História After You

8 Capítulo - Justin - Parte II


As horas se desenrolavam até que finalmente uma enfermeira apareceu. Owen pulou da poltrona e a olhou quase implorando pra falar logo. Ele ouviu tudo e suspirou aliviado.

— Boa noite senhores!...A Senhorita Dearing já está no quarto e acordada. Não foi nada grave, apenas uns cortes não muito profundos devido ao vidro. Ela pediu para não ver ninguém agora, somente o Sr.Owen Grady, quem é?

Barry deu um tapinha nas costas dele

— Eu disse que ia ficar tudo bem com a ruiva! Vai lá, cara. — O homem deu um sorriso amigo para Owen. Ele agradeceu e seguiu a enfermeira até a sala de recuperação onde ela estava.

— Hey Claire... você quase me mata de preocupação... — Disse bem baixo pra não assustá-la, a expressão no rosto dela já dizia muito. Ele se ajoelhou ao lado da cama e pegou sua mão com cuidado. — Claire? Sou eu. — Disse suavemente tentando chamar a atenção dela.

Claire estava olhando fixamente para o corte em seu braço. Seu pescoço estava roxo com as marcas das mãos do homem que a atacou. Ao sentir aquele toque e aquela voz que tanto lhe fazia bem. Olha para Owen.

— Owen... — ela diz baixinho, sua voz quase não sai. — Owen! — começa a chorar e puxa ele pela mão que ele segurava para um abraço. — Ele ia me matar!...ele ia me matar!...ele ia me matar!...

Owen se manteve sério, mas a expressão estava bem preocupada.

— Olha, se eu pudesse ter evitado isso, eu juro que teria. Porque não me mandou uma mensagem dizendo que estava sozinha? Porque não me avisou, Claire? — Ele retribuiu o abraço por alguns segundos, mas se lembrou de tudo e pensou na possibilidade de ela ter comprometido algum osso. Ele a colocou de volta no travesseiro com cuidado. — Não pode fazer esforço... — Ele arrumou os travesseiros para que ela ficasse confortável e secou as lágrimas que caíam de seus olhos. — Jamais deixaria ele te matar! Não ia não... shh... — Owen colocou o indicador nos lábios dela para que parasse de falar besteiras. Ele não suportava nem imaginar aquela possibilidade trágica. Owen acariciou o rosto dela, tomando cuidado com as pequenas feridas. — Como se sente? Está doendo algo? Está com fome?

Ela fica observando a forma que ele cuidava dela. Sim!... Ela já estava completamente apaixonada por ele.

— Não precisa ficar com medo de me tocar... Eu estou bem! — percebeu o cuidado que ele teve de arrumar os travesseiros para ela. — Owen, eu sempre fico sozinha. Jamais imaginei que isso iria acontecer. E... Eu estava pensando... — começa a gaguejar com dificuldade em dizer aquelas palavras. — Não quero te trazer problemas! Acho melhor nos afastarmos. — ao dizer aquilo sentiu um aperto no peito, não é o que ela realmente quer. — Ele sabe que estou saindo com você e não podemos controlar quem entra no parque... — começa a escorrer lágrimas de seus olhos. — Não posso permitir que nada, nada lhe aconteça! Ficar perto de mim é um perigo para você. Esse desgraçado nunca vai me deixar em paz e não me perdoaria se ele fizesse algo contra você Owen, ainda mais porque... — ela hesita em falar, não era o momento e segura as mãos dele, quando ia continuar falar percebe que estão machucadas. — O que foi isso em suas mãos Owen?

— Só quando receber alta eu terei certeza disso. Enquanto isso... — Ele concluiu após ela dizer que estava bem. Não queria arriscar nada. Owen arrumou o cobertor dela e verificou se o soro endovenoso que ela estava tomando estava funcionando corretamente. Ele ficou estático ao ouvi-la. Suspirou antes de responder. — Obviamente aquele filho da puta vai para cadeia... junto com os comparsas dele. Não fala isso de novo. Eu não vou deixar você. A não ser que me mande embora. Ele não pode controlar sua vida, Claire. Não o deixa controlar! Eu estou aqui e pretendo sempre ficar... já te disse que sou seu segurança particular, lembra? Então. Vou elaborar um plano de segurança com a equipe. O Sr.Masrani vai fazer o mesmo. Eu não corro perigo nenhum. Eles vão pra cadeia!...

Ele nem havia reparado nas mãos, aquilo com certeza seria a última coisa em que ele repararia.

— Ah essa bobagem? Só um arranhão. — Na verdade os punhos estavam roxos, ele havia fraturado alguns dedos, mas não estava nem aí. Owen verificou cada ferimento dela e quis ir atrás do comparsa de Justin novamente. — Você está toda machucada. Tem certeza que tiraram todos os cacos de vidro? — Owen analisava centímetro por centímetro a pele dela.

