História After You

41 Capítulo- De Volta ao Jurassic World


Notas iniciais
Boa tarde CLAWEN's Capítulo novo!

Naquela mesma noite, mais tarde Claire voltou a sonhar. Mas desta vez foi bom, tão bom que a ruiva acordou aos prantos e se sentou levando as duas mãos no rosto.

O homem ao lado já havia se levantado por reflexo, afinal já era um costume de todas as noites ela acordar daquela forma.

— Foi só um pesadelo de novo, Claire... — Owen passou a mão no rosto tentando despertar. — Hey...

Ela tirou a mão do rosto e o encarou.

— Dessa vez, não foi. — Ela sorriu enquanto as lágrimas descem pelo seu rosto. — Sonhei com o nosso casamento, estava tudo tão perfeito. Zara estava lá ao lado de Karen, elas eram madrinhas e Simon me levou até o altar. — abaixou a cabeça. — Sinto falta deles...

— Ah amor, para com isso. — Ele a fez se deitar novamente e a cobriu. — Sabe o que é isso? Ansiedade fora de fora.

— Você não entende. Perdi pessoas importantes para mim!

— Eu entendo sim. Mas ficar pensando no passado só vai te fazer mal. Se sonhou foi porque ficou pensando demais. Aposto que a Zara e o Simon vão estar bem contentes lá de cima vendo você de branco...

Ela sorriu para ele e suspirou.

— Você tem razão. Vem cá meu travesseiro. — o puxou para deitar ao seu lado.

Owen tomou o lugar dele na cama e a abraçou.

— Então você chora com pesadelo e sem pesadelo, minha nossa hein amor... — Brincou enquanto a afagava com a ponta dos dedos pelas costas nuas dela.

— Shiu... — suspirou enquanto sentia o carinho de bom grado do noivo. E como de costume, fez o mesmo com seu peitoral e abdômen, até que passou a mão na cicatriz do tiro que havia levado de Justin. — Obrigada por tudo, amor...- sussurrou.

— Não tem nada a me agradecer, ruiva... — Beija o topo da cabeça dela enquanto fechava os olhos. Logo os dois dormiram.

*

Aquela foi a última noite de estadia na casa da família Grady, no dia que se seguiu seria a reunião na sede da Masrani Global, na Califórnia. Owen e Claire optaram por pegar o vôo das 10:00 da manhã, chegaram em Los Angeles na hora do almoço. A reunião começaria ás duas e quinze da tarde.

Owen carregava uma mochila nas costas e a mala da noiva.

O casal havia entrado em um pequeno conflito pelo seguinte motivo: Ele queria comer no KFC com todas as coisas gordurosas que tinha direito, Claire optou por um restaurante vegano que Owen taxou de "frescurite".

— Mulher, eu estou morrendo de fome, pelo amor de Deus. Será que uma vez na vida a gente pode chegar em um acordo?

— Sempre comemos as porcarias que você quer, Owen! — bufou. — Eu só quero comer algo saudável. Qual é o problema? — o encarou de braços cruzados. — Eu não vou comer porcarias até me casar... — pensou um pouco. — E nem depois! Não vou virar dona de casa gorda!

— Se eu comer aquele monte de folha com massa integral eu não aguento o resto do dia de pé. Olha para mim, eu preciso de carne!

— Então vamos fazer assim, você vai comer onde prefere e eu vou comer onde prefiro. Pronto! Já que você não consegue fazer uma exceção.

— Então... cada um vai para um lado?

— É Owen, já que não consegue uma vez ir onde eu escolhi.

Owen se deu por vencido e a encarou.

— Ok. Onde vamos?

Ela sorriu e piscou para ele.

— Obrigada. Bom, vamos naquele ali da frente. — era um restaurante típico. Eles caminham até lá, adentrando o local.

Não teriam demorado muito se não fosse Claire demorando a engolir o que Owen chamou de "migalhas" para o almoço.

