Hisoka, assassino compulsivo
12 The end
Notas iniciais
Machi e Hisoka foram até aquele pequeno prédio onde ela e alguns dos seus companheiros de trupe estavam hospedados durante sua estadia na Cidade do Meteoro. Ao entrar, subiram alguns lances de escada e passaram por uma por uma porta bem simples de medeira não envernizada, mas que dava acesso a uma grande biblioteca, com um acervo de causar inveja a muitas bibliotecas famosas ao redor do mundo. Todavia, não eram os livros que despertavam o interesse do mágico e sim o líder da Genei Ryodan, que se encontrava sentado lendo um livro. De pé ao seu lado estavam Pakunoda e Kortopi, com as caras amarradas, parecendo seguranças do líder.
— Aqui está – disse Machi.
— Obrigado – Kuroro agradeceu – acho que já sabe porque te chamei, não é Hisoka?
— É claro. E onde está o meu oponente? – perguntou Hisoka.
— Está perto, mas eu prefiro que o combate ocorra fora daqui, não é bom para os nativos ver um herói ser morto por um forasteiro. É claro, isso considerando que você dê conta do Toko.
Toko, então esse é o nome, pensou Hisoka. Ele não tinha a menor ideia de que tipo de habilidades seu oponente tinha, mas a única certeza é que sendo membro da Genei Ryodan, certamente se tratava de um grande lutador.
Enfim, Hisoka partiu, sendo guiado pelas aranhas presentes. Em poucas horas estavam fora da cidade e quando o sol estava em seu ápice, simplesmente pararam no meio do nada, onde havia apenas terra árida, alguns cactos e pequenos animais que insistiam em sobreviver naquele ambiente inóspito.
— Ele está atrasado – comentou Pakunoda.
— Será que desistiu? – supôs Kortopi.
— Aranhas não fogem de uma luta, vocês já deveriam saber disso – Kuroro os repreendeu – Ele deve ter tido apenas um contratempo, logo irá chegar.
E o líder estava certo, minutos depois um homem baixo, magro e pálido, com cabelos curtos e lisos e vestindo apenas uma bermuda e camiseta chegou montado em um camelo.
— Desculpem o atraso, eu não queria vir a pé e não foi fácil encontrar um camelo pra roubar – disse o sujeito.
— Não tem problema Toko, desde que o espetáculo seja bom – disse Kuroro.
— Então é esse que quer entrar pra trupe? – ele apontou para o Hisoka com desdém – não é melhor tentar uma vaga num circo?
— Não se engane, você é a prova viva de que as aparências enganam – advertiu Kuroro.
— Desculpem interromper, mas podemos começar logo o combate? – Hisoka estava impaciente e apesar de ter ficado quieto frente a provocação do outro, estava querendo logo acabar com aquele metido a piadista.
— É claro! É um combate de vida ou morte sem regras, então sem mais delongas, lutem!
Assim que Kuroro autorizou, a luta começou. Os espectadores se afastaram para não interferir no combate e, desta forma, os lutadores poderiam utilizar todo o espaço que tinham.
— Olha aqui palhaço, se é uma piada essa história de querer entrar pra Geney Ryodan já pode parar, você vai acabar se machucando.
— Olha só, o mosquito está zumbindo – Hisoka respondeu a provocação – se você me entregar logo o seu posto na trupe, te prometo uma morte rápida e sem dor.
Toko apenas riu, e naquele momento, foi o Hisoka quem resolveu tomar a iniciativa. Prudentemente, preferiu não usar nenhum hatsu logo de cara, apenas arremessou três cartas contra o adversário. Toko era veloz e parou os projéteis com as mãos nuas, embora tenha ficado com alguns cortes.
— Até que você é bom, mas quer mesmo me vencer sem usar nen? – perguntou o menor.
— E você quer me vencer sem ao menos atacar? Vamos combinar o seguinte, você me ataca e se o golpe for bom, te mostro minhas habilidades.
— Fechado!
Toko puxou uma pequena faca e começou a golpear o oponente. Hisoka se esquivava e não chegou a ser atingido, mas tinha que admitir que o inimigo era bastante rápido. Nada mais do que isso.
O número quatro foi bastante insistente e depois de dezenas de tentativas, finalmente fincou sua faca no pescoço do Hisoka.
— E então palhaço, vai me mostrar seu hatsu? Ou já vai morrer?
— Fu fu fu – Hisoka riu – eu já usei meu hatsu faz tempo e você é quem vai morrer! Olhe para seu peito com Gyo, eu te darei tempo para isso.
Apesar de incrédulo, a curiosidade fez com que Toko seguisse o que o Hisoka disse e para sua surpresa, viu uma espécie de chiclete rosa grudado nele.
— Ah? O que é isso?
— Bungee gum! E aliás, aquela facada que você pensa que me deu não me atingiu – Hisoka simplesmente removeu a pele do pescoço supostamente atingida e a jogou fora, revelando estar ileso por baixo – agora é minha vez de brincar.
Hisoka esticou a goma elástica e depois puxou de volta, aproveitando para socar o inimigo com mais força. O jogou para o alto e o fez cair no chão, literalmente brincando como um gato faz com a sua presa.
— É engraçado – disse o mágico para seu adversário extremamente machucado – você fez tanta questão de ver minhas habilidades de nen, mas sequer mostrou a sua. Estou decepcionado, esperava uma luta melhor, mas isso não faz mais diferença, adeus.
Hisoka o arremessou com força contra o chão, em um golpe que quebraria todos os ossos de qualquer pessoa normal. Porém, quando já julgava que o oponente já estava morto, o mágico começou a ouvir sua risada.
