His
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Então, estamos postando aqui. Espero que gostem. ♥
Capítulo único:
“His”
...
Gray suspirou pela centésima vez e desistiu de fazer o nó da gravata corretamente. Realmente, por que ele tinha que colocar aquela coisa, afinal?
Sabia que o evento a que estava indo, pedia aquilo: Reedus estava dando uma exposição em uma galeria muito extravagante, e o moreno tinha que vestir um smoking.
Colocando a gravata no bolso, Gray pegou suas chaves e seu celular, e tinha acabado de sair de casa, quando o telefone tocou. Franziu o cenho ao ver que era Cana.
"O que é?" perguntou, colocando o telefone entre a orelha e o ombro, enquanto trancava a porta.
"Olá para você também, Gray." Cana riu e revirou os olhos.
"Você nunca me liga a menos que queira algo, então: O que é?" ele terminou de trancar a porta e começou a ir em direção ao elevador.
"Ok, você me pegou" Cana disse, com um riso em sua voz. "Você poderia buscar Juvia?"
"O quê? Por quê?" Gray apertou o botão do elevador e franziu a testa.
"Ela emprestou seu carro para Gajeel, pois o dele está no mecânico, e eu lhe disse que poderia buscá-la. Mas Erza me ligou do nada e pediu para buscá-la, e ela disse que vai tomar outra meia hora ou mais até ficar pronta, não contando o tempo que eu gastarei até chegar lá," ela parou por um momento "e nós dois sabemos que não se pode nunca dizer ‘não’ à Erza. Juvia já está pronta, eu não acho que ela quer esperar tanto tempo, e desde que você mora mais perto dela do que os outros, eu pensei que não se importaria."
"Tudo bem". Gray encolheu os ombros, sem ver o mal de fazê-lo, afinal de contas, ele vivia mais perto de Juvia do que seus outros amigos; ela fez questão de encontrar um apartamento a três quadras do seu.
"Obrigada." Cana riu quando ela terminou a chamada. "Ele me conhece há quinze anos e ainda não tem ideia de quando eu estou tramando algo contra ele."
...
Gray bateu na porta de Juvia e a ouviu dizer que estava chegando. Esperou com paciência, e depois de cerca de um minuto, viu a porta se abrir.
"Oi, Gray-sama." ela sorriu, saindo de seu apartamento, e por um momento, ele só conseguia ver o casaco branco que ela tinha em mãos. "Desculpe por incomodá-lo. Juvia disse à Cana-san que teria ficado bem se tivesse tomado um táxi e..." a menina moveu o casaco e ainda estava falando, mas Gray honestamente não ouviu uma palavra que ela disse, porque estava analisando-a.
Ela usava um vestido tubinho, de um azul claro brilhantre, e que atingia o meio de suas coxas. Seu decote estava mostrando muito e ele podia ver a marca de nascença que ela tinha na perna direita. Seu cabelo estava preso — para sua surpresa, ela quase nunca o usava assim — em um coque frouxo com alguns fios pendendo, e sua franja também estava livre. A maquiagem era leve e os lábios tinham algum tipo de batom rosa. Usava brincos de prata pequenos e redondos, um colar com o pingente em forma de floco de neve e também levava uma pequena bolsa de mão, prateada. Os saltos altos, mais uma vez de prata, faziam o toque final.
Basicamente, ela estava deslumbrante.
Por um momento, os olhos de Gray vagaram através de seu corpo e sua boca ficou seca com a visão diante dele.
‘Puta merda’, ele pensou. Sempre soube que ela era bonita, mas naquela noite, superara a si mesma. Seu smoking, de repente, pareceu mais quente. Ela se virou para trancar a porta e os olhos dele pousaram sobre suas costas, nesse momento. Ah sim, ela parecia muito bem. ‘Oh meeeeeeerda!’.
"Obrigada por buscar Juvia, Gray-sama." Gray saiu de seus pensamentos impuros e seus olhos deixaram a sua... ahem... parte de trás, e foram para o rosto dela, quando a mulher virou-se para fitá-lo.
"Não tem problema." ele tossiu. "Eu moro perto e você precisava de uma carona. Nada demais."
"Obrigada de qualquer maneira." ela sorriu suavemente e o coração dele deu um giro, fazendo com que franzisse um pouco a testa. Não era a primeira vez que isso acontecia na presença dela, mas o confundia o tempo todo. Seu coração não tinha que ficar estranho daquele jeito quando estava perto de Juvia. Já era o suficiente que seus sonhos fossem preenchidos com ela, Gray não precisava de coisas esquisitas acontecendo enquanto estivesse acordado, também.
