Hikari to Kage
3 O belo e a Fera - Parte 2
Notas iniciais
Diferente do ruivo de Seirin, Kise e eu ainda estamos aqui. Pelo frio que faz lá fora, o ambiente dentro da doceria é aconchegante o suficiente para deixar um clima até... Romântico. Pela mensagem desaforada que o loiro havia me mandado eu poderia jurar que ele estava puto da vida comigo e que a frase que ele diria quando me visse seria:
–- Aominecchi! Nada de sexo hoje, ou amanhã, ou depois... -- levou a xícara que pediu composta de chocolate quente aos lábios.
–- Hãn? -- ele está falando sério?
–- Não se faça de desentendido, você ouviu muito bem. -- me frisou com os olhos castanhos amarelados.
–- Mas por quê?
–- Ora, como por quê? Eu esqueci a chave do apartamento em casa, e você me diz que já está vindo... E veio ficar com o Kagamicchi! Isso não foi justo. -- apertou a porcelana entre os dedos.
–- Sinto muito, nos esbarramos, eu esqueci.
–- Como alguém esquece seu namorado na frente de casa em um dia frio de neve? Eu vou para casa.
–- EI! Espere. -- segurei seu pulso antes que ele levantasse completamente. -- vamos juntos.
–- Vou para casa de meus pais.
–- Não, você vai para nosso apartamento. -- franzi a testa. Ele apenas olhou para o enlace que fiz nos nossos dedos.
Um dos principais motivos pro loiro ao meu não querer ir para lá é que a frase que ele acabou de me advertir não terá muito sentido.
Ele mantém um bico nos lábios. Admito que apesar da sua chateação, ele está fofo com essa cara emburrada. Seus fios loiros estão contrastando perfeitamente com os poucos flocos de neve que caem em sua cabeça. Suas mãos estão, assim como as minhas, escondidas dentro dos casacos que vestimos. Respirei fundo, vendo um bafo branco se dispersar no ar em minha frente. Nosso apartamento, dado para nós pelos nossos pais, está logo na esquina.
–- Não a esqueça mais. -- tirei a chave do bolso, após chegar ao andar.
–- Sei disso. -- respondeu curto.
Ele foi o primeiro a entrar, sumindo na curva do quarto. Logo depois ouvi o barulho do chuveiro. Deixei o molho de chaves em cima da estante e sentei no sofá para esperar minha companhia, mas isso não aconteceu quando ouvi o som vindo do banheiro cessar. Caminhei até o quarto e o outro estava deitado, suspirei fundo.
–- Ei, eu sei que você dorme cedo de vez enquando, mas isso é hora?
–- Tenho uma sessão de fotos amanhã, boa noite.
–- Tsc. -- soltei alto.
Me dirigi ao banheiro. Tomei um demorado banho quente, coloquei roupas mais apropriadas para o clima dentro do lar e deitei junto a ele. Às vezes, principalmente nessas horas, me arrependendo dele ter dito para quando um for dormir o outro acompanhar, independente do horário. As horas passaram e finalmente o relógio bateu doze da noite. Olhei para o lado, ele ainda não suspirava quando faz ao dormir.
–- Oe, está dormindo? -- eu mantinha meus braços cruzados atrás de minha cabeça, um lençol verde até a cintura, e até os ombros do outro.
–- Estou...
–- Qual é, Kise... -- virei para o lado, encarando sua agora parcialmente coberta costas pelo meu movimento.
–- O que foi? -- virou para mim, sua face ainda brava.
–- Eu não fiz por mau... -- deslizei um dedo sobre sua bochecha, minha mão fora segurada impedindo a continuidade da carícia.
–- Sei disso.
Segurei sua mão que me segurava e o puxei para mim. Beijando seus cabelos, levantei seu rosto pelo queixo e o beijei, agarrando suas costas para mantê-lo próximo a mim.
–- Não fique bravo comigo. -- beijei suas bochechas diversas vezes.
–- Você só está falando isso porque eu disse que não teria sexo.
–- O que te faz pensar que gosto de você por que é bom de cama...?
–- Nada, mas é o que está parecendo agora. -- girei por cima de seu corpo, erguendo o meu por ele, encarando seus olhos.
–- Não é o principal, mas é um dos motivos. -- abaixei minha cabeça, roçando o nariz em seu pescoço, abocanhei sua pele, estalando-a quando solta. Dobrei meus cotovelos para melhor me apoiar, repetindo o processo anterior pela pele alva.
