Hiroki!

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oieeeee! Espero que gostem XD! Boa leitura S2!

O rapaz de cabelos vermelhos espetados estava deitado de um lado da cama de casal, tendo os braços cruzados atrás da nuca e uma expressão preocupada presente em seu rosto.

— Que cara é essa?

Kirishima Eijirou desviou seu olhar para o loiro que retirava sua camiseta e a trocava por outra.

— Estou pensando... – o ruivo mordeu o lábio inferior com cuidado, afinal, seus dentes pontiagudos eram propícios a machucá-lo.

Há dias, Kirishima encontrava-se aflito em relação a um único assunto: a falta de individualidade de Bakugou Hiroki*, seu filho.

— Ele já tem cinco anos e ainda não manifestou sua individualidade… Isso não é normal! – Eijirou apoiou seus cotovelos no colchão e inclinou um pouco o corpo para frente.

Bakugou arregalou os olhos e engoliu em seco, havia se lembrado de seu “amigo” de infância e o problema semelhante pelo qual passou. Ele não permitiu que o parceiro enxergasse sua expressão, não queria preocupá-lo ainda mais.

— Ele completou cinco anos faz pouco tempo… Temos que esperar. – Katsuki fingiu estar despreocupado para esconder a aflição.

— É, você deve ter razão. – Kirishima não ficou muito convencido, porém, voltou a deitar-se e suspirou pesadamente.

Bakugou terminou de trocar-se para dormir e pensou em uma forma de confortar o ruivo.

— Ei, cabelo de mer... – o loiro deu um sorriso cínico, mas calou-se antes de ofender o pai de seu filho. – Quero dizer… A-Amor... – ruborizou dos pés à cabeça e apenas Deus soube o quanto ele quis morrer após ter feito tal demonstração de afeto.

Isso fez Kirishima rir um pouco, ele divertia-se ao ver como Katsuki ficava engasgado em situações como aquela.

O esquentadinho pegou uma escova pousada sobre a cabeceira da cama e sentou-se ao lado de Eijirou.

— Vem cá. – Bakugou abaixou a cabeça envergonhado e deu tapinhas em suas coxas, indicando que Kirishima deveria deitar a cabeça ali. Ele não perdeu a chance, um sorriso surgiu em sua face e imediatamente fez o que havia lhe sido indicado.

Katsuki começou a pentear o cabelo do ruivo, o deixando para baixo, desmanchando completamente o penteado rebelde. Apesar de sua personalidade forte e dura, ele possuía momentos de calma e serenidade, principalmente quando estava ao lado de quem amava.

Eles conversaram um pouco até o sono chegar e ambos dormirem abraçados.

xXx

No dia seguinte, o casal estava “discutindo” durante o preparo do café da manhã.

— Você sabe muito bem que eu preciso de um supino novo, Kacchan! – Kirishima cruzou os braços, largando a tupperware cheia de arroz em cima da pia.

— Ah, como se você não soubesse que eu preciso de um pulley.— Bakugou ocupava a tarefa de preparar os ovos. – E “Kacchan” é o caralho! – cerrou os dentes.

Afinal, heróis precisavam manter a forma, não?

— Oh! Papai falou um palavrão! – Hiroki chocou-se. Ele havia acabado de adentrar a cozinha.

— KATSUKI! – Eijirou o repreendeu. – Já combinamos de não falar esse tipo de coisa quando ele estiver em casa! – colocou as mãos na cintura.

— Foi mau. – o loiro revirou os olhos e voltou a concentrar-se no preparo da refeição.

— Hiroki-Kun, seu pai tem a boca muito suja, não repita o que ele diz, tá? – Eijirou olhou para seu filho.

— Tsc. – Katsuki revirou os olhos novamente.

— Mas... – o pequeno colocou-se pensativo. – Se ele tem a boca suja… Por que você beija ele, papai? – perguntou inocentemente.

