Luna Leste ou L.L. era a prisão do Caos. Que não só abrigava prisioneiros, mas os punia, sem pausa de acordo com a punição. Um lugar tão sombrio e perigoso quanto o Tártaro.

Lá estavam todos aqueles que ameaçavam a balança da vida e assim eram punidos pelo exército da entidade suprema.

Luna Leste era protegido por duas guardas Lany e Lama , semi primordiais tendo como pai Eros.

As gêmeas de 1500 anos eram mais que especiais. Lany era cega, mas conseguia sentir qualquer presença dentro e fora do Vazio. Era quase impossível pega-la de surpresa. Lama era muda, mas ouvia qualquer coisa em qualquer lugar.

O tempo de punição em Luna Leste variava e algumas criaturas nem eram libertadas para sair, pois eram cruéis demais para coexistir até mesmo com deuses.

Se alguém fosse libertado seus poderes eram completamente anulados e então era mandado como mortal para terra. Claro que isso só acontecia com quem não seria mais uma ameaça. O que todos sabiam ser tão raro quanto verem Atena se casando com Hades. O que também não era impossível se Caos e Ordem quisessem.

Perseu quando viu Luna Leste sentiu todo o corpo vibrar, ele só não sabia se era pela energia maligna que aquele lugar emanava ou pela adrenalina de imaginar uma luta com qualquer ser preso ali.

— Bem-vindo a prisão do nosso senhor. — Mhara que estava ao lado do tenente disse.

— Uma curiosidade, porque não mandamos para o Tártaro? Sabe já estive por lá...é horrível.

Azula se colocou no meio dos dois.

— Acho que Caos chama isso de não mexer com o filho. Coisas de família sabe? Além disso ele queria se vingar de não sem quem por isso “Luna”.

Perseu assentiu ainda meio confuso.

— Não tente entender Caos, e o mesmo que tentar entender por que o Edward Cullen brilha. — Corvo disse fazendo todos os generais reviraram os olhos com a comparação.

— Bom somente eu, Corvo e Perseu vamos entrar — Zaan disse arrastando uma criatura de sete cabeças e duas bocas de tubarão para a entrada de Luna Leste.

A entrada onde as gêmeas ficavam lembrava muito um buraco negro, sugava tudo que se aproximava com força. Seres mais fracos poderiam morrer sufocados.

Corvo apresentou Perseu as gêmeas Lany e Lama, mas elas nem se mexeram.

— Elas são tipo a guarda inglesa, raramente se mexem, só imagino a dor nas pernas que isso não da. — Zaan disse e eles riram enquanto Corvo falava mais alguma coisa com as duas guardas.

— Você capturou, você dá a sentença Zaan.

— Indeterminado, nível 3.

Luna Leste era separada em níveis, quanto mais fundo maior a dor da punição. O nível doze era o último

— Beleza, se prepara Jackson que agora fica divertido.

Corvo disse adentrando na prisão. Quem tinha a bênção da entidade podia entrar e sair dali livremente e sem dor.

Perseu passou pelas gêmeas e entrou naquele lugar que era indescritível.

Era tudo escuro, mas os gritos eram altos e contínuos.

O filho de Poseidon seguiu pelo que se podia chamar por corredor, dos lados havia celas, mas era impossível se ter noção do que tinha ali, a escuridão ali era uma entidade, não um status.

Percy não viu mais Corvo depois que entraram, mas acompanhou Zaan até o nível três.

O tenente percebeu que apesar de estar andando reto ele estava descendo, e somente Caos sabia onde aquilo dava no final. Porque ninguém, nem mesmo Mhara já havia ido até o doze.

Quando Percy saiu se reuniu com os outros generais e tenentes que decidiram ir por ser a primeira visita do filho de Poseidon.

— Sinistro, não é? – Dede questionou – Quando vim pela primeira vez fui até o nível cinco, nunca ouvi tanto grito.

— As gêmeas, Lama e Lany, elas são parte do exército? Porque nesse tempo...eu não sabia delas – Percy comentou curioso

— Não, elas são exclusivamente guardas da entrada de Luna Leste. Filhas de Eros que vieram a pedido do próprio Ordem. – Mhara respondeu, Samir ficou encarnado as duas enquanto sua general falava.

— Samir é caidinho pelas gêmeas. – Zaan zoou recebendo um cutucão de Luli.

