História After You - Terceira Temporada
28 Unpleasantness
Notas iniciais
Owen correu e pegou a sapequinha Clarisse em instantes. Entregou para Claire, a pequena toda suada e com o cabelo pregando no rostinho vermelho. Em seguida, deu um beijo nas duas e partiu com seu machado. Clarisse que não era boba nem nada, fingiu que estava com sono para não levar uma bronca. Claire suspirou e a levou para tomar banho, colocou um vestidinho limpo e deitou com ela na cama. Colocou Marcha e o Urso para assistirem.
— Mamãe, eu sou a Marsha e o papai é o urso!
Claire viu uma sombra se aproximar da porta, era a mulher irritante e interesseira do Steven.
— Amiga? — Disse já entrando no quarto toda íntima. — QUANTO TEMPOOOO!
Claire se segurou para não revirar os olhos e deu um longo suspiro.
— Oi. — disse sem muita animação.
— Nossa, fico tão feliz em te ver... — Exclamou falsa. — Vamos sair e conversar um pouco! Nossa, olha o tamanho dessa bebê, como cresceu! Ela e a Leah vão ser ótimas amigas!
— Eu não sou bebê! — Clarisse retrucou. Claire puxou Clarisse para mais perto dela.
— Desculpa não dá, preciso ficar de repouso. — inventou. — E hoje, vou passar o dia com minha filha.
— É menino ou menina? — Puxou assunto ainda fingindo entusiasmo.
— Menino. — limitou-se a dizer.
— Nossa, que maravilha. Vai completar um casalzinho lindo.
A mulher ainda encheu o ouvido de Claire por longos minutos, até o marido aparecer no quarto sem camisa e imundo. Levou um susto ao ver a cunhada.
— Finalmente chegou amor... — disse sem saber esconder sua satisfação. Não aguentava mais aquela mulher.
A mulher ficou toda envergonhada ao ver o físico do cunhado, resolveu sair fora dali o quanto antes, não sem antes convidar a ruiva para tomar um chá mais tarde. Em um piscar de olhos, Clarisse já estava pendurada no pescoço do pai com o maior dengo.
— Ah, papai ama tanto... — Beijou a testinha dela.
— Ainda bem que você chegou... — comentou relaxando sobre a cama.
Owen foi enche-la de beijos da mesma forma.
— E esse buchinho aqui?
— Está cada vez maior... — sorriu acariciando os cabelos.
— E por que a senhorita não está de biquíni na piscina?
— Amor, eu disse para fazermos só quando voltarmos para Nublar...
— Não vamos trepar na piscina, só ia te colocar para fazer uma exercícios. Mas se quiser, vamos de madrugada... — Piscou todo sem vergonha.
— Não é isso, Owen... – A ruiva rolou os olhos. A verdade era que Claire não se sentia a vontade com Steve lá.
— Oh, ok baby boo. — Disse já entendendo e foi tomar banho. Clarisse estava revirando a mala dela pegando uns brinquedos e subiu na cama novamente.
— Mamãe, vou cuidar de você agora tá bom? — Deu um beijinho na barriga dela e começou uma massagem com as mãozinhas pequenas.- Eu sou a doutora Clarisse, mas pode me chamar de senhora doutora médica Clarisse.
Claire riu alto, achando a filha a coisa mais fofa do mundo.
— Está bem, Senhora doutora médica Clarisse. — riu. — Vai me examinar?
— Sim, eu vou tirar seu neném da barriga. Ele tem que nascer. — Disse toda séria, pegando alguns panos e colocando sobre a barriga dela. Foi quando Owen saiu do banheiro vestido só com a toalha para pegar uma roupa limpa, atento aquela brincadeira. — Sabe, o bebezinho tem que sair, você tá gordona moça...
Clarisse disse aquela frase na maior naturalidade do mundo. Obviamente, a pequenina não pretendia ferir os sentimentos da mãe, como toda criança, Clarisse tinha toda sinceridade em suas palavras. Mesmo sabendo que não era a intensão da filha, Owen sentiu um arrepio na espinha ao ouvir aquilo. Claire nos últimos dias estava mais estável, graças aos intensos cuidados e atenção redobrados que o marido mantinha. Mas sabia que qualquer coisa, seria motivo para Claire desabar.
— Filha, não se fala assim com as pessoas. As chamando de gorda, você pode magoá-las...
— Mas a mamãe tá gorda, papai.
— A mamãe fica triste se você falar assim. É ruim ouvir isso... — Explicou paciente.
Clarisse pareceu pensar um pouco e olhou para a mãe, preocupada. Sim, ela havia entendido. Era uma criança inteligente. Claire abaixou o olhar e sacudiu a cabeça.
— Não tem problema Owen, ela só está sendo sincera.
— Tem problema sim, se não tivesse eu não preveria você chorando daqui menos de meia hora.
Claire levantou sem olhar para eles e saiu do quarto. Clarisse foi atrás da mãe chorando arrependida. Owen aproveitou para se vestir com seu velho pijama todo remendado. Claire estava parada pensativa perto da janela no corredor. Ao ver a pequena se aproximando aos prantos, a pegou imediatamente no colo a aninhando.
— Por que esse choro meu amor? — beijou sua testa.
