Notas iniciais
Heey! Sei que levei uma caralhada de tempo, de séculos até finalmente colocar esse capítulo, mas fazer o que, a minha pessoa não fazia a minima ideia do que escrever. Essa é uma verdade incontestável, e claro depois do final de Kuroko bateu aquela bela bad. :c Esperando com aquela ponta de esperança que eles resolvam fazer anime do Extra Game, que por falar está levando tanto tempo para sair que na boa :cc Chateada com essa situação. Bem, eu queria ter terminado antes, mas como disse além de não ter o mínimo de noção de como terminar, ainda estava com o empenho de concluir uma outra :3 Deu certo, ao menos ~ E cá estou. Gostei do final da história, algumas coisas em aberta é proposital, mas isso não é novidade huehuehuehue. Bom, é isso, até as notas finais ~

Já se passaram alguns bons meses desde que Kuroko e eu contamos aos pais dele que estamos nos relacionando. Ainda sou tratado daquela mesma forma a qual eles propuseram. Sou apenas um amigo de seu filho. Não que isso me incomode, claro que não, é melhor do que ser destratado ou até mesmo proibido de vê-lo. Porém, de certa forma, fico a pensar em quando decidirmos levar as coisas mais a fundo. Sei que é cedo para cogitar essa ideia, assim como seus pais falaram... Vai que o Tetsu resolve que deve ter uma família. Mas uma dita como a verdadeira, com mulher e crianças. Filhos que não terão medo do Tetsu #2. Sei que não deveria estar pensando nisso. Me sinto um pouco bobo em vez ou outra sentir um pouco inseguro com relação ao nosso relacionamento, mesmo quando estamos indo tão bem. Agora nas férias da escola, e apenas com o treinamento do time como responsabilidade, temos muito mais tempo para nos divertirmos juntos do que antes, obviamente. Já passamos alguns dias na casa de seus pais, e foi bem desconfortável, não deixei isso claro para o outro, até porque não quero que ele pense que tenho algum problema com os sogros, de maneira alguma. Só é coisa da minha cabeça. Pensar de mais não ajuda em nada, percebo que isso não funciona somente quando em quadra, mas na vida fora dela é bem pior do que perder um jogo. E claro, esses pensamentos só começaram a surgir quando o Kuroko entrou na minha vida, porque quando não, ah, quando eu não o conhecia bem, eu não pensava em como deveria agir ou coisa parecida. Na verdade, as coisas passaram a mudar bastante quando me mudei para o Japão, aí sim digo que tive não só a minha rotina mudada drasticamente, como o meu modo de pensar. Normal, não? Adequação ao novo ambiente.

Descobrir que o Tatsuya está com alguém também foi reconfortante, tinha a certeza de que não precisaria me preocupar com o meu ex morando agora no mesmo país que eu depois de tanto tempo distante. E como diz o Kuroko, vai que ele ainda não havia superado a nossa separação. Já que foi algo tão repentino e assustador para ambos. Estávamos indo bem. Bem até demais, tínhamos até pensamentos de irmos morar juntos quando o colegial acabasse. Era uma ideia bastante promissora, até a decisão de que eu teria que me mudar para literalmente o outro lado do mundo.

— Em que você tanto pensa, Kagami-kun?

— Eu? Nada. — passei a mão na testa, não havia notado a sua presença no quarto.

— Nada? — ele sorriu de leve. — Se o que diz é verdade, o que eu acabei de falar quando entrei aqui?

— Ah. — cocei a nuca. — Não faço a mínima noção.

— Então, ainda quer que eu acredite que não foi nada? — dobrou a cabeça para o lado.

— Estava pensando em tudo desde o mês em que contamos aos seus pais sobre nós. E como pode ser no futuro, não sei, coisas bem inúteis para falar a verdade. — suspirei, e, além disso, ocultei a parte de pensava na minha relação com o Himuro, mesmo que o pensamento não tenha sido nada grave.

— Eu concordo com o fato de ser inútil. Acredito que algo para eles já deve ter mudado. Quantos meses já se passaram desde aquilo? Cinco? Nós somos estáveis, Kagami-kun, e isso não deve ter passado despercebido.

— Claro que não. — abracei suas costas quando ele deitou em meu peito. — Mas ainda assim, me sinto inseguro quanto ao que podem achar sobre isso. Depois da reação que presenciamos deles, eu espero qualquer coisa. Desculpa estar falando algo assim, são seus pais afinal.

