Highway To Hell

11 Capítulo 7: Feliz aniversário, Freddie


Notas iniciais
Então, eu sei, ainda to viva :/
Mas eu tenho q dizer q parte da culpa foi do seriado Dr. Who o qual eu acabei me viciando nesse mês q eu passei longe. Alguém aí é fã? A outra parte foi a complexidade do capítulo que realmente deu a mim e a hévila mt trabalho...
P.S.1: Sr. Dellavechia, I beg your pardon, pela demora, eu não me esqueci que vc andou me perturbando esse mes, pedindo por uma atualização. Continue assim, me ajuda mt uma lembrança de vez em quando u.u
P.S.2: Eu SEI que o aniversário do Freddie é em fevereiro, mas please, vamos fingir q é em janeiro, pq tem q coicindir com as férias deles, ok?
P.S.3: Esse é o penúltimo capítulo da fic, provavelmente só mais um capítulo e um posfácio. Eu sei, I miss you already T.T
Enfim,
ENJOY!

Ele acordou naquela manhã com frio. O corpo dela o aquecia do vento frio de janeiro que estrava pelas cortinas azuis. Abriu os olhos de supetão, tateando em meio aos lençóis, procurando por ela. Nada.

Sentando-se rapidamente, vasculhou o quarto de hotel com os olhos, o coração acelerando: geralmente quando Sam entrava em ação alguma confusão acontecia. E ele não podia aguentar mais nenhuma confusão que ela causasse. Não quando ainda tinha pesadelos com aquela noite em Los Angeles, o fogo lambendo seus pés e Sam perdendo sangue demais. E, principalmente, não no dia de seu aniversário.

Suspirou, levantando-se. Passou a mão pelo rosto, tentando espantar qualquer vestígio de sono que ainda lhe restasse. Precisava pensar direito. Onde ela poderia estar a uma hora dessas? Olhou o relógio de pulso jogado na mesinha de cabeceira. Já passava das onze da manhã. Ele levantou as sobrancelhas. Tinha dormido tanto assim? Com certeza ela não estava tomando café, concluiu.

Então, onde a loira tinha se metido?

Resolveu vasculhar o quarto à procura de alguma pista que lhe dissesse onde Sam poderia estar. Por fim, encontrou um post it grudado na porta com um bilhete dela. A letra era apressada e dizia:

"Saí para resolver algumas coisas na cidade. Não quis te acordar. Ah, e peguei o Mustang. Não se preocupe, vou tomar cuidado, eu prometo. Tem o resto do dia de folga. Divirta-se,

Sam."

–Como se eu fosse conseguir me divertir sem você aqui. — Freddie murmurou, ligeiramente contrariado.

Deu de ombros, tentando conter a irritação que a falta dela causava nele, ainda mais num dia importante para ele como aquele. Isso além preocupação com o carro. Afinal, era de Sam que estávamos falando. E o velho Mustang já tinha sido alvejado, quase perdido num racha e ensanguentado, tudo por causa da bela demônia por quem ele estava apaixonado.

Tinha acabado de sair do banho quando batidas na porta o sobressaltaram. Vestindo-se rapidamente, Freddie correu para a porta, gritando um 'já vai' apressado. Ao abri-la minimamente, deu de cara com um entregador. Era alto, moreno e magro. Vestia um uniforme fino de uma loja de marca e segurava duas sacolas nas mãos:

–Fredward Benson? — perguntou polidamente.

–Sim, sou eu. — respondeu, abrindo um pouco mais a porta, franzindo o cenho para o homem.

Aquilo cheirava a Sam. O que ela estava aprontando?

–Entrega para o senhor. — sorriu educadamente, levantando as duas sacolas.

Freddie pegou os pacotes cuidadosamente, como se tivesse algo de perigoso ali dentro. Pôs as sacolas no chão e voltou-se para o entregador. Este havia tirado uma prancheta debaixo do braço e o entendia para o garoto:

–Assine aqui, por favor. — orientou, indicando com um movimento rápido do indicador uma linha tracejada.

Quando o entregador já havia ido, Freddie levou os pacotes para a borda da cama e, de pé, contemplou-os. Um era vermelho, com o mesmo logotipo caprichado que estava inscrito na camisa do homem. O outro, e seu estômago deu uma volta de prazer, era azul, pertencente à boa e velha PearCompany.

Tomando coragem, ele abriu o segundo. Dentro da sacola havia duas caixas idênticas e ele riu de satisfação. Dois PearPods, como Sam havia lhe prometido no começo da viagem, pouco tempo antes de entrarem no bar do Harry. Podia até ouvir sua declaração com clareza, ameaçando-o friamente. Achou que um já era suficiente, claro. Mas ele entendia o que o presente duplo queria significar: significava que Sam tinha palavra. Podia ser uma mentirosa, mas que cumpria suas promessas.