"Vamos?" ele apontou para trás, na direção do elevador.
"Sim.” ela balançou a cabeça e começou a colocar o casaco branco, enquanto ele apertava o botão do elevador. "Gray-sama acha que vai haver muitas pessoas lá?" a porta se abriu e eles entraram.
"Eu acho.” ele encolheu os ombros. "Reedus é muito bom e ele está ficando famoso."
Juvia assentiu. "Verdade. Juvia espera que as pessoas gostem dos seus quadros, hoje."
"Eles vão.” Gray sorriu-lhe. "Eu não os vi ainda, mas tenho certeza que ficaram bons."
"Sim.” Juvia sorriu e, sem perceber, se inclinou para ele, um pouco, até que a porta se abriu e, por uma vez, Gray não ficou incomodado com isso.
Ambos saíram do elevador e atravessaram o saguão. Juvia parou por um momento para falar com o porteiro, um cara de meia idade, enquanto Gray esperava na porta. Ela riu de algo que o homem disse e colocou as mãos nos quadris, como se posasse para uma foto. Depois acenou, dando-lhe adeus.
Gray acenou para o homem, que retribuiu o gesto. Tinha estado lá algumas vezes antes, quando teve que buscar Juvia ou deixá-la, porque ela precisava, e então o conheceu. Ele era um cara bom.
Quando eles finalmente saíram, Gray colocou as mãos nos bolsos para pegar as chaves, e acabou retirando a gravata de lá. Juvia notou aquilo.
"Por que não está vestindo a gravata, Gray-sama?” ela franziu o cenho e parou na frente do carro.
"Eu não consigo colocar essa maldita coisa da maneira certa." ele gemeu.
"Você quer que Juvia o ajude?" ela perguntou baixinho, e ele ponderou a ideia.
"Sim, claro." Com isso, entregou-lhe a gravata preta, e ela imediatamente colocou em seu pescoço, começando a trabalhar naquilo. Foi então que Gray percebeu o quão bonito o rosto dela era, enquanto estava concentrada. Sua boca ficara entreaberta, à medida que murmurava algo, e ele tinha quase certeza de que ela estava se lembrando das instruções. O moreno estremeceu um pouco quando seus dedos da mulher roçaram-lhe sem querer.
Após um minuto mais ou menos, estava terminado. Juvia colocou a mão sobre seu peito e olhou para ele, sorrindo.
"Prontinho."
"Obrigado" Gray disse, sem se mexer e olhando em seus olhos azuis escuros. Tinha percebido antes que eles possuíam algum tom de marrom?
Quando ela puxou a mão do peito dele, ele cobriu a dela rapidamente e colocou-a novamente com a sua, para que ambas estivessem de volta acima do coração. A garota franziu a testa, e estava prestes a perguntar o que ele estava fazendo, mas ficou presa em seus olhos, assim como ele estava perdido nos dela.
O tempo parou para eles.
Juvia olhou para seus orbes escuros e se perguntou o porquê de ele estar fazendo aquilo, confundindo-a com seu toque e olhar profundo, enquanto Gray tentava descobrir o que Juvia estava fazendo com ele. Seu corpo movia-se por sua própria vontade, e ele se inclinou um pouco, olhando para os lábios cor de rosa e se perguntando como era seu gosto. Apenas um pouco mais e ele iria...
"Vocês não estão atrasados para alguma coisa?" os dois ouviram e saltaram para longe um do outro. Ao virarem, notaram o velho porteiro, olhando para eles com um sorriso.
"Sim!" Gray tossiu, corando e se ocupando com as chaves, enquanto Juvia parecia totalmente confusa sobre o que havia acontecido e o que poderia acontecer. "Entre, Juvia."
E ela o fez.
...
A exposição foi um sucesso, havia muitas pessoas, e era apenas a noite de abertura. Todo mundo sabia que Reedus ia ser uma explosão, por isso não foi uma grande surpresa que o magríssimo homem tivesse tantos convidados.
Gray foi falar com Erza sobre algo trivial do trabalho, quando ela se desculpou após ver o "amigo" de cabelo azul, chegar. Ele riu um pouco quando a viu corar. Era tão óbvio que eles gostavam um do outro. Aqueles idiotas. Por que não podiam estar juntos, já que se gostavam?