— Só esperando a senhorita terminar para darmos o fora daqui. — Disse sem paciência. De fato, aquela reunião estava tirando a paz interior do ex-marinheiro. Visivelmente irritado, pegou o telefone e tentou se distrair.

Assim como Owen, Claire estava extremamente nervosa. Aquela reunião poderia definir o futuro deles e só de imaginar a dava um tanto de medo. Ela percebeu que acontecia o mesmo com seu noivo.

— Amor, vai dar tudo certo. Tá bom? — segurou gentilmente sua mão.

— Eu não acho. Mal pressentimento... — Evitou a olhar nos olhos.

Ela terminou de comer e segurou seu rosto com as duas mãos.

— Hey, eu sei que tudo isso está bem estranho. Mas, estamos juntos... juntos! Não se esqueça. — lhe oferece um sorriso meigo.

Owen finalmente a olhou e tentou sorrir.

— Você tem razão. — segurou a mão dela que estava em seu rosto e a beijou delicadamente. Em seguida pagou a conta e pegaram um táxi rumo ao escritório.

Assim que chegaram ao local, foram recepcionados especialmente por Jennifer, a advogada da Masrani Global Corporation. Após os cumprimentos, ela os levou direto para a sala de reuniões, onde já estava as testemunhas e o Juiz.

Claire e Owen se sentaram de frente para o mesmo. O nervosismo tomou conta de ambos. Por que estavam na leitura do testamento de Masrani? Isso não fazia o menor sentido para os dois. Claire olhou para o noivo e segurou sua mão, o mesmo a olha e a aperta gentilmente.

— Senhorita Dearing e Senhor Grady desculpem, mas acho que atrasaremos um pouco. É que está faltando mais uma pessoa e ele está um pouco atrasado. — diz Jennifer.

— Ah, sem problemas. — a ruiva sorriu gentilmente.

— Acredito que não será necessário me esperarem...

Ao ouvir aquela voz, Claire sentiu seu corpo arrepiar. A raiva a dominou e não olhou para trás, já sabia de quem se tratava.

— Dr. Wu, por favor sente-se aqui ao lado da senhorita Dearing...- a advogada o acompanha.

*

Os instantes que seguiram, para eles pareciam anos. Aos poucos os demais funcionários se reuniram na sala. Masrani deixou claro no documento que queria a presença de todos na leitura, para todos os efeitos.

Toda aquela formalidade estava deixando Owen impaciente. Em uma certa parte da leitura, ele soltou a mão da noiva para pegar um lenço e limpar o suor que escorria pela testa. O primeiro nome a ser lido foi o de Claire. Ela continuaria com o cargo de Gerente Sênior de Operações, assim também como herdeira de todos seus bens materiais, incluindo o cargo de chefia da Masrani Global, uma empresa de petróleo e o Jurassic World. Todos da sala estavam boquiabertos. Como se não bastasse, o de Owen veio logo após. Owen Grady ficaria responsável como sendo o Gerente do Centro de Pesquisas, como também o responsável pelas técnicas behavioristas com os animais. E como se não bastasse, nada mais nada menos do que 100 milhões de dólares direto em sua conta.

Alguns poucos nomes foram lidos ao se seguir a reunião, mas eram cargos inferiores no parque e demais bens materiais de menor valor. Masrani queria deixar que a direção do parque estivesse em boas mãos, por isso havia ele analisado seus possíveis herdeiros ainda em vida. Muitos estavam felizes por manterem seus empregos, outros totalmente estarrecidos e indignados. Após a leitura, Wu levanta de forma brusca e grosseira, saindo da sala quase espumando de ódio pela boca.

Após todos os cumprimentos, felicitações e algumas indiretas desagradáveis, resolveram a questão da papelada que tinham que assinar e foram liberados.