A face de Eijirou ganhou a cor de seus cabelos automaticamente. Bakugou riu de modo sarcástico e questionou:

— É, por que você faz isso?

Ora, não era óbvio?

O ruivo pigarreou e voltou ao assunto inicial:

— Precisamos escolher só um aparelho, não temos dinheiro para os dois!

— Hiroki, tape os ouvidos. – Bakugou pediu.

O garotinho de estatura baixa, cabelos pretos armados e olhos vermelhos obedeceu. Kirishima estranhou o pedido de seu parceiro, então lhe direcionou um olhar curioso.

— Decidimos isso do mesmo jeito que decidimos quem é o ativo na cama? – o loiro indagou simplesmente.

Pronto, Eijirou voltou a ter um rubor espalhado por seu rosto.

— M-Mas não é algo de uma noite e sim de um longo tempo, não podemos simplesmente decidir no par ou ímpar! – o ruivo entregou a tupperware para o loiro e começou a arrumar a mesa.

— Olha, então eu não sei! – Katsuki franziu as sobrancelhas.

— Já posso ouvir? – Hiroki questionou, ainda mantinha as mãos gorduchas contra as orelhas.

— Claro, querido! – Kirishima sorriu.

xXx

— Ei, quando a individualidade do Hiroki aparecer… Como você acha que vai ser?! – Kirishima espreguiçou-se.

Os três estavam sentados no sofá assistindo a um filme, todavia, a criança havia dormido nos braços do Katsuki. Sua expressão serena e sua respiração calma faziam os pais ficarem encantados e despreocupados.

— Hum... – Bakugou pensou. – Aposto que será uma muito forte, como a minha! – sorriu convencido.

— Ei, ele pode muito bem herdar a minha! – Kirishima ficou enciumado. – Ou… Ou... Ser tipo o Todoroki! – empolgou-se com tal possibilidade.

— Tá dizendo que ele pode herdar as nossas duas individualidades? – Katsuki arqueou uma sobrancelha e afagou os cabelos rebeldes de seu filho.

— Sim, não se lembra do que o médico disse na última consulta? “As crianças dessa geração têm uma maior chance de possuir uma mistura das individualidades dos pais”. – o ruivo repetiu as palavras do senhor.

— Não penso em uma maneira em que as nossas individualidades possam combinar-se em uma… Elas não têm nada a ver! – Bakugou fez uma careta.

— Talvez elas possam combinar-se assim como nós dois combinamos. – Eijirou beijou a bochecha de seu marido e sorriu de modo meigo.

Bakugou corou levemente e deu um sorrisinho de canto.

— Espera aí… Eu tive uma ideia! – o loiro abriu um sorriso maléfico. – Já sei como podemos decidir qual aparelho comprar!

— Hã? Como?! – Kirishima estranhou a mudança de assunto repentina, mas ficou atento.

— Vamos fazer um bolão de apostas quanto a individualidade do Hiroki. Quem acertar, fica com o dinheiro e compra o aparelho que quiser! – Bakugou explicou.

O ruivo fechou a cara no mesmo instante.

— Você tá mesmo colocando o seu filho em jogo?! – ele fitou Katsuki.

— Não, só a possível quirk dele. – o esquentadinho riu e deu de ombros.

Eijirou fez biquinho e franziu as sobrancelhas, parando um pouco para pensar.

— Acho que é o único jeito... – suspirou derrotado e concordou com a ideia.

— Começamos amanhã. – Katsuki deu um de seus sorrisos desafiadores e voltou a acariciar o pequeno.

xXx

Kirishima e Bakugou deixaram um pote de vidro em cima de uma cômoda no corredor. O combinado era: a cada insinuação de uma possível individualidade do Hiroki, uma nota deveria ser depositada ali.

— Campeão, você não sente nada por dentro? – Katsuki perguntou ao seu filho. – Sabe… Uma força!? Ou talvez uma queimação!?