–- Não marque, eu tenho fotos para tirar hoje. -- sussurrou.
–- Não peça isso, existe maquiagem, eles que se virem. E já é tarde para isso.
–- Vou levar bronca do meu agente!
–- Não corta o clima pedindo o impossível, Kise.
Arrastei os lábios de seu pescoço à boca. Recebendo novamente a doçura de seu gosto. Suas mãos vieram em minhas costas, arrastando para cima a camisa em meu corpo. Sentei em seu quadril, concluindo o serviço que ele começou. As delicadas mãos tocaram minha nuca, puxando-me para mais um beijo. Por mais que ele fosse forte, não só no físico, sua delicadeza e passividade durante esse tipo de ato, são palpáveis de tão gostosas de explorar. Tão diferente da ferocidade com a qual ele joga em quadra.
–- Ao... Minecchi... -- se arrastou na voz quando me rocei de leve contra ele.
–- Oe, Kise... Não geme assim... -- mordi de leve seu lóbulo. -- Não seja covarde, não use golpes baixos.
Introduzi minhas mãos na fina blusa, subindo-a por meu pulso e revelando aos poucos cada pedaço de pele branca e ainda alva em mancha. Abaixei na direção de seu umbigo, correndo com a língua por ela, mordendo de leve cada parte, completando as carícias em chupões estalados que faziam sua extremidade tremer abaixo de mim, principalmente quando meu alvo principal era seus mamilos. Ah, sim, sua voz e reações. Deus me ajude a aguentá-las... Eu o arrombaria sem dó a cada uma de nossas relações, mas me mantenho no controle porque devo fazer isso. Meu membro já incomoda por dentro da boxer, mas o mantenho ignorado enquanto dou atenção ao loiro.
–- Tira... -- sentando e sua blusa não mais me atrapalhava. Na posição que estávamos tomei seus lábios mais uma vez. Suas mãos me desceram à base da coluna, forçando minha pélvis na direção da dele, roçando em um atrito de panos os membros tesos. Sua reação fora soltar meus lábios e gemer contra meu peito. Apertando os olhos, a boca aberta, a face em umas retorcidas que só ele sabe fazer eroticamente bem.
O deitei novamente, encaixando-me entre suas grossas coxas, seus olhos clarearam na expectativa do a seguir. Notei sua respiração acelerar. As pupilas intensamente dilatadas em prazer. E ele ainda queria manter o pé firme de “sem sexo, Aominecchi!”. Ele não resiste. E ainda trabalha para que eu ao seu redor não resista.
Mordi sua coxa, arrancando dele um suspiro abafado. Subi devagar com as mesmas carícias, intercalando entre a direita e a esquerda, sua cabeça estava flexionada observando minhas ações, e se pendeu para trás em frustração quando passei por cima de seu membro pedinte e voltei a sua virilha.
–- Aominecchi...! -- seus dedos apertavam fortemente o lençol que antes o cobria e agora estava sobre a cama. -- Por favor, não me torture. -- praticamente chorava em sua fala.
Dei um riso abafado. Arrastado o nariz por cima de sua boxer azul levemente molhada em certo local. Segurei suas barras em negro, não precisou de fala minha para que ele elevasse o quadril para ela poder passar por suas roliças nadegas. Ainda com as mãos ocupadas em passar o pano por suas longas pernas, não deixei de correr a língua por seu falo, para ouvi-lo gemer em um palavrão, contorcendo sua coluna na direção do teto. O pano finalmente se foi lançado aos ares, agora era somente eu e o garoto em minha frente; isso se ignorássemos o fato de eu estava ainda de short e tudo mais.
Encarei seus olhos apertando as pálpebras quando o tomei realmente em minha boca. As mãos brancas se prenderam aos lençóis já bagunçados, torcendo-os entre os dedos na demonstração do prazer que o estava possuindo. Sua cintura se movia fracamente para cima vez ou outra. Mas manteve-se parada durante quase todo o ato. Soltando um dos panos amarrotados, e com as dobras dos dedos vermelhas pela força, deslizou a palma sobre meus cabelos, acariciando meu rosto. Sua face estava corada, o suor brilhava ao longe. A boca aberta era mais uma porta de entrada à tentativa de fazer o ar entrar nos pulmões.
–- Aominecchi, se não parar... E-EU! -- contorceu as pernas tentando afastar meu corpo. -- Por favor, Aominecchi!! -- puxou meus cabelos na direção oposta a qual eu seguia.