Owen chegou no hotel calado. Havia sim abraçado a noiva embora ainda surpreso e em estado de choque. Não era qualquer um que recebia a notícia de que estava milionário da noite para o dia. Enquanto assistia seu programa favorito na TV, no hotel em que estavam hospedados, o ex-treinador tentava imaginar o motivo de ter ganhado aquele dinheiro sem mais nem menos. Masrani gostava dele tanto assim? Após uma leve vertigem, ele resolveu pedir uma cerveja gelada para o serviço de quarto.

No outro sofá, Claire parecia irritadiça com alguma coisa no telefone.

— Hey, ruivinha. Para de surtar e vem cá sentar no colo do Grady e ver UFC, vem. — O homem ainda estava diante da TV com a velha lata de cerveja preta de sempre.

Ela cruza os braços bufando, revira os olhos e respira fundo indo até o noivo, sentando em seu colo com uma perna de cada lado.

— Vai assistir? — sussurra em seu ouvido e morde o lóbulo de sua orelha.

— Sim, vira também para ver aquele socão... olha só. Olha só aquela chave de braço. — Os dois homens se espancavam no programa e Owen parecia se divertir com a cena em exibição. Prevendo que a ruiva se zangasse, a abraçou pela cintura na intenção de impedir que ela saísse. Claire o encarou cerrando os olhos.

— Será que pode me soltar por favor? Vou ir tomar meu banho.

— Tudo bem, veste aquela calcinha preta que eu gosto e volta a sentar aqui... — O olhar do homem queimou em cima dela pela primeira vez aquela noite, deixando claro suas intenções.

— Vou vestir o que eu quiser. — levantou bufando e o empurra. Foi para seu banho e ao terminar veste sua camisola indo se deitar.

Owen termina de assistir o programa e tomar uma cerveja. A ruiva acende o abajur do pequeno quarto e começa a ler um livro, já que estava sem sono.

Eram por volta das onze e meia quando ele finalmente resolveu ir para a cama. Percebeu a noiva concentrada no livro com um grosso cobertor de algodão sobre as pernas. Owen despiu-se ficando apenas com a boxer preta e sentou-se ao lado dela.

— O que está lendo?

— As coisas que você só vê quando desacelera. — Olha para ele rapidamente com um sorriso de canto e volta a atenção para o livro.

— Ah é? É Cinquenta Tons? — Insistiu em saber o título do livro. — Bíblia? Kama Sutra?

Ela gargalhou e o encarou novamente. Ele não havia entendido.

— Não amor, esse é o nome do livro. "As coisas que você só vê quando desacelera". — Sorriu timidamente. — É muito bom, posso dizer que está me ajudando muito...

— Entendi... — Owen aninhou-se nas pernas dela, fechando os olhos logo após. Claire sorriu com o gesto dele e fechou o livro colocando-o em cima da cabeceira da cama, voltando toda a atenção a ele, começando a passar as mãos em seus cabelos loiros e rosto, carinhosamente.

— Vou te colocar para dormir... — Sussurrou.

— Pode por senhora Grady. — Estava apreciando aquele gesto de carinho, ainda não deixando de pensar na reviravolta após a leitura do testamento de Masrani. A vida de ambos nunca mais seria a mesma. Claire pensava sobre o mesmo assunto, e de certa forma temia o futuro de ambos.

— Amor, me promete que nada vai atrapalhar o nosso relacionamento? — respira pesadamente após um minuto de silêncio. Dessa vez ele ergue a cabeça para olhá-la desconfiado.

— Porque está dizendo isso?

— É que... — respira fundo. — Nós temos um grande desafio, vamos ter que trabalhar muito para reerguer o parque... Você sabe o quanto eu amo o meu trabalho. Mas amo muito mais você, eu não quero voltar a ser a Claire de antes...

— Não vamos mais ter tempo um com o outro, não é? Se também acha isso assim como eu... Sabe que eu também amo você. E isso é o suficiente para eu lutar com todas as minhas forças contra isso.

— Eu não quero que isso aconteça. Vamos dar um passo importante em nossas vidas, vamos nos casar. E não vou permitir que o trabalho nos atrapalhe!