— M-mamãe, me-me-m-me deculpa m-mamãe. Eu tô t-triste... — Disse soluçando inconsolável.
— Não tem porque você ficar triste, a mamãe não tem nada para te perdoar, filha. Te amo muito.
Aos poucos, a pequena se acalmou e acabou dormindo. Foi quando Claire notou uma sombra no escuro se mover.
— Cunhadinha?
Ela deu um suspiro audível, revirando os olhos.
— O que quer?
— Nossa... o Owen ainda te come com você desse tamanho?
— Você é um grande babaca! Nem parece que faz parte dessa família. — dito isso, deu as costas e voltou para o quarto com a filha em seus braços.
Owen pegou Clarisse do colo dela e a colocou na caminha ao lado da deles.
— Acho que já pode parar de pegar ela no colo, é um peso pra você, amor.
Claire ficou de costas para ele, não conseguia encara-lo. Por inconveniência do destino, o chão de madeira deu um estalo como se tivesse quebrando.
— O que foi isso?
Claire se aproximou dele assustada.
— Não sei amor... é melhor sairmos daqui. Pega a Cla...
— Hey, relaxa. A casa está velha, estamos com planos de trocar o piso do segundo andar. Só está rachando... — Disse cauteloso para ela não pensar que ele estava a chamando de gorda.
Ela o encarou.
— Sou eu né?
— O que? — Arregalou os olhos.
— E-eu... — gaguejou com os olhos marejados. — Estou enorme! Uma obesa!
— Claire, a nossa filha está dormindo... fale baixo. Você não está obesa nem nada do tipo. Nossa última consulta com a obstetra foi ótima, ela não fez nenhuma observação... — Owen começou a revirar a maletinha da Clarisse procurando pelo pijama dela.
— Como que você consegue transar comigo assim? — despejou já chorando.
Owen virou-se para ele não escondendo sua indignação.
— O que está dizendo?
— Isso que ouviu! Seu irmão tem razão.
— Como assim? Claire, nem cogite esse tipo de coisa na sua cabeça, você está sempre perfeita pra mim... espera, alguém te falou algo?
— Nada! Só quero ficar sozinha. — disse secando o rosto e saiu do quarto.
Owen foi atrás dela fechando a porta do quarto.
— Vamos conversar lá embaixo. É sério. — Segurou a mão dela.
— Não quero conversar, Owen. Quero ficar um pouco sozinha...
— Tem certeza? Eu respeito seu espaço...
— Tenho...
— Promete não demorar?
— Não posso prometer nada... — soluçou.
— Te dou 15 minutos, depois desço para conversarmos.
Claire saiu sem responder, foi para fora da casa. Steven estava lá fumando e bebendo como um gambá.
— Que surpresa...Claire.
— Que inferno. — murmurou e foi para a direção da casa na árvore.
Steven foi atrás, caindo de bêbado.
— Hey, podemos dividir o whisky... vai subir aí com esse peso?
— Sai daqui! — disse sem olhar para trás.
Quando menos Claire esperava, mãos fortes a agarraram por trás. Era Owen.
— O que pensa que está fazendo?
Ela levou um susto e deu um passo para trás.
— Owen?
— Você pretendia subir aí, Claire Dearing Grady?
Ela olhou ao redor e não viu Steve.
— Cadê o... ?
— Cadê quem? Estava com alguém?
— O que? — o encarou confusa. — O que está fazendo aqui?
— Vim te buscar, está frio aqui fora.
Com um pouco de dificuldade, sentou na grama debaixo da árvore.
— Me deixa, Owen...
Pois o marido sentou-se lá também é ficou encarando-a. Mesmo sem olhá-lo, percebeu que ele a encarava.
— O que foi?
— Te fazendo companhia.
Claire o encarou com os olhos brilhantes, sem dizer nada, colocou a mão sobre a dele.
— Sabe que eu te amo? E nunca me incomodei com seu corpo, muito menos na gravidez. É a fase em que você fica ainda mais radiante, carregando nossos bebês feitos com tanto amor.
— Você é tão compreensivo. Tenho tanta sorte em te ter ao meu lado, não iria suportar se estivesse sozinha. — disse quase sussurrando. — Eu sei que estou assim por causa do nosso bebê, mas por um lado me sinto mal...
— A verdade é que você sempre se sentiu mal em relação ao seu corpo, Claire. Você não me deixa te ajudar... afinal nunca teve nada de errado.
— Ajudar como?
— Te coloquei na terapia e você não foi.
— Já disse que não vou fazer terapia!
— Por que não?
— Eu não consigo me abrir com as pessoas, Owen.
— Como pretende superar isso?
— Eu não sei... — lágrimas escorriam por seu rosto.
Owen a abraçou todo carinhoso enquanto alisava os cabelos dela.
— Te amo...
A ruiva soluçava abraçada a ele.
— Eu também te amo... muito!
— Então promete ser uma boa menina.
— Você me pede para prometer demais...
— Promete baby...
— Não posso prometer algo que sei que não vou cumprir. Amor, eu estou a pessoa mais instável do mundo...
— Vamos entrar.
Dito isso, carregou a esposa para casa é preparou um leite quente pra ela tomar com biscoitos. Owen notou que as coisas da Clarisse que estavam na geladeira, estavam revisadas e faltando.
