Himitsu no Ai

1 Capítulo 1: A escola japonesa


Notas iniciais
Olá! Bom essa é a minha primeira estória yuri/homossexual, espero que gostem. Desculpem qualquer erro ortográfico.Boa leitura!

13 de junho de 2011

7:30

Toyota — Japão.

Eu fitava o chão, à minha frente estava situada uma grande escola japonesa, a calçada estava repleta de estudantes japoneses conversando em uma língua que eu não fazia nem ideia do que cada palavra significava; apenas o que podia fazer era acenar e fingir entender. Era realmente embaraçoso estar naquela situação.

Ouvi um "tchau" de minha mãe que acelerou o carro com pressa para chegar cedo em seu primeiro dia no trabalho, e eu me vi sem chão, desconfortável por não entender nada do que se passava e de como se passava por ali. Olhei novamente para o chão e rolou uma pequena lágrima de meus olhos, eu realmente queria estar na minha casa, e não ali, não naquele lugar, tão esquisito.

Com má fé, resolvi tomar as rédeas da situação e encarar logo o que estava por vir; dei dois passos adentrando a tal escola e ouvindo ainda mais palavras vazias sem sentido total para mim. Me vi numa cena horrível; uma jovem japonesa parou diante à mim segurando uma espécie de papel com kanjis que eu não fazia ideia do que significavam. A japonesa era realmente bonita; cabelos negros caídos sobre os ombros, corpo magro e estatura média, aquele uniforme colegial realmente caiu bem na garota à minha frente. Seus olhos negros como os cabelos, me fitavam, pareciam sérios, mas eu sabia que no fundo ela estaria me rejeitando, por eu não ser nem um pouco como ela, ou como os outros japoneses. Era uma garota totalmente brasileira; cabelos castanho médio curto, corpo mediano e estatura baixa, realmente aquilo não me agradava.

– Irashaimase! [Seja bem-vinda] — A menina me observou com um sorriso forçado, talvez tenha percebido meu total desconforto diante daquilo tudo. — My name is Hayashi Yui [Meu nome é Hayashi Yui].

"Graças a Deus, ao menos ela fala inglês!" Mentalizei abrindo um pouco a cara e tentando fazer alguns gestos que explicassem o porque de eu estar tão aflita.

– É... Como eu posso dizer? I am from Brazil, my mom works here now, so... Here I am [Eu sou do Brasil, minha mãe trabalha aqui agora, então... Aqui estou]. — A encarei tentando saber se ela havia entendido aqueles gestos e o meu inglês forçado e enferrujado.

– Brasil? Eu tinha uma prima de lá... Sei falar um pouco. Aqui, pegue isso. — A garota japonesa sorriu de canto se enrolando com seu português mais ou menos e com sotaque totalmente asiático.

"Aonde eu me meti" Pensei enquanto tentava decifrar o que aqueles kanjis sem sentido queriam dizer. Nem mesmo os três anos acompanhando mangás e animes me ajudaram nesta hora, isso é péssimo. Analisei aquilo fazendo alguns gestos a fim de que a tal garota pudesse me ajudar.

– As regras. — Ela apontou para os kanjis e fez alguns gestos aleatórios. Aquilo parecia mais uma aula de mímica do que uma conversa entre garotas do colegial.

– Desculpa... Eu não entendo os kanjis. — Alternei minha visão para ela e para o papel. Ao mesmo tempo ouço o sino bater, senti um arrepio subir pela minha espinha; parecia que eu estava presa em um anime escolar mal feito.

– Me siga. — A garota me segurou pelo pulso e me arrastou pelo pátio inteiro, passando pelos alunos e pelo gramado, até chegar a uma pequena sala com vários armários pequenos. A cada instante aquilo ficava mais estranho. — Os sapatos.

– O qu — Me interrompi percebendo que ela estava encarando meus all stars sujos. Espero que não tenha realmente reparado na sujeira, não me recordo quando o lavei pela última vez.

Descalcei os tênis e Hayashi apontou para um pequeno armário no alto, no meio de tantos outros cheios de sapatos, analisei o pequeno pedaço de papel colado em seu interior.

"Luiza Sens" Era o que dizia o tal papel, logo supus que era para calçar aquela espécie de sapato branco, que estava no armário, e então colocar o meu no seu lugar. A cultura desse país é realmente estranha.

– Eu sou a kaichou [presidente do grêmio estudantil]. — Ela se enrolou e nem ao menos conseguiu terminar sua frase, provavelmente seu cérebro não estava acompanhando o ritmo da conversa.

– Ah, acho que entendi. — Me safei desta vez, por conta de um anime que havia visto no verão passado. Não era um anime muito legal, mas pelo menos teve utilidade para algo.