Abaixando as caixas, ele franziu o cenho para o primeiro pacote. Sabia que, o que quer que ela estivesse tramando, tinha a ver com aquele outro presente. Estranho como a convivência o havia treinado em prever os passos dela.

A sacola era grande e continha uma caixa igualmente grande. Era branca, simples, amarrada com uma fita do mesmo vermelho da sacola. Desfazendo o laço, ele levantou a tampa e viu o que parecia ser um smoking preto dobrado, uma gravata borboleta caprichosamente colocada no colarinho de uma camisa branca social.

Sobre o tecido havia um papel dobrado:

"Freddie,

Eu sei que deve estar se perguntando o porquê de tanto mistério, mas eu realmente queria fazer uma surpresa para você este ano. Sabe, para agradecer por tudo. E não, isso não é nenhuma pegadinha.

Também sei que já achou os dois pearpods um presente exagerado (isso aí, a mamãe aqui também pode ser generosa de vez em quando, não abuse), e deve estar se corroendo por dentro de curiosidade para saber o que tem a ver o smoking com tudo isso. Prometo que vai entender tudo depois, apenas aproveite o dia e, às oito, quero que vista-se e me encontre no endereço no verso da página. Prometo que não vai se arrepender,

Com ódio,

Sam.

P.S: Feliz aniversário, nerdão."

Ele podia sentir um sorriso espalhando-se por seus lábios enquanto relia o papel. Ela tinha lembrado, afinal. Para ele aquilo já era tudo. E ele se perguntou se todos aqueles anos em que Carly tinha que lembrá-la da data não eram puro fingimento da loira. Será que aquilo tinha dedo da Carly também? Seria bem típico da morena.

Balançando a cabeça para clarear a mente, ele baixou o papel sobre o edredom, as mãos levantando o tecido caro do smoking:

–Black tie. — ele murmurou — Mas para quê?

Deu de ombros, guardando os presentes. Seu estômago começava a protestar, então ele simplesmente desceu até o restaurante, almoçando sozinho. Quando finalmente deixou sua mesa e rumou para a recepção, duas garotas loiras, um ou dois anos mais novas, que passavam as férias no mesmo hotel, lançavam-lhe vez ou outra uma olhadela de reconhecimento e, por fim, se aproximaram e o cumprimentaram, sacando uma máquina fotográfica tão rapidamente que Freddie mal teve tempo de pôr um sorriso educado no rosto.

Ele se lembrava delas, pensou enquanto tirava as fotos. Freddie e Sam tinham acabado de chegar ao hotel um pouco tarde da noite, Sam resmungando que estava com fome e ele tentava controlar a paciência e a dor de cabeça. Fizeram o check in e as portas do elevador estavam prestes a se fechar na frente deles, quando mãos apressadas as seguraram e duas garotas resfolegantes entraram. Freddie teve que segurar o riso quando viu as duas garotas arregalarem os olhos e empalidecerem à visão deles. Era engraçado como às vezes ele se esquecia que era conhecido. Sempre achara exagerado a reação dos fãs, principalmente depois da webcom, quando quase o fatiaram ao meio. O pensamento o fez perder a vontade de rir. Se elas fossem que nem as fãs da webcom, com certeza o episódio se repetiria, e ele não tinha certeza se queria experimentar a sensação de novo. Ainda mais com aquela dor de cabeça pulsante. Contudo, manteve a expressão educada, lembrando-se de ser gentil, sorrindo timidamente para as garotas. Sam, entretanto, não estava tendo muito sucesso em esconder a irritação e, se antes ela tinha uma careta no rosto, tinha posto uma carranca para as garotas, claramente sinalizando que não estava a fim de conversa. As duas captaram a mensagem, mas ele ainda podia sentir a excitação das duas, que elas tanto tentavam reprimir.

Passaram algum tempo conversando no saguão do hotel. Ele gostava da conversa, mas a falta de Sam já começava a incomodá-lo.

–Espera, mas onde está a Sam? Ela não estava com você ontem à noite? Eu pensei que você estivesse viajando com ela. — a garota à sua frente perguntou num jato. Sabrina, era esse o nome dela — Quer dizer, depois do show do AC/DC, todo mundo ficou sabendo. E então nós vimos vocês dois juntos ontem. — ela explicou, meio na defensiva.

–Ah, sim, é verdade. — ele admitiu curtamente, achando melhor confirmar logo.

–Espera aí. Mas você está viajando sozinho. Com a Sam. Sem a Carly. Você não era apaixonado por ela? — a outra garota loira disse vagamente, como se tentasse descobrir a lógica daquelas frases. Ele não conseguia lembrar o nome dela — Então por que está viajando com a Sam? Vocês estão juntos agora? — ela metralhou, inclinando-se para ele e dando um passo em sua direção, totalmente interessada no assunto.