— O que foi amor? — perguntou enquanto comia.
— Acho que alguém comeu as coisas da Clarisse. Minha mãe deixou separado...
— Eu acho que sei quem comeu...
— Quem?
— O seu irmão...
— Por que o Steven beberia o leite rosa da Frozen?
— As enteadas dele, sim.
— Não as conheço. Elas abririam a geladeira da casa dos outros assim?
Claire deu de ombros.
— Isso te surpreende? Olha o tipo de mãe que elas tem e o mal exemplo que é seu irmão.
— Ela parece querer ser sua amiga de você não dá atenção pra ela.
— E eu estou errada? — o encarou de olhos cerrados.
— Você não quer ser amiga de ninguém. — Riu notando uma boneca da Clarisse toda destruída embaixo da mesa.
— E eu sou obrigada a ter amigas?
— Não baby. — Owen tirou a boneca de baixo da mesa. — Não parece ser obra da Clarisse isso aqui...
— Eu já disse. É melhor irmos embora amanhã mesmo.
— Então vamos dormir. Amanhã cedo vamos no shopping, fazemos compras e de lá vamos embora.
Ela deu um longo suspiro e foi lavar o copo.
— Vamos logo...
Ambos foram pra cama e Owen imediatamente caiu no sono. Foi quando Claire notou Clarisse sair da cama e sair pela porta naturalmente. Claire levantou com cuidado para não acordar o marido e foi atrás dela.
— Onde pensa que vai mocinha? — sussurrou.
— Mamãe, aquela menina pegou meus brinquedos! Tá na mochila dela! Eu vou pegar...
Claire sentiu raiva por aquilo. Mas também achou fofo a determinação da filha com apenas 3 anos. Ela a pegou no colo.
— Amanhã resolvemos isso, agora é hora de dormir... — beijou sua testa e voltou para o quarto.
Clarisse começou a chorar inevitavelmente acordando o pai, que revirou na cama resmungão. Claire riu com aquilo, sentando na cama com a pequena.
— Por que esse choro?
— Você não deixa eu pegar meus brinquedos, ela pegou de mim e vai levar pra casa dela. — Disse chorando.
— A mamãe não vai deixar isso acontecer... — beijou sua bochechinha rosada.
— Deixa mamãe... deixa...?
— Estão todos dormindo filha, inclusive você também tem que dormir... — deitou com ela no meio dos dois.
Clarisse começou a espernear no pai dela, o acordando. Na maior paciência do mundo, ele a explicou que pegariam as coisas dela na manhã seguinte, e que não precisava chorar. Depois de uma história de ninar e um pouco de carinho, a pequena adormeceu assim como os pais, exaustos.
*
Antes do amanhecer na fazenda Grady, Owen já tinha levantado, ordenhou as vacas, trouxe leite fresco para o café da manhã, colocou as malas arrumadas pela esposa no dia anterior, tomou banho de novo e se vestiu para ir embora. Aproveitou e trocou Clarisse enquanto dormia, só deixou para calçar os sapatos dela depois.
Claire acordou logo em seguida, não se sentia muito bem. Talvez pelo fato de quase não ter dormido por causa dos chutes do filho, pensou ela. Na tentativa de se sentir melhor, foi tomar banho. Mas sem sucesso, então voltou a deitar indisposta. Owen foi lá tirá-la da cama.
— Vamos baby, tá tudo pronto para irmos, minha mãe fez uma lista de compras para gente... — Tirou o lençol dela.
— Acho melhor ir sozinho... — murmurou.
— Ok, vamos direto para Nublar.
— Não estou me sentindo disposta, amor...
— Uhmmm... Só tenho uma solução pra isso. Você descansa o dia todo e vamos amanhã. — Owen sentou-se ao lado dela na cama começando um carinho na barriga. — Oi filhão. Acho que não vai ser hoje que vou planejar seu quarto de guerra...
Claire riu colocando a mão sobre a dele.
— Ainda com essa ideia?
— Você tem uma ideia melhor que essa?
— Um quarto de bebê normal, com as paredes azuis.
— Eu pensei em verde... — Owen pegou o tablet e começou a olhar todos os temas de quarto de bebê com a esposa, e sentiu-se frustrado quando não achou nenhum com o tema de guerra civil ou exército. — Ninguém tem a minha criatividade nesse site!
A ruiva o encarou rindo.
— É que ninguém em sã consciência faria um quarto com esse tema, para um bebê.
— Está me chamando de doido?
— Talvez... — riu de canto.
Como resposta, Owen começou a mordê-la e beijá-la até as risadas acordarem Clarisse. A pequena estava com um enorme bico, coçando os pequenos olhos verdes.
— Pega ela lá, amor. — pediu, pois a Clarisse estava na caminha comprada para ela. — Bom dia, filhotinha...
Owen pegou a carinha fechada e trouxe para junto deles.
— Ela só melhora de humor depois que toma o mama. É igual o papai... — A beijou fazendo Clarisse torcer o nariz e virar o rostinho. — Olha só...
— Exatamente. — olhou para o marido. — Ela é igualzinha a você... — trouxe a pequena para mais junto de si, a enchendo de beijos.