— Não se preocupe, não é nada diferente do que eu penso às vezes. E não nego que tenho medo, principalmente quando sou chamado até lá, ou quando recebo uma ligação surpresa dizendo que a conversa é urgente. Ainda aguardo o dia em que dirão que eu devo mudar, ou que não será mais possível o nosso relacionamento. Entretanto, depois de nossa conversa, não acredito que sejam tão hipócritas ao ponto de nos separar, não irei aceitar algo assim. E deixei essa opção bastante clara.

— E me surpreendeu fazendo isso. — apertei um pouco mais forte. — O que dizia quando entrou no quarto?

— Iria perguntar se poderíamos trazer o Tetsuya dois para cá. — ergueu a cabeça encarando meus olhos.

— P-Pra cá?

— Sim.

— Por quê?

— Para levá-lo aos treinos, como fazíamos antes... Ele é a mascote do time, e nunca mais deu as caras. Acho que até o próprio sente falta dos outros.

— Eu não sei, Kuroko.

— Vamos, Kagami-kun, você precisa perder esse seu medo do pobre animal. Ele não vai lhe fazer mal algum.

Ele tem razão, mas é claro que tem. Tenho o triplo do triplo do tamanho do cachorro, e sendo assim não faz o mínimo de sentido que eu tenha algum medo dele. Porém, enfrentá-lo assim tão de repente não me parece também uma boa ideia.

— Eu posso pensar sobre isso?

— Claro. Só não leve o ano todo tomando uma decisão. — sorriu um pouco mais do que anteriormente. — O que quer fazer hoje? Já que a Riko liberou a todos do treinamento.

— Treinamos duro a semana toda. Merecemos um descanso. Você quer sair? Eu planejava ficar em casa e assistir a algum filme com pipoca.

— Eu até que gostaria, mas ficar em casa não me parece ruim. Podemos chamar alguém para nos fazer campainha? Para quem sabe dormirem aqui? Há tempos não fazemos algo desse tipo.

— Claro, por que não? Quem pretende chamar?

— Pode ser uma surpresa? — ergueu as sobrancelhas de modo maroto.

— Hahahaha. Mas claro, pequeno. — selei sua testa, ele levantou após isso, indo para algum lugar onde pudesse ligar ou talvez passar uma mensagem essa tal pessoa. Não demorou em que voltasse, trazendo um sorriso consigo. — E então, sobre o nosso convidado?

— Estarão aqui as quatro.

— Não vai me dizer quem é?

— Não, não direi. E a propósito, são convidados, no plural.

— Espero que não esteja planejando uma festa de arromba sem o meu consentimento.

— Vem, vamos à locadora pegar alguns filmes. — estendia a mão em minha direção.

A estação esta ajudando em sua temperatura, os dias são claros e quentes, apesar de que as noites certas vezes são cruéis. Mas não temos neve faz um tempo, somente chuva, o que tem acontecido quase sempre por conta do clima. Então, a noite é bom ter um climatizador e cobertas.

Quando chegamos à locadora de filmes, Kuroko foi direto à prateleira de filmes de terror. Eu franzi a testa, esse não é bem o estilo favorito dele.

— Ei, tem certeza disso?

— Não vou pegar somente esse gênero. E um dos nossos convidados gosta.

No final das contas, tínhamos quase um de todos os estilos disponíveis lá. Exceto que uns três a mais eram de terror ou suspense. Na volta pra casa, passamos em um mercado para comprar salgadinhos, sorvete e doces. O pensamento de ser o Murasakibara a pessoa que ele convidou passou em minha cabeça, porém, tinha quase a certeza de que ele não chamaria o Himuro até lá, ainda mais para passar a noite.

— Kuroko.

— Hum?

— Você não chamou o Murasakibara e o Himuro, chamou?

— Ah, talvez. Eu não vou dizer quem é, Kagami-kun.

Quando a campainha tocou no horário marcado por Kuroko, o acompanhei até ela, mesmo sendo completamente sem necessidade, porém a curiosidade falou mais alto. Quando a maçaneta fora destravada e que ela finalmente se fez aberta, somente vi um vulto amarelo passar por mim e um leve gritinho com a frase “Kurokocchi!!” permaneci olhando para frente, até me focalizar no moreno alto ali parado.

— Aomine?! — pisquei algumas vezes.

— Yo. — coçou a nuca. Tinha algumas sacolas plásticas na mão, e uma mochila no ombro.

