Hinata no Time 7
37 Fase I - Despedida do país das Ondas
Os últimos dias em que permaneceram no país das ondas, nunca foram tão leves para Hinata em toda sua vida. Talvez houvesse algum momento leve assim em raras ocasiões com sua irmã.
Ela decidiu treinar. Claro, porque quando ela retornasse ao seu clã, o treinamento seria duro e pesado e ela devia estar preparada. Então, ela escolheu uma árvore e a golpeava na tentativa de ter um treinamento de sua prática de taijutsu.
Acontece que Inari vivia interrompendo seu treino, orientado por Naruto. O pequeno corria e a surpreendia, sempre acompanhado das altas risadas de Naruto que tinha seu sorriso aberto, falando que ela se distraia muito apesar do byakugan.
Não é que Naruto não treinava, ele treinava e muito, porém às vezes ele ficava um pouco entediado. Nunca em sua vida, houve alguém que sequer interagisse com ele, eram raras as ocasiões em que teve a oportunidade de brincar e se divertir com alguém.
Hinata era muito responsável e séria. Ou ela estava cuidando dos ferimentos de Kakashi, Sasuke ou dela própria, ou estava ajudando a esposa de Tazuna em alguma coisa, ou estava treinando. Naruto não ousaria mexer com Sasuke, que se mantinha afastado na maioria das vezes e era muito mal humorado. Além do mais, ele e Naruto viviam se implicando. Mesmo depois do que havia ocorrido na luta com Haku.
Então gostava de melhorar sua estratégia de emboscada, o que ele melhor fazia provocando Hinata. Pois se conseguia enganar uma usuária de byakugan poderia enganar qualquer um.
Às vezes, Inari estava por perto querendo brincar e ele combinava pegar ela junto dele.
Hinata, já cansada das interrupções, e resolveu dar o troco:
—Inari...vem cá, deixa eu te ensinar um pouco de luta.
Em seu estilo de luta, o punho suave, alguém pequenininho como Inari podia aprender e se daria bem, mesmo com o básico. Com paciência, Hinata ensinou as posições das mãos e dos pés e também a postura. Como última lição, ele iria acertar Naruto distraído em um ponto estratégico. Então, eles observam Naruto treinando, que preferia praticar subidas em árvore e ninjutsu.
—Lembre-se Inari. — sussurra Hinata — Um ninja deve ser sempre silencioso.
Inari avança em Naruto dando uma investida com o golpe que aprendeu com Hinata na costela do garoto:
—Aaahhhhh! Aí, essa doeu! — fala Naruto massageando o local.
Hinata dá uma risada discreta cobrindo a boca e Naruto escuta o som.
—Então é você! — sorri para Hinata — ensinando meu parceiro a me atacar!Despedida do país das Ondas
Ela da dá uma leve assustada.
—Não, não é isso. Mas...vocês Que me atacam a maior parte do dia…
—Se prepare, Hina- chan. Me enfrente de frente. — Naruto sorria, fazendo o selo do kage bunshin — kage bunshin no jutsu.
Estourou alguns clones de Naruto.
—Ah, então é sério? — Hinata dá um pequeno sorriso, e também realiza um selo de mão, acumulando chakra. — byakugan. -Ergueu dois dedos, um comprimento do costume da Vila da Folha para convites em lutas amigáveis — Pode vir.
Todos os Narutos retribuíram o gesto de dois dedos erguidos. Os clones de Naruto cercam ela e atacam, mas o byakugan enxergava a todos. Como eram clones da sombra, e o chakra se distribuem igualmente, não fazendo com que ela soubesse qual que era o Naruto original. Era uma boa tática se um dia ele lutasse com algum Hyuuga.
Devido ao pouco conhecimento e pouca habilidade de Naruto em taijutsu, Hinata o derrota com facilidade, acertando pontos estratégicos, mas sem infundir chakra fazendo cada clone explodir em um "puf''. Estava se sentindo um Neji batendo em uma Hinata, tamanha a facilidade que pegava Naruto. Naruto era mais habilidoso e tinha mais potencial para desenvolver ninjutsu, pelo que ela percebia. E ele também tinha muita força física, deixando dolorido, onde ele conseguia acertar.
Inari estava por perto torcendo para Naruto, e tirando sarro por ele estar apanhando tão feio. Para Hinata, era a oportunidade de ter um parceiro de treino leve. Era divertido.