–- Isso dói, eu já disse. -- fui até seu rosto.
–- Se me obedecesse quando peço para parar isso não aconteceria mais. -- tomou meus lábios carinhosamente. Roçando seu corpo no meu enquanto o fazia. Tomando a atitude de segurar minhas digitais tomou-as em sua boca.
Tinha os olhos fixos aos meus no tempo em que fez. Ou somente os fechava para gemer fraco no ato simplório. Fazendo com que eu até o acompanhasse com baixos ofegos. São só dedos, Aomine seu animal. Eu repetia.
Liberando minhas falanges não partiu o fio de saliva que ainda os uniam. Deslizei o dedo babado por seu ventre e encontrei sua entrada, escorrendo-o para dentro. Retirei dele uma careta quando o segundo seguiu e comecei a movimentá-los devagar.
–- Isso é mesmo tão necessário? É vergonhoso.
–- Quando você deixar de fazer caretas, ou derramar gotas de lágrimas deixará de ser. -- beijei sua testa.
–- Não dói mais tanto... E-.
–- Kise, eu não vou machucar você. Compreenda isso. -- passei a mão em sua franja, direcionando-a para trás de sua cabeça.
Uni nossas mãos, enlaçando nossos dedos, e os trouxe para cima, descansando-os ao lado de seu rosto. Suas pernas se fixaram em minha cintura, e forcei-me para dentro, tomando seus lábios para não ver seus olhos se apertarem no incomodo que criei.
–- Eu estou bem, Aominecchi. -- sussurrou, sorrindo de leve logo depois. Tragando fortemente o ar, seu corpo relaxou um pouco mais. Seu quadril se remexeu sensual em minha direção, mordendo o próprio lábio suspirou em satisfação.
Voltei com meu corpo poucos centímetros, voltando novamente. Comecei a repetir o processo impondo gradativamente mais e mais velocidade, juntamente a força que me conduzia. Seus gemidos e pedidos como meu combustível a continuar frenético.
Suas mãos soltaram as minhas, se conduzindo às minhas costas, abraçando-me, imprensando meu peito contra o dele. Seus gemidos diretamente em meu ouvido, com o deslizar de suas unhas sobre minha pele. Diminui o ritmo, ouvindo não mais os altos ‘gritos’ de antes, mas baixos ronrono, seguidos de beijos e mordidas em meu pescoço, sussurros de incentivo, palavras de baixo calão.
Emaranhei meu nariz por seus fios loiros, aspirando seu perfume, voltando a estocá-lo como antes. Chocando nossas coxas em cada vez menos segundos no cronometro, a cabeceira da cama colidindo contra a parede de hora em hora. Envolvi seu membro esquecido mais uma vez na mão.
–- N-Não...! N-Não as duas coisas de uma vez. -- tentou impedir-me, mas suas mãos desfaleceram sobre meus cabelos para um puxão aos seus lábios.
As mordidas carinhosas fizeram por um momento a coisa toda selvagem tomar um ar de rosas. Seu olhar não era mais faminto e ansioso, mas termo e pedinte por mais prazer. Mas esse mesmo olhar logo desfaleceu em um contorcionismo pelo orgasmo que batia na porta, e com isso não demorou a que sentisse seu interior se apertar em volta de minhas investidas, meus dedos sujos de sua semente. Suas bochechas se tornaram mais rubras quando me viu levá-los à boca, e ele teria reclamado se não fossem minhas estocadas para calá-lo.
Apertei suas coxas, sentindo o familiar formigamento por meu ventre, os impulsos contra o corpo do outro eram mais violentos, e isso só cessou quando me senti jorrar por seu interior. Ouvindo-o gemer ao ser preenchido, e um urro meu se foi escutado junto. Amoleci minha coluna, caindo por cima do Ryota com seus braços ao meu redor, cercando-me em um frágil abraço carinhoso.
–- Me desculpa, eu deveria ter vindo para casa. -- deslizei a mão em seus cabelos.
–- Esqueça isso, está bem? Farei o mesmo. -- segurou meu rosto para me beijar de forma calma. -- Amo você, Aominecchi. -- sorriu sem dentes, daquele modo infantil que só ele sabe fazer.
–- Idiota. -- abracei-o, tirando parte de seu corpo do colchão, como se quisesse trazê-lo para meu colo. -- Eu amo você.
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