Clarisse empurrou o rosto da mãe impaciente e Owen achou engraçado.
— Aqui, já fiz o mama dela. — Pegou o copinho adaptado e deu pra Claire.
Claire a sentou ao seu lado e lhe entregou o mama.
— Pronto, meu amor.
Clarisse tomou toda a vitamina e logo começou a demonstrar que queria aprontar todas. Tentou escalar a cortina, derrubou o porta retratos, inventou de fazer xixi no ralo do banheiro e tirou os travesseiros do lugar e fez uma casinha. O descanso da mãe provavelmente estava cancelado. Ela fez isso tudo no prazo que Owen desceu para pegar um café da manhã para Claire.
— Oi amor, cheguei...
Claire estava toda descabelada e ofegante.
— Você está proibido de sair daqui!
— O que aconteceu?
Olhou pra Clarisse que estava sentada toda angelical com as perninhas cruzadas penteando a boneca.
— A sua filha quase me deixou louca em 15 minutos!
— Hmmm... "sua filha"? — Questionou deixando o café da manhã na cama.
— Sim, quando ela fica ligada no duzentos e vinte, é mais sua. — tentou não rir.
— Está querendo dizer que ela puxou a mim quando criança?
— Nem preciso dizer, não é mesmo?! — pegou a bandeja, começando a comer.
— Olha, eu era um menino exemplar para sua informação.
— Sei bem... — respondeu de boca cheia, colocando a mão sobre a mesma. — Desculpa.
— Desculpo depois que me der uma coisa, gulosinha....
— O que?
— Uma coisinha rosa e apertada. — Owen não se deu conta que Clarisse estava do lado dele.
— O que é?
Claire o encarou brava. Já havia o repreendido várias vezes, por não prestar atenção quando Clarisse estivesse por perto.
— Não é nada, filha. Tomou todo o mama?
— Sim, eu quero brincar lá fora e fazer castelinho de terra!
— Chama o papai para ir com você. Aproveita, amor. Porque amanhã vamos embora...
— Está bem. Devia ficar no sofá, minha mãe está bordando umas coisas lá.
Ela deu um longo suspiro.
— Prefiro ficar aqui, não quero ter que aturar seu irmão ou a mulher dele.
— Eles vão sair daqui a pouco. Podia aproveitar. Se ficar perto da minha mãe ela não vai deixar eles te importunarem. — Beijou a barriga dela e Clarisse fez o mesmo, imitando-o. Claire sorriu e deu um beijo na testa da filha é um selinho no marido.
— Está bem. — se deu por vencida, incapaz de dizer não ao charme do loiro.
Assim, Owen a ajudou a trocar de roupa e desceu com ela, a deixando deitada com uma coberta, muitos travesseiros, água e alguns biscoitos. E o Macbook ao lado.
— Nada de levantar daí, estamos combinados?
— Okay. — revirou os olhos. — Mas vê se volta logo, ou não vou ficar aqui...
— Vamos para piscina mais tarde?
Balançou a cabeça em negativa.
— Só quando voltarmos para Nublar, já falamos sobre isso.
— Não quer por um biquininho aqui? — Provocou.
Mas ela ficou séria.
— Não existe roupa de banho que caiba em mim.
— Então entra pelada, babe. Vai ser a melhor opção.
— Pára, Grady!
— Ok, azeda. — Owen a roubou um beijo e saiu com Clarisse nas costas.
Voltaram só para o almoço. Tereza tinha feito uma comida mais saudável por causa da nora preferida. A noiva de Steve notou isso e se mordeu de ciúmes em silêncio. Sem falar que ela tinha um pratinho cor de rosa especial para a netinha Clarisse, aquilo também quase a matou de inveja.
Era perceptível que ela queria fazer parte da família a força, e tinha a péssima mania de comparar Clarisse que era neta legítima de Tereza, com as duas filhas bastardas que nem de Steve eram. Outro motivo da inveja? O dinheiro que Claire e Owen tinham. Outro motivo? Claire estava plena e grávida, e Steve não queria crianças. A mulher estava sempre reparando nas roupas, sapatos e objetos eletrônicos caros do casal e sempre comparava os brinquedos da Clarisse com os baratos de sua filha mais nova.
— Como foi a caminhada com o papai, meu amor?
— Vovó, a gente andou de cavalo! Foi muito legal!
— É mesmo amor da vovó?
— Sim!
Tereza colocou cenourinhas com formato de sorriso no prato da netinha. Era uma receita dela própria exclusiva dos netos. Sem dúvidas Tereza era a melhor pessoa do mundo e Claire sempre agradecia por fazer parte daquela família. Sorriu com os cuidados da sogra para com a filha deles. Começou a comer, beliscou um pouco de cada coisa já que Tereza havia feito um banquete.
— Quando seu irmãozinho nascer, filha. Também quero andar a cavalo com vocês...
— Vamos agora mamãe, por favor!
— A mamãe tá gravidinha, não pode nem pensar em montar em um cavalo. — Owen explicou enquanto passava a mão na coxa direita da esposa, por baixo da mesa.
— Mas ela não precisa tirar a barriga papai...
Todos na mesa riram. Claire sentiu um arrepio percorrer seu corpo e olhou para o marido com um sorriso de canto.
