História After You - Terceira Temporada
29 Um Cadáver no Halloween
Notas iniciais
*
— Como vocês bem sabem, nesta época do ano, sempre damos uma festa para as crianças no resort. E outra privada para os adultos. — Owen Grady fez uma pausa. Precisou conter uma risada com o eufemismo. — Porém, esse ano os espíritos me deixaram realmente inspirado. Eu, junto com minha esposa e alguns organizadores resolvemos expandir nossa pequena comemoração e decoramos toda a avenida principal para uma festa inesquecível. Vocês já receberam as informações por e-mail. A entrada é gratuita para funcionários, e...
Um momento de silêncio se seguiu, mas apenas do lado do microfone. Ao redor, todos os funcionários dos diversas áreas da parque estavam comentando sobre o que rapidamente recebeu o apelido de “Festa do Ano”. Alguns imediatamente trataram de cancelar as viagens até a cidade natal, outros adiaram suas férias. Qualquer coisa que pudesse se mostrar um empecilho pra ter acesso à melhor festa de Dia das Bruxas do Jurassic World seria rapidamente descartada — pelo menos era assim que os trabalhadores do resort pensavam. Um pedido de silêncio rompeu com o falatório. Owen voltou a falar novamente, mas desta vez, sua voz havia assumido um tom apressado.
— A primeira festa acontecerá ás 16h e a segunda começa hoje às 22h. Vocês estão prontos para viver um pesadelo na ilha ensolarada? Porque eu sim! Declaro oficialmente aberto o melhor Halloween de todos os tempos!
Todos presentes bateram palmas e gritaram, mais animados que nunca. Naquele instante, a única coisa com que os funcionários e turistas estavam preocupados atendia pelo nome de A Nightmare on the Isla Nublar, como revelou o convite enviado digitalmente no começo do mês de Outubro. O convite revelou também que a festa aconteceria simultaneamente nas oito ruas principais do resort. Isso significa que, na verdade, a organização de eventos juntamente com a gerência, não haviam planejado apenas uma única festa gigantesca, mas sim oito festas diferentes: cada uma em uma rua. Owen deixou claro que ficaria à critério pessoal escolher qual festa frequentar; desde que usassem fantasia, o acesso livre era garantia se estivessem usando a pulseira especial do evento.
Aquele parecia ser o ápice; todos as pessoas ali presentes encontravam-se em estado de euforia total.Existem oito subgêneros que podem ser encontrados em filmes de terror: Sobrenatural, Psicológico, Slasher, Teen, Gore, Found Footage, Thriller e finalmente, Trash. A Nightmare on the Isla Nublar, portanto, ocuparia quase todo o parque com um propósito muito maior: Trazer uma festa especialmente dedicada a contemplar cada subgênero do terror. A festa era, nada mais, nada menos, que uma homenagem única à história do Terror na indústria cinematográfica ao longo da história.
Após a reunião terminar, todos ainda falavam da festa. De milhares pessoas, existia uma que não estava tão animada assim. Essa era nada mais, nada menos que Claire Dearing. Quem a conhecia, sabia que ela não gostava muito de festas. Mas ela estava dando total apoio ao marido, queria fazê-lo feliz. Ela adorava ver a forma que Owen estava empolgado, seus olhos até brilhavam quando conversavam sobre o assunto e aquilo a fazia sorrir.
— Parabéns senhor Grady. — Cochichou para ele, enquanto observavam todos saírem do grande salão. — Todos ficaram bem animados, graças a você.
— Graças a nós, amor. Sabe qual foi minha motivação maior?
— Qual? — segurou a mão dele.
— Nossa filha. Apesar dela crescer longe do nosso país natal, quero que ela conviva com a cultura de lá.
Claire sorriu o abraçando.
— Você razão e o meu total apoio. — o deu um selinho. — Ela puxou você em adorar festas...
— E você tem que aprender a gostar, dengo.