Com esses pensamentos, Gray lembrou com quem havia ido àquela festa, e olhou em volta, procurando Juvia. Eles foram separados por Levy, que agarrou Juvia e a levou para longe dele. Tinha sido há vinte minutos e era incomum eles estarem separados por tanto tempo em festas como aquela; ela queria ter certeza de que outras meninas não conseguiriam atenções de Gray. Depois de olhar a multidão e ver muitas pessoas da Fairy Tail, ele percebeu o tom de cabelo azul que conhecia tão bem e, finalmente, parou para olhá-la.
Quando realmente a viu, Gray quase esmagou a taça de champanhe que estava segurando.
Havia um... cara conversando com ela. E ele não teria se incomodado se o homem fosse um de seus amigos ou até mesmo um cara deformado, mas o homem era – e Gray era confortável o suficiente com a sua sexualidade para admitir isso a si mesmo–, bonito. Cabelos loiros ondulados, olhos verdes, com um sorriso sedutor e, como quase todos os homens lá dentro, usava um smoking. A parte chata era que aquilo lhe convinha.
‘Está tudo bem’, Gray pensava. ‘Ele não está fazendo nada. Eles estão apenas conversando como pessoas normais’, mas continuou olhando-os como um falcão.
O loiro disse algo à Juvia e ela sorriu um pouco. Então ele disse-lhe algo mais e a mulher de cabelos azuis olhou para baixo e tocou seu o colar. Em seguida, o homem fez o mesmo, passando levemente o dedo, assim, tocando o decote de Juvia.
Antes que Gray pudesse impedir a si mesmo, marchou em direção aos dois. Será que aquele cara só queria tocar Juvia? Será que ele havia usado aquele estúpido movimento para tocar Juvia?
Sem olhar para longe deles, Gray deixou a taça com uma garçonete e pegou mais duas, sem nem mesmo agradecer a mulher. Ele sabia que era rude, mas estava se sentindo rude; ninguém mexia com suas posses.
Ninguém.
"Hey.” Gray parou próximo à Juvia, que suspirou de alívio, e entregou-lhe o copo de champanhe, ignorando o outro homem completamente. "Você já viu Reedus?"
"Obrigada." ela sorriu e pegou o copo. "Sim, mas Juvia não falou com ele. Ele estava vendo os compradores e ela não queria se intrometer."
"Ele iria querer que interrompêssemos." Gray sorriu. "Vamos." Juvia assentiu.
"Tchau, Hugh-san" ela disse ao loiro, que tinha uma careta no rosto.
"É, tchau” Hugh disse, enquanto a via partir. Gray olhou para ele e para baixo com um olhar sujo, e o loiro levantou os braços em sinal de rendição. "Calma, amigo! Ela não me disse que tinha um namorado."
Desde quando conhecera Juvia, algumas vezes Gray fora confundido como seu namorado e rejeitava essa impressão logo que podia, mas aquela noite era diferente, ele não havia dito uma palavra para negar, e afastou-se, seguindo a mulher.
"Aquele cara estava te incomodando, Juvia?" Gray perguntou, uma vez que se aproximou da menina de cabelos azuis. Ela pareceu confusa, por um momento.
"Oh, Hugh-san?" ela riu. "Não, ele só gostou do colar de Juvia e perguntou de onde ela tirou isso."
Gray não podia acreditar que ela realmente tinha caído naquela. "É?" ela assentiu com a cabeça. "Pois eu estava com a impressão de que ele ia te chamar para sair."
O rosto de Juvia ficou vermelho. "Não. Juvia não aceitaria, seria traição."
"Bom.” Gray assentiu. "Ali está Reedus. Vamos conversar com ele."
Juvia olhou para o moreno, confusa. Normalmente, quando ela falava coisas sobre traição, ele reviraria os olhos ou diria algo como: “Trair? Quem?”, e mudaria de assunto. Mas, dessa vez, ele não o fez, e isso a confundiu.
Então, eles foram conversar com Reedus, lado a lado.
...
Aquela noite para Gray não estava sendo a melhor. Não, sério, por que todos os caras estavam olhando para Juvia? Ok, talvez, apenas talvez, sua mente estivesse brincando com ele, mas, para Gray, parecia que todos os homens estavam olhando para ela, e isso o incomodava profundamente. E se eles não estavam olhando para ela, eram loucos: ela estava linda.