Hiroki balançou a cabeça negativamente e voltou a dar atenção aos seus brinquedos espalhados pelo chão de seu quarto.

— Argh! – o loiro afundou o rosto nas mãos e inclinou a cabeça para cima. – Nem um formigamento nas mãos?! Nadica? – cerrou os dentes.

O pequeno não conseguia compreender a insistência de seu pai em tal assunto, afinal, estava vivendo bem sem uma individualidade. As outras crianças não ousavam mexer com ele ou caçoar dele, pois Bakugou havia lhes passado um “recado” (irônico, não?).

Ele também não era pressionado por seus pais para se tornar um grande herói (Kirishima era muito mole nesse aspecto).

— Nada, pai. Sou normal! – Hiroki respondeu com ingenuidade.

Mal ele sabia que ser “normal” naquele mundo não era algo bom. E isso não era música para os ouvidos do esquentadinho!

É karma, só pode...”, o pai colocou a mão na testa e suspirou frustrado. Ele precisou de alguns minutos para relaxar e se recompor.

— Ah, mas pode ter certeza que você vai ter uma individualidade foda como a do seu pai aqui! – Katsuki sorriu cheio de si.

— OPA, ISSO ME PARECEU UMA INSINUAÇÃO! – Kirishima que estava encostado no batente da porta se pronunciou. – E eu já lhe disse para não falar palavrões na presença do nosso bebê! – cerrou os dentes.

— Você estava nos observando, seu idiota?! – Bakugou gritou indignado.

— Que foi? Não posso mais olhar para os dois homens que mais amo nesse mundo? – Eijirou deu de ombros.

Katsuki achou aquilo tão inesperado e fofo que deixou um sorriso escapar. Havia se casado com a melhor pessoa do mundo.

— Pote. – Kirishima estalou a língua e saiu andando.

xXx

Logo de manhã, Hiroki já havia saído de seu quarto e vagava sozinho pela casa. Sua caminhada o levou até o banheiro, ele subiu em um banquinho para ficar na altura do espelho e ficou fazendo algumas caretas.

Eijirou estava encostado na parede do lado de fora, encarando seu filho em silêncio. Ele tinha enormes esperanças de que aquele seria o grande momento, chegava a emocionar-se.

Alguns minutos se passaram e nada aconteceu, Hiroki esfregou os olhos diversas vezes e nenhuma cicatriz foi ganha, afinal, a individualidade não apareceu.

— Não deveria esperar que as coisas acontecessem como aconteceram com você. – uma voz foi ouvida atrás de Kirishima.

Era Katsuki, o qual tinha os braços cruzados e um sorriso sarcástico nos lábios.

— Mas… Eu pensei que... – o ruivo murmurou.

— Devo considerar isso como uma insinuação? – Bakugou arqueou uma sobrancelha e apoiou-se na parede.

— Droga. – Kirishima revirou os olhos e direcionou-se ao pote.

xXx

Uma semana se passou e o pote se encontrava cheio pela metade. Os pais estavam demasiados ansiosos e não paravam de insinuar coisas o tempo todo.

— Será que deveríamos levá-lo ao médico?! – Eijirou perguntou receoso e inseguro. – Ou esperamos mais um pouco? Ou então… Ligamos para a sua mãe!

— Hã? Por que ligar para ela?! Aquela velha não sabe de nada! – Bakugou rosnou.

— O que devemos fazer então?! – Kirishima enrolou uma toalha em volta de sua cintura, gotículas de água percorriam todo o seu corpo.

Katsuki suspirou pesadamente e encostou-se no batente da porta. Ele havia hesitado um longo tempo em relação a comentar aquilo com o parceiro.

O loiro precisava de coragem para dialogar, mesmo que aquele fosse um assunto delicado.

— E se… Ele for um “Deku”? – Bakugou cerrou os dentes e abaixou a cabeça, aquelas palavras foram ditas com pesar.