— Ah amor, nunca gostei muito. Mas eu garanto que sei organizar uma. — riu e saiu dali o puxando pela mão. — Vamos para minha sala, quero te mostrar umas coisas...
— O que vai me mostrar? — Owen já estava com as duas mãos no traseiro dela.
Claire sorriu e ao fechar a porta de sua sala, atacou o marido o beijando intensamente. As mãos percorriam pelo corpo do marido e o jogou no sofá e sentou em seu colo.
— Você está tão lindo... — beijou seu pescoço. — Tão cheiroso... Vamos ter que trabalhar muito para deixar essa festa perfeita... — mordeu o lóbulo de sua orelha.
— Se você chegar na festa já vai estar perfeita... com a anfitriã mais gostosa da noite.
As mãos habilidosas encontraram o caminho para os seios dela por baixo da camisa social. Owen os massageava com as mãos cheias, fazendo movimentos circulares. Claire jogou a cabeça para trás e gemeu. Então voltou seu olhar para o dele.
— Eu prometo que vou tentar me divertir nessa festa, junto com você e a nossa filhotinha.
— Acho que vai se divertir mais na infantil do que a para adultos... prometo não te deixar sozinha nenhum segundo.
— Está bem. — sorriu e o beijou novamente.
Até que batidas na porta foram ouvidas. Era Tyna. Com a saída de Rebecca, a eficiente secretária estava ajudando a esposa do chefe em algumas coisas. E era óbvio que a própria Tyna adorava: Recebia o salário em dobro.
— Senhor Grady?
— Droga... — Murmurou.
Owen tirou as mãos do seu objeto de desejo e arrumou a roupa dela de volta no lugar.
— Só um minuto... — disse alto e revirou os olhos por atrapalhar aquele momento. — Mais tarde você não me escapa... — deu um selinho nele e levantou, indo abrir a porta. — Oh, olá Tyna.
— Desculpe. — a loira disse educada. — Só vim avisar da reunião daqui a cinco minutos... O pessoal da contenção já está lá.
— Que ótimo, eu já estava indo mesmo.
O casal se despediu com um beijo rápido. Claire suspirou quando o amado saiu e foi para a sua poltrona atrás da mesa imponente de vidro. Nada melhor do que o trabalho.
*
Em todo o final de semana e durante a semana seguinte, Owen e Claire trabalharam nos planos da festa de halloween. Nunca tinham tempo suficiente para ficarem um com o outro, e isso era frustrante. Obviamente, Claire ainda tinha suas consultas quinzenais com a doutora Jones e o marido não perdia uma. Mesmo que isso significasse que ele não iria almoçar durante um dia inteiro, para Owen, valia o esforço. Mas ele a beijava com cada vez menos frequência e Claire sentiu a distância entre eles se alargar.
Naquela sexta, Owen e Claire decidiram dormir na casa de praia para fugir um pouco do caos que era comandar um resort. Obviamente, a pequena Clarisse foi junto. O céu estava cinzento e ameaçando cair uma tempestade a medida que os três foram entrando na casa. Estava excepcionalmente frio para o meio de outubro, e as árvores sinalizando a silenciosa floresta sentiam o beliscão do vento gelado. As orquídeas estavam em um rosa delicado, enquanto as bromélias estavam de um roxo radiante.
Emma os saudou na porta com um: "Cheguei mais cedo para deixar tudo limpo para os senhores, a casa é de vocês."
Havia um pássaro grande e muito bonito em um galho de árvore próximo a janela da sala, fazendo o maior barulho. Comumente, Clarisse correu para ficar de pé no sofá e se conteve em admirar a ave, para depois imitá-la. Por longos minutos.
— PAPAI, MAMÃE!!! OLHA ESSA GALINHA VERMELHAAAAAA! — Berrou Clarisse, no auge da euforia infantil.
— Isso não é uma galinha, meu amor. É uma arara vermelha. — Respondeu o pai enquanto tentava sintonizar a TV no canal que Claire tinha pedido. Estava tão concentrado na sintonização, que nem estranhou o fato de já ser noite e ter um pássaro acordado aquele horário.