Ele pôs as mãos nos ombros dela e sorrindo sem jeito, forçou-a gentilmente a dar um passo para trás, desconfortável com a proximidade. Já podia sentir os rumores se espalhando. Pensou rápido, tentando achar um jeito de contornar a situação. Mas ele foi salvo pelo, aparentemente, pai das meninas, que surgindo dos elevadores, gritou apressado, pedindo que elas se juntassem a ele.

Freddie deixou escapar o fôlego que ele nem sabia que estava segurando. Passou a mão pelos cabelos, nervoso. Aquilo era mau, muito mau. Sam o mataria quando ficasse sabendo dos rumores que ele, involuntariamente, tinha deixado se formarem.


Caminhou pelas ruas de San Diego, procurando matar o tempo que restava até que ele precisasse encontrar Sam. Preferiu não visitar os pontos turísticos da cidade, era algo que ele queria fazer com a loira. Por fim, tomou um táxi e foi até o shopping. Visitou lojas de tecnologia e comprou um smoothie, sentando-se em um banco aleatório e observando o movimento dos corredores, sempre apinhados de gente. Olhou as horas em seu recém adquirido pearpod e levantou-se com um suspiro. Seis e meia. Até que enfim, pensou. Já estava pronto para morrer de tédio.

De volta ao hotel, caminhou rapidamente até os elevadores, as mãos nos bolsos, pensando no que a noite lhe reservava. Arrumou-se distraidamente e não pôde evitar os olhares curiosos em sua direção enquanto caminhava pelo hotel arrumado no lustroso smoking que Sam lhe comprara. Aliviado por evitar os olhares, ele jogou-se no táxi e disse o endereço para o motorista.

O táxi rumou a leste, tomando uma rodovia estreita, Freddie entendeu que estavam indo a uma espécie de ilha, mas ligada por uma estreita faixa de terra ao continente: era a rodovia que pegavam agora. Em uma placa que pairava sobre a rodovia, ele leu: "Bem vindo a Shelter Island". Ele observou a os carros passando e os barcos ancorados na marina ao lado, sentindo a curiosidade aumentar. Dobraram em mais algumas ruas no interior da ilha, passando por um museu, até chegar ao seu destino. Quando o táxi finalmente parou, agradeceu ao motorista e lhe deu uma nota.

O lugar era chamado Humphrey's by the Bay.

http://www.nileguide.com/destination/san-diego/restaurants/humphrey-s-by-the-bay/532767/photo-gallery/photo-532767#title

Caminhou pelo caminho de concreto ladeado por palmeiras e plantas arbustivas cuidadosamente podadas, até chegar a uma espécie de entrada de vidro com um arco triangular de madeira acima de sua cabeça. Ao passar pelas portas de vidro, percebeu que se encontrava em uma sala ricamente decorada, uma espécie de recepção. Encaminhou-se até a hostess, que tinha uma pasta preta de couro nas mãos, verificando os nomes de um casal tão bem vestidos quanto ele em uma lista. Ela acentiu para eles, guiando-os até uma outra porta de vidro que, Freddie percebeu, dava para o ar livre. Ela digiriu-se a ele e Freddie, tentando conter o nervosismo, sorriu timidamente para ela:

–Estou aqui para me encontrar com Sam Puckett. — ele explicou.

A hostess passou os olhos na lista, perguntando por fim:

–Freddie Benson?

No que ele acentiu, ela abriu um sorriso gentil e indicou com a mão:

–Por aqui, por favor. — e o guiou até mesma porta de vidro, abrindo para ele.

Freddie não pôde conter o som de admiração que lhe escapou pelos lábios. O lugar era magnífico. Sam tinha se superado. Era uma espécie de teatro ao ar livre, misturado a um restaurante. Mesas e mais mesas espalhavam-se ao longo de três corredores de mesas dispostas. Garçons iam e vinham apressados. Mais à frente, havia uma espécie de palco com uma pequena orquestra e um piano organizados. A iluminação verde e rosa contrastrando com a natureza do lugar, composta de plantas e mais plantas caprichosamente postas. A oeste se via a marina e o mar escuro. O lugar todo tinha um aspecto rústico e luxuoso ao mesmo tempo. Freddie sorriu. Definitivamente Sam tinha se superado.

Sentindo que o observavam, ele virou o rosto para o lado. Sua respiração lhe falhou por alguns segundos. Sam vestia um vestido vermelho de um ombro só na altura dos joelhos, com uma fenda em uma das coxas. Nos cabelos, um coque alto e caprichado, com alguns fios escapando. Um batom vermelho nos lábios e calçava um salto fechado preto.