O filho do grande Bakugou sem uma individualidade?! Inaceitável! Impossível! Ele sentia a dor de seu filho (que até aquele momento não havia sido manifestada), de seu marido e a sua.

— O que quer dizer?! – Kirishima desejou não ter compreendido o que ele havia dito. O medo e a indignação tomaram conta de seu ser.

Bakugou colocou a mão sobre a nuca e desviou o olhar, não sabia se sentia raiva ou tristeza.

— E-Ei, não pense nisso! – Eijirou o segurou pelos ombros. – Vai dar tudo certo! – falou desesperado. – Vamos levá-lo ao médico na semana que vem, que tal?!

A situação não era favorável. Ambos sabiam que a possibilidade de Hiroki ativar uma individualidade dali para frente seria mínima. Isso causou uma enorme angústia e impacto no casal.

Toda a esperança e a animação do bolão foram esvaindo-se aos poucos.

Kirishima sempre optou pelo lado positivo e tentava ser otimista, mas… Naquele instante, ele apenas quis desabar.

Para ele, gerar um filho sem individualidade era permitir que sua incapacidade viesse à tona. O que Katsuki iria pensar dele? E se ele ficasse ainda mais explosivo?! E se, na pior das hipóteses, ele quisesse tentar com outra pessoa?!

Eijirou apenas queria pedir perdão e esconder sua vergonha. Uma enorme dor instalou-se em seu peito e ele sentiu seus olhos arderem. Todos lhe disseram que ser pai não seria fácil, contudo, ele não esperava por aquilo.

— Ei... – as mãos grandes e quentes de Katsuki seguraram seu rosto. – O que aconteceu?! – arregalou os olhos ao perceber o estado em que seu marido se encontrava.

— Me desculpe. – Eijirou abaixou a cabeça e engoliu em seco, sentindo o nó em sua garganta.

— Por quê?! Você não fez nada! – Bakugou afligiu-se.

— É culpa minha o Hiroki não... – o ruivo segurava-se o máximo para não deixar as lágrimas caírem.

Katsuki chocou-se ao ouvir aquilo, fechou a cara e o puxou para perto de si, afundando o rosto dele em seu peitoral.

— Cala a boca! – o loiro murmurou e abraçou o amado fortemente. – Não é sua culpa merda nenhuma... – enroscou os dedos nos cabelos vermelhos úmidos.

Seu abraço era tão caloroso e seguro, fazia Eijirou pensar que aquele era o melhor lugar do mundo. Incrível como um simples (todavia, significativo) gesto conseguia acalmá-lo.

— Estamos juntos nessa, strange hair. – Katsuki forçou ambos os corpos para baixo, os fazendo sentarem no chão molhado do banheiro.

Kirishima não respondeu mais nada, apenas aproveitou o conforto que o toque de Bakugou lhe passava.

Eu estava errado sobre ele…”, o ruivo pensou aliviado.

xXx

No outro dia, Kirishima estava de folga, porém, havia acordado cedo do mesmo jeito.

— Tome cuidado... – o ruivo disse ao marido que já se aprontava para sair.

— Você deveria dizer isso aos vilões! – Katsuki estalou os dedos e pegou as chaves do carro.

Eijirou riu e revirou os olhos com leveza. Em seguida, puxou a gola da camisa de Bakugou, trazendo sua face para perto da sua e lhe dando um selinho demorado.

Era engraçado escutar os estalos que saíam das mãos do Katsuki todas as vezes em que eles se beijavam.

— Se cuide. E cuide do Hiroki. – o loiro sussurrou, encostando sua testa na do parceiro. Seus olhares fixaram-se e nenhum deles queria quebrar o contato visual.

Infelizmente, Katsuki precisou ir ou se atrasaria para o seu turno na agência. Eijirou fez algumas tarefas domiciliares enquanto Hiroki dormia e por fim jogou-se no sofá para perder tempo em frente a TV.

