Notas iniciais
Presente de natal: Bomba na historia hu3 E infelizmente, em luto pelo dublador do Camus de Aquário... Dedico em memória a ele este capítulo.

8 — Mestiço

Frida acordou com uma ressaca brava. Nem o remédio colocado por Afonso foi o suficiente para acalmá-la depois de constatar que Emanuel não havia retornado do treino.
Desceu para procurar pelos dois, mas não havia nenhum sinal do Pégaso. Foi quando teve um surto desesperado, quase matando alguns aprendizes. Com muito custo Sinbad e Noah a pararam e fizeram se acalmar. Sabendo por Afonso sobre a garrafa de whisky que ela entornou, creditaram culpa no alcool, mas não completamente.
Nunca viram Frida se desestabilizar daquele jeito e por culpa de Emanuel. Mas de fato, algo estava estranho, Tsubasa e Emanuel sumiram, não haviam rastros de seus cosmos.
Capricórnio e Leão continuavam segurando, até que Afonso apareceu no salão, usando suas vestes sociais como deus, a toga ricamente bordada e ficou confuso com a cena dos 12 cavaleiros de ouro reunidos ali.
–Que confusão é essa? Por que estão segurando-a desse jeito?
–Ela surtou, bebeu demais e surtou na arena. — explicou Sinbad. — Quase matou os aspirantes. Deve ser a estrela maligna que permeia a constelação de Gêmeos.
–Emanuel... EMANUEL DESAPARECEU! TSUBASA LEVOU ELE! — gritou a plenos pulmões e numa voz embargada a amazona de Gêmeos.
–O que...? — indagou Afonso, assustado
Ifrit pigarreou, lançando um olhar para o jovem deus, ao que Afonso rapidamente captou: tinha haver com "aquele" assunto. Ele suspirou profundamente.
–Leve Frida para meus aposentos e peçam as servas um calmante. Ifrit, fique e o resto está dispensado.
–Mas senhor! — começou a falar Hebraim de Sagitário, ao que foi cortado por um olhar cheio de autoridade do francês. Todos então se retiraram, enquanto Sinbad e Noah seguiram para a área privativa, cuidar de Frida.
–Como pupilo de um perigrinador de sonhos como Tsubasa, certamente você notou os segredos que ele escondia. — suspirou Afonso, quando notou que estavam enfim, sós.
–Não só isso. Não se esqueça que tenho o Olho de Hórus em meu cosmo, senhor. Eu noto coisas que os demais não notam. Tsubasa não está fazendo nada errado, mas ele precisou tomar uma atitude. Por isso ele entregou faixas que ele trocou de Emanuel, sujas com sangue e até fios de cabelo. — Ifrit encarou Afonso. — Ele sabia que tudo ia estourar enquanto ele fosse despertar Emanuel...
–Despertar?
–O verdadeiro cosmo do menino... É a única chance dele contra os deuses.
Parecia um timming perfeito. Um guarda entrou interrompendo, trazendo um envelope. Afonso se levantou, indo receber o guarda e pegar o envelope: era a resposta que ele estava esperando.
Afonso abriu o envelope, lendo o conteúdo com calma. Ifrit acompanhou as expressões do deus, tentando estudar todas elas.
–Meu senhor?
–Kanon disse a verdade...
Nessa hora, Sinbad e Noah estavam voltando. Tendo com muito custo administrado o calmante, eles saíram da área privativa após Frida adormecer de novo.
–Ifrit, sabe o templo onde fomos buscar a armadura de Pégaso? — disse Afonso, olhando a dupla.
–Sim.
–Vocês três e Kalisto... Vão até lá e aguarde Tsubasa e Emanuel saírem. Use o Olho de Hórus para sondar, Ifrit, não interfira. Acredito que lá estejam os dois.
–Sim senhor! — disseram os três dourados, uníssonos e se retiraram.
Kiki, o Grande Mestre apareceu. Olhava Afonso com cuidado, tentando ler, mas estava difícil.
–Kiki, assuma este trono. Irei observar Frida. Tem algo muito grave a conversar com ela.
–O que está ocorrendo?
–Você vai saber, todos vão. Quero o corredor e áreas próximas isoladas, o que vou falar pode ter impacto sobre o emocional dela.
Afonso se retirou, deixando o patriarca confuso. O jovem deus levou consigo o envelope.
Quando chegou ao seu quarto, viu a amazona dormindo. Se sentou na cama e a aninhou em seus braços, com cuidado.
–Chega de segredos e de mágoas... Eu realmente estou implorando, meu amor... — sussurrou consigo, acariciando a cabeça de Frida.Kalisto estava evitando ficar muito perto de Sinbad e Ifrit. Sabia que o virginiano não ligava, mas que o outro se incomodava com sua presença. Noah se aproximou por trás, mas ela sentiu e apenas suspirou, pesadamente.
–Não me repudia? — perguntou, sem ousar encarar o leonino.