Ao ver Freddie, ela lhe lançou um sorriso gentil, quase esquecendo que estava aborrecida com ele por causa do atraso. Mas ela concordou que era difícil ficar irritada com alguém que ficava tão bem de smoking. Caminhou até ele, satisfeita por ver sua cara de admiração tanto em relação ao lugar e em relação a ela. Sentia-se cansada pelo dia corrido, mas, à visão dele, o único pensamento que conseguia ter era de que aquilo tinha valido a pena.

Abriu os braços, perguntando com um sorriso fácil:

–O que acha?

Ele a olhou de cima a baixo, uma sobrancelha levantada, avaliando-a estarrecido:

–Incrível. — ele murmurou.

Ela gargalhou da nerdisse dele:

–Na verdade, eu estava me referindo ao lugar, mas obrigada pelo elogio. — ela riu e rolou os olhos — Vamos, nub. — e passou o braço pelo dele, guiando seu caminho entre as mesas.

Sentaram-se em uma bem à frente, apenas uma fileira de mesas do palco, onde a orquestra tocava uma espécie de salsa:

–Dia de música latina. — a loira explicou, dando de ombros ao ver Freddie encarando interrogativamente o palco.

Quando ele voltou seu olhar para ela, algo em seu estômago revirou-se. Ela tinha os cotovelos apoiados na mesa, o queixo sobre as mãos, encarando-o com aquele sorriso enviesado que demonstrava que ela tinha algo em mente.

O jantar em si passou bem rápido. Assim que se sentaram à mesa, um garçom se materializou e, anotando os pedidos dos dois, retirou-se, trazendo o jantar pouco tempo depois. Conversaram a noite toda. Freddie agradeceu pelos presentes e Sam riu quando ele lhe contou sobre a conversa que tinha tido com as garotas mais cedo no hotel. O que estava ótimo para ele, já que ele pensava que, por causa disso, iria ser a próxima vítima da tão temida meia de manteiga. Ela lhe contou sobre seu dia, disse que Carly havia ligado para Sam mais cedo na esperança de desejar a Freddie um feliz aniversário, mas como os dois não estavam juntos o dia todo, ela havia prometido ligar no dia seguinte já para o número novo de Freddie.

E de novo aquela dúvida rondou a mente de Freddie. Teria aquilo tudo alguma participação de Carly? A curiosidade era grande, mas ele preferiu não perguntar para Sam.

Algumas horas depois, quando o movimento estava no auge, Freddie se sentia um pouco mais à vontade, fato que não passou despercebido por Sam. A hora é essa, pensou a loira. Sorrindo diabolicamente, levantou-se de sua cadeira graciosa e sedutoramente, sempre sendo acompanhada pelos olhos de Freddie; e estendeu a mão para o moreno:

–Me concede esta dança? — ela perguntou num tom de brincadeira.

Freddie levantou as sobrancelhas para ela, surpreso demais, como se perguntasse se ela estaria fazendo mesmo aquilo. Chocado, percebeu que Sam olhava sugestivamente para o maestro, sorrindo cúmplice em sua direção. O homem assentiu uma vez.

–Não, não, não. — Freddie balançava freneticamente a cabeça, tentando puxar Sam de volta para a cadeira — De jeito nenhum eu vou passar essa vergonha. Estava calmo demais para ser verdade, eu devia saber que você estava aprontando alguma — ela continuava a lutar contra seu aperto, chamando atenção das mesas vizinhas — Senta, Sam! — ele meio sussurrou meio gritou para ela.

Ela, ao contrário, apenas ria do desespero dele. No final ele ia acabar cedendo, ele sempre cedia. Então se utilizou de um golpe baixo. Inclinou-se sobre ele, pondo o rosto a centímetros do dele, e sussurrou:

–Por favor, por mim, Freddie? — funcionava com Carly, e ela queria testar se funcionaria com ela também. Vibrou por dentro quando viu sua resolução se abalar.

– Além do mais, eu sei que você costumava fazer aulas de dança mãe e filho com a Louca, além das aulas de cerâmica. — ela endireitou-se rolando os olhos, e o puxou pelos braços num movimento rápido, pondo-o de pé — Acha que eu ia pedir para que você fizesse isso se eu não soubesse que você é capaz? A mamãe aqui tem uma reputação a zelar, nerd. E eu não saio dançando com qualquer amador. — argumentou, e saiu gingando na frente dele.

Quando estava a alguns passos distante, ela se virou, percebendo que não estava sendo seguida:

–Você vem ou não? — perguntou por cima do ombro.

Freddie ainda gemeu uma vez antes de acompanhá-la. Iam pagar um mico daqueles.