— Você é duro na queda. Bem, vou te dar uma morte digna – Hisoka tentou puxá-lo, mas percebeu que sua bumgee gum havia desaparecido – ué?
— Ha ha ha ha – Toko ria e mesmo sangrando e com ossos quebrados, conseguiu levantar – pode tentar, mas não conseguirá utilizar nen por um bom tempo.
Hisoka não acreditava, mas assim que tentou elevar seu en, percebeu que o inimigo falava a verdade.
— Essa é a vantagem de ser tão pequeno, todos acham que podem me bater a vontade. Agora vou te contar sobre meu hatsu, que eu chamei de João Teimoso. Você sabia que é possível quantificar tanto a vida quanto o nen? Quando eu recebo algum dano, perco “pontos de vida”, porém o quanto eu perco vida, quem me atingiu perde a mesma quantidade de “pontos de nen”. Deu pra entender?
Nesse momento, pela primeira vez, os espectadores começaram a conversar entre si.
— Seu namorado pensou que ia ser fácil vencer um de nós, embora eu admita que ele é um ótimo lutador – Pakunoda cochichou para Machi.
— Ele não é meu namorado. E não torço por ninguém, quem for mais forte merecerá ficar com o posto de quarta aranha.
— Eu ainda não entendo como que o Toko consegue aguentar tanta pancada a ponto de forçar o oponente ao zetsu – comentou Kortopi.
— Todo hatsu está intimamente ligado à história e personalidade de quem o criou. – Kuroro começou a explicar – Toko foi o caçula de seis irmãos, filho de um pai alcoólatra e cresceu em um lugar tão, ou talvez mais, inóspito do que a Cidade do Meteoro. Mais novo e fisicamente frágil, foi saco de pancadas da família por anos. Fugiu de casa, porém isso só aumentou o seu sofrimento, sofreu todo tipo de abusos nas ruas. Quando finalmente aprendeu nen, quis dar o troco em qualquer um que o batesse, drenando sua energia. Como ele aguenta receber tanto dano? Concentração e determinação, isso vai além do nen.
A luta continuava. Toko atacava Hisoka com sua faca, e este contra-atacava com suas cartas. Apesar da aparente desvantagem, Toko conseguiu fazer alguns cortes no mágico.
— Retiro o que disse, há muito tempo não tinha uma luta tão boa – falou Hisoka.
— Que bom que está se divertindo, já que essa vai ser a sua última luta!
Toko concentrou nen no seu braço direito, a fim de aumentar a potência do seu golpe. Hisoka levou uma facada bem no peito e sem poder usar textura enganosa, o golpe foi certeiro. Porém, mesmo com a arma do inimigo cravada no seu corpo, Hisoka teve a tranquilidade de retirar sua última carta e usá-la para degolar o valoroso oponente.
— Eu posso até morrer aqui, mas você vai junto – foram as palavras de Hisoka antes de perder a consciência.
*****
Hisoka acordou com o peito enfaixado e seus pulmões ardiam toda vez que tentava respirar. Percebeu que estava em um casebre, deitado em um colchão de palha, e logo viu Machi ao seu lado.
— Eu venci?
— Milagrosamente sim. Sorte sua que a faca acertou o seu pulmão ao invés do coração, se não vocês dois estariam mortos agora. Você também teve sorte de que uma das condições do hatsu do Toko era que o inimigo recuperaria seu nen após quarenta e oito horas, caso contrário você ficaria incapaz de usar nen para sempre e inútil para nós. Agora levante-se, o danchou quer falar com você.
No cômodo ao lado, Kuroro deu as boas vindas ao novo membro e ensinou algumas regras básicas da trupe. Depois disso, foi feita a tatuagem na pele (falsa) do Hisoka e dias depois, foi mandado para uma missão de roubar algumas peças de arte, nada muito complicado.
Finalmente, Hisoka era uma aranha. Enfrentar Kuroro já era outra coisa, em poucos meses, o assassino compulsivo se deu conta de que não conseguiria ficar a sós com o líder e ter a luta de vida ou morte que tanto desejava, a não ser que fosse mais ardiloso do que já fora em qualquer momento da sua vida.
Ao longo de todos esses anos, Hisoka fez muitos inimigos, mas também adquiriu bons contatos que poderiam fornecer ótimas informações mediante a um pagamento a altura. Através de um destes contatos, descobriu que havia um sobrevivente do clã Kuruta que buscava vingança contra a Genei Ryodan. Soube também que ele pretendia prestar o exame hunter, a fim de conseguir uma licença e assim, ter mais facilidade em obter informações sobre a trupe. Determinado, Hisoka se inscreveu no exame daquele ano, porém ao descobrir que o Kuruta não estava nele, matou um dos examinadores e assim foi desclassificado.
Como o nosso assassino era insistente, se inscreveu novamente no ano seguinte, onde finalmente conheceu Kurapika. Fez um acordo secreto com ele e outro mais secreto ainda com Illumi Zoldick o que resultou em toda confusão durante o leilão de York Shin daquele ano. Porém os acordos acabaram não saindo como o esperado e Kuroro acabou tendo seu nen bloqueado. Como o que Hisoka queria era uma boa luta, não iria brincar com um brinquedo quebrado.
******
Muito tempo depois, logo após a eleição para sucessor do falecido Netero da qual Hisoka não estava nem um pouco interessado, ele recebeu uma carta inesperada, mas que o deixou extasiado.
Nada querido Hisoka Morow, encontre-me na Torre Celestial no próximo domingo às sete da noite, temos aquele antigo assunto para resolver.
Atenciosamente, Kuroro Lucifer.
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