Mais uma parada.

O clima é úmido, quente, diferente da cidade na qual estiveram anteriormente há pouco tempo, onde o outono já dava indícios da sua chegada.

Está abafado, mas eles já são acostumados com mudanças repentinas e o suor sob o casaco de couro. Eles não duvidam que chova em breve.

Eles estacionam as motos sujas e empoeiradas de tantas estradas já percorridas próximas a primeira lanchonete apresentável que avistam. Já haviam chego, encher o estômago com algo depois de horas de viagem não é uma má ideia.

Eles mastigam e dão goladas em cerveja, observam os arredores, sentem o corpo pesado de cansaço, comentam sobre o novo ambiente em que estadearão pelos próximos dias, da mesma forma que em todas as outras cidades já percorridas por esse tour despreocupado pelas áreas pequenas e tranquilas daquele país, de férias do alvoroço e desassossego das grandes metrópoles.

Assim que deixam o estabelecimento, pensam consigo mesmos que a próxima vez que botarem o pé na estrada será apenas após uns bons dias de novas caminhadas, lugares, experiências e merecidas horas de sono. É o que mais desejam agora.

O hotel é pequeno, simples, rústico, aconchegante. O estilo preferido e mais acessível. A bagagem é pouca e eles não demoram a se instalar. Observam em silêncio o quarto, a paisagem através da janela mediana, sentem o mormaço, dividem um cigarro à beira dela.

Eles não sabem dizer se é a cama ou o chuveiro que é o mais convidativo no momento. Eles concordam que tomar um banho antes de se deitar é, de fato, uma combinação extremamente relaxante.

Eles logo encontram-se no banheiro meio apertado, e conforme as roupas vão ao chão, os olhares cúmplices surgem, e, em instantes, a água morna escorre pelos corpos dos dois junto de carícias, molhando pele e sorrisos e lábios colados um ao outro.

A água quente agora parece refrescar o que está queimando, ardentemente bom, o chuveiro é desligado antes da hora, e eles seguem de volta ao quarto sem a necessidade de abrirem os olhos para saber a direção da cama.

O tempo parece desacelerar como o ritmo de mãos e quadris, o ar é quente e os poros transpiram com ofegos, palavras sussurradas, sangue ribombando mais rapidamente, sons produzidos e reproduzidos, tão iguais a incontáveis outras noites, entoando em seus ouvidos; pele e bocas se roçando e se atraindo como ímã, mãos percorrendo todo canto, cada marca, cada desenho sobre a derme, pontos específicos que fazem espinhas arquearem e vozes falharem, até o momento em que eles atingem o pico.

Os lençóis estão bagunçados, o ar tenta ser recuperado em meio a beijos agora preguiçosos, e o quarto escurece visivelmente por conta das nuvens carregadas se acumulando no céu lá fora, apesar de ainda serem visíveis peles brilhantes, pegajosas, olhares ternos.

Sussurros e sorrisos confortáveis mantêm-se, a exaustão momentaneamente ignorada retorna com maior força, as pernas se entrelaçam e os corpos se abraçam folgadamente antes de ambos pegarem no sono.

A chuva não demora muito a cair.

Notas finais
♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!