Samir deu de ombros, enquanto Perseu reparava que elas pareciam bastante normais se não fosse a fita preta na boca de uma e nos olhas da outra. O cabelo de ambas era branco como neve, e se destacavam mesmo com a escuridão que cercava aquele lugar.

Eles conversaram mais um tempo, já que Corvo ainda estava dentro da prisão.

Corvo demorou a voltar, seu tenente ficou curioso com o sumiço, mas a face dela deixava bem claro que não queria ouvir perguntas.

***

No Vazio o tempo, não era tempo. Lá anos, eram dias na terra.

Perseu não soube quanto tempo realmente havia passado para os olimpianos, talvez três ou quatro anos. Mas ali no Vazio já havia passado 30 anos. Anos esses que o tornaram forte, poderoso e tão retardado quanto qualquer outro membro daquele exército de seres.

Corvo havia se tornado mais que um general, ela era sua irmã mais velha. Ela sempre cuidava dele. E Mhara era uma tia rígida e exigente, mas que sempre estava lá para te ajudar.

Dede, Zaan e Samir eram seus grandes amigos. Azula sua irmãzinha mimada e Luli estava lá sempre que precisava ouvir a verdade, mesmo que doesse.

E tinha Caos e Ordem...Perseu admirava todas as facetas de seu mestre, por razões diferentes, é claro, já que eram bem diferentes apesar de um só. Caos mais parecia um menino a ser cuidado e zelado, já Ordem era um pai sempre firme e convicto. Mas era impossível duvidar do poder de qualquer face da entidade.

Percy saiu dos seus pensamentos com um berro alto.

— JACKSON!

Corvo estava descabelada e mais pálida que o normal.

— Meu chocolate, quem comeu meu maldito chocolate. Rafaello! Cadê ele?

Corvo podia ser como sua irmã mais velha, mas era realmente insuportável na TPM.

Nunca irrite uma mulher de 300 anos na TPM, era o que Percy repetia a si mesmo nos últimos 30 anos ali no Vazio.

— Desculpe Corvo, eu não vi...e não comi. – O tenente disse o mais suave que pode e os olhos de Corvo que já estavam vermelho sangue faiscaram.

— DEDE!

A general saiu batendo o pé furiosa.

— Ei tenente! – Quill disse surgindo junto com os outros cinco soldados.

A relação de respeito entre eles era enorme, os soldados se orgulhavam imensamente de ter Perseu como tenente.

— Oi pessoal!

— Ela estava tão brava quanto parecia? – Paul perguntou se referindo a Corvo.

Percy assentiu rindo.

Corvo era poderosíssima, mas assim como qualquer mortal e deusa entrava na TPM. Algumas vezes ninguém notava, outras era insuportável se aproximar da general.

Nas piores “crises” ela chorava, ria, batia e é claro comia como uma louca.

O grupo ouviu um barulho alto de explosão.

— Ela encontrou alguém para descontar a raiva. – Kaim disse depois de uns minutos e os outros assentiram.

***

Azula e Caos cantarolavam uma música enquanto pulava em direção aos jardins.

— Senhor? – Perseu chamou alguns passos atrás da dupla.

— Ohh filho de tubarão, quer brincar de montar cães infernais?

— Não senhor, vim informar a pedido de Corvo que Jhamaz foi capturado e condenado a 300 anos no nível quatro de L.L.

— Eita...300 anos?

— Corvo foi quem determinou.

— Entendo...ele era realmente genial para um gigante. Tudo bem.

Caos percebeu que algo incomodava Perseu.

— Aconteceu algo mais?

— Nã... É só que havia uma energia estranha em Luna Leste. Corvo também percebeu, mas não disse nada.

Caos internamente parabenizou o menino, ele era sensível o suficiente para notar algo errado em um lugar com uma aura tão maligna. Mas Ordem ficaria bravo, se algo fosse feito por agora. O melhor era esperar e ver como as coisas deveriam ser conduzidas.

— Entendo, mas relaxe...Por enquanto as gêmeas dão conta de tudo.

Caos saiu ao lado de Azula que se manteve muda, sem dar tempo de Percy comentar o “por enquanto” na frase de seu senhor.

Perseu sabia que algo estava para acontecer, só não tinha como imaginar o que era.

***

Jamal sorriu, apesar de alguns dentes lhe faltarem. As torturas diárias no nível oito de Luna Leste havia desfigurado o belíssimo deus. Mas nada que atrapalhasse ou impedisse ele de se vingar.

Ele sairia dali e não demoraria muito...E todos pagariam, principalmente Ordem e Zeus.