— E isso não vai acontecer, meu amor!

— Tá bem...

— Por falar em casamento... temos que discutir sobre. Uma data para começar. Quando vamos assumir o parque? Depois da parte em que falaram dos milhões na minha conta eu perdi o rumo da conversa.

— Bom... Iremos assumir o parque daqui a duas semanas. É o tempo que levará para os documentos ficarem prontos. É... Eu estava pensando... Que poderíamos casar no parque. O que acha?

— Em que lugar? — Arqueou a sobrancelha. O parque era bastante extenso, havia salões de festa de todos os tamanhos.

— Onde nos beijamos pela primeira vez.

— Achei que quisesse na praia, ruiva... — O homem sentou-se, saindo do colo dela e enfiou por baixo dos cobertores. — Vem aqui...

Ela obedece e se aconchega nos braços dele.

— Sim, eu queria. Mas aquele lugar é tão significativo e de qualquer forma estaremos perto do mar. — Diz em tom empolgação. — E então?

— O que você quiser. Na verdade, eu queria uma festa na boate... ou na floresta. Pode ser um tema selvagem. Eu posso ir de Tarzan, só com a tanguinha. — O ex-marinheiro tentou não rir da piada fora de hora. — E alguns macacos levam nossas alianças...

Claire começou a rir e o encarou fingindo-se de brava.

— Seria a coisa mais bizarra do mundo.

— Seria não... nossa cara amor.

— Ah claro... Mas falando sério Owen, quero saber o que acha da ideia. Convidaríamos só nossos familiares e amigos próximos.

Owen começa a brincar com uma das mechas do cabelo dela, pensativo.

— Por mim tudo bem. Quer algo mais reservado? Teremos. Só falta marcar a data, contratar os serviços... agora que não temos problemas com dinheiro...

Claire já estava sonolenta com os carinhos do amado, havia sido um dia extremamente cansativo e impactante.

— Essa semana começo a providenciar isso. A data... é muito importante, precisamos definir. — Sorriu o abraçando forte. — Estou ansiosa para me tornar sua esposa.

— Eu também mal posso esperar, minha ruiva... — Owen percebeu a respiração dela aos poucos se tornar calma depois de um breve suspiro. Após tanto tempo de convivência, sabia que ela já estava dormindo. Com todos os últimos acontecimentos, ele não poderia estar mais do que satisfeito, exceto pela liderança do parque, agora com a responsabilidade dele. Seria um trabalho em conjunto, realmente aquilo estava lhe tirando o sono.

*

No dia seguinte, eles retornaram para Winsconsin na casa dos pais, aproveitaram as últimas semanas de "férias". Logo embarcaram em um avião em direção a Costa Rica, de lá pegaram um helicóptero para Nublar.

Claire aparentemente estava nervosa em retornar. O olhar dela perdido no oceano, encontrou os do noivo que tentou acalmá-la quando este a segurou carinhosamente pela mão.

— Vai dar tudo certo, Claire...

— Tomara... — Sussurra apertando-lhe a mão e volta a olhar para o oceano, logo avistou Nublar. Seu coração parou por um segundo, uma mistura de sentimentos tomou conta de si. Não imaginava ter que voltar a Ilha depois de tudo o que aconteceu. Por mais que a InGen, tivesse garantido que todos os dinossauros já estavam em seus devidos paddocks. Claire temia que o pior acontecesse novamente, mas Owen estava ali ao seu lado e isso a deu forças para seguir em frente com o novo desafio: Reerguer o parque. Juntos. Pela sobrevivência.

*

Owen Grady nunca se imaginou trabalhando no Jurassic World novamente após o desastre com a Indominus. Um mês havia se passado, e suas novas funções exigiam muito dele mesmo e de qualquer funcionário ali. Os paddocks estavam reconstruídos, as grades reforçadas. Todo o sistema de segurança foi inovado, sem falar na enorme bagunça sendo limpa. Owen e Claire só tinham como único assunto a reforma do parque, o planejamento do casamento acabou ficando para depois. Embora aparentasse estar tudo sobre controle agora, teriam que passar pelo período de testes antes de pensarem em reabrir finalmente.

