Himitsu

7 O sangue de Atena


Notas iniciais
oops, me atrasei em escrever... hu3 Mas agora vai afunilar de novo pro final... acho que soh tera 1 ou 2 capitulos a mais que a primeira parte e... Ui, tem mtas tretas nesse capitulo! E mais cavaleiros de ouro apresentados, mesmo que só em nome (Ifrit e Hebraim). Enjoy, minna-san!

7 — O sangue de Atena

A briga entre Kalisto e Frida era a fofoca da vez no Santuário. Noah continuava a insistir em falar com a amazona de Peixes, mas sempre era recusado a falar.
Afonso ficou sem muita opção senão revelar sobre a maldição de Kalisto, para explicar porque o "cavaleiro" virou amazona, livrando-a de maiores problemas.
Mas os sucessivos ferimentos misteriosos se tornaram ainda mais frequentes. Afonso sangrava quase todo dia e mal conseguia se recuperar, estando sempre enfaixado nos braços, com band-aid e outros curativos.
Mas ninguém sabia como isso ocorria, não sentia cosmo ou presença alguma. Enquanto os dourados presentes discutiam com o Grande Mestre e Afonso sobre o que poderia ser, eles viram Tsubasa aparecer, após mais uma manutenção dos selos. Ifrit de Virgem encarou o cavaleiro de bronze:
–Está piorando a questão da barreira, não?
Encarou de volta o dourado, escutando o silêncio gerado pelo assunto do cavaleiro de pele azeitonada e madeixas onduladas.
–Não vão resistir, mesmo com o esforço conjunto meu e de Afonso. Se tivermos um mês, estou sendo generoso.
Pégaso saiu mas Corinto o impediu:
–Você parece intuir coisas demais. O que esconde?
–Gostaria de falar, mas não posso.
O dourado de Câncer segurou o pulso do cavaleiro de bronze, apertando com força.
–Já chega, Corinto. — resmungou Ifrit, abrindo os olhos delineados pelo kohl. — Tsubasa é um perigrinador dos sonhos, se algo lhes é impedido de falar, nem sob tortura falam.
–Eu não confio nesse moleque.
–Eu conheço o modo de agir de pessoas com esse dom, meu mestre foi um e sei o que faço.
Ifrit olhou para Tsubasa, transmitindo firmeza em sua escolha. Os anos convivendo com os dourados fizeram notar que aquele olhar era de "tem algo sério e desconfio o que". Corinto o soltou e voltou para junto dos demais. Ifrit pediu licença e foi atrás do Pégaso, o alcançando no topo da escada.
–Você vai agir, não? — indagou o egípcio.
–Vou. Mas porque tenho que interferir agora... Não porque quero.
–Aquela criança... Ela...?
Tsubasa apenas abaixou a cabeça, confirmando a teoria de Virgem.
–Essa semana tudo estará resolvido entre eles. — ele virou e encarou Ifrit com um sorriso levado. — Sinbad vai ficar louco, então é bom que esteja pronto.
Tsubasa tirou da calça uma pequena trouxa de pano e entregou ao dourado.
–Como serei um pouco cruel, talvez Afonso irá precisar disso quando parar de sangrar. Entregue quando acontecer e diga que é "dele".
Tsubasa deu as costas, deixando Ifrit com novas dúvidas. Ele sabia porque Atena estava sangrando?


–Frida...
A amazona não tinha ido a reunião, estava apática e nem ligou quando Tsubasa surgiu e roubou uma tâmara para comer.
–Vim pegar o Emanuel.
–Pra que? Hoje não é dia de treino.
–Por que? Pelo mesmo motivo que você devia falar sobre "aquilo". O tempo está esgotando.
–Não irei falar nada, não tenho nada a falar! — resmungou a amazona de Gêmeos.
Tsubasa se aproximou e tocou a cabeça de Frida, com carinho.
–Já basta... É tempo de liberdade...
Ela o encarou, sem entender e ele apenas sorriu. Pégaso se dirigiu até onde Emanuel estava e saiu com ele dali.
Frida pegou uma garrafa de Whisky que era apenas um efeite de sua cristaleira. Hoje iria estreiar aquela bebida. Ao menos hoje, iria se acovardar e fugir.


