Himitsu
2 Chamas
Notas iniciais
2 — Chamas
Cavaleiros do mundo todo fora ordenado encontrar a amazona dourada, mas ela parecia ter se tornado o vento, ninguém a encontrava.
Tal sumiço transformou Afonso numa pessoa ainda mais distante, olhos sem vida. Sua aparência tinha apenas um mínimo cuidado, pois estava bem mais magro e com olheiras.
Kiki não deixava o rodízio de guerreiros ficar parado e continuava a enviar outros. Todos que sabiam dos sentimentos de Afonso se preocupavam ainda mais. Mesmo que ouvisse que era errado se preocupar assim, ele ignorava.
Um, dois, três meses se passaram e o rapaz ficava ainda mais frio. Alguns até agradeceram Frida desaparecer, pois agora o jovem realmente parecia agir como um deus.
Afonso também procurou se dedicar a treinar lutas para melhorar a si numa próxima guerra.
E então junto com a frieza, Noah passou a notar que aquele estranho temperamento viera acompanhado de várias ficantes pelo campo, principalmente as que tinham fama de gostar de caras de pegada mais forte. O jovem deus descontava nelas suas frustrações e todo desejo que guardava para Frida.
Noah estava como hóspede na casa da família comum de Afonso, dividiam o quarto e notava como ele passara chegando tarde, depois de noitadas em que, pelo cosmo agressivo, impedia que seu guerreiro o seguisse.
Era impossível até dizer algo.
E só mesmo sendo Atena, com um cérebro brilhante, para estar aprontando e ter boas notas.Durante uma semana de saco cheio, Afonso foi para o Santuário ficar de olhos e se distrair, entregou algumas armaduras, inclusive uma delas era Pégaso. Olhou o rapaz e se lembrou que a Atena anterior amava este cavaleiro, mas nada pode fazer com isso. E o novo guerreiro de Pégaso tinha o mesmo rosto de Seiya.-Atena-sama
O garoto se aproximou de Afonso e se ajoelhou aos pés do deus.
–Perdão se pareço incoviniente, mas soube sobre a senhorita Frida.Afonso pareceu fingir arrogância, mas tanto tempo sem ouvir aquele nome pareceu uma seta fincada no peito.-Sim, Tsubasa, a amazona de Gêmeos continua desaparecida.
–Você está triste. Posso notar que no fundo dessa barreira fria, ainda tem tristeza.Seria o ressoar de servidão tão estranha que Pégaso tinha por Atena a causa de Tsubasa enxergar isso em Afonso? O jovem até desfez a pose arrogante e defensiva, se relaxando um pouco.
Sinbad e Kiki, que o acompanhava ficaram surpresos com a abertura que aquele simples cavaleiro recém nomeado conseguira.-Acompanhe a gente, Tsubasa. Sinto que deseja falar. -disse Afonso, ainda com autoridade.Os quatro foram subindo pelas quatro casas, ao que Sinbad ficou em sua casa, Capricórnio. Kiki, ao chegar no terceiro templo, pediu licença e se retirou para sala de estudos, deixando o grande salão livre para Afonso e Tsubasa.-Você ama essa amazona?A primeira pergunta foi bem direta, mas ao contrário do que Afonso esperava, não se ofendeu. A relação sempre fora amistosa entre a deusa e este cavaleiro, como um destino moldando a relação.-Sim, sempre amei Frida, desde antes de descobrir quem eu era. E quem ela era.
–Atena, me permita buscar a senhorita Frida, eu certamente poderia achar!Afonso sorriu triste.-Não acredito que conseguiria. Se Frida se ocultou, até um cavaleiro de ouro teve problemas. As buscas diminuíram ao longo desses cinco meses.
–Acha que ela morreu? — indagou o cavaleiro de bronze
–Não, disso tenho certeza. Senão encontraríamos a armadura dourada.Foi durante essa conversa que um arrepio estranho passou pelo bronzeado, que ele se levantou. Afonso estranhou aquilo.-O que houve?
–Um movimento estranho, cosmos e almas.Tsubasa, antes de treinar para cavaleiro, fora criado e treinado num templo xamãs. Apesar de espiritualmente nunca ter se desenvolvido para sacerdote, ele unindo ao cosmo ganhou uma habilidade que ele chama de movimento.
Ele previa as vezes um ataque, como uma espécie de profeta e logo Afonso também sentiu.
O jovem deus indicou Nike, e junto com Tsubasa, convocou Kalisto de Peixes para ambos os três irem ao local.Era no norte da Alemanha, uma comunidade religiosa isolada. Estava tudo destruído, pilhas de corpos inocentes e casas em chamas. Uma visão terrível. Tsubasa sentiu uma débil mão segurar seu tornozelo, um homem moribundo o olhava, como se implorarasse piedade a um anjo.-Demônios... Eles...O pobre homem não pôde terminar, e morreu. A encarnação de Atena seguiu em frente. Haviam crianças mortas e cheiro de carne queimando. E em meio as chamas uma figura em pé, oculta em sombras. Parecia uma mulher, pois parecia trajar um vestido. Mas a medida que Afonso, Kalisto e Tsubasa avançavam a figura ganhava contornos. De fato, usava um dos vestidos negros, comuns àquela comunidade, mas também algo robusto: uma armadura.
O longo cabelo esvoaçava com o ar quente e quando a figura se virou puderam ver os inúmeros ferimentos e que a figura segurava algo nos braços.
Frida estava em meio aos ardentes destroços, uma aparência cansada e um bebê nos braços.-Ele foi tudo que pude salvar... — ela murmurou, derramando uma lágrima.Tsubasa correu até ela, apoiando quando enfim ela perdeu as forças e iria cair. Afonso tomou a criança aos braços para evitar que ela se machucasse.-Eu pude salvar... O Emanuel... — murmurou a amazona, antes desmaiar.
Afonso chamava pela amada, mas Tsubasa verificou rapidamente o estado da garota.
–Ela deve ter inalado muito ar poluído. Precisamos sair daqui antes que ela se intoxique para valer.
Kalisto envolveu Afonso e o bebê com sua capa, de modo que a reencarnação de Atena pôde proteger a criança, elevando seu cosmo. Tsubasa tomou Frida nos braços e ambos saíram correndo, assistindo as casas simples de madeira desabarem numa parte alta. Afonso ligou para a Fundação, pedindo que avisassem as autoridades alemãs sobre o incêndio.
Verificaram que o bebê estava bem, provavelmente Frida queimara o cosmo para proteger o bebê, esquecendo-se dela.
–Como Frida veio parar aqui? — indagou Afonso, olhando Tsubasa dar os primeiros socorros a jovem dourada.
–Só saberemos quando ela se recuperar. — sussurrou Kalisto.
Logo que foi terminado os primeiros socorros, eles retornaram ao Santuário.
Fale com o autor