O que nosso trio não imaginava era que suas brincadeiras estavam sendo observadas. Sasuke, distante, sentado perto da casa, sorria ao ver os dois se divertindo. Era raro para um ninja ter a oportunidade de sorrir. Ele que se apegou aos seus dois companheiros, ficava feliz em vê-los assim contentes. Naruto conseguia tirar sorrisos espontâneos de Hinata, ainda que o fossem discretos, mas ele conseguia com que ela amenizasse seu semblante sempre preocupado e triste.
O mesmo admirava como Naruto estava sempre sorrindo e feliz, apesar de todo sofrimento que passava, sentia até um pouco de inveja dele, mas nunca iria admitir isso em hipótese alguma.
Naruto não percebia que quando Hinata estava perto dele, seu rosto ficava um pouco mais corado e aqueles olhos tinham um brilho um pouco diferente, mas ele definitivamente não iria falar nada para ele. Quem manda ele ser tão idiota, a ponto de não reparar melhor nas pessoas à sua volta?
Aqueles dois ainda eram puros, e ainda tinham um ar de inocência, coisa que tiraram dele, de uma hora para outra.
—Oi, Sasuke-kun. É raro ver você admirando as pessoas. — Kakashi se aproxima, interrompendo os devaneios de Sasuke.
—Kakashi-sensei! Eu não admiro ninguém! — Sasuke fecha a cara, mas de um jeito engraçadinho para Kakashi. Tenta disfarçar, mas não consegue.
—Por que você não se junta a eles e brinca um pouquinho?
—Brincar é coisa de criança.
—Você não é muito mais velho que eles, não é mesmo? Bom, pensa nisso como uma oportunidade de treinar também, não acha?
—Eles não estão no meu nível.
—Hahaha! Cuidado, você pode estar os subestimando. Eles ficam mais fortes a cada dia. Aposto que Naruto vai ganhar nessa luta amigável no fim. — Kakashi olha para frente. — ele é imprevisível.
Sasuke dá uma pequena risada.
—Eu acho que não. Naruto não sabe nem o que está fazendo. Claro que ela vai ganhar.
Nisso, Hinata acerta um Naruto que não desaparece. Cai no chão gritando.
—Naruto-kun! — Hinata corre para acudir o colega — Se machucou? Não dá para saber quem é o verdadeiro ou não.
—Olha, lá. Não disse? — Sasuke estava sorrindo.
—Hum, acho que tem razão. — Kakashi retribui o sorriso, que só aparece em um olho.
—Aí, tudo bem! — fala Naruto — Ei, você é muito forte.
—Não, não! — Hinata abaixa a cabeça. — Você é quem é.
Sasuke se afasta.
—Onde você vai? — Kakashi pergunta, mas acha que sabe.
—Tem razão. — Responde Sasuke de costas — Irei treinar um pouco.
—Ah, que é isso. — Naruto está sorrindo. — eu não tive a menor chance.
—Seu forte é ninjutsu, Naruto-kun!
Eles cruzam os dois dedos, um sinal amigável da aldeia da Folha de que a luta terminou.
—Por que não me enfrenta, então? Luta comigo, Hinata.
—Hum? — Hinata perde a cor que tinha. Lutar com Sasuke não é a mesma coisa. Ele era tão forte e orgulhoso como Neji. Ela iria apanhar e muito.
—SASUKEE! Vai lutar com a garota? Por que não luta comigo.
—Eu não falei com você, Seu idiota! Você não é páreo nem para ela. — Sasuke ignorou a cara feia que Naruto fez de canto.
Ergueu dois dedos para ela, ao estilo de convite da Vila. Estava com um sorriso mínimo.
—Eu também preciso treinar um pouco. Hinata, eu sou seu oponente.
Mesmo com medo, Hinata dá um sorriso mínimo e ergueu dois dedos, retribuindo o convite de Sasuke.
...
Hinata arrumou a mochila naquele dia com um aperto no coração. Não queria deixar aquele lugar. Ela gostou muito daquele povo, que aos poucos foi tomando coragem e, pelo jeito, logo iriam prosperar.
A Ponte recém terminada por Tazuna, havia ficado linda. Eles realizariam a travessia do país das ondas para o país do fogo caminhando sobre ela, e não mais de barco como vieram. Hinata escutava o som das gaivotas como se agarrasse ao último resquício de felicidade.