Olhou em volta e viu uns caras fitando-a. Gray sabia que os homens iriam fazer isso, cada mulher da Fairy Tail era totalmente bela, mas será que não podiam ver que ele estava de pé, ao seu lado, parecendo um cão de guarda, por alguma razão?
Aqueles idiotas.
Gray era um cara territorial, todo homem é um pouco. O problema era que ele não deveria ter aquele sentimento de posse para com Juvia, uma garota com quem ele não estava nem mesmo saindo.
‘Ainda’, sua mente lhe disse e ele gemeu. Mente estúpida falando bobagem.
Gray balançou a cabeça. Estava sendo um amigo preocupado; a maioria daqueles caras procurava apenas algo para passar o tempo, e ela merecia mais do que isso. Não era como se ele estivesse com ciúmes ou algo assim. Juvia era... Juvia. Uma boa amiga, e era isso. Mas, novamente, você não sonha com sua amiga do jeito que Gray havia sonhado com Juvia. Esses sonhos eram muito pornográficos para serem considerados normais. Ou como ele sentiu o estômago ficar louco quando ela apareceu. Ou como ele não era um fã do fato de sempre Lyon chegar à cidade e incomodá-la. Ou como ele não gostava quando ela parecia triste.
Então, o quê? Muitas dessas coisas você pode sentir em relação à outra pessoa, isso é chamado de amizade!
Eles. Eram. Apenas. Amigos.
Gray estava cansado de dizer isso para os outros, desde que havia conhecido Juvia. A diferença era que, agora, ele estava dizendo isso para si mesmo.
Por que tinha que inventar desculpas?
Atualmente, eles estavam falando com Cana sobre quanto tempo levou para Erza vestir-se, olhando em volta para não falar mal da mulher de cabelo vermelho, quando ela estava por perto. Ela iria matá-los no local, mas então, Hibiki apareceu, com um largo sorriso.
"Boa noite, senhoritas. Fullbuster.” ele balançou a cabeça para Gray, que acenou de volta. “Nee-san," olhou para Cana, colocando o braço sobre seus ombros "será que você perguntou à sua amiga sobre aquilo?" Hibiki olhou para Juvia e sorriu. Cana balançou a cabeça e Hibiki conversou com a mulher de cabelos azuis. "Veja, Juvia-san, eu estava pensando... Eu tenho um amigo..."
Gray, que não estava sequer prestando atenção na conversa, imediatamente animou seus ouvidos e girou a cabeça para a mulher alcoólatra e seu affair. Não era um segredo que eles se encontravam de tempos em tempos.
"Sim?" Juvia franziu a testa, sem entender. Ela podia ver as mensagens ocultas em tudo o que Gray dizia, mas não podia ver uma tramoia quando era objeto de uma.
"Sim". Hibiki disse. "Hugh está aqui. Eu acho que eu vi vocês dois conversando, mais cedo."
Gray viu quando ela reconheceu o nome, porque seu rosto mostrou muito claramente que havia se lembrado do homem. E assim fez Gray: ‘O loiro’.
"Oh, sim!” ela assentiu com a cabeça, oferecendo um sorriso. "Ele gostava do colar de Juvia." e o tocou.
Cana e Hibiki se entreolharam, e o mesmo pensamento que veio para Gray, ocorreu-lhes: ‘Será que ela realmente caiu nessa?’
"Sim. Ele me disse que você era muito doce. E já que está visitando Magnolia comigo pela primeira vez, ele perguntou se você seria uma querida e viria conosco." Hibiki piscou para Juvia. "Nee-san aqui parece não gostar de dar passeios com as pessoas. Mas com você, ela poderia ficar disposta, e você a faria companhia, também."
Gray não podia acreditar em seus ouvidos. Eles estavam, obviamente, marcando um encontro entre Juvia e esse tal de Hugh! Bem na frente dele. Eles estavam marcando um encontro entre Juvia e outro cara, bem na frente dele! Mas o que surpreendeu Gray foram as palavras de Juvia.
"Claro, isso parece divertido!" ela disse, com ingenuidade. Ela realmente não tinha ideia do que estava concordando, tinha?
Ok, era isso.
"Desculpe-nos." Gray levou a taça de champanhe que estava segurando e deu ao garçom. Então, agarrou Juvia pelo braço, o mais gentilmente possível — o que não era muito, já que ele não estava se sentindo gentil —, e arrastou-a para longe de Hibiki e Cana, que sorriram um para o outro.
"Você realmente conhece esse Hugh?" ela perguntou ao homem, que sorriu um pouco.