–Por que te repudiaria? Você é um dos melhores entre nós... E sempre foi responsável. Afonso nos explicou sobre sua maldição...

–Só me aceitaram por pena, não? — Kalisto se virou para Noah com um sorriso sacarstico.

–Pelos outros não posso dizer. — Noah sorriu, timidamente. — Apenas por mim. Eu sempre admirei você, Kalisto. Tanto que pensei que havia me apaixonado por um homem... Mas mesmo que você tivesse virado um, não me importaria.

Os dois ficaram sério e se encararam. Noah era brincalhão, rebelde e até arredio, mas era talvez o mais sincero das 12 casas. Então ele perdeu a compostura séria e desviou o olhar, corando de leve.

–Estamos em missão, deixa isso para depois, né?

Kalisto observou o leonino se afastar, coçando a cabeça. Ela continuou a observar tudo de longe, tentando botar a cabeça em ordem depois da declaração dele.

Ifrit estava com os olhos fechados, queimando o cosmo bem suavemente para usar seu Olho de Hórus, em vigilância ao que ocorria no templo. Sinbad parecia impaciente e nem a presença recente de Noah pareceu surtir efeito.

–Alguma novidade?

–O templo está lacrado e por isso não conseguimos sentir cosmo, Noah. Apenas o olho especial que Ifrit tem consegue enxergar alguma coisa. — resmungou Sinbad. — Aparentemente estão lutando e Emanuel está com um cosmo cada vez mais crescente.

–O nível do cosmo está crescendo muito... — Ifrit falou, "desligando" o Olho de Hórus. Se sentia cansado por manter por muito tempo. — Está no nosso nível... Não sei como Tsubasa está encarando lutar!

–Emanuel mal estava perto do nível de um bronze! Como pode em menos de 24h estar assim? — exclamou Sinbad.

Ifrit estava indeciso se contava ou não, mas Capricórnio preparou a Excalibur. O cavaleiro de Virgem tomou a frente, impedindo o golpe.

–Saia da frente, Ifrit!

–Não posso.

–O que você, Tsubasa e Atena estão escondendo?

–O Emanuel... ele...

Quando Frida despertou, sentiu o calor de braços, um cheiro conhecido e o som das batidas de um coração. Ao olhar para cima viu Afonso a observar com carinho, ela se soltou rispidamente dos braços.

–Onde está Emanuel? Acharam Emanuel?

O rapaz negou com a cabeça e fechou sua expressão.

–Temos que conversar a sério, Frida. Os cavaleiros estão procurando por Emanuel, não se preocupe. Sente-se, por favor.

Frida se sentou a contragosto e quando o jovem deus teve certeza que a amazona não iria tentar nada, ele tirou das mangas de suas vestes os papéis que estavam dentro do envelope, deu uma última passada de olhos nos papéis e entregou para Frida.

–Por que mentiu para mim, Frida?

Ela pegou os papéis e olhou para eles, congelando por dentro. Sentiu as mãos tremerem, e o sangue sumir do corpo.

–Me diga, Frida, por que escondeu que Emanuel é um semideus... Nosso filho...?

A mulher não respondeu, continuava olhando para os papéis. Afonso segurou-a pelos braços e a chacoalhou.

–Por que, Frida? Por que escondeu que Emanuel é meu filho? Que os deuses estavam atrás dele por retaliação por eu ter tido um filho? — ele chacoalhou ela de novo, com rispidez e acabou se inclinando, deitando a cabeça no colo de Frida, se segurando para não chorar, num misto confuso de sentimentos. — Você colocou você e ele em perigo! Frida!

–Por que você, não precisava saber... Precisava agir como Atena, abandonar o seu "eu" Afonso. Por que não podíamos ficar juntos, numa família feliz.

A voz de Frida estava embargada, ela também segurava suas lágrimas e isso Afonso notou quando se ergueu.

–Quando descobriu que estava grávida?