— Kise? — olhei para o lado, o azulado estava sendo amassado num amontoado de loiro e roupas vermelhas.

— Kagamicchi. — sorriu para mim, mas não deixando de continuar abraçado com o outro.

— Oe, Kise, você vai matar o Tetsu desse jeito. — o puxava pela gola da camiseta enquanto passava por mim em direção a cozinha para colocar o conteúdo das sacolas em refrigeração.

— Aominecchi! Deixe-me falar com ele, faz tempos que não nos vemos.

— Aomine e Kise? — comentei com o outro.

— Sim. — ele parecia feliz com a visita, e devo dizer que gostei da sua escolha.

Ajudei a guardar algumas latas de refrigerante dentro do refrigerador, se bem que o sorvete fora usurpado de minha mão pelo Kise que praticamente correu para a sala, Kuroko foi em seu encalço com uma colher em punho. A mochila fora levada para o quarto junto a do loiro.

— Kise parece uma criança. — Aomine encostou as costas na borda da pia.

— Não é um motivo para que você não goste dele.

— Idiota. — revirou os olhos. — Não pudemos conversar sobre a sua ida na casa dos pais do Tetsu, como foi?

— Um pouco pior do que ele e eu esperávamos. Na verdade, eu não sabia o que esperar, porém fui pelo que o Kuroko me dizia de ambos, e não pareciam más pessoas, e não que sejam.

— Eles não aceitaram?

— Não. — suspirei. — Disseram que lá serei tratado como um amigo e nada mais, e claro afirmam que o filho um dia vai querer formar uma família de verdade. Foi um pouco chocante essa segunda parte. Assim como escutar que ele voltaria para casa deles, e que sairia do basquete. — passei a mão nos cabelos. — Me mandaram embora de lá, porém o Kuroko tomou a frente, e com isso conseguimos o que eu disse sobre o modo de ser tratado. É melhor do que sermos obrigados a não nos ver mais de maneira alguma.

— Sinto muito. Gostaria que houvesse sido como aconteceu conosco.

— Com os meus pais seria assim, mas eu não seria tão escroto como você.

— Ah. — ele ainda riu.

— Essa sua frase poderia ter levado tudo a perder.

— Por quê? Eles querendo ou não eu iria continuar com o Ryouta. — ergueu a sobrancelha. — E se vocês dois não fizessem isso, seria muita idiotice.

— Não sei como poderíamos fazer funcionar.

— Mas é mais molenga do que pensei, Kagami. Como vocês estão?

— Muito bem. Ficamos algum tempo com algumas desavenças por conta de que o Himuro veio para o Japão, mas depois de tudo explicado, as coisas se organizaram.

— Himuro? Da Yosen? O que tem ele?

— Nós namorávamos nos Estados Unidos. — desviei o olhar.

— Hahahaha! Mas quem diria Kagami! O Tetsu ficou com ciúmes?

— Muito. — segurei o riso, apesar de não gostar do que aconteceu, lembrar de como ele ficou quando soube do Tatsuya e sua volta, foi divertido, não esperava tamanho ciúmes vindo dele. — E você e o “Xerox” ali?

— Vamos bem, até demais. — coçou a nuca. — O Kise é infantil às vezes, mas se não fosse isso não seria ele.

— Ainda não entendo como ele te atura na mesma casa e juntos, claro. — ele fez cara feia.

— Tsc, vou ignorar o que acabou de dizer. Então, porque esse convite no dia de hoje?

— Fomos liberados do treino, o Kuroko queria sair, mas devido ao cansaço ficar em casa é com certeza a melhor opção. Ele pediu para ligar para alguém e não me disse quem. Foi surpresa ver vocês na porta.

— O Kise aceitou por nós dois. Não era o que eu planejava para o dia de hoje, mas está valendo como uma boa distração. — olhava por cima do balcão em minhas costas. — Eu vou indo tirar da mão das crianças o pote de sorvete. — começou a caminhar em direção aos dois sentados no sofá conversando divertidamente. — Vocês não vão tomar isso tudo, vão? — pegou o vasilhame.

— Aominecchi! — Kise levantou. — Devolve. — estendeu a mão.

— Não. — o sorriso sádico nos lábios do moreno me fez querer rir, Kuroko me encarou como se perguntasse se eu compactuava com aquele show. — Não quero você doente. Ainda tem sessões essa semana, e jogos, não quero ouvir do seu capitão que a culpa foi minha por ter te deixado tomar um pote inteiro de sorvete praticamente sozinho. — voltava à cozinha para colocar o pote dentro do congelador.