Ela sorriu ao escuta-lo, era o que ela queria. Ter ele ao seu lado. Mas ao escutar a palavra segurança teve que se manifestar.

— Eu não quero segurança nenhum Owen, não quero ninguém grudado em mim. Já havia combinado isso com Simon! Mas não é hora de falarmos isso. Sobre os cacos, acho que sim. — ela se arrepia com o toque dele. Ela ia puxa-lo para um beijo, mas chega a enfermeira.

— Srta.Dearing! Terá que passar a noite em observação. Amanhã pela manhã já poderá ir para casa.

— Obrigada! — a enfermeira sai e ela olha para Owen. — Será que você pode passar a noite aqui comigo? — pergunta meio envergonhada. Não queria ficar sozinha ali, estava com medo.

— Claire. O segurança sou eu. — Ele sorriu convencido. — O mais forte e invencível de todos os tempos, o poderoso supremo, guerreiro de todas as guerras, marinheiro que navegou em todos os oceanos e conquistou todos os povoados e nações, Owen Grady!! — Ele queria vê-la rir e se distrair daquela noite terrível. — Nem precisa nem pedir, Claire. — Owen se levantou e depositou um beijo no topo da cabeça dela. — Nem que eu tenha que brigar com o hospital inteiro. Quer alguma coisa?

Ele conseguiu que ela sorrisse.

— Quero sim! Deita aqui comigo? — pede esticando a mão para ele.

— Eles vão me expulsar se eu fizer isso. — Ele riu, mas voltou a se sentar, colocou a cadeira bem próxima da cama. — O que você comeu?

— Não sinto fome!... É sério isso? Não vai deitar aqui? Essa cama é bem larga! — diz cerrando os olhos.

— Mas vai comer, porque eu vou lá na cozinha buscar. Você está fraquinha. Olha como sou bonzinho, vou respeitar sua dieta ainda. Claire, qualquer hospital proíbe acompanhante de deitar na cama do paciente. Quer que eu fique do lado de fora após ser expulso? — Owen levantou de novo, Simon estava fazendo um sinal na porta.

— Se você não quer ficar perto de mim, não tem problema. Deve estar cansado, precisa descansar! — cruza os braços fazendo drama.

— Senhorita Dearing. Está me chantageando? Sem drama. O chefe quer te ver. Enquanto isso vou lá pegar sua comida. Comporte-se.

Ele pensou em beijá-la, mas Simon estava com os olhos bem atentos os fitando através da janelinha de vidro.

— Aff... já venho viu?

Owen piscou para ela e saiu, deixando ela a sós com o chefe. Chegando na cozinha, ele já foi exigindo tudo o que ela precisava. Pediu a salada que ele tanto repudiava, mas ela adorava. Pediu frutas, e uma sopa também.

— Claire você está bem? o que está acontecendo? — pergunta Simon ao entrar na sala.

— Agora estou bem! Se não fosse Owen chegar lá a tempo! – respira fundo. – O Senhor sabe o que aconteceu... Justin!

— Não é disso que estou me referindo! Eu prometo que ele vai pagar por tudo isso. Se você tivesse me escutado, se tivesse deixado os seguranças atrás de você...

— Por favor, não vamos falar disso agora! — estava começando a ficar irritada, eles sempre discutiam quando falavam desse assunto. Simon sempre quis protege-la e Claire sempre foi contra.

— Está bem! Depois falamos disso. — Ele estava impaciente andado de um lado para o outro. — Desde quando você e Owen estão juntos?

— O que? — arregala os olhos. — Do que o Senhor está falando? — tenta disfarçar.

— Não adianta negar, eu já percebi... E se for isso mesmo que estou pensando, fico feliz por você! – segura a mão de Claire. — Você precisa seguir em frente... e Owen é um excelente rapaz!

Claire sorri e quando vai responde-lo, Owen chega com uma bandeja cheia de comida. O que a fez sorrir para ele.

— O que é isso Sr.Grady?

Simon observa os dois e sorri.

Owen ficou um pouco sem graça com a presença de Simon no quarto.

— Ah... vim trazer seu jantar.

Ele disse rapidamente, deixando a bandeja sobre a pequena mesinha ao lado da cama. Não sabia o que significava o sorriso do chefe, por isso ficou na dele.

— Eu já vou indo, amanhã nos falamos Claire. Boa noite para os dois! — os cumprimentam e sai deixando os dos a sós. Claire continua sorrindo, ela considerava ele como um pai.