— Oh papai, eu quero um, eu quero um!
— Te garanto que ele fica melhor vivendo na floresta, filha. Ele ia ficar muito triste morando naquele apartamento. Eles gostam de voar bem alto e ficar nas árvores...
Clarisse pareceu se contentar com a explicação, era uma menina muita boazinha para saber que não queria fazer nenhum animal triste. Claire riu com a admiração da filha pela ave, quando seu celular vibrou avisando que havia chegado um e-mail. Olhou rapidamente para a tela e depois para Owen. Eles tinham combinado de pelo menos aquele fim de semana, esquecer o trabalho e curtir a família.
— Amor? Chegou um e-mail sobre a festa. — avisou. — Então... acho que é importante.
— Não vamos ver nada sobre isso até domingo.
Claire bufou revirando os olhos.
— O que vamos jantar?
— Pergunte a Emma.
O pássaro grasnava agudamente para a escuridão. Owen até pensou que ela pudesse estar ferida, mas descartou a possibilidade depois que a examinou com os olhos. Para todos os efeitos, Owen era especialista em comportamento animal. Aquilo estava tão estranho que chegava a ser bizarro, mas seus pensamentos ruins foram interrompidos pelo cheiro da comida de Emma. Owen foi direto para cozinha ver do que se tratava o jantar, enquanto Clarisse se inclinava no sofá para ver o pássaro melhor. A criança apenas deu uma olhadela para a mãe e subiu no encosto do sofá para escalar a janela, com o plano de subir na árvore e capturar sua "galinha vermelha".
E foi quando Claire desviou o olhar da TV e viu o que a sapeca estava prestes a fazer. Rapidamente, ou o máximo que ela conseguia ser com aquela barriga. Ela segurou a mão da pequena.
— O que pensa que vai fazer, mocinha?
— Eu vou pegar ela, mamãe. — Explicou como se fosse óbvio.
— Não pode, filha. — sentou trazendo a pequena junto. — Ela não gosta de ficar presa...
Meia hora depois, o jantar foi servido e foi bastante agradável. Apesar da ave ter dado trégua nos barulhos insuportáveis, o animal tornou a grasnar desenfreadamente por volta das dez e meia da noite. Clarisse já era para estar dormindo ás nove e meia.
— Vou tentar capturá-lo, deve estar doente. — Disse Owen depois de tentar por a filha para dormir pela quinta vez. Pegou uma lanterna velha, e sumiu na escuridão.
Eles já tinham apagado todas as luzes da residência, e deixado apenas uma vela no criado-mudo, ao lado da cama da filha. Pelo menos até ela dormir. O quartinho estava sendo iluminado apenas pela vela, dando para ver claramente as feições inocentes de Clarisse, que não demonstrava qualquer resquício de sono.
Então, a vela apagou-se.
Clarisse mexeu-se na escuridão repentina. Claire tinha sentido o vento, uma rajada fria que levantou as cortinas de seda lilás. Vinha das portas francesas atrás dela, e ela se virou rapidamente. Ela jurava que aquelas portas estavam fechadas.
Algo se moveu na escuridão.
Terror passou por Claire, varrendo sua autoconsciência. Por um terrível e doentio momento ela pensou que fosse Justin, lembrando-se dos episódios acontecidos anteriormente. Seu coração contraiu e ela sentiu como se tivesse mergulhado, sem aviso, em seu pesadelo mais apavorante. Não estava somente escuro como absolutamente silencioso. Até uma vozinha dengosa indagar:
— Mamãe, o passarinho parou de latir?
Mas a mãe ignorou a pergunta. Claire engoliu seco, seu coração batia tão rapidamente que doía em seu peito.
— O-Owen? — gaguejou, pegando Clarisse no colo e a abraçando protetoramente.
— O que foi mamãe? — Questionou confusa por ter sido tirada da cama.