Enquanto subiam as estreitas escadas que davam para o palco, sentiu os olhares perfurando suas costas. Sam já estava lá em cima conversando animadamente com o maestro. Conversavam como se fossem velhos amigos ou como se aquilo já estivesse combinado, concluiu com horror. Sam ia pagar por aquilo.

Pararam na frente do palco, um encarando o outro:

–Você entendo o quanto eu estou te odiando agora, não é? — Freddie riu, nervoso.

Sam riu curtamente, a música começando a tocar:

–Tango? — Freddie sussurrou com horror. Ela já estava abusando das habilidades de dançarino dele. Só dançara aquilo uma vez na vida, há muito tempo, em uma das desastrosas aulas de dança que ele fizera com a mãe.

A loira deu de ombros, despreocupadamente:

–Estilo de dança favorito da mamãe, ué.

E estalou os dedos. Como se aquilo fosse um comando, Freddie enlaçou a cintura dela com um dos braços, e sua outra mão voou, tomando a dela:

–Confie em mim. — ainda escutou a melhor amiga deixar escapar antes que eles se movessem.

Trilha: (El Tango de Roxanne) http://www.youtube.com/watch?v=iW71-sVyMzM&feature=related

Dizem que você só é bom mesmo em alguma coisa se você consegue passar seus conhecimentos para alguém. Sam era a palavra viva daquele ditado. E Freddie estava aprendendo na prática a dançarina fantástica que ela era. Os movimentos dela eram suaves e firmes nos momentos certos.

No começo ele teve dificuldade em acompanhá-la e o tempo todo dava olhadelas para os pés, evitando pisar no salto dela. Sam gentilmente levantou o queixo dele de modo que ele olhasse em seus olhos agora num tom próximo ao turquesa. Um vez capturado pelo olhar dela, ele se viu completamente rendido. Esqueceu-se do mundo ao redor quando mergulhou no mar que eles eram. Seu corpo reagiu ao dela, e ele passou a acompanhá-la sem dificuldade, os corpos se movendo como um, o roçar delicado e sensual de peles, o calor da respiração acelerada dela em seu rosto.

Moviam-se cada vez mais rápido, reagindo à urgência da música e ele sentiu que aquele era o momento mais passional de sua vida. Os olhos dela estavam mais escuros agora, ele percebeu vagamente, os lábios vermelhos entreabertos, quase implorando pelo toque dos dele. Ele estava diante daquela outra Sam, Freddie percebeu. Era a poderosa, confiante Sam que às vezes aparecia para ele, torturando-o, deixando-o morrendo de vontade dela. Era a mesma que tinha dançado para ele no restaurante árabe, a odalisca. Ela era uma das faces da Sam, e ele se perguntou se algum dia conheceria a pior inimiga por completo. Ali, olhando nos olhos escuros dela e sentindo como se eles o puxassem mais e mais para ela, ele percebeu que conhecê-la era tudo o que ele mais queria, corpo e alma.

De repente, com um movimento final, rápido demais, a música chegou ao fim. Ficaram ainda encarando um ao outro como numa espécie de transe, a respiração ofegante, absorvendo a intensidade daquele momento. Seus olhos desceram para os lábios dela, tão próximos, tão tentadores. Mas ele foi trazido à tona pelo barulho das palmas que vinham da plateia completamente extasiada. Levantou o olhar, quebrando o feitiço que os olhos dela causavam nos dele e sorriu agradecendo os aplausos, afastando-se um pouco de Sam por precaução.


***

O caminho até o hotel foi silencioso. Pediram a conta em silêncio, com medo até de olhar nos olhos um do outro.

Trilha: http://www.youtube.com/watch?v=6La-Si4c4UI

Entraram no elevador e o cubículo nunca pareceu tão claustrofíbico para Sam. Seus pensamentos rodavam em sua mente como um turbilhão. O coração batia acelerado e suas mãos tremiam tanto quanto ela se esforçava para contê-las. Fechou os olhos, tentando se controlar, mas se arrependeu. A imagem dele estava gravada em sua tela mental, impedindo-a de se concentrar em algo diferente.

(Você tem estado em minha cabeça,

A cada dia me sinto mais afeiçoada

Só pensando em seu rosto,)

Desde que os olhos dele deixaram os dela depois de terem dançado, liberando-a do transe que o chocolate dos olhos dele provocavam nela, ela se sentia aterrorizada. E ela se perguntara se já tinha se sentido tão nervosa assim. Por que, naquele momento, tinha percebido que precisava mais dele do que tinha imaginado, que sentia algo por ele que ultrapassava qualquer noção de sentimento que ela já tivesse experimentado algum dia. Era esse sentimento que estava preso em seu peito e que lutava tão insistentemente para libertar-se que ela teve medo que aquilo a consumisse. No entanto, ela lutava para manter aquilo enjaulado. Era quase um reflexo natural quando se tratava de sentimentos. Mas ela perdia a guerra contra ela mesma. Rápido.