Claire estava exausta, os dias que se passaram não estavam sendo nada fáceis. Não dormia quase, devido aos pesadelos que voltou a ter. Cogitou a hipótese de abrir mão de tudo, mas não poderia. Masrani confiou nela para tocar em frente seus negócios e não o decepcionaria, por mais cansada que estivesse. A única coisa que a animava era estar com Owen, apesar de nos últimos dias eles quase não tem tempo um para o outro. Um memorial dos funcionários e turistas mortos durante o incidente foi construído no centro do parque. Ali estavam todos os nomes das vítimas. Os 800 milhões em acordos que a Masrani Global havia desembolsado para evitar os processos nunca trariam os mortos de volta. Toda a manhã, Owen passava no memorial quando ia tomar seu café na manhã. As vezes em seus devaneios ele tinha a leve impressão de ver seu nome em uma das extensas listas de mortos. Poderia ser ele.

Owen saiu dali com certa pressa, acabou encontrando Barry no pequeno bistrô recém reformado.

— Hey cara. — Owen recebeu um tapa amigável nas costas.

— Barry... — Cumprimentou o amigo sem ânimo algum.

— O que houve? Viu a Blue hoje? Ela está diferente. — Os dois amigos escolheram uma mesa na sombra enquanto tomavam seus respectivos cafés.

— A julgar pelos últimos acontecimentos. Perdeu as irmãs. Está sozinha. Mas pelo menos ainda me obedece.

— É incrível o trabalho que fez com eles, Owen.

— Não sei como continuar. Preciso de alguma força. Só não sei de onde.

— Relaxa cara. Vai tudo dar certo. — Barry estava preocupado com o amigo, fazia alguns dias que ele estava daquele jeito. — Owen, não me diga que ainda está morando naquela espelunca na floresta...

— Estou sim. — Respondeu simplesmente olhando fixamente para a xícara de café vazia.

— Você é inacreditável, cara... — O amigo riu e levantou-se. — Pode comprar a melhor cobertura do hotel, ou até mesmo construir uma mansão digna em cima daquele bangalô...

— Eu sei disso, tá legal? Logo vou me casar com a chefe, não vou levar ela para morar no bangalô. Eu só gosto de lá... estou aproveitando meus últimos meses como um homem livre.

Barry gargalhou e aproximou um pouco mais do amigo com as mãos nos bolsos.

— Acho que está precisando relaxar. Que tal caçarmos na floresta como nos velhos tempos? Você adorava.

— Não tenho tempo para isso, Barry.

— Tem sim. Às 18 horas estarei lá te aguardando. — O amigo percebe uma ruiva de cabelos esvoaçantes se aproximar.

— Lá vem sua mulher... fui... não esquece. 18 horas!... — Disse já de longe.

Owen procurou Claire com os olhos e a encontrou, permitindo-se sorrir pela primeira vez aquele dia.

A ruiva se aproxima e sorriu parando em frente a ele.

— Oi...

— Como você está? Temos que conversar... — Owen puxou a cadeira gentilmente para que ela se sentasse.

— Temos... — respira fundo se sentando. — O que foi?

O ex-marinheiro abriu uma pasta e espalhou diversas planilhas dos últimos gastos.

— Olha, isso tudo foi investido para aquele novo sistema de segurança do mês passado. Se não começarmos a cortar gastos vamos a falência antes mesmo de reabrir o parque. — Mostrava para ela. — Isso aqui foi o pagamento do pessoal da contenção. Achei um exagero.

— Discordo. — olha os papéis e o encara. — Todo investimento para a segurança do parque é pouco. Não se esqueça do incidente. Sei que temos que cortar gastos, mas isso é um investimento, Owen. Todo cuidado é pouco.