Hayashi me puxou pelo pulso novamente e me levou por toda a escola, passando por uma série de salas, de clubes, piscina e refeitório até chegar à uma escadaria, onde logo acima se situava um corredor estreito com janelas no lado direito e umas dez salas do outro, provavelmente a parte colegial da escola.

"2-B" Era o que dizia a plaquinha ao lado da porta, talvez seja a minha nova sala de aula. Isso iria ser ainda mais estranho.

– Aqui. — A japonesa me puxou e me levou diante à classe, umas trinta pessoas, de vários estilos e talvez até nacionalidades.

Todos por um instante pararam suas atividades e seguiram seus olhares para a garota estranha à sua frente. Sentindo os olhares sobre mim, me vi numa situação pior ainda do que mais cedo. Parece que a cada instante tudo piora. Senti minhas bochechas corarem, e uma forte vontade de chorar me atingiu, porém, encarei o chão e ouvi Hayashi pronunciar algumas palavras vazias para mim seguido do meu nome.

– Escreva seu nome na... — Yui me cutucou sussurrando e apontando para a grande lousa atrás de nós, parecia não saber como se falar a palavra.

– Lousa? — Sugeri me virando e pegando um giz.

"Luiza Sens" Estava escrito com uma letra cursiva e todos à nossa frente nos olharam com grandes pontos de interrogações sobre suas cabeças. Hayashi novamente me cutucou, e eu fui obrigada a apagar e escrever em caixa alta, assim pelo menos eles conseguiriam soletrar meu nome e quem sabe sair uma pronuncia boa.

– Ruiza Sensu? — Um rapaz de cabelos pretos lisos e compridos, que sentava na última carteira próximo à janela se levantou e tentou ler o que estava escrito na lousa.
Yui pronunciou mais algumas coisas sem sentido, e apontou para uma carteira vazia próximo à janela. Pestanejei um pouco, e então engoli em seco e segui para onde seria supostamente a minha carteira. À passos leves segui sem pressa ao tal lugar, quando de repente uma jovem aparece em minha frente e jogando sua mochila sobre o meu lugar.

– Ei! — Falei apontando para a carteira e franzindo o cenho. — Esse lugar é meu.

A jovem me observou meio sem entender e então cutucou minha testa falando algumas coisas em japonês, talvez estaria zombando de mim, por eu estar com cara de bunda, apenas observando e fingindo entender.

– This place is mine! [Esse lugar é meu!] — Tentei convencê-la com meu inglês péssimo, e a tal garota colocou alguns fios soltos de seus longos cabelos loiros atrás da orelha e me empurrou de leve, apenas para que eu saísse de seu caminho.

– I don't understand this bad english [Eu não entendo esse inglês horrível]. — Ela riu e fez uma careta se sentando onde até então era para ser o meu lugar.

Resolvi apenas ignorá-la e procurar outra carteira vaga. Passando meus olhos sobre a sala percebi que a tal Hayashi Yui havia se sentando e que havia um lugar vago atrás dela. Sem pensar, peguei minha mochila e caminhei sem pressa até lá. Ao me sentar cutuquei a jovem à minha frente e sorri.

– Arigatou. — Forcei o japonês horrível sorrindo como forma de agradecê-la, mas por dentro estava pestanejando e culpando minha mãe por estar passando por essa situação horrível que a cada segundo só piorava.

O professor adentrou a sala fazendo todos arrumarem suas posturas e prestarem atenção apenas nele. Apenas imitei os outros e fiquei olhando fixadamente para o professor e pensando em coisas aleatórias, viajando pela minha imaginação.

Cuidadosamente tirei meu caderno de desenhos da mochila e sem ninguém perceber comecei a rabiscá-lo com alguns desenhos sobre o que estava imaginando. Apesar de realmente estar sendo um inferno, eu sempre quis ver uma flor de sakura ao vivo, ver a neve caindo pela manhã, comer o verdadeiro lámen e além de tudo ir aos famosos festivais, onde tudo é iluminado e bonito; então comecei a desenhar como imaginava isso tudo, no tal caderno e rindo sozinha; eu era realmente besta.

Sem que eu perceba o professor parou sua aula e seguiu até mim. Ele me olhou fixadamente por alguns segundos e então puxou com força meu caderno de desenhos me fazendo acordar para a realidade.

O homem grisalho ao meu lado, falava algumas coisas em japonês enquanto balançava o meu caderno para cima e para baixo, acho que eu estava levando uma bronca. Levantei os olhos e abri a boca para tentar falar algo em inglês, a fim de quem sabe me explicar sobre como aquela situação estava mexendo comigo, até que Hayashi segurou meu braço e começou a dizer novamente palavras vazias para o tal professor.