Em certo momento, Kirishima começou a ouvir um barulho de algo quebrando. Ele ignorou, pois pensou que fosse o vizinho.

Não passou nem um minuto, ele escutou o mesmo barulho. E escutou de novo e de novo.

— O que... – franziu as sobrancelhas e levantou-se do sofá, procurando pela origem do som.

Sua cabeça deu um estalo e seus olhos arregalaram-se ao ouvir um grito infantil.

— HIROKI! – gritou apavorado e correu até o quarto de seu filho o mais rápido que pode, chegando ao ponto de ativar sua individualidade no caminho.

Mas… A criança não estava em seus aposentos. Isso foi o suficiente para que Eijirou entrasse em total desespero.

— HIROKI!? – ele olhou ao redor, sem saber para onde ir.

Alguma coisa foi quebrada novamente, dessa vez com mais intensidade, como indicava o som. Com isso, o ruivo conseguiu definir a direção em que seu filho (provavelmente) se encontrava: o banheiro.

Na mosca! Hiroki estava ali, em meio a… Cacos de cerâmica e canos vazando?! O banheiro estava um caos, parecia que um raio de destruição havia passado por ali!

— O que aconteceu aqui?! – Kirishima perguntou incrédulo. – Hiroki! V-Você está bem?! – desativou sua individualidade e pegou o filho no colo.

E para a sua surpresa (e alívio), Hiroki não estava chorando e nem possuía machucados muito graves (apenas alguns pequenos arranhões), pelo contrário, sorria de maneira empolgada e orgulhosa.

— Eu consegui, papai! Apareceu! Apareceu! Aposto que você irá gostar! – Hiroki abraçou o pescoço de Eijirou e não conseguiu parar de sorrir.

— Conseguiu o que?! – batidas intensas fizeram-se presentes no peito do ruivo.

— Minha individualidade! – o pequeno contou animado. – Era isso que você e o papai tanto queriam, né?!

O mundo parou naquele momento. O coração de Eijirou falhou uma batida e seu corpo ficou estático. Toda aquela destruição no banheiro… Havia sido feita pela individualidade de seu filho? E mais… Seu filho tinha uma individualidade?!

— Minha Santa virilidade! – Kirishima ergueu seu filho no alto e olhou fundo em seus olhos. – Você é incrível, Hiroki! É o homenzinho do papai! – o rodopiou. – Eu te amo!

A risada fofa da criança ecoou por seus ouvidos, trazendo calma ao seu espírito. Tal sensação de alívio e satisfação não podia ser descrita. O ruivo teve tanto orgulho de seu pequeno que chegou ao ponto de derramar algumas lágrimas de felicidade.

Ele não estava apenas feliz por seu filho possuir uma individualidade, mas também por ele não ser um incapaz como pensara no dia anterior.

— Meu Deus, eu preciso contar isso ao Katsuki! – Eijirou sorriu de orelha a orelha e colocou Hiroki no chão do corredor. – Depois eu dou um jeito nisso! – fechou a porta do banheiro para ocultar a bagunça.

Um outro estalo bateu na cabeça do ruivo e ele questionou Hiroki:

— A propósito… Qual a sua individualidade? Para causar tudo aquilo... – apontou com o polegar para a porta fechada.

Hiroki sorriu travesso e olhou para seu próprio corpo.

— É… Quase como a sua, papai. Minha pele ficou tão dura que eu não senti dor nenhuma quando quebrei a pia! – o pequeno relatou. – E também…

Kirishima nem escutou o que veio depois do “e também...”, ele apenas saiu voando até o telefone. O gostinho da vitória era maravilhoso!

— K-A-T-S-U-K-I, você não vai acreditar! – o ruivo cantarolou animado.

O Hiroki ficou preso no seu cabelo de novo?— Bakugou perguntou entediado.