— Nada, filha... — ficou encostada na parede, tentando identificar qualquer movimento.
Logo mais, ela escutou o som do marido acendendo a luz do andar de baixo e mexendo em algumas ferramentas na despensa. Nesse pequeno prazo, Clarisse tinha dormindo no colo dela. Claire respirou aliviada e acendeu o abajur perto da cama dela, a colocando com cuidado na cama para não acordar. Owen subiu com uma expressão bastante confusa, até que viu Clarisse dormir e sua expressão se suavizou.
— Eu tinha fechado a porta da varanda. Por que abriu? — Foi fechá-las imediatamente.
Claire o encarou ainda pálida e com os olhos verdes arregalados.
— Não fui eu, Owen...
— Acredita que o pássaro estava morto quando cheguei lá?
— Como assim morto? Eles ficou a noite toda fazendo barulho...
— É sério. Estava duro como pedra no chão. Eu enterrei no fundo para Clarisse não ver amanhã cedo.
Ela o encarou sem entender nada.
— Acho melhor ela dormir com a gente...
— Como quiser. — Disse friamente ao passar por ela, pegar Clarisse e levar para o quarto.
Claire ficou ainda mais confusa com aquela reação dele, e foi atrás.
— Hey, o que foi?
— O que foi o que?
— Por que me tratou tão frio?
— Estou te tratando frio, Claire? Estou como sempre estive!
Ela deu um passo para trás surpresa com o jeito dele.
— Está bem, Grady. Vou ir tomar banho. — pegou algumas coisas e foi para o banheiro.
— Não demore, eu quero ir também.
Meia hora depois ela saiu e foi secar o cabelo.
Então, Owen foi tomar banho. Ficou de molho no chuveiro até a fumaça quente tomar conta do quarto.
Claire olhou aquilo pensativa, se fosse como antes, entraria no banheiro e gritaria para ele sair logo de lá. Mas decidiu apenas ignorar, não estava afim de levar outro fora.
Depois do banho, Owen ainda vistoriou o lado de fora da casa com uma lanterna e checou se tudo estava trancado. Emma já tinha ido embora, mas uma dúvida pairava no ar o deixando com certo receio. Depois de se sentir seguro ao checar cada canto da casa, foi se deitar. Claire já na cama, mas um e-mail chegou em seu celular e ela foi olhar de que se tratava.
Apesar de toda a frustação que Owen estava sentindo pelo seu casamento não estar como ele queria, resolveu mudar de atitude, em vez de brigar com Claire.
— O que conversamos? — Esticou o braço alcançando o telefone dela, desligando-o logo em seguida. Só não chegou mais perto por que Clarisse estava entre eles. — Sei que é difícil conter seu vício pelo trabalho. Só queria que descansasse, já que não saiu de licença ainda por que é teimosa.
— O plano era esquecer o trabalho e tentar aproveitar a família... mas acho que isso vai ser difícil. — desviou o olhar e desligou o abajur.
— Eu que o diga, né Claire? Quem pegou o telefone foi você!
— Eu só peguei para ver a notificação, Owen. Eu não ia desbloquear o celular. — explicou e virou para o outro lado.
— Certo... — Ficou olhando-a de costas até começar a sentir sono.
— As vezes acho que nada mais vai ser como antes... — sussurrou.
— O que?
— Nosso casamento. Parece que existe um grande abismo entre nós dois.
— Sim. Igual agora com você me dando as costas. Por isso colocou a Clarisse aqui, certo? Eu entendo. É só me falar a verdade e está tudo certo.
Ela virou novamente para ele.
— Eu coloquei ela aqui, porque tenho certeza que quando você estava lá fora, alguém entrou no quarto dela.
— Não tinha ninguém. Eu olhei tudo... — Owen estranhou, afinal ele teve a mesma sensação. — Boa noite...
Claire suspirou cansada da situação.
— Boa noite, Grady.