— Eu sei disso, mas estou achando demasiado grande esse valor. Sabe que não sou acostumado em mexer com números

— Eu sei disso, por isso me ofereci para te ensinar. — respira fundo e volta a olhar para os papéis. — Mas você está o culpado demais, eu entendo. Mas fique tranquilo, está dentro do orçamento.

— Teremos aquela reunião hoje? Eu tenho que voltar para o Centro de Pesquisas. — Levantou-se e começou a juntar as coisas.

A ruiva o encarou incrédula com a indiferença dele. E respirou fundo.

— Foi cancelada, receberá por e-mail o novo dia e horário. — também se levanta. — Já fez a sua lista de convidados para o casamento?

— Ok... — termina de guardar e a olha por fim. — Não, estava ocupado com os relatórios.

— Okay, senhor Grady! — desvia o olhar e pega sua bolsa e o encara novamente, visivelmente desapontada. — Já que isso não é importante para você, quando fizer e tiver um tempo, me manda por e-mail. Tenha um bom dia. — seus olhos estavam marejados e sai em direção ao centro de inovação.

— Não é isso... — Ela já estava longe. Owen bufou e foi em direção contrária. O loiro supervisionou uma operação no paddock da T-Rex e isso tomou o tempo dele até a hora de voltar para o bangalô no final da tarde.

Owen havia se esquecido do que Barry havia combinado com ele. Quando chegou ao bangalô lá estava o amigo o esperando. O ex-marinheiro se deu por vencido e adentrou a mata com o amigo com lanternas e armas. Por volta das nove e meia da noite eles retornaram com um porco selvagem ensanguentado.

*

Claire chega em seu quarto exausta, o dia foi corrido e de certo modo foi bom. Pois assim não teve tempo para pensar em seus problemas com o noivo. Tomou um banho e foi deitar, não pode evitar de pensar o caos que estava seu relacionamento com Owen e precisava resolver isso. Mandou uma mensagem para ele.

" Oi, precisamos conversar. Posso ir na sua casa?"

*

Após arrumar uma grelha de churrasco improvisada e preparar a refeição daquela noite, Owen pegou o telefone e se deparou com a mensagem da noiva. Respondeu apenas com um "Sim".

Durante essas horas, Claire resolveu trabalhar e adiantar algumas planilhas para o dia seguinte. Ela olhou para a mão com o anel de noivado, respira fundo e liga para Karen. Precisava desabafar.

— Claire... que saudade irmãzinha.

— Oi... — diz com desânimo e a irmã percebe.

— Aconteceu alguma coisa?

— Sim... — Não pode segurar as lágrimas. — Não vai mais ter casamento.

— O QUE?? — a loira se espanta com a notícia. — Mas o que aconteceu Claire?

— Karen, eu tentei nesse último mês. Tentei entende-lo, porque sei o quão difícil estão as coisas. Mas, talvez não seja a hora de casarmos. Nunca tem tempo para mim e quando vou visita-lo, ele só trabalha. Estou sozinha, faz quase duas semanas que não temos nada, mal nos beijamos...

— Entendo Claire, mas calma. Não tome uma decisão tão radical assim. É só uma fase, logo tudo se acerta. — a ruiva fica pensativa. — Você o ama, não é?

— Mais é claro.

— Então, tenha paciência.

As duas conversam por um bom tempo, assim que desligou se arrumou e foi até o bangalô do noivo, batendo na porta.

Owen estava vestido para dormir de banho tomado quando abriu a porta.

— Oi Claire...

— Oi Owen... Posso entrar? Prometo ser breve.

— Porque está pedindo permissão? A casa é sua. — Deu espaço para ela passar.

— Obrigada. — entra. — Bom, precisamos falar sobre nós... — Respira fundo.

— Precisamos falar sobre a porcaria da cerca elétrica que colocaram no paddock dos anquilossauros...

Claire fica revoltada ao ouvi-lo falar sobre trabalho e despeja de uma vez.

