História 10 - ANJO

8 Capítulo 8 - TURBULÊNCIA


Notas iniciais
E aí vamos com mais um... Enjoy, Minna-san! o/

Mahiro acordou assustado com o som exagerado de um bip repetitivo — proveniente de seu dispositivo comunicador — e seu vibrar no tatame ao lado do seu futon. Atordoado, procurou situar-se de aonde estava, tentando enxerga qualquer coisa no quarto escuro.

Despertou imediatamente ao ouvir passos apressados e o abrir repentino da porta do quarto seguido da luz sendo acesa, fazendo assim seus olhos arderem.

— Que infernos está acontecendo? — Perguntou Mayumi tendo consciência do horário em que se encontravam, algo por volta das três horas da madrugada.

O irmão tirou o braço da frente dos olhos que havia cobrido por mero reflexo. Dando-se conta da informação que o dispositivo lhe passava ao apitar com extrema urgência, o homem saltou se levantando e procurando em seu armário o jaleco e seus óculos.

— Merda! A garota! — Respondeu enquanto com pressa pegava suas coisas.

— A garota o quê? — Inqueriu a mulher confusa.

— Alguma coisa aconteceu no laboratório! Não sei o quê, mas aconteceu! Merda! Se algo acontecer à ela, eu não terei salvação. — Explicou enquanto andava pela casa vestindo o jaleco e colocando os sapatos. — Mayumi-nee, fique pronta para sair. Eu vou na frente e se precisar, te chamarei! — Pediu já passando pela porta e correndo pelos corredores.

— De todos os horários disponíveis para acontecer qualquer coisa, tinha que ser logo de madrugada? — Questionou-se a mulher um tanto desanimada. — E pensar que eu pretendia dormir um pouco mais hoje… — Murmurou arrastando-se até o banheiro.

***

Tão logo a porta de metal se abriu e Mahiro já corria sala à dentro. Ao correr em direção aos computadores que imprimiam de forma caóticas centenas de informações, o assistente deu de cara com um homem grisalho vestindo uma haori com o número “10” estampado nas costas, sentindo seu coração falhar ao perceber que seu superior já se encontrava na sala lendo os papéis e emanando um incrível mau-humor.

— Hitsugaya-taichou, vim o mais rap- O capitão lhe cortou com o mais irritado tom.

— Cale a boca e apresse-se! Não tenho tempo para ouvir suas desculpas agora! — Ordenou.

— Hai! — Concordou prontamente, já analisando os dados que recebia das mãos do capitão. — Esses dados não podem estar corretos!... — Murmurou.

— Deixe de murmurar e me explique como isso pode estar acontecendo! Me confirmou hoje que tudo corria perfeitamente bem em seu relatório! Como diabos o tanque de reiatsu está quase vazio? — Vociferou o capitão nervoso.

— A queda foi repentina, o nível estava suficiente para pelo menos mais dois dias de acordo com os relatórios passados! Tem que haver algum erro! — Respondeu o homem com certa urgência enquanto exigia da máquina um novo extrato de consumo.

— Não se esqueça de que se algo acontecer por um erro seu, eu te matarei da forma mais agonizante possível. — Ameaçou o grisalho com visível irritação.

— Não será necessário, capitão, tenha certeza de que não permitirei qualquer erro. — Respondeu o homem já pegando o novo impresso. Analisou por alguns segundos e sua feição tornou-se confusa e indagativa. — Um grande volume de reiatsu parece ter sido consumido repentinamente. O tanque esvaziou de um segundo para outro. No entanto, a reiatsu não foi usada pela máquina. — Ao ouvir tais palavras, os olhos do capitão se arregalaram e uma expressão de pavor apoderou-se do rosto do rapaz.

— Analise de novo! Calcule de novo! Não ouse me dar qualquer resposta! Quero um resultado preciso! — Exigiu em tom autoritário e desesperado.

— Estou quase certo do que falo! Não tenho como dar 100% sem fazer uma vistoria na máquina, mas de acordo com os dados, não houve atividade que usassem a energ- Hitsugaya cortou-lhe novamente.

— Se não pode fazer o relatório sem a vistoria, faça-a e me dê um resultado preciso! Não quero especulações! — Declarou nervoso.

— Mas capitão, só quem poderia fazer a vistoria é o Urahara-san, com exceção dele, a única pessoa que conheço e que entenderia de fato o funcionamento da maquina é a minha irmã… Se o senhor permitir… — Sugeriu. O alarme aumentou, indicando que o nível de reiatsu estava abaixo do necessário.

— Chame-a de uma vez! Estou com pressa! — Disse retirando a haori e abrindo a parte de cima do kimono. — Acione a prateleira de recarga! Tenho que abastecer isso antes que pare de funcionar de vez.