*
Trovões rosnaram acima de suas cabeças enquanto eles se dirigiam para a festa, e Owen olhou para fora da janela com banal desolação. A cobertura de nuvens estava grossa e escura, apesar de ainda não ter começado a chover. O ar tinha uma sensação carregada e elétrica, e as trovoadas roxas mal-humoradas davam ao céu uma cara aterrorizante. Era uma atmosfera perfeita para o Dia das Bruxas na Ilha Nublar, ameaçadora e de outro mundo.
Clarisse havia ficado em casa, já que já tinha aproveitado a festa exclusiva para crianças durante a tarde. Agora a noite era dos adultos. Claire permanecia ao lado de Owen em completo silêncio e nada animada com a festa, sentindo-se ridícula com aquela fantasia de chapeuzinho vermelho.
Ao chegarem lá, Owen despreocupadamente tomou um rumo diferente. Passou pelo cadáver sangrento, que nada mais nada menos era um dos funcionários do centro de Controle, Aaron Kroening. Ele olhou de volta para a multidão que tinha se reunido atrás dele: Quatro ou cinco demônios, um dinossauro, um gorila e um corcunda.
— Tudo está sobre controle. — Owen disse e a multidão se dispersou.
Sem dúvida, quando Owen olhou para o senhor Kroening agora, ele teve a mesma expressão, ligeiramente tonta.
Ele sentiu uma ondulação lenta de inquietação.
— Vamos. — Disse para Claire. — Vamos lá para frente.
Eles cortaram caminho direto pela Sala de Aterrisagem Alienígena e a Sala dos Mortos-Vivos, deslizando entre as divisões e saindo na primeira sala onde os visitantes entram e são cumprimentados por um alienígena. Claire se soltou da mão dele.
— O que foi?
— O que foi você? Nem sua mão posso segurar mais, qual o seu problema? Claire, se você não gosta mais de mim, é melhor nos separarmos de vez! Isso me dói, sabe?
— E como acha que me sinto, Owen? Uma baleia grávida e rejeitada. Não nos tocamos ou temos um gesto de carinho há um tempo e do nada quer segurar a minha mão?
— Não nos tocamos? Você me odeia! Depois daquela briga na casa da minha, eu jurei que nunca mais ia olhar para você como olhava antes. Você não gosta e isso ficou claro pra mim. Quer um casamento morno e sem graça igual de todo mundo? Você tem agora! Então não reclame. Eu me senti um pervertido da pior espécie e prometi que nunca mais ia fazer nada nem falar nada com você.
Claire balançou a cabeça.
— Se acha isso, é melhor mesmo a separação.
— Certo...
O coração de Claire doeu naquele momento.
— Certo!
Naquele momento, alguém apareceu. Nada mais nada menos que Tom.
— Oi gente...
— Oi o que??? — Respondeu mal-humorado.
O moreno o encarou sem graça e olhou para Claire, notando o clima tenso.
— Acho melhor nos falarmos depois... — saiu.
— Você é um idiota, Owen.
— Já vai defender seu próximo marido?
Claire o encarou com os olhos marejados.
— Você sempre me ofendendo...
— Você me ofende! Eu não consigo nem olhar mais pra você...
Owen saiu dali a deixando sozinha. Foi quando Claire percebeu, ninguém estava olhando para ela. Do contrário das festas anteriores, Claire era sempre o centro das atenções. Exceto aquela noite. Ela olhou para cima secando as lágrimas e saiu dali. Andou o máximo que aguentou, não queria ficar naquela festa. Durante o pequeno trajeto que a ruiva fez, viu Vivian vestida de Cleópatra e Lowery de palhaço. Casal nada dinâmico.
— E aí chefinha, tá tudo bem? A festa tá bombando! — Exclamou animado com um copo de suco de framboesa na mão. — Ainda bem que não trouxe a pestinha, ela ia morrer de medo daquele cadáver sangrento na entrada. Até eu fiquei com medo... — Gargalhou alto.
Claire o encarou com os olhos cerrados, lembrando da cena e se sentou enjoada.