"Não. Só vi os dois juntos antes, então, eu perguntei o nome dele mais tarde. Desde que você me disse para tramar algo, eu fiz." Hibiki sorriu. "Espero a minha recompensa mais tarde."
"Você terá." Cana sorriu maliciosamente para ele e esperou que seu amigo enfezado proporcionasse à sua amiga, bons momentos. Para ambos.
...
Juvia seguiu Gray, é claro. Iria segui-lo para onde quer que fosse, ele não tinha necessidade de arrastá-la assim.
"Gray-sama, o que...?" eles estavam passando entre as pessoas, e em algum momento, a mão dele deslizou para a dela. Seu coração batia tão forte, que ela pensou que ia morrer de emoção.
Ele os levou para uma pequena sala que dava aos banheiros. Abriu o feminino e a empurrou para dentro, entrando atrás dela e trancando a porta, logo depois.
Antes que ela pudesse perguntar o que estava acontecendo, ele virou-a e encostou Juvia na parede, e antes que ela pudesse processar totalmente o fato de que o homem dos seus sonhos estava pressionando-a contra seu próprio corpo, os lábios dele cobriram os dela.
Por alguns segundos, ela apenas estava ali, olhos abertos e não acreditando no que estava acontecendo, mas quando ele aprofundou o beijo, os instintos de Juvia afloraram e ela fechou os olhos e colocou os braços em volta de seu pescoço, totalmente beijando-o de volta.
Quando suas línguas se encontraram, ambos gemeram em aprovação. Por que havia demorado tanto tempo para que eles fizessem aquilo?
Enquanto se beijavam, Gray começou a andar com as mãos sobre seu corpo e, quando se afastaram para respirar, Juvia fitou o nada, com um olhar confuso.
O que diabos havia acontecido?
"Gray-sama, o que..." ela engasgou quando o homem de cabelo escuro a pegou pela cintura, virando, levantando um pouco e fazendo-a sentar em cima da enorme pia. Ela enrolou as pernas em torno de seus quadris, sem perceber, e ele deu-lhe outro beijo esmagador. Juvia, mais preparada desta vez, respondeu rapidamente, e colocou os braços em volta do pescoço dele. Ela não se importava se seu vestido estava, com 110% de certeza, mostrando mais do que deveria; Gray Fullbuster estava beijando-a, e naquele momento, nada mais importava.
E, cara, ele beijava muito bem.
Desde quando Juvia conhecera Gray, nunca havia escondido de ninguém que fantasiava sobre ele, mas a realidade era muito, muito melhor do que ela esperava.
O que a mulher de cabelo azul nunca pensou que iria acontecer, era ser beijada por ele na exposição de seu amigo, e do nada, porque, honestamente, ela foi realmente pega de surpresa, lá.
Sua boca deixou a dela e não perdeu tempo em encontrar o seu pescoço, e Juvia conheceu outra coisa que Gray era muito bom: encontrar seus pontos fracos. Ele descobriu aquele pequeno lugar, logo acima de seu ponto pulsante, e deu-lhe um chupão, fazendo Juvia se surpreender, no bom sentido. Qualquer outro cara com quem ela já havia saído demorou algum tempo para encontrar aquilo, se é que alguma vez o fez.
Ela deixou a cabeça cair para o lado, dando a ele mais acesso, sem se importar com nada no mundo. Tudo o que ela se importava era que seu Gray-sama estava trabalhando sua magia sobre ela.
Quando ele deu uma pequena mordida, justamente onde sua boca estava fazendo-a estremecer, Juvia soltou um suspiro de grande surpresa e prazer.
"Gray..." ela disse, com uma voz sussurrante.
...
"Gray..." a voz dela ecoou em sua mente, tão carente. E ela havia deixado o sufixo –sama de lado, e ele gostou. Sempre que fantasiava sobre aquele momento — ele era um cara, fantasiava muito sobre isso —, ele sempre pensou que ela não iria largar o honorífico, e, de certa forma, aquilo o excitava, pensando que o seu –sama era carnal para ela. O que ele nunca havia pensado era que o seu nome, puro e simples, vindo da boca de Juvia, enquanto ele trabalhava em seu pescoço, soaria tão sexy.
Gray tinha quase certeza de que ela tinha muitas, muitas outras maneiras de dizer o nome dele, e ele pretendia fazê-la dizer todas.