Fiquei apenas olhando aquele bate papo, sem entender, espero que ela não esteja queimando meu filme com o professor. Em alguns segundos de conversa, o homem colocou meu caderno debaixo de seu braço direito e voltou-se para a aula novamente.

– Ei, quero meu caderno. — Sussurrei para mim mesma bufando e fechando a cara.

– É proibido desenhos fora do clube de desenho. — Yui começou, me observando de soslaio. — Você terá de ficar comigo hoje para limpar a sala no final da aula.

– O que? — Reagi instintivamente, falando um pouco alto, fazendo o professor e toda a turma me observarem com olhares julgadores. Me encolhi na cadeira e apenas ouvi o que Yui tinha a dizer.

– Se quiser depois te mostro o clube de desenho. — A japonesa me encarou e voltou-se para frente prestando atenção no que estava escrito na lousa.

O tempo custou a passar, e então fiquei apenas observando o homem grisalho papear em outra língua e tentei imaginar como seria minha vida daqui para frente.

Deitei minha cabeça e em um instante sem perceber caí no sono. Acordei com um cutucão na bochecha, provavelmente era Hayashi ou o professor querendo me expulsar logo desse colégio. Ao abrir os olhos, vi uma silhueta magra a minha frente sorrindo.

– Vamos, eu te ajudo na limpeza. — Me puxou pelo braço, ainda meio sonolenta e me entregou uma vassoura. — Aqui, varra.

Comecei a varrer sem pressa, colocando a poeira em uma pá e logo após jogando no lixo. Isso continuou por alguns minutos, até que ela resolveu iniciar uma conversa.

– O que você veio fazer aqui, no meio do ano? — Ela parou o que estava fazendo e me observou sentar desmotivada em uma cadeira próxima de Yui.

– Minha mãe. Minha mãe se separou de meu pai tem um mês, ela recebeu proposta de emprego por aqui. Aqui estou.

– Eu fui uma vez para o Brasil. É realmente bem diferente, é como se fosse água e óleo. — A japonesa voltou à suas atividades mas ainda me observando. — Eu posso te ensinar os kanjis, se quiser...

– Obrigado, mas não sei se continuarei aqui por muito tempo. — Fechei os olhos lembrando da escola que eu costumava frequentar no Brasil.

– Pretende ir para uma escola brasileira? É verdade, aqui em Toyota tem várias. — Ela puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado.

– Minha mãe falou que talvez eu me acostumasse melhor frequentando uma escola japonesa. Mas é tão... Estranho. — Abaixei a cabeça e ouvi Yui rir de leve, abafando o riso com as mãos.

– Eu definitivamente irei te ajudar. — A japonesa se levantou e estendeu sua mão sorrindo, um sorriso verdadeiro e caloroso.

– Eu... Eu não quero incomodar... — Hayashi me interrompeu e me puxou para fora da sala, guardando os produtos de limpeza e trancando a sala. — A gente não terminou... Terminou?

– Tempo! — Sorriu novamente para mim e me levou até o pátio onde havia uma máquina de sucos, refrigerantes e chá. — O que vai querer?

– Eu não quero nada. — Sorri coçando a nuca e observando ela me ignorar e pegar dois chás.

Me entregou a bebida e me levou até um banco.

Realmente o dia estava bonito, já se passava das quatro, o sol estava indo embora, e aquela linda cor radiante laranja pintava o céu que aos poucos ficava escuro. Os grilos embalavam as conversas dos alunos que se preparavam para ir para casa, e eu fiquei me perguntando se aquilo era realmente um inferno.

– Minha prima... — Começou a japonesa abaixando a cabeça e tomando um gole da bebida. — Ela era como você, estrangeira perdida com a língua totalmente diferente... Eu a ajudei com o japonês durante um bom tempo... Ela até fez umas amizades, antes de...

Yui interrompeu-se, parecia que algo estava entalado em sua garganta que a impedia de continuar.

– Falecer... — Continuou.

– Ei está tudo bem? — Perguntei ao ver que cada vez mais ela abaixava sua cabeça. Tentei levantá-la, mas ela apenas segurou minha mão.

– Darei o meu melhor para você conseguir se comunicar com todos aqui. — Hayashi Yui subitamente levantou seu rosto banhado de lágrimas e sorriu calorosamente para mim apertando minha mão cada vez mais.

Realmente, aquilo não era o inferno...

Notas finais
Obrigada por ler! Volte sempre. Pretendo postar o próximo mais breve possível. Deixe um comentário se gostou, ou se não gostou, se quiser dar sugestões, ou se algo precisa ser melhorado. Obrigada! Bye~