Mahiro obedeceu prontamente, iniciando o processo no qual uma pequena prateleira lateral saía do tubo de metal e vidro, e nele, duas pulseiras e alguns elementos parecidos com elétrodos tornavam-se disponíveis. Hitsugaya vestiu as pulseiras e espalhou alguns elétrodos pelo tórax, em seguida concentrando sua reiatsu e pedindo que o processo de recarga se iniciasse de fato.

Enquanto o equipamento eletrônico sugava-lhe um pouco de seu poder, o capitão olhava de forma fixa para a morena no tanque, observando a serenidade que o rosto demonstrava e o balançar lento dos fios negros no gélido conteúdo de seu excêntrico leito enquanto a culpa e a preocupação consumia cada vez mais a sua alma e afundavam o espirito penitente em um profundo abismo sem luz.

Tão rápido quanto foi o chamado, Mayumi compareceu à restrita unidade, portando consigo tudo o que pudera reunir no tempo que lhe foi dado desde que Mahiro avisara que ficasse de prontidão. Ao chegar à unidade, a mulher passou pelos procedimentos padrões de segurança na entrada, contudo, não deixando de observar de perto cada dispositivo e mecanismo usado por seu admirado ídolo debochado.

A porta final logo se abriu e a oficial logo pode conferir com exatidão cada informação dada por Mahiro se materializar diante de seus olhos. Máquinas e equipamentos da mais alta qualidade ocupavam e trabalhavam a todo vapor no tecnológico laboratório, os traços e design não escondiam seu criador, ao menos para aqueles que já conheciam criações semelhantes e seu peculiares detalhes facilmente reconhecível para qualquer bom entendedor. Assim como o ambiente, Mayumi logo pôde vislumbrar o aliviado rosto do irmão ao vê-la chegar e o retrato expresso de um ser semi-nu de beleza semelhante a de um Deus mas que cuja a alma parecia haver sido roubada pela forte luz que o iluminava por irradiação e que ainda impedia a nova visitante de reconhecer visualmente sua origem.

Sem demonstrar sua empolgação, assim como seu prévio conhecimento sobre a existência de tudo aquilo, bem como os segredos da unidade, a mulher mantinha seu rosto em feição séria enquanto seu olhar percorria de forma ágil e analítica todo o ambiente.

— Obrigado por vir, Mayumi-nee! — Declarou o irmão aliviado por não mais estar sozinho com o irritado capitão em semelhante situação desesperadora.

— Trouxe tudo o que achei poder ser útil. Me diga qual a situação e, se possível, entre em contato com o fabricante do equipamento. — Pediu como se não soubesse de quem se tratava ser o criador. — Posso vasculhar e fazer teste, mas é sempre aconselhável ter o parecer de quem inventou o equipamento para não haver erros desnecessários.

Hitsugaya adiantou-se em responder por Mahiro.

— Contate Uranara de uma vez, Masashi! Não temos tempo à perder. — Ordenou. — Masashi Mayumi, imagino. Espero que seu irmão tenha lhe passado os avisos necessários. — Declarou o superior em tom sugestivamente ameaçador mesmo ainda com seu olhar unicamente voltado ao tanque.

— Não se preocupe, capitão Hitsugaya, sei ser discreta se é à isso que se refere. — Respondeu a mulher em tom monótono.

O rapaz finalmente se virou para a shinigami e lhe direcionou um olhar sem muito interesse, mas que lhe pareceu bem eficiente em passar-lhe a devida mensagem. Um “assim espero” ameaçador foi a mensagem entendida pela mulher que logo entendeu a pressão psicológica diária pela qual o irmão estava passando em seu trabalho. Hitsugaya era forte e poderia facilmente matar os dois, entretanto, não era necessário empunhar sua espada ou mesmo usar de força bruta para demonstrar sua superioridade, pois o olhar frio, alerta e impiedoso se encarregava por si só de intimidar seus adversários.

— O que sabe sobre o motivo pelo qual foi chamada? — Questionou o rapaz com o olhar analítico sobre a mulher.

— Sei apenas o necessário. — Anunciou aparentando calma. Dando alguns passos, complementou: — Sei que a torre para qual olhava era a raíz do problema e soube seu atual objetivo. Apenas o que precisava saber para poder ajudar de forma eficiente, capitão. — Declarou Mayumi em mesmo tom.

Finalmente chegando à determinado ponto do laboratório aonde o ângulo poderia permitir a vista do conteúdo do tanque, a irmã do assistente se permitiu vislumbrar o mesmo que o grisalho capitão admirava até instantes atrás, encontrando no interior do tanque a imagem de uma bela jovem de cabelos longos e negros e com asas brancas e cristalinas, tal como Mahiro havia descrito, até mesmo sua beleza não deixava de se justificar nos elogios descritos pelo homem. Inconsciente, talvez por sua constante relação com fatos e pensamentos lógicos e racionais, a mulher deixara sua feição robótica desmanchar diante de tão impressionante visão. Hitsugaya logo percebeu, nada deixando passar.