— Que? Não! E isso foi só uma vez! – Kirishima revirou os olhos. – Adivinhe só!

Não tenho tempo para adivinhações, desembucha logo, cabelo espetado.— o loiro revirou os olhos.

— Credo, seu grosso! – Eijirou fez biquinho, mas ele entendia que seu marido estava em horário de trabalho e não podia lhe dar muita atenção.

Oh, grande amor da minha vida, você poderia, por favor, falar logo essa caralha?— Katsuki sorriu de lado.

— Aposto que você sorriu com essa sua atitude sarcástica! Mas sabe o que vai tirar esse sorrisinho da sua cara?! – Eijirou arqueou uma sobrancelha e sorriu debochado. Ele ficou quieto durante alguns segundos para deixar um ar de suspense. – Saber que eu vou comprar um supino novo!

Três... Dois... Um...”, o ruivo contou mentalmente.

O QUE?!— Bakugou exclamou surpreso.

— O Hiroki ativou sua individualidade! E ele disse que é igual a minha! – Kirishima se gabou. – Toma essa, boy explosion! – provocou. Ele já era casado com a criatura fazia sete anos, não temia mais a morte.

A linha ficou em silêncio durante um minuto.

— Ér… Kacchan? – o ruivo estranhou.

SHINEEEEEEEEEEE!

E a ligação foi encerrada.

Eijirou encarou o aparelho fixamente, sem reação. Ele decidiu ligar para o parceiro novamente.

— Mas cê tá brava? – perguntou assim que foi atendido.

Katsuki desligou na cara do marido sem dizer nada.

xXx

— Pois é, Mit-San, ele destruiu o banheiro inteiro. – Kirishima falava ao telefone com sua sogra, contando a novidade. – E…

O olhar do pai pairava sobre o filho a todo segundo, sem desviar uma única vez. Foi assim que Eijirou conseguiu presenciar a ativação da individualidade de Hiroki.

E diferente do que ele pensava, sua pele não endurecia simplesmente. Antes de endurecer, pequenos estalos e faíscas surgiam na extensão de seu braço, criando uma ótima defesa para combates corpo a corpo.

...Kirishima-Kun?— Mitsuki notou a quietude de seu genro.

— P-Preciso desligar, Mit-San, te ligo depois! – Eijirou falou de modo enrolado e desligou imediatamente.

Ele estava impressionado com o que havia acabado de presenciar.

— Como fez isso?! – indagou com os olhos arregalados e a boca escancarada.

— Não sei, só sei que fiz! – Hiroki encarou seu braço endurecido.

Se Midoriya estivesse lá, ele com certeza daria uma explicação básica: Hiroki possuía a mistura de duas individualidades completamente diferentes, sendo uma do tipo “transformação” e outra “emissora”. Para ativar a de transformação, era necessário usar a emissora primeiro. Era quase como um efeito “Mentos X Coca-Cola”.

— Seu pai vai adorar saber disso! – Kirishima abriu um largo sorriso.

— É quase como a individualidade dele, né, papai? – os olhos de Hiroki brilharam. O garoto não pensará que ficaria tão feliz quando despertasse sua quirk! Ver o sorriso de seu pai o incentivava a sorrir também.

— Falando nisso... – o ruivo pensou. – Você sabe se consegue criar explosões como o seu pai?! – ajoelhou-se no chão, ficando frente a frente com o filho.

— Acho que não! O papai é tão forte e bravo, não consigo ser igual a ele! – o pequeno murchou.

— Você deveria agradecer por isso! – Kirishima brincou. – Sorte a sua só ter herdado a aparência e traços da individualidade do Bakugou... – riu.

Hiroki podia ser a cara do Katsuki, entretanto, era dono de uma personalidade dócil e ingênua, seu carisma assemelhava-se muito ao de Eijirou.

— Já sei! – o ruivo estalou os dedos. – E se você tentar gritar “SHINEEEEEE” e apontar as mãos assim? – imitou uma das posições de combate do marido.