Tsubasa e Emanuel caminhavam para uma parte do Santuário que o pequeno não conhecia. Era uma espécie de templo abandonado. Ambos vestiam roupas treinos, a idéia de treinar com seu amigo era empolgante para o aprendiz. A pouco aprendera o básico de cosmo e ele parecia evoluir bem.
Assim que entraram, as pesadas portas se fecharam e as velas se acenderam sozinhas. Emanuel ficou encantado e quando se virou para Tsubasa, o mesmo vestia uma armadura que ele não conhecia, tinha longas asas, um brilho prata de detalhes dourados. Como se lembrasse da armadura do primo de Noah, Hebraim de Sagitário.
–Que armadura é essa, Tsubasa?
A criança olhava admirada com a.imponência.
–A armadura divina de Pégaso. No passado, ela e outras quatro foram banhadas no sangue de Atena e quando o usuário eleva seu cosmo próximo ao último sentido, ela desperta essa forma.
Tsubasa estava sério. Coisa que o pequeno nunca viu em Tsubasa.
–Por que está com ela?
–Para agüentar o seu poder, Emanuel. Daqui só vai sair quando despertar por completo.
O pequeno ficou incrédulo. Tsubasa estava parecendo frio e distante.
–Sua mestra nunca colocou você para o máximo potencial, sempre teve medo.
–Por... Por que... Diz isso? Eu quero sair! — ele avançou, com um soco preparado.
Não só foi contido, como Pégaso o contra atacou sem piedade, o lançando longe.
–Medo que a verdade fosse revelada... Frida tem um poço de mistérios e escuridão, pedindo para sair... Mas tem tanto medo que seus planos egoístas se quebrem que até você fica sendo exposto ao perigo! — ele então caminhou até Emanuel e o segurou pela gola. — O destino cansou de esperar reação dela, então estou agindo como um perigrinador de sonhos... Usando meu lado cavaleiro.
Tsubasa então o lançou contra a parede.
–Daqui você só sai quando despertar. E ao despertar, será mais forte que qualquer dourado!
Emanuel se levantou, tremendo com a dor que sentia pelos golpes. Elevou seu cosmo timidamente.
–E se não fizer melhor, simplesmente vou mudar as coisas e salvar o Santuário sem salvar você.... Eu certamente vou matar você, Emanuel.


A reunião acabou na alta madrugada e tão logo ficou a sós e Afonso ficou sentado no trono, pensando em tudo.
Sentia preocupação com tanta coisa acontecendo. Pensou em ir deitar mas novos cortes aconteceram e dessa vez mais que o normal. O sangue divino fluía numa direção, mas dessa vez não sumiu, se acumulou numa grande poça. Então um cosmo emanou bem fraco, como se apenas quisesse se mostrar para Afonso. Ele reconheceu aquele cosmo.
–Então, você é a mentora disso... Afrodite?
A deusa se revelou, ao lado da poça.
–Você ficou muito bonito, Atena. Só de ver você assim, tão seguro de sua divindade... Hmmm... — respondeu a deusa, de forma maliciosa.
Afonso não estava com um bom humor e apenas lançou um olhar de "pare de brincar". Afrodite riu e tirou uma adaga do cinto e se cortou, deixando seu ikhor escorrer e misturar com o de Atena.
–Porque está fazendo isso ao longo desses anos? Acaso resolveu sair da sua neutralidade?
–Exato... E fazendo isso, estou desafiando parcialmente o Olimpo.
Afonso ficou surpreso. O que a deusa a sua frente tinha mente?
–O nome Kanon te lembra algo? — disse Afrodite.
Logo a poça de sangue se iluminou e o líquido rubro começou a rodopiar, envolvendo o vazio.
O rodamoinho aos poucos parecia ser absorvido e ganhando forma.
A luz ficou ainda mais intensa, e quando se dissipou, Afonso viu no local da poça uma figura ajoelhada respeitosamente. Do fundo de suas memórias, reconheceu aquela pessoa a sua frente. Desceu os degraus do seu trono e ficou frente a frente ao homem de cabelos azulados.
–Kanon...
–Atena... — respondeu o homem, meio tímido.
Afonso olhou no chão. Apenas ele e Afrodite formavam sombra, Kanon não. Aqueles anos foram para quebrar parcialmente o castigo de Kanon, fazendo seu espírito visível e palpável, mas ele ainda estava morto.
O jovem deus olhou meio perdido para Afrodite, que apenas sorriu antes de desaparecer e deixar os dois a sós.
–Eu me arrependo de ter ajudado ao meu irmão... Por isso, preciso me redimir e consertar as burradas dele para com você... E salvar o Santuário...
–Diga, Kanon, você tem algo a revelar, certo?
–Sim... — Kanon ergueu a cabeça e encarou a reencarnação de Atena. — E depois deve buscar algo que Pégaso confiou ao Virgem.

Quando adentrou naquele lugar, ele viu Frida deitada no sofá, cheirando a álcool e a garrafa de whisky. Afonso a olhou com piedade. Nunca imaginou ver sua amada naquele estado. A tomou no braços e a levou para o quarto. Soltou os longos cabelos dela e trocou a apertada roupa de treino que ela vestia por um pijama confortável. Sentia falta de ver o semblante adormecido. Havia levado uma escova antiga, toda em prata e detalhada para presentear, então decidiu usá-la para pentear os cabelos dela.
Quando teve certeza que ela estava bem, Afonso deixou pronto o remédio para ela e retornou para o terceiro templo, sendo recebido por Kiki, Ifrit e Kanon. Ele entregou a escova para o Grande Mestre.
–Faça o que pedi. — ordenou o jovem deus.
Kanon segurava um pequeno frasco de sangue, Ifrit a trouxa que Tsubasa lhe dera e Kiki a escova.
–E pensar que tudo isso pode definir a batalha... — suspirou Ifrit.
–Mais que isso... Muito mais que isso.