— Alguém caprichou na fantasia... — comentou aproveitando para pedir um copo de suco. — Nada criativa essa sua fantasia.
— Por que não? Eu sou o mais legal da festa inteira!
Claire o encarou. Lowery estava ao seu lado desde o início praticamente e sempre estava lá. Era até estranho pensar dessa forma, mas ela sabia que podia contar com ele.
— Talvez tenha razão. — deu um gole em seu suco de laranja.
Lá fora, o trovão estrondou novamente, e através da porta aberta Claire viu um flash de luz no céu noturno. Houve uma explosão de trovões mais barulhenta alguns segundos depois.
— Espero que não chova. — Vivian disse.
— Sim. — Disse uma colega dela, ao lado.
Uma voz soou ali por perto.
— Tudo bem, eles estão prestes a liberar a fila do estacionamento. Desligue as luzes, Eddie!
De repente, obscuridade descresceu e o ar ficou cheio de gemidos e risadas maníaca, como uma orquestra se afinando.
— É melhor irem se preparar para reuní-los. — Lowery disse para Vivian, silenciosamente. A loira concordou e desapareceu a escuridão. Lowery colocou sua touquinha de cabelo colorido e estava ligando o pendrive na caixa de som que acrescentava uma música lúgrube á cacofonia. — O show começou.
*
Claire se moveu de sala em sala localizando problemas. Em anos anteriores, ela tinha apreciado mais essa parte da noite, observando as pavorosas cenas sendo executadas e o terror delicioso dos visitantes, mas aquela noite havia um sentimento de temor e tensão sustentando todos os seus pensamentos.
Um anjo da morte — Ou pelo menos foi isso que ela achou que era a imagem encapuzada em mantas pretas era, passou por ela, e ela se distraiu tentando lembrar se o tinha o visto em alguma das festas do Dia das Bruxas. Havia algo familiar no jeito em que se movia.
Vivian Krill trocou um sorriso perturbado com a alta e esguia bruxa que estava comandando o tráfico na Sala da Aranha. Alguns turistas adolescentes estavam batendo nas aranhas de borracha penduradas e gritando e em geral perturbando a todos. Vivian empurrou-os para a Sala dos Dinossauros Carnívoros. Vivian sentiu um mal estar ao ver o Sr. Kroening esticado no altar de pedra, sua túnica branca rigorosamente manchada com sangue, seus olhos encarando o teto.
— Legal! — Gritou um dos jovens, correndo para o altar. Vivian ficou para trás e riu maliciosamente, esperando que o sacrifício sangrento se levantasse e desse um belo susto no garoto.
Mas o Sr. Kroening não se moveu, mesmo quando o garoto mergulhou sua mão na poça de sangue perto da cabeça do sacrifício.
''Isso é estranho'', pensou Vivian, correndo para prevenir que o rapaz pegasse a faca do sacrifício.
— Não faça isso! — Ela repreeendeu. Vivian sentiu um medo irracional de que o Sr. Kroening fosse esperar até que até ela se inclinasse sobre ele para fazer ela pular. Mas ele simplesmente continuou encarando o teto.
— Senhor Kroening, você está bem? Senhor Kroening? Senhor Kroening!
Nenhum movimento. Nenhum som. Nenhum vacilo daqueles olhos brancos arregalados. ''Não toque-o, Não toque-o, Não toque-o''.
Debaixo da luz do estroboscópio ela viu sua própria mão avançar, viu-a agarrar o ombro do Sr. Kroening e chacoalhá-lo, viu sua cabeça cair na direção dela. Então ela viu sua garganta.
Então ela começou a gritar.
Pessoas que estavam ao redor se aproximaram para ver o que havia acontecido. A cena era muito perturbadora. Gritos e um multidão começou a correr. Aquilo chamou a atenção de Claire, que estava confusa. Será que fazia parte do “show” também.
Até que avistou Vívian ajoelhada e gritando. Se apressou até onde a loira estava.