— Só daqui uns meses, princesa...
— Por enquanto a mamãe monta em outras coisas... — Sussurra no ouvido da esposa.
Claire virou rapidamente o dando um selinho.
— Acho melhor ter cuidado com o que fala... — sussurrou.
— Eu falei alto?
— Não. — o beijou mais uma vez.
— Vamos passar a tarde juntinhos? Quero mimar minha gravidinha.
— Vamos sim. — respondeu toda boba, passando a pontinha do nariz na dele.
— Então termina de comer por que eu estou vendo muita comida nesse prato. — Disse já colocando suco pra ela.
Clarisse estava abrindo a boca cheia de comida mostrando para as novas "primas".
— Filha, não pode fazer isso. — Claire viu na hora.
Clarisse sentou-se e engoliu a comida imediatamente. Claire também logo terminou de comer, se sentindo mais redonda do que antes. Depois de retirarem da mesa, Owen levou Claire para dar uma caminhada no pomar e deitaram em uma rede embaixo de uma grande árvore. O loiro a ajudou a se deitar confortavelmente do lado dele.
— Quer dormir um pouco?
— Eu gostaria de congelar momentos assim, sabia?
— É mesmo? — Ele começou a fazer carinho nos cabelos ruivos dela, aproveitando para aspirar seu perfume delicioso. — Você tá usando algo com maçã e não quer me contar. Um sabonete? Colônia? — Owen afundou o rosto no vão do pescoço dela, deixando um beijo no local depois.
Claire sentiu seu corpo inteiro pulsar, uma carga de energia a consumiu. Era algo que não saberia explicar, algo que só sentia com Owen. Claro, é o amor que a faz sentir mais viva.
— Não estou usando nada de diferente...
— Então você veio assim de fábrica...
Claire riu alto e levantou a cabeça para olhá-lo.
— Como assim?
— Você é sempre cheirosa bebezinha. — Roubou um beijo dela.
Ela retribuiu toda carinhosa.
— Te amo...
— Então você me ama?
— Você dúvida disso?
— Então posso pedir o que quiser?
Ela revirou os olhos.
— Não começa, Owen.
— Nossa... tá bom. — Fez aquele tipíca cara de cachorro abandonado.
— Pára com isso, Grady. — disse em um tom de repreensão.
— Mas me diga... quando voltarmos você já vai sair de licença, né?
— O que? — o encarou novamente. — Ainda não...
— Não quero que se canse muito e fique brigando com as pessoas. Você fica vermelhinha de raiva... — Sorriu todo bobo.
E ela achou fofo, o dando um selinho.
— Quando voltarmos, vamos organizar tudo e prometo sair de licença. Combinado?
— Promete? Eu tenho algumas viagens em breve pra fazer, espero de verdade que não teime comigo. E já contatei uma empresa de segurança pessoal.
— Eu prometo sim, amor. Não precisa se preocupar, vamos ficar bem. Apesar que eu vou morrer de saudades...
— Vai rolar aquela transa na sala da presidência?
Claire ficou séria e desviou o olhar.
— Me explica uma coisa que não entendo? — Segurou o rosto dela fazendo-a olhá-lo.
— O que?
— Fizemos amor na antiga casa dos seus pais, na cama deles. Qual o sentido de não querer transar na sala da presidência por causa de respeito a alma do Masrani??
— Você é um idiota, Owen. — Tentou levantar irritada.
— Ahá! Eu te peguei Claire Dearing Grady! Agora está brava por que te deixei sem saída! — Owen estava morrendo de rir, tamanha a sua euforia e sentimento de que ganhou o que queria.
Claire finalmente conseguiu levantar, estava vermelha de raiva.
— Escuta bem, Owen Sheldon Grady. Isso nunca vai acontecer! — o deu as coisas e saiu andando em direção ao bosque. Sua barriga já pesava tanto, que estava começando a ter dificuldade para andar.
Owen parou de rir e foi atrás dela. Aquela atitude foi estranha para ele. Estranha demais.
— Claire, volta aqui...
— Me deixa em paz, Owen! — gritou.
Owen alcançou ela, a segurando firme para parar de andar.
— Me explica esse show aqui agora, por que eu juro que não estou entendendo. — Disse muito sério.
— Que show, hein? O fato de eu não querer transar na sala da presidência? Sempre disse que lá eu não transaria e mesmo assim você insiste. E eu prometi a mim mesma, que depois do que eu passei com o Justin. Quando eu dissesse “não” era NÃO! E quanto mais você insistir nisso, menos eu tenho vontade!
— O que o Justin tem a ver com a PORRA da sala da presidência, Claire????
— Me solta, Owen!
— Não, não solto. Se quer que eu comece a pensar coisas ruins de você, está conseguindo com sucesso. — Rosnou.
Por um instante, Claire o encarou estática. Não conseguindo acreditar que Owen pudesse pensar aquilo dela.
— Coisas ruins de mim, Owen? Que coisas são essas?
— Ora, nunca ouviu os boatos nos corredores do prédio? — Owen estava com os olhos crispando de ódio. Nem parecia ele.
Claire virou de costas para ele, se segurando para não chorar. Estava tão decepcionada, como jamais havia estado antes.