— Algum problema? — Questionou. Mayumi logo se empertigou e voltou à sua postura habitual.

— Nenhum, capitão Hitsugaya. Apenas acabei me perdendo tentando adivinhar em qual divisão ela pertencia, pois assim talvez me lembraria se já à vi antes. — Mentiu para não denunciar já conhecer sobre a menina.

— Não pertence à nenhum. — Respondeu. — Não é uma shinigami.

A mulher fingiu se surpreender de leve.

— Não? — Exclamou em falso tom surpreso. — O que seria ela então? Uma quincy? Uma Vaizard? — Chutou apenas para continuar sua falsa surpresa e curiosidade em saber sobre o que já sabia.

Hitsugaya, no entanto, arregalou de leve o olhar e imediatamente o fez procurar por Mahiro, encontrando-o ocupado enquanto tentava contato com Urahara. A mulher estranhou a ação evasiva do superior.

— Uma amiga, apenas isso. — Respondeu voltando seu olhar para a visitante.

— Entendo. — Completou e logo se seguindo um silencio quase sepulcral.

Depois de finalmente conseguirem contato, Mayumi e Urahara discutiram brevemente os aspectos sobre o equipamento e as possíveis causas do problema apresentado. Descartadas algumas possibilidades, a oficial pôs-se à fazer os devidos testes, porém, em sua maioria, ainda sem resultados positivos. O dia já quase amanhecia e o cansaço da noite não dormida após o carregado dia de trabalho lhe pesava as pálpebras, mas animava-se em saber que agora faltava apenas o último dos testes.

Virando para o capitão, deu-lhe as devidas instruções.

— Hitsugaya-taichou, por ora ainda não consegui qualquer resposta sobre o consumo indevido de reiatsu, no entanto, falta o último teste no qual o senhor deverá contribuir. — Começou. — De imediato, preciso que esvazie o tanque e mantenha a garota consigo enquanto farei os testes no interior do recipiente. Sua reiatsu deve ser o suficiente para manter a garota nas mesmas condições em que se encontrava no tanque, fique tranquilo, será por poucos minutos e após terminar, a colocaremos novamente lá. — Esclareceu.

A face do grisalho se retorceu em desgosto. Em realidade, Hitsugaya sentia medo de que esse pouco tempo que ficasse fora do tanque lhe causasse algum dano e tal opção era a última a qual gostaria de recorrer. Sem outras alternativas, o capitão concordou em ajudar.

Cuidadoso, Hitsugaya esvaziou o líquido do tanque e abaixou o vidro que separava a morena do mundo externo. Assim que a barreira desaparecera, o rapaz entrou no tudo e em seus braços levantou a garota desacordada.

Karin estava maior e mais pesada, pelo menos comparado à ultima vez em que o grisalho lhe pegou nos braços, entretanto, seu olfato não sentia mais o doce aroma que emanava da garota e que sempre lhe foi muito perceptivo; o olhos há muito estavam fechados e o rapaz não sentia mais o calor do corpo da jovem amiga humana. Frio. Karin estava gelada.

Enquanto observava estas mudanças na garota em seu colo, o capitão não conseguiu esconder seus sentimentos e em seu rosto ficou expresso com sinceridade todo o seu sofrimento. Seus olhos se entristeceram e perderam um pouco de sua cor, seu cenho se franziu, a pele tornou-se pálida e a boca se apertou, e mordida por si mesmo, quase sangrou.

Os irmãos, ainda no ambiente, assistiram a cena calados. Embora não fosse o tipo de pessoa que se moviam por sentimentalismo, nenhum dos dois conseguiu exprimir qualquer palavra e frase que pudesse atrapalhar o que acontecia no tanque aberto, pois a dor do grisalho, embora não pudesse ser sentida pelos dois, estava clara o suficiente para que respeitassem o momento e nem mesmo ousassem pensar ser banal.

Hitsugaya respirou fundo e se pôs à sair do tanque com Karin em seu colo. Assim que saiu, a mecânica logo entrou no recipiente para fazer o teste com os dispositivos de leitura de temperatura e com o “alimentador” — dispositivo responsável pela distribuição de reiatsu entre a maquina e a paciente. Embora estes fossem os últimos testes, a noite ainda não estava nem perto de acabar...

Notas finais
Espero que tenham gostado! =D Até o próximo capítulo! Abraço e Sayounara, Minna-san! o/