Deixou seu pescoço e sorriu, quando ela gemeu em protesto. Droga, aquilo era bom.
Juvia abriu os olhos, e Gray podia ver que ela estava confusa e com tesão. Ah, cara. Sua respiração ficou presa na garganta, com a visão: ela tinha as pernas em torno de seus quadris, as bochechas estavam rosadas, sua respiração era rápida, fazendo seu peito subir e descer da maneira mais provocante, seus profundos olhos azuis estavam embaçados com a luxúria, e para sua felicidade, a pele branca de seu pescoço, onde havia mordido, estava ficando muito vermelha. Ela teria um belo de um chupão. Ele tinha deixado sua marca lá, para que todos os outros homens daquela exibição vissem.
Havia marcado-a como sua.
Gray estava bem consciente de que era muito fora de seu caráter ser tão possessivo com alguém que ele não estava sequer em um relacionamento, mas os homens que olhavam para Juvia eram mais discretos do que os que ele tinha visto naquela noite, e Hibiki, que ousara fazer um “movimento” sobre ela, também deveria saber que, agora, ela estava fora da jogada.
Claro, Gray esqueceu que nem todo mundo sabia sobre seu relacionamento louco; ela o amava, e ele negava qualquer envolvimento, mas qualquer pessoa com olhos poderia dizer que Gray se importava profundamente com Juvia.
Eles tinham os mesmos amigos e iam para os mesmos lugares, então, a maioria deles já sabia sobre aquele relacionamento disfuncional, mas, depois, Cana começou brincar com seu equilíbrio, através da introdução de homens para Juvia.
Ela não sabia sobre sua relação frágil?
Essa mulher embriagada pagaria por isso, mais tarde.
Foi a primeira vez que eles se beijaram, e Gray podia admitir para si mesmo, e apenas a si mesmo, que isso acontecera por ciúmes e possessividade; um cara teve a coragem de tentar fazer um movimento sobre Juvia.
Sobre. Juvia.
A pior parte foi que o cara não era nem mesmo um adversário digno como — mais uma vez: Gray nunca iria admitir isso para ninguém além de si mesmo — Lyon era; Cana só havia levado alguém para chatear Gray, quando Lyon vinha tentando há meses sem ter sucesso. Esse cara nunca teria uma chance, mas irritava a Gray vê-lo sequer tentar. Aquele filho da mãe.
O pensamento de alguém tentando ter Juvia inflamava seu desejo, novamente. Ele iria deixar a sua marca nela, ele ia deixar todos os caras saberem que sim, Juvia estava muito gostosa naquele vestido, mas ela já tinha alguém.
Ela o tinha.
Ok, se Gray não fosse tão lerdo, ele deveria ter convidado Juvia para um encontro, mas era um covarde quando se tratava de sentimentos, e ele não estava com 100% de certeza sobre isso, além de não querer magoá-la. Mas as coisas foram ficando mais claras, à medida que ele foi reunindo fatos como: Fato 1) Juvia era sua (se ela ou qualquer outra pessoa sabia), sem mais argumentos. Fato 2) Gray se preocupava muito com ela, mais do que ele pensava. Fato 3) Ele era um homem possessivo e ninguém mexia com o que era seu e, desde que Juvia era sua (ver fato número um), ninguém mexia com Juvia.
Gray reivindicou a boca dela novamente, enquanto sua mão esquerda encontrava o caminho para a sua coxa, acariciando-a, e a outra estava na parte de trás do seu pescoço, puxando-a o mais próximo que pôde. Seu corpo estava pressionando o dela novamente, e Gray estava muito certo de que ela podia sentir o quanto ele estava feliz por ambos estarem daquele jeito. Não que ele tivesse escutado alguma reclamação acerca disso.
Depois de alguns toques e gemidos, Gray descansou sua testa contra a de Juvia, respirando com dificuldade e tendo os olhos fechados, enquanto saboreava aquele momento. Ele queria prosseguir; Gray sabia que Juvia estava disposta a percorrer todo o caminho, e mesmo se ela não tivesse, ele tinha certeza de que outro beijo quente iria fazer o trabalho. Mas, mesmo que ele realmente, realmente quisesse, não poderia.
Além disso, já tinha feito o que desejava. O fato de que ele queria fazer mais não poderia interferir nisso.
"Juvia," ele sussurrou e ela abriu os olhos para encontrar o olhar dele. Oh, merda. Ela o queria. Ela realmente o queria. Ele beijou seu nariz suavemente, e depois voltou a descansar sua testa sobre a dela. "nós temos que voltar para a festa." ela fechou os olhos novamente e gemeu.