— Não consigo imaginar nenhuma explicação plausível para a merda desse showzinho seu, deve ter tido ótimos momentos lá, não é mesmo? Não quer estragar a memória do seu precioso Simon Masrani. Nem mesmo seus pais tem tanto respeito, por que SERÁ CLAIRE DEARING GRADY?
Claire sentiu um enorme ódio a consumir, virou acertando-lhe um forte tapa em seu rosto.
— CALA ESSA BOCA!
Tereza ouviu os gritos e foi imediatamente "separar" a briga.
— Mas o que é isso?
— Nada mãe, só estou descobrindo como a Claire conseguiu tanto sucesso na vida profissional. — Provocou.
— O que?
— Você me dá nojo, Owen. — seus olhos verdes estavam repletos do raiva e tristeza. Respirou fundo. — Para sua informação, foi NAQUELA MALDITA SALA QUE PEGUEI O JUSTIN TRANSANDO COM OUTRA! Você é tão estupido, Owen! NUNCA SE PERGUNTOU PORQUE EU NUNCA QUIS AQUELA MALDITA SALA? — gritou como jamais tinha feito antes.
Tereza imediatamente a abraçou na tentativa de acalmá-la. Owen riu em deboche da situação, a mãe sempre iria ficar do lado de Claire.
— Claro, a saudade e amor pelo Justin ainda está bem vida aí dentro, huh?
— Por favor gente, a Clarisse não pode ver isso... Se resolvam em um quarto de porta trancada.
Claire parou secando as lágrimas, olhando fixamente para Owen com um olhar que ele jamais havia visto nela. Fria, como se nada daquilo lhe importasse mais.
— Parabéns, Grady. Você conseguiu superar todas as atitudes babacas que já teve. Espero que este loja bem ciente que isso, eu jamais vou esquecer. Das suas palavras, do seu deboche. — sua voz era firme, assim como quando tratava de negócios.
— Certo. Quer um prêmio? Relaxa que não vou te encher mais com isso. Talvez meu maior erro é te desejar 24 horas por dias. Eu deveria te deixar pra lá. — Dito isso, entrou na casa.
— Filha, meu Deus... vamos entrar, você está tremendo!
Claire virou para a sogra, séria.
— Eu quero distância do seu filho, está bem?
Tereza levou Claire para dentro, fez um chá para ela e Owen. Fez a nora contar tudo o que aconteceu e tentou ajudá-la com conselhos. Mas Claire não queria saber, Owen foi cruel com seus julgamentos e palavras. E não queria vê-lo tão cedo.
— Eu vou comprar passagens em horários diferentes. — comunicou a sogra.
— Não faça isso, acho que deveriam se acertar. Vou falar com o Owen agora...
Diferente das outras brigas que Claire ficava chorosa e mal, ela estava muito assustadora.
— Não vai. Não precisa. Eu não quero ficar horas dentro de um avião com ele.
— Acho que... faltou diálogo nisso. Se tivesse contado, ele não pensaria nada. Não que eu esteja o defendendo...
— Me desculpe, senhora Grady. Acho bom isso ter acontecido, descobri até que ponto Owen pode pensar de mim. — suspirou balançando a cabeça. — Depois de todo o que vivemos... ele ainda tem a coragem de dizer que me ama. — riu sarcástica.
Tereza não estava reconhecendo a própria nora mais.
— E as coisas do bebê amanhã?
— Não vamos comprar nada. Depois resolvemos isso. Só quero voltar para Nublar e trabalhar.
— Certo, filha.
Ao anoitecer, o jatinho da família Grady pousou na área de pouso que Owen tinha mandado fazer. Claire tinha preparado a mala da filha, pois sabia que Owen iria fazer questão que a pequena fosse com ele.
— Já sabe princesa, se comporta. — deu um beijo e abraço na filha. — Logo a mamãe vai estar com você.
— Mas você não vai com a gente? — Perguntou com os olhinhos grandes e brilhantes.
— A mamãe vai depois...
— Vai agora? — Pediu com o maior dengo.
— Não posso, meu amor. Mas logo estarei com você. — a abraçou.
Quando Claire notou, até as coisas dela foram levadas para a pequena aeronave. Mas ela não se importava, era só comprar coisas novas. Antes do embarque, o piloto avisou para Claire embarcar. Tereza já tinha se despedido do filho e da neta. Foi direto abraçar Claire.
— Não precisa me abraçar, eu não vou agora. — murmurou para a sogra.
— Vá minha menina. Piorar as coisas não é uma boa opção. — A beijou toda maternal. — Sei que é muito inteligente. Mais que o cabeça dura do meu filho.
— Pois agora quem está com o coração duro sou eu e não pretendo perdoar seu filho. — a deu um beijo, de despedida e entrou. Só entrou por Tereza.
Tereza acenou com lágrimas nos olhos. Depois de se acomodarem, o jatinho decolou. Logo começou a fazer um frio incomum. Owen agasalhou Clarisse com a roupa reserva na mochilinha dela.
— Papai, quero dormir naquela cama!
— Daqui a pouco, bebê. Não podemos sair do cinto agora.
— Hmm... mas eu queria. — Fez um biquinho. — A mamãe sentou lá longe. Ô MAMÃE!!!!!!!!!