(Me perco no tempo,

Só Deus sabe porque levei tanto tempo a acabar com as minhas dúvidas,

Você é o único que quero)

Ela sabia o que poderia libertá-la. O toque dele, o amor dele era o que a libertaria. Mas as dúvidas dela ainda persistiam em sua mente, impedindo-a de se mover, à medida o elevador subia. O medo de se entregar era grande demais. Não tinha como saber se ele sentia aquilo tão desesperadamente quanto ela. Pela primeira vez na vida, teve medo de arriscar. Hesitava em olhar nos olhos dele e descobrir a verdade.

(Eu não sei porque eu estou assustado,

Já senti isso antes,

Cada sentimento, cada palavra,

Já imaginava tudo

Você nunca vai saber se não tentar,

Perdoar seu passado e simplesmente ser meu)

De repente, ela ponderou se ele percebia a guerra que assolava por dentro, enquanto ela tentava permaner estática, quase indiferente por fora. Sentiu os olhos dele nos dela, queimando sua nuca, e ela percebeu que ele entendia. Mal sabia ela que ele havia se tornado um expert em fazer uma leitura corporal dela. Ele sabia exatamente quando ela o permitiria beijá-la vez ou outra nos lábios, principalmente depois de São Francisco. E mal sabia ela que ele sentia a necessidade dela tão forte quando ela sentia dele. A única diferença é que ele estava disposto a arriscar.

As portas do elevador se abriram com um 'ding' característico, dando no corredor vazio do andar deles. Sam deu um passo à frente, sendo impedida quando a mão de Freddie se fechou gentilmente sobre a dela. A mão dele subiu pelo seu braço, deixando um rastro de fogo onde ele a tocava, parando, por fim, na curva do pescoço dela, acariciando de leve com o polegar. Fechou os olhos apreciando o carinho. Ela não queria, não podia olhá-lo:

–Sam... — ele chamou, num suspiro quase inaudível.

(Te desafio deixar-me ser sua, a verdadeira e única

Prometo que sou merecedora

De ficar em teus braços.

Por isso me dê uma chance!,

Para provar que eu sou a única que pode fazer essa caminhada,

Até o fim começar.)

Ela estremeceu ao som do nome dela na voz levemente rouca dele. Xingando-se por dentro, ela abriu os olhos. Então aquele era o momento que ela vinha evitando uma vida inteira. Freddie Benson havia vencido Sam Puckett. Porque ao encontrar o ohar dele ela se rendeu a ele. Achava que o toque dele a libertaria. Ela quase riu, porque nunca esteve tão errada e tão feliz ao mesmo tempo. Um segundo se perdendo naquele rosto glorioso cessou a batalha travada em seu peito e ela se precipitou para ele, sedenta. Os lábios dela esmagaram os dele, tamanha a urgência. Ele a abraçou, apertando-se contra ela, como se toda a distância fosse impossível. Os lábios dela se moviam aos dele numa harmonia perfeita. Rindo baixinho ainda sem quebrar o beijo, e com medo de chamar a atenção dos outros hóspedes, atrapalharam-se com o cartão magnético que abria a porta. Freddie empurrou a porta com o pé e suspendeu Sam, que enlaçou as pernas ao redor da cintura dele.

(Se eu estou em seu pensamento,

Voce lembra das palavras que digo,

Se perde no tempo,

Ao ouvir meu nome,

Será que vou saber como é ter voce por perto,

E ouvir-te dizer que vais comigo para o caminho que eu escolher?)

Livraram-se das roupas mais devagar do que o possível, graças à falta de jeito e à pressa dos dois. Riam cada vez mais alto quando zíper vestido dela emperrou, ou quando a camisa dele insistia em não se desabotoar, as mãos se chocando de vez em quando. Ele a deitou na cama, beijando-a apaixonadamente. Ela não se sentia envergonhada, tão certa era a familiaridade do toque do corpo dele sobre o dela.

(Eu não sei porque eu estou com medo,

Já senti isso antes,

Cada sentimento, cada palavra,

Já imaginava tudo,

Você nunca vai saber se não tentar,

Perdoar o passado e simplesmente ser meu)

Ela perguntou a si mesma se merecia se sentir assim. Se merecia que ele correspondesse a ela tão intensamente. De repente, sentiu remorso pelo passado, por todos os anos maltratando-o. No entanto, no momento em qu a ideia surgiu em sua mente, ela sabia que estava perdoada. Sorriu contra seus lábios com a descoberta do fato. Ainda assim, enquanto ele descia os lábios em direção à sua cicatriz no braço recém curada, beijando delicadamente, Sam sentia que ainda faltava algo. Ela sabia o que era. Afinal, era impossível ignorar quando as três palavras arranhavam sua garganta, e o pensamento de dizê-las crescia cada vez mais prazeroso assim como os lábios dele contra sua pele. Sentiu que explodiria se não dissesse. Suspirou, em expectativa:

–Freddie. — ela chamou baixinho, tentando conter mais e mais suspiros que ameçavam subir por sua garganta, em resposta ele.