De repente, a porta da frente foi aberta em um único e violento chute, esse vindo de ninguém menos, ninguém mais que Bakugou Katsuki.

Kirishima o olhou por cima do ombro, assustado com a aparição repentina e nada delicada. O rapaz loiro trajava seu uniforme de herói, o qual estava um pouco surrado, indicando que ele havia acabado de sair de uma ocorrência.

Um silêncio mortal reinou no ambiente durante alguns minutinhos. Katsuki retirou suas braçadeiras que representavam granadas, andou a passos pesados até Hiroki e agachou-se em sua frente, levando sua carranca ao encontro do rostinho fofo do pequeno.

Ele não vai brigar com ele, vai?!”, Eijirou pensou apavorado. Bakugou ainda não sabia que Hiroki possuía ambas as individualidades, e se ele estivesse irritado? Seria capaz de repreender seu filho por aquilo?!

— P-Pai…? – Hiroki engoliu em seco, sendo alvo de um olhar severo.

E diferente do que a criança e o outro adulto estavam pensando, Katsuki não estava furioso, mas sim orgulhoso.

— Você…! – o loiro envolveu o filho em um abraço apertado. – Você é mesmo um campeão! Meu campeão! – bagunçou seus cabelos pretos.

Hiroki retribuiu o ato e sorriu de orelha a orelha. Ter o reconhecimento de seu pai era incrível!

Kirishima não foi capaz de conter o sorriso sincero e juntou-se ao abraço em família.

— Papai, você tá feliz por mim?! – Hiroki questionou de maneira tímida.

— Claro que sim, garoto! – Bakugou sorriu de canto e suspirou satisfeito. – Você será tão forte! Igualzinho ao Red Riot! – fitou seu parceiro e sentiu uma euforia tomar conta de si.

— E igualzinho ao Lord Explosion Murder... – Kirishima completou, dando um sorriso ao final da frase. Katsuki lhe lançou um olhar confuso. – Hiroki-Kun, consegue mostrar o que você fez mais cedo? – desfez o abraço para dar espaço ao pequeno.

Os adultos sentaram-se de pernas cruzadas no chão da sala e ficaram encarando a criança fixamente. Hiroki engoliu em seco e olhou para o rosto de cada um, tendo um pouco de hesitação.

— Vamos lá, vai dar certo. – Kirishima sussurrou e fez sinal de positivo com o polegar.

Hiroki assentiu determinado, fechou os olhos, respirou fundo e estendeu o bracinho na frente do corpo. Bakugou aproximou-se do pequeno perigosamente, fazendo Eijirou avisar-lhe:

— Eu me afastaria se fosse voc…

Tarde demais! Já era possível escutar os estalos e ver as faíscas voarem na cara do Katsuki.

— WOOOW! – Bakugou gritou e afastou-se automaticamente. Kirishima e Hiroki morreram de rir da reação do loiro. – Ele possui as duas! – disse admirado.

— SIM! – Eijirou bateu palmas. – NÃO É DEMAIS?!

Em algum momento, Hiroki afastou-se dos pais, contudo, ainda permanecia no campo de visão deles. Kirishima olhava para o pequeno com uma calma só sua, parecia ter alcançado seu maior objetivo de vida.

Bakugou fitou o marido de soslaio, pensando o quanto era sortudo por estar com ele e ter criado uma família. Adorava observar a expressão serena de seu amado, lhe trazia paz.

— O q-que foi? – o ruivo corou levemente ao perceber o olhar fixo de Katsuki.

— Obrigado. – o loiro murmurou e virou a cara.

— Hã? – Kirishima arqueou uma sobrancelha e o encarou.

— Por… Sabe… Ter me dado tudo isso. – Bakugou ruborizou e desejou esconder seu rosto em um buraco.

