Hillebrand's Revenge

2 Um convite irrecusável


Notas iniciais
Esse capítulo ficou bem grande, não tem muitos acontecimentos, é mais para explicar a aparência de cada coisa.

Um lugar enorme, com decoração de castelo medieval, um cheiro de livro velho, misturado com gente idosa e terra molhada, uma estrutura de pedra com portas enormes de madeira, um hall de entrada com vários sofás e estantes, que mais parecia uma biblioteca, uma escadaria grande e de pedra levando a uma infinidade de corredores e portas, descendo as escadarias e voltando ao hall de entrada era possível ver, do outro lado do hall, em frente a porta de entrada uma porta de madeira que levava a cozinha, uma cozinha grande com uma aparência sombria, balcões de pedra e mesas e cadeiras de madeira, 5 cozinheiras contratadas apenas para fazer salada de frutas, suco e pão com torrada no café e, sopa de angu no almoço e no jantar, que as vezes era substituída por uma sopa de legumes. Esse era a aparência do Orfanato Alphinea Child. Hope Hillebrand não sabia o porque de estar ali, tudo havia acontecido rápido demais, em um dia ela estava dormindo no sofá de sua casa e, no outro, estava órfã e sozinha no mundo em um orfanato com cheiro de gente idosa. Ja haviam se passado 3 dias, porém pareciam 3 anos, durante esses 3 dias Hope só almoçou uma sopa de angu, ela não conseguia jantar e nem tomar café da manhã, se comia algo era para não desmaiar, não participava das atividades do orfanato criadas para tentar animar um pouco a vida triste daquelas crianças e adolescentes. Hope havia ficado trancada em seu quarto durante 3 dias, não parava de pensar no cabelo ruivo, nos olhos verdes e nas sardas de sua mãe, nem nos cabelos negros, olhos azuis e sorriso torto de seu pai, as vezes, sentia saudades até mesmo de ver Mark pregando peças nos animais dos vizinhos, mas aquilo não importava mais, pois naquela altura seus pais ja deveriam estar em qualquer lugar, afinal, a morte é uma eterna duvida. Hope dividia seu quarto com uma menina loira dos olhos castanhos, ela tinha 14 anos e aproximadamente 1,60 de altura, chamada Camila, estava naquele orfanato porque os pais não tinham condições de cria-la, mas ela alimenta até hoje a esperança de que eles voltem. O quarto era pequeno, as janelas ficavam muito altas, quase no teto, sabe-se la o porque, o quarto era todo de pedra e as janelas tinham grades, o que fazia com que elas se sentissem em uma prisão, a aparência era sombria e pelo o fato das janelas serem pequenas entrava pouca luz, haviam duas camas, uma em cada lado da parede e uma mesinha de madeira que unia as duas, em frente as camas um armário de madeira com cheiro de mofo e a porta, que levava ao corredor. Apesar do quarto ter uma aparência horrível, era o quarto mais colorido do orfanato, Camila pintava e fazia aula de piano antes de ir para la, quando chegou la e viu que ficaria trancada la durante muito tempo decidiu aprimorar suas habilidades em pintura e pintou todas as paredes, camas, portas e armários. Hope e Camila conversavam o dia inteiro, sobre vários assuntos, inclusive os garotos do terceiro andar, estilos de novos uniformes e inventavam milhões de teorias para a causa da morte dos pais de Hope, que ainda estava sendo investigada. Alphinea era um município tranquilo e de poucos habitantes, aquele acontecimento chocou toda a cidade, o que fez com que vários moradores se mudassem para Longbotton, uma cidade vizinha. Eram cerca de 15h00 quando elas estavam indo até o quarto andar, onde ficava a biblioteca e as salas de estudos. Hope e Camila ficavam na mesma sala, a sala 222, junto com Erick, Jake, Anne, Jade e Liam. Eram cerca de 6 ou 7 alunos por sala, para evitar bagunça. As salas eram de um tamanho médio, o suficiente para 20 alunos, as mesas ficavam bem afastadas umas das outras, para que os alunos não conversassem. Hope não conversava com ninguém naquele orfanato além de Camila, não por ser excluida e sim por opção. Erick era um garoto gordo, baixinho que tinha sardas e usava óculos, era chamado de Cheetos, pois seus cabelos eram da cor de um. Jake era o garoto mais bonito do orfanato, não era o tipo forte, loiro dos olhos azuis, seus cabelos eram pretos e seus olhos castanhos, mas ele tinha um charme e olhar de cafasjeste que fazia com que qualquer garota caisse nos braços dele. Anne era a melhor aluna da 222, talvez até do orfanato inteiro, sabia todas as matérias de todos os anos e quando não tinha aula, ficava na biblioteca, ela era baixinha, seus cabelos eram ruivos, mas não aquele ruivo natural mais alaranjado, era vermelho, parecia fogo, talvez por isso chamavam Anne de menstruação, mas ela não se importava, pois no final, eles sempre precisavam da ajuda dela em alguma aula, o que fazia com que ela se sentisse superior. Jade era a garota mais linda do orfanato, alta, de olhos verdes, ruiva, lembrava a mãe de Hope, mas apenas na aparencia, pois Jade era a garota que mais zuava Erick e Anne, era preconceituosa com pessoas homossexuais, talvez porque seu pai fugiu com um ator porno e ela teve que ir para aquele orfanato porque estava sem ninguém. Finalmente chegamos ao ultimo aluno da sala 222, Liam. Liam tinha uma testa enorme, mas seu cabelo disfarçava isso, ja que ela tinha uma franja que escondia, era loiro dos olhos azuis, morava no Brasil, mais precisamente na cidade do Rio de Janeiro, era surfista e tinha uma pele bronzeada maravilhosa, era quieto, não tinha amigos, também por opção, era um garoto super simpático e sorridente, quando alguém se aproximava ele dizia apenas a seguinte frase: "Eu não quero perder alguém novamente, por favor, vai embora". Na sala de aula, Jake sentava na frente de Hope, que sentava ao lado de Camila, a aula estava um tédio, a professora falava sobre a idade média, o que lembrava o dia da morte dos pais de Hope, ja que ela estava assistindo um programa sobre isso, no mesmo dia do acontecimento. Sarah, uma professora da sala 223 bateu na porta e disse que teria uma reunião agora, o que fez com que apenas os alunos ficassem na sala. Não houve bagunça, apenas vários sussurros juntos, Jake geralmente ficava desenhando, seus desenhos pareciam com os de Mark, mas ele desenhava coisas boas, dessa vez, ele não desenhou nada, fechou o caderno, virou-se para trás e olhou nos olhos de Hope fixamente, sem piscar, sem sorrir e sem demonstrar reação.