–Hmm? — ele murmurou distraidamente contra seu pescoço.

–Eu te amo. — ela disse num jato de palavras.

(Te desafio deixar-me ser sua, a verdadeira e única

Prometo que sou merecedora

De ficar em teus braços.

Por isso me dê uma chance!,

Para provar que eu sou a única que pode fazer essa caminhada,

Até o fim começar.)

Freddie levantou a cabeça do pescoço dela rapidamente, as sobrancelhas levantadas. Entendia o significado e o quão difícil era para ela dizer aquilo. Por isso se sentia tão surpreso. Ela o encarava em expectativa, e a demora dele em dizer algo fazia com que ela quisesse se chutar em arrependimento. Passado o choque inicial, seu rosto relaxou em um sorriso de lado. Ele riu do nervosismo bobo dela:

–Eu também te amo, Princesa Puckett. — e desceu os lábios beijando seguidas vezes o exato lugar onde o coração dela palpitava desenfreadamente.

(Eu sei que não é fácil desistir do seu coração,

Eu sei que não é fácil desistir do seu coração,

Ninguém é perfeito,

(Eu sei que não é fácil abrir mão de seu coração),

Confie em mim eu aprendi,

Ninguém é perfeito,

(Eu sei que não é fácil abrir mão de seu coração),

Confie em mim eu aprendi,

Ninguém é perfeito,

(Eu sei que não é fácil abrir mão de seu coração),

Confie em mim eu aprendi,

Ninguém é perfeito,

(Eu sei que não é fácil abrir mão de seu coração),

Confie em mim eu aprendi)

***

Freddie e Sam acordaram no dia seguinte com o toque estridente do celular. O sol subia alto no céu, e Sam percebeu que apenas algumas horas mais cedo o tinha visto nascer nos braços de um sonolento, mas sorridente Freddie. Ficaram acordados até bem tarde, ora conversando ora perdendo-se em carícias.

Ela abriu os olhos e gruniu uma vez, não suportando mais o som do irritante toque. Cutucou Freddie com o braço, e o mandou atender, certa de que se fosse ela, o partiria no meio. E ela não precisava gastar dinheiro com mais nenhum celular, obrigada. Ele protestou uma vez, cobrindo a cabeça com o travesseiro. Somente quando ela o empurrou com o pé para fora da cama, ele desistiu, levantando-se do piso frio e resmungando baixo.

Atendeu o celular de Sam, sem antes ver no visor que quem ligava insistentemente era Carly. Com a demora ela já deveria estar surtando:

–Alô? — ele chamou cautelosamente, preparando-se para o sermão.

–Freddie, até que enfim!– Carly meio gritou meio suspirou, claramente aliviada — Eu estava começando a pensar que tinha acontecido alguma coisa! Essa mania da Sam de nunca atender o celular! Você não tem ideia do quão perto eu estive de ligar para sua mãe ou para a polícia!

Freddie, rolou os olhos, enquanto o sermão continuava. Percebeu os olhos de Sam sobre si, uma sobrancelha levantada maliciosamente enquanto observava seu corpo exposto. Rindo uma vez, ele pegou uma almofada de um sofá próximo, atirando na loira:

–Ei! — Sam protestou.

Oi! Freddie, isso não é engraçado sabia?! – ela subiu o tom de voz, e ele culpou Sam mentalmente — Primeiro os dois fogem, depois não dão nenhum traço de notícia! Eu esperava um pouco mais de consideração da parte dos dois! Vocês são meus melhores amigos.– ela disse, magoada.

Freddie sentiu uma pontada de culpa. Passando a mão livre pelos cabelos, ele explicou:

–Desculpa Carly, nós ainda estávamos dormindo quando você ligou. Foi uma noite... bem cheia. — ele hesitou.

–Como assim dormindo até agora? Já passa do meio dia, sabia? E como assim noite bem cheia?– ela o metralhou com perguntas, de repente interessada.

–Como se você não soubesse. — ele sorriu desdenhoso — Não foi você que ajudou a Sam a preparar aquilo tudo ontem?

Não, pelo que eu saiba eu não ajudei a Sam em nada nos últimos tempos. – ela disse sinceramente — Por quê? O que aconteceu?