Às vezes, Kacchan não entendia como alguém tão gente boa como o Eijirou era capaz de aguentá-lo. Eles tinham personalidades tão diferentes e mesmo assim envolveram-se. O loiro agradecia por isso todos os dias, mas em segredo.

Kirishima pousou sua mão sobre a do parceiro e lhe deu um sorriso quiescente. Aquele sorriso que conseguia fazer o coração do Katsuki parar.

— Eu quem agradeço. – o ruivo sussurrou.

Bakugou procurou ter certeza de que Hiroki não estava olhando, segurou o queixo do rapaz e tomou seus lábios para si. Kirishima fechou os olhos lentamente e se deixou levar, transformando o selinho em um beijo intenso. Afinal, se tem Katsuki, tem intensidade!

O toque de suas bocas lhe causavam reações únicas e especiais, mesmo depois de longos anos de casados, eles ainda conseguiam se arrepiar e sentir os corações irem a loucura.

Separaram-se a contragosto antes que o clima pudesse “esquentar”.

—Então... – Eijirou pigarreou, a vermelhidão ia deixando sua face aos poucos. – O que faremos com o dinheiro do pote? – entrelaçou seus dedos com os do Bakugou.

— Vamos usar para fazer apostas em lutas! – Katsuki sorriu maleficamente. – Nosso Hiroki contra o filho do meio a meio e do Midoriya!

— Não vamos colocar nosso filho em lutas como se ele fosse um galo! – Eijirou deu um tapa na nuca do marido.

— Ai! Tá andando demais com aquela velha! – Bakugou referiu-se aos tapas que sua mãe lhe dava na adolescência.

Enquanto ambos discutiam, Hiroki endureceu a pele de seu braço novamente e dessa vez quis tentar algo diferente. Posicionou-se na frente do balcão da cozinha, ajeitou sua postura e moveu seu braço de um lado para o outro em 180°, produzindo uma poderosa rajada de ar quente e fagulhas.

— SHINEEEEEEEEEEE! – o pequeno gritou durante o ataque, assim como seu pai havia lhe ensinado.

A onda de calor foi tão intensa ao ponto de estourar todos os vidros do ambiente e mover pequenos objetos do lugar, além de causar uma deformação no balcão de madeira.

Hiroki ficou pasmo ao ver o estrago que havia causado com somente o mover de seu braço. Com certeza, ele havia herdado muitos outros traços de Katsuki, como a sua força e a sua “vontade do fogo”.

Aquele era um momento marcante na vida das crianças! Mesmo que Hiroki não houvesse dado muita importância em ter ou não uma individualidade anteriormente, ele sentiu-se grandioso como seus pais.

O pequeno olhou para trás, um tanto temeroso, com medo da bronca que levaria pelos tamanhos estragos causados em um único dia.

O casal encontrava-se em choque, completamente estático e boquiaberto. Eles estavam incrédulos demais para repreender o Hiroki.

Bakugou sentiu algo queimar dentro de si e um sorriso surgiu em seus lábios. Aquele garoto seria seu legado! Aquele garoto era seu filho!

Kirishima teve muita ufania do poder que seu “bebê” possuía, entretanto, tinha certo medo de todas as consequências que aquilo traria.

— D-DESCULPA! Desculpa! Desculpa! – Hiroki curvou-se e pequenas lágrimas brotaram no canto de seus olhos. Apesar de eufórico, ele estava arrependido.

— B-Bem… Já sei o que faremos com o dinheiro do pote. – Eijirou riu nervosamente e encarou a cozinha destruída, ela iria precisar de uma bela reforma.

Notas finais
E aí?! Me contem o que acharam pelos comentários, ficarei imensamente feliz XD!
Espero que tenham gostado ^^!

Hiroki*: "A origem do nome Hiroki é Japonês. Nome de origem japonesa que significa Alegria Abundante/Força. Hiroki é um nome Japonês de gênero Masculino."

Bjs sz.
??”Creeper.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!