— Vamos cancelar o casamento! Este que nem data tem para ser cancelada.

— Como assim? Claire... estamos tentando reerguer o parque, será que dá para conversar sobre isso depois? Sério...

Ela o encara e as lágrimas escorrem pelo seu rosto.

— Não Owen Grady, não dá. Vamos resolver isso agora! A cada dia que passa estamos cada vez mais distantes. Faz quase duas semanas que não temos relações, mas é claro que você não se importa com isso. Porque só o parque importa para você. É questão de prioridades Grady, eu tenho as minhas e você era a primeira. Mas eu deixei de ser a sua faz tempo e você nem percebeu. — Respirou fundo. — Eu estou sozinha de novo. Então, é melhor darmos um tempo.

— Claire... me desculpa. Sério. Eu não fiz isso por mal. Já basta os comentários que fazem de estarmos juntos por dinheiro. Isso me irrita profundamente. — Ele aproxima-se dela. — Me perdoa por isso... você é minha prioridade sempre. Eu sei que estou sendo um grande idiota, mas eu só estou garantindo nosso futuro que é o resort... me entenda.

— Eu entendo... por isso não quero te atrapalhar. Vou deixar você focar somente no trabalho. Nada mais importa. — Seus olhos já estavam vermelhos e começa a soluçar. — Você não me toca mais, não me beija. Não me ama mais? Perdeu o desejo em mim? Seja sincero Owen, eu vou entender.

— Não fala uma bobagem dessas! — A repreendeu enquanto pegava um lenço de papel e foi limpar o rosto dela. — Chega Claire, eu já te expliquei. Você é a mulher que eu amo... mesmo estando distantes.

— Okay, eu acho melhor ir embora...amanhã precisamos acordar cedo. Boa noite.

— Mas será que nada do que eu falo você acredita, Claire? — Retruca irritado.

— Não é isso Owen... É só que... — suspirou. — A situação vai continuar igual e você sabe disso. Nós sabemos, desde o dia da leitura do testamento. De que adianta ter tudo isso, se me afastou você. Eu não tenho mais você Owen, estou todas as noites sozinha, não tenho com quem conversar. A culpa não é sua, sabíamos que seria assim. Mas eu estou sofrendo com isso. Eu não tenho mais meu noivo ao meu lado. Foi a pior coisa que podia acontecer.

— Quem disse que não? E se... fizemos algo para reverter essa situação? É sério... eu estou disposto a isso. — Owen pegou a mão dela a sentindo relutante. — E você?

Ela olhou no fundo de seus olhos verdes e assentiu com a cabeça.

— Sim... — sussurrou. — Vou indo...

— Acho que esse sim significa um não. — Soltou a mão dela bruscamente e abriu a porta. — Se quer tanto ir...

— Talvez eu estivesse esperando um pedido para ficar... — o olhou e passou pela porta indo até seu carro.

— Já disse que a casa é sua Claire, odeio essas formalidades. Você não é nenhuma estranha para ficar com essas frescuras! Mas vá em frente. — Cruzou os braços na frente do peito na melhor pose de durão. — Toma cuidado na estrada a noite...

— ESPERAVA UMA ATITUDE SUA!!! NÃO SE PREOCUPE COMIGO GRADY! SEI ME CUIDAR SOZINHA!!! — gritou e entrou no carro batendo a porta. Respirou fundo. E deu partido no carro o mais rápido que podia.

Owen sabia que não estava em seus melhores dias. Era como se o peso do resort estivesse sobre ele. De qualquer forma não devia ter descontado tudo nela e em todos a sua volta. Se xingava mentalmente observando o carro da ruiva sumir entre as árvores com uma rapidez que o fez ficar preocupado.

Notas finais
Aaaah mais um capítulo escrito com muito amor para vocês, esperamos que estejam gostando. Deixem seus comentários, vamos amar saber o que estão achando. Isso nos deixa imensamente felizes :)