–Você está me assustando

–Me desculpe, é que seus olhos são muito lindos.

–Eu não gosto dessas viadagens, continue com seus desenhos, Jake, preciso terminar isso antes que a professora chegue.

–Camila me disse que você era simpática e me encorajou a falar com você, é uma pena, ela estava errada.

–Camila fez o que?

–Eu disse que precisava de ajuda, sou péssimo em história e ela me indicou você.

–Chame a Anne

–Anne ja vai ajudar a Jade

–Jade bate nela todo dia, ela é retardada? Eu não ajudaria uma pessoa que me bate

–Anne gosta de saber que Jade precisa dela, gosta de se sentir superior.

–Nossa. Enfim, eu não posso te ajudar, estou evitando ao máximo estudar isso, me lembra meus pais.

–Fale sobre eles.

–Não quero.

–Porque?

–Porque não sou obrigada a compartilhar minha vida com você, faça o mesmo e vire-se para a frente.

–Porque está sendo tão grossa comigo?

–Porque você perguntou sobre meus pais logo depois de eu falar que não quero lembrar deles.

–Ja que não quer estudar sobre isso, deveria parar e fazer algo comigo quando sairmos daqui.

–Dispenso.

–Vai ser legal.

–O que você pretende fazer?

–Podemos brincar de médico.

–Por favor, Jake, se poupe!

–Calma, foi apenas uma brincadeira! Eu, Camila e Liam combinamos de jogar um jogo, fazer umas brincadeiras, coisas de criança para se divertir, ja que não podemos sair daqui de dentro.

–Quatro é par, eu sei a intenção de vocês.

–Você fala como se todos quisessem ficar com você, menos Hope, bem menos.

Hope fechou os punhos com a intenção de dar um soco bem forte na cara de Jake, porém a professora interrompeu ao entrar na sala e perguntou quantos ja tinham terminado a tarefa, Anne, Jake e Hope levantaram as mãos.

–Primeiro as damas, senhorita Hope.

–Claro! Se as damas vão primeiro, o que está esperando?

Jake sorriu e seguiu Hope em direção a mesa da professora, Anne ja estava la, Hope esperou e Jake ficou atras, tentando encostar de propósito na sua bunda fingindo que foi um reflexo involuntário. Ele chegou no ouvido de Hope, enquanto eles estavam na fila, Hope se fazia de dificil, mas sabia que aquele sorriso torto dele encantava qualquer um, o ar da sua boca saiu quente e arrepiou todo o corpo de Hope, então ele sussurrou:

–Eai, você vai?

Hope não conseguia dizer não naquela situação, balançou a cabeça para dizer que sim e foi entregar seu caderno a professora.