguem para ele não, acho que agora é uma boa hora para irem resgatar o Noel. — diz Soluço.
— Verdade, mas… onde que vive o Grinch? — pergunta Toru.
— Na caverna mais gelada e alta de Quemlândia — diz Soluço, apontando para o topo de uma montanha. — Desejo boa sorte a vocês, e cuidem com as armadilhas dele.
Assentimos e nós três nos despedimos dele para acabar de uma vez por todas com o plano do Grinch. Subimos a montanha a pé, o que levou um tempo considerável e na metade do caminho, decidimos parar para recuperar o fôlego, porém, Mina acidentalmente pisou numa alavanca que estava escondida sob a neve. Logo, tremores na terra foram ouvidos e arregalamos os olhos ao notar grandes bolas de neve maiores que nós, vindo em nossa direção.
— De repente, o Grinch curte Indiana Jones… — fala Toru.
— Ou é só um mal-humorado que detesta visitas. — diz Ashido. Ela para de correr e atinge seu ácido na bola de neve, fazendo-a se dissolver. — Um ponto para mim!
Voltamos a seguir o caminho, porém, outra armadilha nos aguardou, alguns robôs feitos de lixos de metais e outros materiais surgiram tentando nos atacar. Imediatamente corri até eles, encostando as pontas dos dedos em cada um para flutua-los no ar e desativo minha quirk, fazendo que estes se chocassem um com o outro.
— Ganhei um ponto também! — digo tentando conter o enjoo por usar a gravidade em mais de um item ao mesmo tempo.
Desde então, passamos por flechas, troncos, buracos, mais robôs e outras invenções dele. Suas armadilhas estavam cada vez mais complexas à medida que subíamos. Ainda por cima, vimos uma catapulta no alto e estreito os olhos.
— Desviem! — gritei ao ver a catapulta lançar duendes de madeira. — Essa foi por pouco…
Faltando mais um pedaço, ao chegarmos no topo, noto a entrada da caverna, ignorando os avisos das placas que ele tinha deixado. A entrada também possuía armadilhas que conseguimos desviar.
— Esse cara é impossível! — Mina resmunga.
— Ele quer acabar com o Natal, o que não acontecerá se impedirmos — afirmei determinada. Chegamos numa porta de metal e sem mais delongas, a rosada derreteu a porta atravessando-a, onde ficamos no centro de uma sala escura.
Uma luz se acendeu acima de um piano e notamos um ser de aparência verde que tocou uma daquelas melodias que vinham de castelos assombrados.
— Ora, ora, não lembro de ter convidado ninguém. Quem são vocês para estarem invadindo minha caverna?
— Sem papo furado, somos heroínas, onde está o Noel? — Mina pergunta.
— Oh, parece que os Quem vieram pedir ajuda…— Revira os olhos. — De agora em diante eu serei o Noel e todos os presentes de vocês serão o oposto da felicidade! Sem presentes, nem cantorias chatas, e sem essa falsa alegria de vocês que é tão irritante!
— Falsa alegria? O Natal é uma época pura de sentimentos — digo inconformada com ele. — A alegria é essencial para esse momento e os presentes representam o carinho que as pessoas sentem por nós. As músicas de Natal são especiais, elas contam a história dessa data tão importante, são hinos para alegrar nossos corações.
— Exatamente! Sem o Natal, o que seria das crianças? — Mina pergunta.
— Blá, blá, blá… — resmunga Grinch. — Estou nem aí, o Natal só trouxe dor no passado. Por isso, irei destruí-lo.
— Para pensar assim, deve ter passado por algum trauma — Toru diz. — Olhe, o Natal não é ruim, é onde a gente pode estar ao lado de pessoas queridas e compartilhar momentos inesquecíveis.
— Podem dizer o que quiserem, mas nada que façam irá apagar as cicatrizes. Provavelmente não sabem o que é se sentir solitário.
— Você…
— Chega de conversa! O Natal acaba ho… — Toru atinge ele com uma frigideira que havia encontrado no meio da bagunça de sucatas, fazendo-o desmaiar.
— Foi mais fácil do que pensei, agora, onde está o Noel? — diz a garota invisível.
Olhamos ao redor da caverna à procura de um sinal do bom velhinho e Mina, depois de revirarmos aquele lugar, encontra uma passagem atrás de um espelho grande que ia até o chão. Abrimos a porta e vimos um velhinho dentro de uma grade de ferro.
— Grinch, me solte agora! As crianças do mundo inteiro estão esperando por mim no Natal, você não sabe o que está... Oh, ho, ho! Parece que os duendes pediram reforços! — ele diz ao notar que era eu. — Senhorita Ochaco, é bom revê-la. Que bom que trouxe suas amigas, olá Mina Ashido e Toru Hagakure!
— O senhor consegue me ver? — pergunta a invisível sem se impressionar por ele saber seus nomes, afinal já era esperado.
— Claro que sim! Com a magia do Natal, tudo é possível!
— Ah! Nem acredito que estamos diante do Papai Noel de verdade! — Mina se encanta.
Soltamos ele da jaula de Grinch e o bom velhinho se ergueu agradecido.
— Muito obrigado por terem vindo me ajudar, jovens.
— De nada! Quando o Soluço disse que você tinha sido sequestrado, nós precisávamos agir. Mas, creio que teremos que voltar para nossas casas assim que te levarmos de volta à vila. — respondo.
— Ho, ho, está certa, senhorita!
Seguimos de volta a Quemlândia, onde os duendes nos aguardavam e que comemoraram ao ver o Noel a salvo. Nicolau estava no centro da vila onde seus habitantes o assistiam ao redor e nós três, estávamos diante dele.
— Hoje quero agradecer a essas três jovens por virem salvar não só a mim, mas ao Natal em si. Essa data é muito importante, pois ela não representa só o nosso povo, mas também o nascimento do grande milagre, da esperança. Como vocês nos ajudaram a deter Grinch, para homenageá-las, vocês receberão seus presentes mais cedo do que esperavam. — discursa o Nicolau. — Toru Hagakure, por sua agilidade e discrição, fora sua bondade, te presenteio com este guizo dourado, que, se tocado, te ajudará a abrir caminhos. Ashido Mina, por sua bravura e coragem, receberá um pingente que, se usado para o bem, mostrará a lembrança mais feliz das pessoas. E por último, Ochaco Uraraka; por sua determinação e audácia, receberá esse globo de neve que leva ao Polo Norte, mas só pode ser usado quando alguém de Quemlândia lhe chamar.
Nos entreolhamos felizes por cada momento que tivemos aqui e pelos presentes, dou um passo à frente e digo:
— Também quero agradecer ao senhor, pelos presentes, por confiar em nós para lhe ajudar, por tudo! Se um dia precisar de nós outra vez, estarei a seu dispor.
— Digo o mesmo — afirma Mina. — Se o Grinch voltar, ele já sabe o que terá que enfrentar!
— Não vamos deixar que ninguém estrague o Natal — Toru afirma.
— Até a próxima, quem sabe! — digo acenando para ele e para os duendes.
Mina e Toru encostam em meu braço e, pegando o globo de neve, balanço o objeto enquanto penso na UA. Logo, um brilho nos envolveu e fomos teleportadas para meu quarto, como se a magia do Natal tivesse nos levado direto ao ponto em que saímos no começo.
O Natal, com todos os seus encantos, com certeza ficará guardado eternamente em nossos corações, e eu não pude deixar de sorrir, sabendo que no dia de hoje, mais uma aventura havia sido realizada e que o espírito do Natal sempre nos guiaria.
Fim.
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