Claire estava com fones de ouvidos, vendo um filme em seu tablet. Acabou não ouvindo a filha. Clarisse ficou impaciente e tentou sair do cinto. Owen a segurou.
— Nada disso. Agora não.
— Deixa papai... — Começou a chorar baixinho de bracinhos cruzados.
Em um certo momento, Claire levantou e foi ao banheiro. Ficou um bom tempo lá. Logo a ruiva viu pequenos dedinhos por baixo da porta, e sussurros da filha.
— De quem será que são esses dedinho de princesa?
— É meu mamãe... a Clarisse! Tá fazendo xixi?
A mãe riu com o jeitinho dela.
— A mamãe não está se sentindo muito bem, mas já já eu saio...
— É que eu queria fazer cocô! — Resmungou.
Claire abriu a porta, estava pálida. Tinha vomitado bastante. Pegou a pequena e a sentou no vaso.
— Prontinho...
— Mamãe, o Oliver vai nascer no cocô né?
— A mamãe já te contou como ele vai nascer...
— Você vai fazer xixi e ele vem!? — Questionou balançando as perninhas no vaso com a carinha mais curiosinha.
Claire riu e explicou novamente.
— Eles vai cortar a barriga da mamãe... — ficaram um bom tempo ali. Até que Clarisse terminou e as duas saíram do banheiro.
— Mamãe, por que nao tem outras pessoas nesse avião?
— Por que esse avião é nosso...
— Hmm... é meu também?
— É sim, meu neném.
— Posso por rosa na parede?
— Pede para o papai...
— Senta aqui perto do papai. — Puxou a mão da mãe levando até Owen, que estava lendo uma revista de motos.
Claire suspirou e sentou por causa da filha.
— Mamãe, o papai disse que você é a mais bonita do mundo.
Owen ficou vermelho imediatamente. De todas as cores possíveis.
— É mesmo, filha? — disse evitando olhá-lo.
— É, ele disse que você é gostosa.
— Clarisse Grady! Já disse pra não falar essa palavra! — O pai a repreendeu.
— A culpa não é dela, só repete o que escuta. — o repreendeu o encarando.
— Relaxa, esse tipo de elogio jamais se repetirá novamente.
Owen disse fuzilando a esposa com os olhos. Clarisse ficou olhando para os dois sem entender. Claire deu de ombro.
— Não faço questão de mais nada que venha de você. — o encarava da mesma forma.
Owen arregalou os olhos e Clarisse notou a situação, mesmo sendo tão pequena. Começou a ficar muito calada e sem brincar com nada, longe deles.
— Parabéns Claire. Você está de parabéns. Envolveu uma criança inocente nisso, graças a sua língua grande! — Acusou.
— Minha língua grande? Foi você que começou. Mas como sempre, tudo é culpa minha. Por isso não queria vir com você, porque não consigo mais olhar para você, Owen. — sua voz saiu tão firme, que nem parecia a Claire sentimental de sempre.
— Eu? Você mentiu pra mim.
— Eu omiti, Owen. É bem diferente. Mas você me humilhou, como jamais eu tinha sido antes... logo você, que dizia me amar. Como teve coragem de pensar aquilo de mim? — questionou indignada.
— Você disse que flagrou ele na cama com outra. Foi mentira sim. E pior ainda, se está importando tanto é por que gosta dele. Fui baleado atoa aquele dia, podia ter te entregado para o Justin naquele mesmo dia! Problema resolvido para a sua saudade.
Claire desviou o olhar, começando a rodar a aliança em seu dedo.
— Entendi. O que mais pensa sobre mim?
Owen estava bem olhando ela brincando com a aliança.
— Você reclama de não querer terapia por não se abrir com ninguém, mas nem comigo você se abre. Você é como uma montanha impermeável. E eu sou a água do mar, tentando inutilmente te deixar mais maleável, o que nunca vai acontecer. Se vai tirar essa aliança agora, saiba que não vai precisar por novamente. É uma promessa.
Ela o olhou no fundo de seus olhos.
— Você quer que eu tire, Owen? Depois de tudo o que eu vi, realmente não sou uma boa esposa.
— Você gerou toda a confusão por que simplesmente não conversa comigo. O que eu sou pra você?
— Depois do que você disse ontem, não importa mais. Sabe?
— Eu nunca fui um nada. Eu sou um merda mesmo. Mereço ficar sozinho o resto da vida, comendo um monte de vadias sem caráter. O que reflete bem a mim mesmo.
Owen levantou e foi para o quarto, onde achou a filha deitadinha. Claire sentiu algumas lágrimas escorreram por seu rosto, mas as secou rapidamente e foi atrás dele.
— Não terminamos a nossa conversa.
— Não?
— Não!
— O que quer?
— Resolver a nossa vida.
— Certo. — Fechou a porta do quartinho para Clarisse não acordar, e ficou de frente para ela. Dava para notar com a luz, a marca da mão dela no rosto do marido, inclusive na parte da aliança, um pequeno ferimento. — Dessa vez, ou nos entendemos. Ou assinamos os papéis do divórcio.
— Ok.
Ela respirou fundo e começou:
— Todas as vezes que discutimos você é cruel com suas palavras. Muito. Mas dizer que tive um caso com o Masrani, foi a pior coisa que já me disse...