— O que foi, Viv... — calou-se ao testemunhar a terrível cena. Deu um passo para trás sentindo seu estômago revirar e seu visão ficar embaçada.
Owen escutou os gritos. Eles eram agudos e prolongados e diferente de qualquer um outro som na Casa Assombrada, e ele soube de primeira que não era brincadeira.
Tudo depois disso foi um pesadelo.
Alcançando a Sala de Feitiços correndo, ele viu um show, mas não o que estava preparado para os turistas. Vivian estava gritando, uma outra funcionária estava segurando seus ombros. Três jovens garotas estavam tentando escapar pela saída da cortina, e dois seguranças estavam espiando, bloqueando seu caminho.
— Ele está morto... — Vivian soluçava, os gritos transformando-se em palavras. — Ah Deus, o sangue é real, e ele está morto. Eu toquei nele, Claire, e ele está morto, ele está realmente morto...
As pessoas se aproximavam da sala. Alguma outra começou a gritar e isso se espalhou, e então todo mundo estava tentando sair, empurrando uns aos outros em pânico, batendo nas divisões.
— Acendam as luzes! — Owen ordenou. — Lowery, rápido, ligue para a ambulâcia, ligue para a polícia... ACENDA ESSAS LUZES!!!!
Claire respirou fundo, precisava ser forte. Precisava agir como uma verdadeira profissional. Pegou o celular e ligou para o centro de controle.
— Liguem todas as luzes agora mesmo. Quero uma equipe da segurança aqui na rua principal. Urgente! — ordenou e se aproximou de Owen.
— Não pode ficar aqui, está grávida. — Owen de imediato a tirou dali nos braços mesmo, já que a correria podia fazer com que alguém a derrubasse.
— Amor me põe no chão... rápido. — disse pálida.
Owen colocou ela no chão só quando chegaram no lado de fora, onde podiam respirar melhor. Ela correu para o canto, onde começou a vomitar muito.
— Já sabia que isso ia acontecer... — Segurou os cabelos dela, a amparando com um braço.
— Como isso aconteceu? — indagou chorosa.
— Não sei. Vou averiguar isso juntamente com a polícia. Temos câmera de segurança por todo o canto desse resort. Quero que vá para casa e fique com nossos bebês. — Entregou a chave do carro para a ruiva.
Ela pegou as chaves e o encarou.
— Promete que vai se cuidar?
— Prometo. Sei me cuidar muito bem. — Owen pegou um guardanapo e limpou a boca dela. — Vá...
Ela olhou para ela mais uma vez e foi em direção ao estacionamento. Quando a ruiva estava saindo de carro, ela avistou uma sombra parecida com a pessoa fantasiada de anjo da morte que viu na festa. Sentiu um enorme calafrio percorrer seu corpo. Seja lá quem fosse, estava parado parecendo encara-la. Claire imediatamente fechou as portas e ligou o farol.
— Mas o que é isso? — murmurou para si. Era muito suspeito. Aquele pensamento a deixou apavorada.
A figura correu para a floresta, sumindo na escuridão.
Claire saiu do carro. Ligou para Zia, pedindo para deixar tudo trancado que depois explicaria. Depois foi procurar Owen. Não o deixaria sozinho.
*
Quando as luzes ligaram, Owen olhou ao redor. O pessoal da equipe de segurança logo chegou para tomar controle da situação. Sua mente correu tentando pensar no que fazer a seguir. Parte dele estava simplesmente dormente de horror.
— TIREM TODOS DAQUI! TODOS EXCETO A EQUIPE PARA FORA! — A voz do loiro tinha um toque de autoridade e ele viu os seguranças fecharem as portas. Todos estavam lá fora, menos os funcionários que trabalhavam ali.
— Quem vocês acham fez isso?
— Alguém aqui fez isso, está certo. — Owen concluiu.
— Veja como a garganta dele foi cortada! Aquilo ainda está líquido, então aconteceu há pouco tempo... — Um segurança fez a observação, olhando a cara de um por um.