"Não" Juvia disse, fazendo beicinho. Estava confusa sobre o porquê de ele ter começado a agarrá-la naquele momento, mas ela não se importava. Só queria que o sonho continuasse. Gray ofegou quando sentiu as pernas dela envolverem ainda mais apertado sua cintura. Sua determinação estava prestes a ir embora.
"Nós temos que ir,” Gray falou, através de seus dentes, tentando pensar em tudo o mais no mundo, exceto sobre o fato de que a bela mulher de cabelos azuis o estava tocando "as pessoas vão perceber que nós sumimos".
"Deixe." Juvia estava acariciando seu pescoço, e ele estremeceu.
‘Pessoas mortas, os pés de Natsu, a guerra, meu carro destruído...’, a mente de Gray freneticamente gritou, mas não fazia muita diferença, seu calor ia superando qualquer outro pensamento que ele poderia ter.
"Podemos continuar isto mais tarde." Gray conseguiu dizer sem gaguejar, enquanto Juvia trabalhava em sua mandíbula, com pequenos beijos.
Ele sempre soube que Juvia ficaria muito sensível, se/quando (honestamente, foi uma questão de tempo) eles ficassem juntos, mas aquilo tinha sido além das palavras; ela o estava deixando louco. E ele estava aproveitando cada segundo disso. Se ambos estavam assim, enquanto se encontravam vestidos e num local público, quando finalmente conseguissem ficar sozinhos e sem roupa, um deles certamente ficaria lesionado pelo resto da vida.
"Juvia tem medo de que isto seja um sonho, Gray-sama" ela sussurrou, e mordeu o lóbulo de sua orelha. Gray gemeu com isso, mas não perdeu suas palavras, tanto quanto o seu corpo tremia. Caramba, ela era boa em distraí-lo.
"Não é" Gray disse e sem aviso, apertou-se ainda mais sobre ela. Seu corpo gritava pelo dela, mas sua mente ainda estava no controle: ele não iria apenas dormir com Juvia, assim. Sabia que ela o amava e que apenas sexo iria esmagá-la, por isso que tinha que se segurar. Gray sabia que gostava muito dela, poderia até mesmo ter se apaixonado, mas ele precisava ter certeza antes de aprofundar aquilo. Sabia que após aquela seção de amasso que eles tiveram, não poderiam mais fingir: ele não poderia fingir que não tinha sentimentos por ela, e ela não poderia fingir que não estava desesperada por sua resposta.
O momento decisivo havia chegado para eles.
Juvia suspirou e desembrulhou as pernas, mas era claro que não queria. Ela não se importava que eles ficassem no banheiro para sempre. Enquanto estivesse com ele, estaria bem.
Gray hesitou, mas afastou-se dela, também, só que não o suficiente para que Juvia pudesse sair.
"Juvia..." ele disse, não tendo certeza sobre o que dizer a ela depois do que havia acontecido.
Ela colocou a mão em seu rosto e inclinou-se sobre ele, dando-lhe um leve beijo nos lábios.
"Quando você estiver pronto, Gray-sama." então, o beijou de novo. "Juvia estará aqui quando você estiver pronto."
Ele assentiu e ajudou Juvia a descer da pia, tentando evitar olhar para suas pernas nuas.
Quando seus pés tocaram o chão, Juvia empurrou para baixo o vestido e tentou o seu melhor para parecer que ela não tinha se agarrado com o amor de sua vida no banheiro.
Mas, ao virar para olhar a si mesma no grande espelho, engasgou.
"Gray-sama! Meu pescoço!" Gray sorriu quando viu a marca um pouco vermelha que ela tinha no lado direito do pescoço, e mais uma vez se sentiu bem com isso. Ele havia marcado-a como sua. "Como Juvia poderia cobrir isso?"
"Não cubra.” ele brincou e ela corou.
"Juvia deve, ou todo mundo vai saber que..." a menina fez uma pausa. "E por mais que ela queira que todos saibam que Gray-sama a fez sua," ele gemeu, controlando a si mesmo. Não havia a tornado sua. Ainda. "você não quer isso."
"Tudo bem.” ele suspirou. Ela estava certa. Se saísse do banheiro assim, todos saberiam que ele era o único que havia feito aquilo; Juvia não iria deixar ninguém tocá-la, e ele não estava pronto para admitir a seus amigos que havia feito aquilo com ela, não naquele momento, de qualquer maneira. "Cubra-o." Gray inclinou-se na parede oposta ao espelho e fitou Juvia.