— Eu não disse isso, Claire.
— Não?
— Não...
— Vocês está com um grande problema de memória então.
— ARGH! DESCULPA TÁ BOM? DESCULPA!
— Pára de gritar!
— Certo. Desculpe. Não queria te ofender, eu fiquei cego de raiva e falei tudo o que passou na minha cabeça.
— E você acredita no que disse?
— Não. Eu disse por que sou idiota.
— Ok. — disse apenas.
— Então estou perdoado?
— Está. Mas preciso de um tempo.
— Ok. Posso ir dormir?
Ela saiu da frente, dando passagem para ele. Owen foi deitar com a filha que já estava dormindo, com um início de febre. Claire ficou na poltrona o resto da viagem.
*
A chegada em Nublar foi rápida. A família foi direto pra casa de carro, em completo silêncio. Clarisse dormindo no colo do pai.
— Ela está com febre. — Comentou sem olhar pra esposa, depois de deixá-la no quarto.
— O que? — O encarou. — Por que não me disse antes?
— Você não quer falar comigo.
Ela revirou os olhos.
— Para de interpretar mal as coisas que eu falo. — se aproximou. — Eu só preciso de um tempo para a dor que senti, desapareça. Não significa que não vamos nos falar. Ainda mais se tratando da nossa filha.Owen
— Certo. Eu já dei banho nela e dei um xarope.
Ela balançou a cabeça.
— Vou tomar banho, depois vou lá ficar com ela...
— Ok. Vou trabalhar.
Owen pegou o velho colete, enfiou na pasta e saiu, esquecendo da marca no rosto. Com certeza ia dar o que falar. Depois do banho, Claire foi deitar com a filha. Clarisse acordou mais tarde mole e ainda tinha febre. Preocupada, ligou para Owen.
— Oi, o que foi?
Owen atendeu mais rápido que o Flash.
— Vou levar a Cla no médico.
— Ela piorou?
— A febre não abaixou e estou preocupada.
— Vou buscar vocês.
Owen chegou em menos de 5 minutos e levou as duas ao médico, foram imediatamente atendidos. Enquanto o médico examinava a pequena, Claire o encarou.
— Obrigada por ter ido nos buscar... foi bem... rápido.
— Por que está agradecendo? É minha filha.
Ela balançou a cabeça e voltou a atenção para a filha. O médico não soube dizer o que a pequena tinha, já que dê saúde ela estava muito bem.
— Deve ser algo emocional. Talvez ela tenha passado por uma emoção ruim e o corpinho dela reagiu assim. O que entristeceu essa garotinha? — Disse enquanto anotava algo na receita, Owen olhou torto para a esposa.
Claire encarou o chão. Os três saíram de lá direto para casa. Clarisse ainda dormia profundamente, quente como fogo.
— E se eu por ela em uma banheira com gelo? — Perguntou normalmente, como se fosse uma ótima opção.
— Claro que não. É melhor banhar na água morna, quase fria. Ela tomou remédio e se Deus quiser, logo vai estar melhor. — disse aflita.
— Certo. Podia ficar com ela na banheira.
— Claro. — aceitou e quando a mesma estava pronta, entrou com a filha.
Clarisse começou a choramingar e se debater.
— Vovó, Vovó!
Claire a abraçou carinhosamente.
— Calma meu amor, a mamãe e o papai estão aqui...
— Papai?
— Sim... — olhou para Owen.
— É, to aqui filhinha... — Sentou do lado de fora da banheira, bem perto delas.
— Não gosto dessa água, tá fria! -Chorou.
— Está igual a água da piscina, Filha. Você não gosta da piscina? — tentou acalma-la.
— Nãooo... — Chorou gritando pedindo pra sair, depois acabou dormindo.
— Ela dorme rápido igual você. — Comentou rindo e olhou para Owen.
— E ela é tão dramática, igual você. — Devolveu o sorriso.
Ainda sorrindo, ficou um tempo o encarando.
— Melhor tirar ela dessa água gelada...
— Achei que ia me convidar para entrar, mas ok...
— Se eu não estivesse com a nossa filha no colo, talvez...
— Bom, não pretendia nada sexual. — Disse sério.
— Então tá. Pega ela por favor?
Owen pegou a toalha e pegou Clarisse, a embrulhando como um bebezinho. Claire saiu da banheira com muita dificuldade, odiava aquela situação. Foi trocar de roupa antes que ficasse doente. Owen ficou cantarolando uma musiquinha enquanto balançava a primogênita nos braços. Inventou uma música qualquer e cantarolou igual um retardado. Clarisse dormia tranquilamente nos braços dele. A febre já estava diminuindo.
— Olha amor... Claire... É... diminuiu a febre...
— Não sou mais seu amor? — perguntou colocando a mão sobre a testa da pequena.
— Você sempre será o meu amor.
Sim, Owen e Claire reataram de vez em poucos dias. Afinal, não conseguiam ficar sem o outro por muito tempo. Apesar do marido ainda ter receio de constrangê-la com suas fantasias sexuais descabidas, ele fingiu ser normal dali em diante. O velho Owen cheio de piadinhas, cantadas infames e não boba tinha "tirado umas férias". E assim os dias se passaram na Ilha Nublar.
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