— Ele deve ter usado a faca! — Uma mulher vestida de pirata apontou para a faca espetada no altar.
Uma pequena discussão foi ouvida vinda do lado de fora. Um dos seguranças não queria deixar Claire entrar.
— SAI DA MINHA FRENTE AGORA MESMO, OU VOU DEMITIR VOCÊ! — Gritou, finalmente conseguindo entrar.
Owen revirou os olhos rindo mentalmente. A Claire Dearing de sempre.
— O que eu te falei, ruiva? — Levou ela para o canto da sala.
— Eu não consegui ir e te deixar aqui. — confessou.
— Mas eu vou ficar bem, eu me preocupo com você e o Oliver. Olha o tanto que você vomitou ali fora...
— Estamos bem. — Afirmou. — E eu vi algo muito estranho. Alguém estava vestido de Anjo da Morte, e me parece um suspeito. Quando foi para o carro, essa pessoa ficou me encarando e depois correu para a Floresta. Antes disso ele já havia me chamado a atenção na festa.
— Tá bom. Vamos olhar nas câmeras. — Colocou ela sentada em uma poltrona enquanto foi conversar com o chefe da segurança em particular. Logo a perícia chegou, olhou o corpo, tiraram fotos e ao constatar a morte, o levaram.
Tiveram que encerrar a festa, já que um possível assassino estava entre eles. Após muitas reclamações dos convidados. Os funcionários começaram a desmontar tudo.
— Acho que precisamos ir ao centro de controle. — comentou enquanto caminhavam até o carro.
— Você precisa ir deitar em uma cama. — Ajudou ela a levantar a levando para o carro.
— Eu estou bem, Owen.
— Ok... — O casal foi junto para o centro de controle onde o pessoal já estava lá trabalhando. Três membros da polícia estavam ali também coletando imagens.
— Quem faria isso?
— Alguém que queria prejudicar o parque. O Aaron não tinha nenhum inimigo por aqui... tinha?
— Não, o cara era muito gente boa.
— Conseguiram ver alguma coisa?
— Ainda não, Senhora Grady.
A ruiva respirou fundo. Frustrada com toda aquela situação. Além de alguém ter sido assassinado. Teria que lidar com a exposição que o parque sofreria. E temia que aquilo os prejudicasse.
— Que foi?- Conseguiram ver alguma coisa? — Ainda não, Senhora Grady. A ruiva respirou fundo. Frustrada com toda aquela situação. Além de alguém ter sido assassinado. Teria que lidar com a exposição que o parque sofreria. E temia que aquilo os prejudicasse.
Owen e Claire passaram a madrugada em claro. Depois de várias investigações falhas, Owen se jogou em uma cadeira após tomar o 5°copo de café.
— Vamos fechar o parque. Luto de três dias.
— E os hóspedes?
— Mandem darem baixa nos hotéis. Mandem todos para a casa. — Disse desanimado.
— E se eles reclamarem?
— Devolvam o dinheiro. Podemos oferecer um pacote grátis para quem se sentir prejudicado depois...
— Mas senhor Grady...
— Basta! UMA PESSOA FOI ASSASSINADA! E DESSA VEZ NAO FOI POR UM DINOSSAURO! O QUE VAI APARECER NOS NOTICIÁRIOS DAQUI A POUCO PELA MANHÃ? AH! JÁ SEI! — Owen se colocou de pé, completamente exaltado. — AH, A EQUIPE DE SEGURANÇA DO JURASSIC WORLD FALHOU MAIS UMA VEZ! TEM ASSASSINOS NA ILHA NUBLAR, NÃO VÃO PARA LÁ! UMA PORRA DE BILHÕES DE DÓLARES QUE NÃO TEM NEM O BÁSICO DA SEGURANÇA!
Todos ficaram em silêncio, assustados. Nunca tinham visto Owen Grady daquela forma. Ele tinha toda razão e Claire pensava da mesma forma que ele.
Fale com o autor