Hight Voltage

1 Segunda-feira, 22 de julho


Era de manhã. Eu estava tomando banho. Quer dizer, tentando. Porque a velocidade com que eu me esfregava não deixava nem a água molhar minha pele direito.

Enquanto a água escorria pelo meu corpo e o shampoo fazia espuma, minha ansiedade crescia cada vez mais.

Não era nervosismo. E sim, empolgação. A prova disso era o sorrisão na minha boca que nem a ardência do shampoo conseguiu arrancar.

Essa alegria toda tinha um motivo: a viagem que eu ia fazer já, já.

Quando a espuma finalmente escorreu pro ralo, fechei o chuveiro e saí do banheiro aos pulos, ainda com a água pingando do meu cabelo igual a uma torneira.

Comecei a correr pelo corredor com as duas mãos nas paredes pra não escorregar naquele piso liso, rumo ao meu quarto.

Mas, antes que eu conseguisse entrar, dei de cara com a mamãe na entrada do corredor, só me encarando, enquanto eu sapateava em cima da cerâmica branquinha.

Eu sabia o que significavam aquelas mãos na cintura...

— Tobias! Você tá acabando com o piso! — ela brigou e, na hora, abaixei a cabeça e coloquei as mãozinhas pra trás, tentando parecer santo.

— Desculpa, mãe. Quer que eu enxugue agora? — falei, virando a cara para trás para não achar graça.

— Não. Enxugue depois. Vá se vestir primeiro. É feio um rapaz desse tamanho andar pelado dentro de casa. —

Quando ouvi isso, levantei a cabeça e pulei pra dentro do quarto, enquanto gritava:

— Tá bom, mainha!

Vasculhei meu guarda-roupa até achar minha roupa favorita: uma regata rasgada e um short em que cabiam dois de mim dentro.

Depois de alguns minutos, ouvi três batidas na porta.

Toc! Toc! Toc!

E depois, a voz da mamãe me chamando:

— Tobias? Já tá arrumado? Já estamos de saída. Não se esqueça de passar perfume, viu?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.