–Logo após a matrícula da universidade... Então decidi fugir. Fui parar naquele vilarejo, onde Emanuel nasceu. Foi quando Ártemis começou os ataques, querendo matá-lo. Eu pretendia... eu realmente pretendia voltar para o Santuário. Mas não deu tempo e os servos dela destruiram tudo... Só sobrou eu e Emanuel...

Ela caiu em lágrimas, se lembrando que de novo tinha sangue inocente nas mãos.

–Alguém mais sabia?

–Não... mas confundi as servas que estavam determinadas para amamentá-lo e assim pude fazer isso...

Silêncio. Os dois digerindo o que havia acontecido ali, Afonso as confirmações que esperava e Frida sobre Afonso saber seu último grande segredo. O francês então abraçou-a com formça, sendo repudiado, mas ele não a soltou, lutou contra a rebeldia de Frida esperando que ela se acalmasse.

Demorou muito para que ela parasse de lutar, e Afonso descansou sua cabeça no pequeno ombro da jovem, suspirando o aroma dela.

–Eu nunca deixei de amar você... todos esses 6 anos... Você não tem noção do quanto meu coração ficou se ferindo continuamente tendo que tratar você daquela forma distante. — disse Afonso. — Pare com esse castigo, por que você está me castigando. Primeiro você me tirou sua presença, seus carinhos... Depois o meu filho... Já basta...

–Você é Atena... E eu um mero cavaleiro a seu serviço... Não pod...

–Podemos. Tanto podemos que tivemos um filho. Ártemis está possessa por eu ter violado meus votos mitológicos, por ter me misturado aos humanos como fiz. Mas vou enfrentar o Olimpo inteiro pela Terra e por você e Emanuel, você sendo a amazona de Gêmeos ou apenas minha esposa. — ele a encarou tocando seu rosto com delicadeza . — Não vou aceitar um não dessa vez, Frida, vou atormentar você e lutar pelo que sinto.

–E Kalisto?

–Eu tentei amá-la. Eu realmente tentei amá-la como te amei. Não consegui afogar meus sentimentos. Não consigo...

Entre o dever e os sentimentos... Frida se sentia consumida, dividida.

–Me deixe te amar... Fica comigo, Frida...

O sussurro que sempre a derretera, fazia Afonso parecer um gatinho manhoso. Ela não conseguiu resistir, retribuindo ao beijo que o rapaz iniciou. Carinhoso e delicado a princípio, sendo arrebatador com o tempo.

Afonso se deitou sobre Frida, descendo beijos sôfregos pelo pescoço. Seis anos de saudades consumindo seus desejos. Retirou a armadura de couro e foi abrindo as amarras da blusa simples de treinom revelando a pele e os seios que sempre o deixaram loucos. Frida também despia Afonso e logo estavam os dois prontos para se fundirem em uma só carne de novo.

O jovem deus agradecia pela iluminação que teve de proibir pessoas circulassem ali por perto, pois os dois podiam gemer em paz e colocar toda o amor naquele ato.

–Eu te amo... Afonso...

As palavras que falara fez a amazona se libertar de seus próprios grilhões e animou o coração de Afonso.

–Pera, quando você soube disso, Ifrit? Que o Emanuel é um semideus? — indagou Kalisto, aparecendo no mesmo local que os outros.

–Presumi por esses anos todos. Mas apenas essa semana tive certeza.

Ifrit sentiu uma vibração e invocou uma barreira de energia. Dito e feito, a porta do templo explodiu, lançando Tsubasa, que trajava uma estranha armadura que os cavaleiros dourados não reconheceram. Virgem desfez o campo logo que não houve mais perigo de impacto, e foi socorrer Tsubasa. Ele estava sorrindo de forma malandra.

–Consegui... — ele murmurou. — Estou bem, Ifrit.

Na porta, sentiram o cosmo mais forte que já sentiram, um cosmo que só parecia que o de Afonso poderia engolir. Viram Emanuel respirar ofegante, cansado, mas emanando um cosmo com grande poder.

–Tsubasa... Você agora pode me libertar! — gritou o pequeno.

–Agora sim, você está pronto para encarar seus inimigos... Junto com seu pai.

–Meu pai? — perguntou o garoto confuso. — Mas meus pais morreram...

–Meu senhor, tudo ao seu tempo. — disse Ifrit. — O senhor está cansado, precisa descansar.

Dito e feito, o pequeno só queimava o cosmo para se manter em pé. Kalisto conseguiu segurar Emanuel antes que ele caísse.

–Vamos levar para Atena e Frida. E quero ver como isso vai ser revelado! — resmungou Sinbad, enquanto a pequena comitiva voltava.