Depois que lutaram com Zabuza e Haku, eliminando Gatou que era uma ameaça para aquela gente, o lugar estava mesmo ficando agradável.
Mas ela não conseguia esquecer Zabuza e Haku, que entravam em sua mente, de tempos em tempos, sem pedir permissão. Tinha que admitir que havia gostado, principalmente de Haku, e queria, do fundo do coração, que tivesse um destino diferente do que teve.
Também, a imagem de Sasuke morto entrava na sua cabeça sem pedir licença. Haku deve ter colocado Sasuke em baixo metabolismo, criando uma falsa morte, era o que se supunha, como fez com Zabuza. O estado era temporário e reversível, mas seu coração apertava ao imaginar a morte de seu parceiro de equipe silencioso e mal humorado. Estava se apegando a cada membro da equipe como se fosse sua própria família. Todos eles. Não conseguia imaginar perder nenhum deles.
Todos os habitantes do país das ondas que podiam foram se despedir do quarteto de ninjas no dia da partida deles:
—Graças a vocês, completamos Ponte, mas… — Tazuna falava — isso é muito triste.
—Se cuidem — dizia Tsunami, sua filha.
—Obrigada por tudo! — Agradecia Kakashi.
—Não se preocupe, Tazuna-san, nós voltaremos para visitar vocês.
Parecia que Naruto estava segurando o choro.
—Você jura? — Inari estava com os olhos cheios lágrimas.
— Inari! — a voz de Naruto estava embargada, embora ele tentasse manter um sorriso. — Você está triste, não é? Não tem problema se chorar! Chore!
—Não vou chorar! Mas Naruto, você pode chorar também.
—Tá bom. Até mais!
Naruto se afasta rapidamente. Hinata se aproxima de Inari, abaixa na altura dele, lhe dando um abraço, o que faz o garoto chorar abertamente. Mas tinha certeza, algo estava resolvido em relação ao choro, então Naruto não era tão contra assim ao ato de chorar. Hinata poderia dizer que se sentia aliviada com isso.
—Tchau, Inari. Parabéns você encontrou sua coragem.
Se soltou do garotinho e acenou para o Tazuna, se despedindo. E então começou a caminhar junto aos outros. Conseguia escutar o barulho das sandálias, ao bater no chão da ponte, conforme caminhavam.
Conseguia escutar que as pessoas conversavam com Tazuna, que haviam ficado para trás.
Hinata caminhava silenciosamente. Em dado momento, Naruto e Kakashi ficaram para trás. Naruto estava contente com a volta para casa, na expectativa de comer ramen no ichiraku e contar sua aventura para Konohamaru, Neto do Hokage, um garoto de mais ou menos do tamanho de Inari.
—Preocupada com algo?
Sasuke a acompanhava e caminhava ao seu lado.
—Bom, estou pensando em muita coisa.
Sasuke ergueu a sobrancelha.
—Eu não quero ir para casa. — Hinata falou tão baixinho, na esperança de não ser escutada. Mas Sasuke estava atento, ouviu.
—Não fala assim. Você tem alguém que te espera quando chegar em casa.
—Desculpe, você tem razão. — Hinata dava um pequeno sorriso, mas estava triste. — Tenho muita coisa a contar para minha irmã.
Sasuke dava um pequeno sorriso. Ela seria uma irmã mais velha bem diferente de Itachi. Seu coração deu uma leve agitada agradável.
—Foi uma aventura difícil, não foi?
Hinata concorda.
— Sabe, eles eram nosso inimigo, mas gostei dele? É estranho?
—Não. Não é da sua natureza alimentar ódio.
—Haku era bom. Ele se colocou na frente de Zabuza e deu a vida por ele. Foi muito generoso com Naruto. Queria realmente que fosse diferente, eu gostei dele.
Sasuke faz uma pequena cara feia e olha para frente.
—Fale por você! — afirma carrancudo.
—Eu entendo que não tenha gostado dele.
—Entende?
Sasuke ficou surpreso. Ele mesmo não entendia. Não é que não gostasse de Haku, já havia compreendido o gesto dele. O que ele não havia gostado era de Hinata falar que gostava dele. Estava ficando louco, só pode.
—Você lutou com ele e quase foi morto por ele, então é natural que você não tenha gostado dele.
Não era bem isso. Mas preferiu concordar com o raciocínio da garota, do que expor o que realmente estava sentindo.
—É… pode ser mesmo isso...
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