— Aominecchi...!! — choramingava.

Sentei ao lado do azulado. Aomine quando voltou sentou ao lado do Kise que ainda choramingava com a colher suja na mão. Daiki torcia os lábios na hora de responder, não estava realmente irritado como tentava passar, só queria deixar o Kise bravo. No final das contas, não havia mais sorvete para ninguém e o primeiro filme fora colocado no DVD.

— Tetsu foi você quem escolheu comédias românticas?

— Sim, Aomine-kun.

— Não tinha algo pouco pior?

— Não são tão ruins.

— Tem razão, são horríveis. — concordei.

— Kagami-kun! — recebi um fraco soco no peito.

— Sinto muito, mas estou falando sério.

— Por que vocês dois não vão fazer qualquer coisa que não seja ficar reclamando? — Ryouta começou a falar. — Voltem quando fomos assistir a um filme de suspense ou terror. Kurokocchi e eu assistiremos aos que gostamos.

Aomine e eu nos entreolhamos.

— Não. — ele franziu a testa.

— Então façam silêncio. — Kise se aconchegou um pouco mais perto do namorado que passou o braço por seu ombro.

— Tsc. Ninguém merece. — vi um pequeno sorriso no loiro.

Puxei o outro pela nuca para encostar sua têmpora em meus lábios. Fui abraçado pela cintura, e sua cabeça descansou em meu peito, suas pernas estavam jogadas por cima de meus joelhos.

Fizemos alguns jogos depois de outro filme que tirava a paciência do Aomine. Porém, foi melhor do que o que assistimos primeiro. No jogo do momento, brincamos de verdade ou desafio. A minha pergunta vai pra o jogador de Touou que escolheu verdade.

— Aomine, — seu olhar quase me mata. — diga para o Kise algo que gosta e algo que te faz querer matá-lo. Não vale dizer que gosta de tudo e que não há nada para querer trucidar sua vida.

— Ah. — coçou a nuca, o loiro virou-se para ele havia expectativa em seus olhos. — Eu detesto quando fica bravo e não me diz o que fiz. — olhava nos olhos castanhos claro. — E, eu gosto quando... Oe, Kagami tenho mesmo que fazer isso?

— Claro que sim, Aominecchi.

— Eu gosto quando... Quando diz que me ama no final do sexo ou quando estou desprevenido. — vimos às bochechas do Kise se colorirem, e jurava ter visto uma pequena coloração diferenciada nas maçãs do Aomine. — É isso, pode girar essa coisa outra vez.

O Kuroko ficou envergonhado em responder as perguntas ou fazer as coisas que o Aomine lhe lança como desafio do que ele escolhia. E devo admitir que foi ainda mais divertido ver suas caras e bocas diante da brincadeira. Não diferente do Kise que se expressava de umas maneiras bem peculiares.

— Kurokocchi, qual foi a coisa que o Kagamicchi fez que te deixou mais triste?

Ele piscou um pouco antes de responder.

— Não me contar que o Tatsuya estava no Japão... E que eles iriam se encontrar para conversar...

Senti o peito apertar. Sabia que de fato isso havia mexido com o outro, mas o Kise trazer uma pergunta dessa à tona foi algo que eu não esperava. E muito menos esperava que essa fosse a sua resposta. Tudo bem que o loiro não sabe do acontecido, mas... Oh, droga, o que eu faço agora? Há um silêncio estranho aqui presente. Isso me lembra quando estávamos na lanchonete junto ao Murasakibara e Himuro. Desconfortável, no mínimo.

Escutei ele suspirar. Depois de erguer a cabeça perguntou aos outros se ainda queria continuar a brincadeira. Ouvindo um não dos presentes, tomou a garrafa e a levou para a cozinha. Abrindo a geladeira e tirando o pote de sorvete de lá, convidou o Kise para o quarto.

— Que história é essa? — Aomine se recostou contra a base do sofá.

— A que eu te contei, que havíamos tido um desentendimento.

— Não falou a ele que seu ex tinha voltado e que iriam se ver?

— Estávamos na casa dos pais dele. Tensão o suficiente para colocar o ex namorado nela, não acha? Quando resolvemos tudo e que voltávamos para casa do treino, o Himuro apareceu, e o resultado foi um Kuroko puto.