"Como?" ela começou a procurar dentro da sua bolsa de mão. "Talvez com maquiagem. Juvia teve a sorte de ter trazido alguma".
Ele observou como a mulher aplicava o pó sobre o local vermelhíssimo. Não tinha ideia do quanto havia mordido. E teve certeza de que ela teria aquilo por alguns dias.
Depois que ela terminou com seu pescoço, prendeu o cabelo num coque, e depois o deixou cair, com um suspiro. Os olhos de Gray fitaram-na pelo espelho, ele gostava quando ela tinha o cabelo solto, e com cachos apenas nas pontas. Mas ela o decepcionou ao juntar todo o cabelo e começar a fazer algo nele. Após mais ou menos um minuto, todas as mechas estavam presas em uma trança lateral, e ele ficou impressionado quando percebeu que a trança cobria a maior parte de seu pescoço, e que nem notaria o chupão, se não soubesse que estava lá.
"Você é boa nisso." Gray balançou a cabeça em aprovação.
"Obrigada." ela colocou a maquiagem de volta em sua bolsa. "Juvia tem experiência com isso."
"O quê?" Gray franziu a testa.
"Juvia foi uma criança adotiva, Gray-sama." ela olhou para ele, por cima do ombro. "Ela teve que esconder os hematomas que obteve através de brigas com outras crianças, caso contrário, era punida."
"Oh.” ele relaxou, apesar de ter sido horrível saber aquela parte de seu passado.
"Você pode ver?" a menina perguntou, e ele negou com a cabeça. "Bom".
"Vamos deixar para..." Gray olhou para o relógio "outra hora. Então, eu vou te levar pra casa." Seu rosto ficou vermelho com as palavras dele e ele também corou um pouco quando percebeu as implicações. "Apenas te levando para casa!"
Poucos minutos antes, ele estava prestes a ir até o fim com ela, e agora, corava como uma menina de escola. Cada coisa que aquela mulher o fazia passar...
"M-Mas Gray-sama disse que iríamos terminar mais tarde!" com o rosto mais vermelho quanto pudesse, ela reuniu toda a sua força para dizer aquelas palavras. Se aquela era a noite em que seus desejos iriam se tornar realidade, ela com certeza aproveitaria!
O rosto dele estava vermelho, também.
"Primeiro, nós temos que ter um encontro..." ele disse, e ela fez beicinho. Oh, aqueles lábios...
"Oh...” Juvia olhou para baixo, triste. Levou um ano e meio para beijá-la, ela tinha certeza de que levaria muito tempo para que ele fizesse algo, de novo.
"Na próxima sexta-feira está bom para você?" Gray perguntou, depois de alguns segundos.
Ela olhou para cima e sorriu, os orbes brilhando de pura alegria. Juvia jogou os braços em volta o pescoço dele e beijou-lhe os lábios.
"Sim, Gray-sama. Está bom para Juvia."
Ele sorriu um pouco. Então, talvez ele não fosse matar Cana. Apenas torturar um pouco era bom o suficiente.
"Tudo bem. Vou passar na sua casa por volta das 7 horas." disse a ela, que balançou a cabeça, feliz.
"Isso significa que Juvia não pode beijar Gray-sama até então?" ela perguntou, ansiosa para saber quais eram as regras.
"Eu não sei, não pensei por esse lado." Gray franziu a testa, refletindo também em como agiriam durante esse tempo. Ele já tinha a mão na maçaneta; agora que já possuía um gostinho do que teriam no futuro, realmente deveria evitar ficar em lugares pequenos com Juvia e seu perfume inebriante.
"Nós precisamos trabalhar nisso.” ela encolheu os ombros. "Agora que Juvia foi beijada por Gray-sama, vai ser difícil para se concentrar em outra coisa" ela disse sonhadora e olhou-se novamente no espelho para ter certeza de que parecia apresentável, enquanto Gray sorriu por dentro.
Claro, ele queria marcá-la, assim os outros caras poderiam saber que ela já havia sido tomada, mas, principalmente, ele teria que lembrá-la que ela era sua. Mesmo que ela nunca tivesse duvidado, nem por um segundo, que seria sempre sua.
FIM
Notas finais
Lembre-se: comente e faça uma autora feliz!
Fale com o autor