Ele se xingou por dentro. Quando Carly queria saber de algo, ela cavava fundo até saber da verdade. Agora saberia o que tinha acontecido entre ele e Sam. Não que ele não fosse contar, mas só não se sentia preparado no momento. Procurando contornar a situação ele disse rapidamente:

–Sabe o que é? A Sam está louca para falar com você, de verdade. Acho que ela pode te explicar isso melhor que eu...

Sam, antecipando as explicações que teria que dar a Carly, arregalou os olhos enquanto ele caminhava na direção dela e lutava para pôr o celular no ouvido da loira.

–Não, não ouse, Freddie. — ela ameaçava, enquanto resistia.

Com um gemido final de rendição, Sam se pôs a conversar com a garota no outro lado da linha, sempre lançando um olhar mortal na direção do moreno.

Eu te odeio. – murmurou para Freddie somente com os lábios, ainda escutando as perguntas frenéticas de Carly.

E eu te amo.– ele murmurou em resposta.

Depois deu as costas para ela e entrou no banheiro, com o propósito de tomar banho e de deixar as garotas mais confortáveis para conversar.

Ele já saiu? – Carly quis saber.

Suspirando, resignada, Sam respondeu:

–Já. — e puxou o edredom sobre o corpo, cobrindo-o.

Então, vai me dizer exatamente o que aconteceu noite passada?– a morena pressionou.

–Nada demais, só levei Freddie para jantar num restaurante de gente rica. — ela explicou, coçando os olhos, procurando demonstrar desinteresse. Assim como Freddie, achava que era cedo demais para contar a alguém, ainda nem tinha caído a ficha direito para ela.

Você está mentindo.– Carly acusou curtamente, cansada de tantos segredos que os dois mantinham dela.

–Como sabe? — desafiou Sam.

Porque você respondeu rápido demais. — e suspirou — Vai me contar ou não?

–Tudo bem. — Sam apertou os olhos, preparando-se mentalmente para o que acabaria de dizer — Freddie e eu... — ela hesitou sugestivamente, não ousando dizer a palavra — ... você sabe.

Ah, meu Deus, Sam! – ela guinchou, surpresa — Eu sabia! Sabia que não iam conseguir manter essa lengalenga por muito tempo! – ela riu, aparentemente orgulhosa por sua previsão ter se cumprido - Sam, estou tão feliz pelos dois, de verdade!

–Valeu, Carls. — foi tudo o que a loira conseguiu dizer.

Mas me diz então: o Freddie é, você sabe...? — interrompeu-se sugestivamente, como Sam tinha feito.

–Incrível, ele é incrível. — ela respondeu, levemente aborrecida com a pergunta da amiga.

Que mania é essa das pessoas fazerem com que esse momento pareça tão desrespeitoso, tão errado? Freddie tinha sido perfeito com ela. E ela não conseguia se lembrar de algum momento em que tinha se sentido tão amada e tão respeitada ao mesmo tempo.

–Ah, ok.– Carly hesitou, percebendo a leve tensão na conversa - E vocês se protegeram, não é? Diz que sim, Sam, pelo amor de Deus!– Carly surtou.

–Calma, Carly, credo! É claro que sim! Eu posso ter ficado louca por ter me apaixonado pelo nerdão, mas não a esse ponto. — Sam riu, rolando os olhos.

Tudo bem, que bom que está tudo bem, então. Escuta, eu preciso ir agora, Spencer preparou tacos de macarrão.

–Não faz inveja, Carly, estou cheia de fome. — Sam advertiu.

Ah, antes que eu vá, mais duas coisinhas. Deseje feliz aniversário ao Freddie por mim, ele passou o telefone tão rápido que não tive a oportunidade de dizer. E boa sorte quando chegaram a Tijuana, vão precisar. Só um pequeno conselho.

Sam estranhou as palavras da amiga:

–O quê? Mas porquê? Tem algo a ver com a Marissa? — perguntou rapidamente, antes que Carly desligasse.

–Desculpa, Sam, mas já falei demais. Até logo, e manda um beijo para o Freddie! – disse nervosamente antes de desligar, deixando uma Sam apreensiva do outro lado da linha.


Notas finais
One and Only é, na minha opinião uma das músicas mais Seddie EVER. Essa e Time is running out do Muse, vale a pena ler escutando essa música, foi o que eu fiz, pelo menos ;)
http://www.youtube.com/watch?v=ZrujXrB1_aE
Enfim, depois dessa hot, eu quero que sejam sinceras, vcs morreram de diabetes? Pq eu acho q ficou muito açucarado na boa, mas nao conseguir escrever de um jeito diferente.
P.S.4: Não estranhem esse novo jeito de narrar, mas é q eu JURO que eu tentei escrever diferente, mas não consegui. Quero que me digam se preferem este ou aquele modo de narrar, ok?
Algum comentário, crítica, elogio, recomendação nos reviews, capiche?