— Não precisa nem dizer o quanto. Só o modo como ele respondeu a pergunta já foi suficiente para perceber. E agora ele foi conversar com o Kise sobre isso.

— Deixa-os lá. O Tetsu não tem com quem desabar essas coisas. Então, é bom saber que ele confia no Kise para isso. — cocei a nuca. — Ah, quer comer alguma coisa? Está ficando tarde, eu deveria preparar o jantar.

— Larga de ser certinho, — deu um riso de lado. — estamos aqui para comer porcaria e assistir a filmes de mesma categoria. Vai ficar se preocupando em cozinhar?

— Por que eles? — perguntei quando vim ao quarto e Kise fora até a sala.

— Gosto do Kise-kun. E do Aomine-kun.

— Só por isso?

— Precisa de tantos motivos assim?

— Não, claro que não. Posso fazer outra pergunta? — sentei no lugar da cama que o loiro antes ocupava, o sorvete ainda estava ali.

— Mais uma você quer dizer.

— Que seja. — joguei os ombros. — Você ainda está chateado por aquilo do Himuro? — ele suspirou. — Me desculpa, achei que estávamos bem.

— Estamos bem, Kagami-kun. Sou só eu que não consigo esquecer. Ainda mais o fato de que o julguei antes de saber do que realmente planejava. Eu não quero fica mal ou discutir hoje nem agora. Ainda mais porque temos visitas.

— Não quero ficar adiando isso, Kuroko. Olha quanto tempo já se passou e somente fiquei sabendo do que ainda sente agora.

— Se não fosse pela pergunta do Kise-kun não ficaria sabendo. Respondi sem pensar, logo em seguida vi a besteira que fiz.

— Não entendo o que ainda sente sobre…

— Nem eu. — sorriu pequeno, levando uma colher do gelado na boca. — É complicado. Na verdade, é bem difícil me interpretar quando se trata de você. Desde que nos conhecemos e que comecei a sentir essas coisas quase não me reconheço mais. Seja por ciúmes ou o sentimento de querer estar perto. Até enfrentei os meus pais. Coisa que jamais faria em sã consciência. Ainda sou eu, mas ao mesmo tempo completamente diferente e isso me perturba. Pois não consigo me entender. Tenho vontade de te odiar por me fazer assim.

— Sabe o nome disso? Amor, pequeno. Mas apesar de tudo, sabe que é livre para ir a qualquer momento.

— Um dia eu vou, Kagami-kun. — ele sorriu pequeno outra vez, admito sentir o meu coração bater mais forte. — E irei perguntar se não gostaria de me acompanhar. — encarou meus olhos. — Não chegou a achar realmente que te deixaria para trás em algum momento, não foi?

— Eu. É, eu pensei.

— Bobo. — estapeou de leve minha têmpora. — Isso não vai acontecer.

— Espero que não. — passei o dedo na borda do pote de sorvete. — Isso é bom.

— Sim, bom demais. — levava outra colher na boca.

— Olha...

— Quê?

— Me desculpa... Não, na verdade, me perdoa pelo que fiz.

— Você não tem mais culpa de nada. Só sou eu. — passou os dedos pela minha nuca, sua testa na minha. — Eu prometo esquecer. — me beijou outra vez. — O que os outros estão fazendo?

— Eu não sei. Sei o que estamos fazendo.

Afastei a vasilha da frente de suas pernas, aproximando de seu rosto para tomar o lugar da colher que sempre ia em direção aos seus lábios.

Kise

— Aominecchi. Isso não é lugar para você estar me agarrando dessa maneira.

— Cala a boca um pouco, Kise.

— E se o Kurokocchi ou o Kagamicchi aparecer?

— E daí? Vai dizer agora que eles não sabem o que é um beijo? — o moreno ergueu uma sobrancelha.

— Vai me deixar constrangido.

— Hahaha. Me poupe. — passou a mão nos fios curtos. — Está bem, faremos do seu jeito. — retirou o braço que passava por meu ombro, recolhendo-o para os bolsos, voltou os olhos para o filme que passava.

Deitei com a cabeça ao lado de seu braço. Ele estava me provocando ignorando-me desse jeito. Puxei uma de suas mãos do bolso, enlaçando nossos dedos. Fiquei a olhar para aquele contraste de tom de pele, a forma como nossas falanges se misturam. Seu polegar acariciou o dorso de minha palma. Consegui sorrir mínimo.