— Boa noite Sr.Masrani! -Owen ficou quieto até ele sair e fechar a porta. Então ele pegou a bandeja e colocou na frente dela, na mesinha de suporte da cama. — Tem sopa com torradas, parece bem gostoso. Come tudo. — ele sentou do lado dela e arrumou a colher para ela. — Tá doendo o braço? Eu te dou. A sopa deve estar quente. — Owen pegou a tigela e começou a misturar com a colher para que esfriasse um pouco.

— Trouxe para nós dois né? – a ruiva pergunta o encarando.

— A comida é só dos pacientes, Claire. Você está achando que aqui é um hotel?

— Tá bom Owen! Não falo mais nada! — fica chateada, todas suas tentativas de se aproximar dele foram negadas. — Pode deixar que eu como sozinha! — Diz pegando a colher da mão dele.

— Não, eu te dou, Claire... — ele pega a colher de volta. — Olha o aviãozinhoooo...

Ela começa a rir.

— Isso é ridículo Grady! — na verdade ela achava fofo. Mas não queria perder o costume de falar assim com ele. Então abriu a boca. — Aí... está quente Owen! — pega o copo de suco.

— Não está amor, eu esfriei pra você... — Ele misturou mais vezes e soprou a sopa.

Ela engasgou com o suco e arregala os olhos o encarando.

— Você... me ... chamou ... de ... "amor"? — pergunta gaguejando. Seu coração disparou quando ouviu aquilo.

— O que? — Foi tão automático que ele nem percebeu. — Chamei?

Ela fica sem graça por sua reação.

— É, acho que escutei errado. — sorri sem vontade.

Owen ficou pensativo, enquanto dava o resto da sopa pra ela. Ele fez ela comer as torradas, depois a salada e as frutas. — Devo ter dito... o que tem de mais nisso? — Sorriu.

— Nada! — sorri de lado. — Ai chega! Não aguento mais comer, ainda bem que é só por essa noite se não sairia daqui gorda por sua causa! — empurra a bandeja. — Owen?...Posso te pedir uma coisa?

Ele revirou os olhos e retirou a bandeja dali e colocou na mesa para que alguém levasse.

— Vou te por pra dormir... mas antes vamos escovar os dentes. — Ele pegou o kit do lado da cama e a entregou, foi até a pia e encheu um copo com água. — Pedir o que?

— E eu reclamava da superproteção da Karen. — começa a rir. — Me dá um abraço ou um beijo... você está com medo de me tocar é isso?

— O que disse? — Ele sorriu com o pedido dela. — Toquei você várias vezes hoje, se for levar em consideração... você está machucada, e se eu abraçar forte demais? — Ele sentou na beirada da cama dela e segurou o rosto dela. — Comeu tudo direitinho, acho que merece um beijo sim... — Ele selou os lábios nos dela por alguns segundos, enquanto acariciava a mão dela.

Claire sorriu e retribuiu o beijo, calmo e suave. Com todo o cuidado começou a acariciar os cabelos do loiro e pode sentir aquele perfume que tanto adora. Ela ali pode se sentir protegida. A mão que Owen segurava ela colocou em seu peitoral para melhor apoio.

Ele às vezes interrompia o beijo para olhá-la, se permitindo perder-se naqueles lindos olhos verdes. Então, ele voltava a beija-la várias vezes tentando transmitir todo carinho por ela naquele ato. Owen a fez escovar os dentes, a ajudou a se deitar e apagou a luz. Não estava completamente escuro, a luz do corredor atravessava o vidro da porta.

Ela deitou virada para cadeira que ele estava sentado e segurou sua mão.

— Quer uma história?

— Quero sim! — sorri.

Ele entrelaçou os dedos nos dela e começou.

— Era uma vez... Um homem que vivia em uma montanha. Sozinho, longe de tudo e todos. Ele criava algumas ovelhas e vivia bem triste... Ele vivia triste porque havia perdido seu coração na floresta, mas ninguém achava o coração dele... Ele já havia se acostumado com o vazio no peito... era uma missão impossível. Mas um dia, surgiu uma moça das terras mais distantes. Ela tinha os cabelos vermelhos como fogo, olhos de um verde quanto a água de um rio e nas mãos trazia o coração do jovem rapaz...

— E então? .... — Ela escutava atentamente...

Owen olhava através da janela do quarto, pensativo.

— Então?... Vai ter a continuação depois. — Ele sorriu e a cobriu gentilmente, sem soltar da mão dela. A outra mão ele acariciou seus cabelos para que dormisse mais rápido. Ela precisava descansar. Enquanto afagava seus cabelos, ele se inclinou sobre ela e a beijou nos lábios e bochecha. — Boa noite. Dorme bem.

Ela queria muito saber o que vai acontecer com essa história ou melhor, com eles. Claire dormiu rapidamente com os carinhos de Owen, ela se sentia protegida por ele coisa que ela não se sente a muito tempo.

Notas finais
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