"Eu gosto quando... Quando diz que me ama no final do sexo ou quando estou desprevenido. Talvez esse fosse o momento para pegá-lo sem preparo.”

— Aominecchi...

— Hum? — parecia desinteressado.

— Não é nada.

— Como não?

— Não sendo.

— Nasci ontem, Kise?

Foi a minha vez de rolar os olhos.

— Não posso chamá-lo sem que haja um motivo aparente?

— Com você nunca é isso.

— Ah.

— Sempre que me chama assim é pra dizer algo. Principalmente uma besteira.

— Ei.

— Que foi? É a verdade. Você sempre diz besteiras, Ryouta. Isso não vai mudar. E se mudar, eu deixo você.

— O que quer dizer com isso? — pisquei algumas vezes.

— Além de tudo, é lerdo. — suspirou. Rindo logo em seguida. — Não é algo que a sua cabeça loira possa acompanhar.

— Esta me insultando, Aominecchi?

— Oh, você percebeu? — riu mais.

— Isso não é justo. — tentei o estapear. Fui segurado ambos os pulsos.

— Não justo é o que esta fazendo comigo. — mordeu meu lóbulo. — Agora me deixe te beijar, Kise. — beijou minha bochecha, sua voz era arrastada. — Tenho vontade de te levar para casa agora. Iríamos direto para o quarto. Suados da corrida que faríamos para chegar logo ao apartamento... Ainda ofegantes as roupas seriam tiradas. — sua palma correu devagar pelo meu peito por baixo da blusa. — Eu iria beijar você inteiro, cada pedaço de pele... Faríamos amor, Kise. — voltou a sussurrar em meu ouvido.

— Ei, não diga essas coisas, não estamos em casa, então não faça promessas.

— Como iria querer? — um laço em minha cintura, apertando minha pele, além de que ele havia ignorado o que eu disse. — Do seu jeito ou do meu?

— Do seu jeito...

— Ah, estão estaria selvagem, Kise? Tem certeza que não gostaria de sentir as coisas acontecerem bem devagar?

— Pedi para parar de dizer essas coisas... Esta me deixando agitado.

— Temos um quarto aqui, sabia? Basta que seja... Si-len-ci-o-so. Acha que consegue? — pôs a mão em minha boca a tapando. Balancei um não, ele sorriu. — Você não tem jeito. — seu sorriso era diferente. — Faremos do seu jeito quando chegarmos em casa. — segurou meu queixo levantando meu rosto para um beijo calmo. — O que queria dizer para mim? — olhava intensamente em meus olhos.

— Que eu amo você.

— Eu disse que seria mais uma das suas besteiras. — juntou levemente nossos lábios. — E eu amo as suas besteiras, seu lerdo.

Sorri de leve, completando o beijo.

— Caham. — ouvimos atrás de nós. Senti a barriga ficar fria, assim como minhas bochechas vermelhas.

— Desculpe interromper o momento de vocês -

— Ah, bem que vocês poderiam ir pro quarto e fazer o mesmo. — Aomine coçava a nuca, lhe dei uma cotovelada. — O quê? É sério.

Depois desse pequeno momento de vergonha, não tanto assim, continuamos com a nossa noite. Filmes, guloseimas, mais sorvete para o Kurokocchi e eu, com algumas reclamações vindas do outro, mas que eu estava ignorando. E claro, dentro disso tudo, quando fomos dormir, quase pela manhã, o Aominecchi não deixou de ainda assim tentar alguma coisa.— Vamos para casa hoje, então, não.

— Kisee...

— Não, Aominecchi. Já basta eles terem nos pego naquele momento não tão íntimo, imagina se nos escuta fazendo algo assim. De maneira nenhuma.

— Está bem. — virou meu corpo de costas, abraçando minha cintura. — Boa noite, Kise.

— Boa noite.

Para a tristeza do Aomine, o Kuroko e o Kagami nos convidou para passar o resto do final de semana. E claro, eu não poderia negar.

Realmente não fazia muito sentido, afinal de contas essa noite é uma proposta de algo diferente do cotidiano que vivemos.

Notas finais
Então foi isso. Realmente sinto muito pela enorme demora que levei para colocar esse capítulo. Eu tenho um pequeno não tão pequeno problema com essa questão de finalizar uma fic. Mas é isso, espero que tenham a curtido como eu :33 Até quem sabe uma próxima deles. ~ Kissus e bye bye ~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!