No percurso até o barco onde todos iriam se refugiar na ilha esperada por Rika e Miyamoto, as duas mais Jouchi seguiam na frente guiando os demais veículos, Rika mantinha a direção enquanto fumava um cigarro atenta à pista que, por estranho que parecesse, estava vazia e silenciosa.

- Cara, isso aqui é problemático demais, não pensei que pessoas como aquelas estariam no seu pequeno refúgio. Não devíamos ter deixado eles escaparem, quem sabe o problema que aqueles maníacos podem causar, aliás, só entrei com tudo dentro da casa porque vi um sniper maldito em um prédio a alguns quilômetros mirando na sua fortaleza, se não fosse pelo Howard jamais teria chegado até vocês, meu senso de direção não é tão preciso. – Rika jogava a bituca de seu cigarro para fora do jipe, Jouchi se mantinha calado no banco de trás junto a Miyamoto que observava todos os cantos da estrada.

- Se não fosse por vocês, sabe-se lá o que nos teria acontecido. Agora que conseguimos encontrar aqueles jovens... digo, minha filha, a Shizuka-Sensei, isso é realmente um milagre, eu tenho que ser mais forte para protege-la, e agora, com sua ajuda, talvez um raio de esperança possa surgir nessa vasta escuridão. – Miyamoto estava aliviada em ter alguém como Rika ao seu lado. O plano de irem até o navio poderia dar certo, mas ainda faltava um longo caminho, além do mais, havia certas preocupações que eles não poderiam apenas ignorar.

- Sobre a detonação de Tóquio.... é verdade aquilo? Onde você soube isso!? – Jouchi finalmente abria sua boca, mas ainda demonstrava o seu desesperado e atitude esquizofrênica.

- Claro que é idiota, o superior do Howard foi quem disse... todas as áreas estão sendo rapidamente evacuadas, há uma grande concentração de monstros em Tóquio, alguns migraram pra região litorânea de Hokkaido, a maioria dos refugiados estão no norte, mas apenas poucos tem conhecimento da ilha e uma vaga no navio, eu me sinto mal por isso, por ter essa exclusividade, mas ainda assim, há um outro problema. – Rika olhava discretamente para trás, se certificando de que as duas vans estavam no rumo certo.

- E quais seriam? Além daqueles malucos e da detonação de Tóquio... ah, claro, tem também os zumbis mais ‘fortes’, de acordo com o Jouchi-San. – Miyamoto demonstrava ansiedade ao tocar no assunto.

- É difícil de acreditar em algo assim, ainda mais, quando percebo a instabilidade mental do velhote aí. – Rika parecia não se importar muito com assunto, Jouchi se irritava com seu comentário astuto.

- Vocês vão ver! Vão ver o que eu vi! Eles mataram todos rapidamente, isso é verdade porra! – O homem respirava fundo e se silenciava.

- Pode ser mesmo, e Miyamoto-San, há alguém em uma certa vila do leste que pode nos contar. – Rika dizia em um tom de voz mais sério e monótono.

- Contar o quê? – Miyamoto indagava.

- A verdade sobre esse apocalipse.

-

Na van dos jovens, o clima estava um tanto pesado. Takashi não conseguia encarar Rei com naturalidade, depois da noite em que ficaram juntos, os dois pareciam envergonhados, mas a garota, tentando tomar a iniciativa, se aproximava do rapaz e segurava seu braço:

- Takashi-Kun.. acha que vamos conseguir mesmo chegar naquela ilha? Ou melhor dizendo, acha mesmo que é certo deixarmos tudo pra trás? Não sabemos se lá é um local seguro também. – A menina parecia triste, mas confortada, já que podia sentir o calor de seu amado.

- Não se preocupe, eu confio plenamente na Rika e na sua mãe, estamos mais seguros do que antes, isso eu posso afirmar, mesmo que não seja apenas o ‘nosso grupo’. – Por outro lado, o garoto, apesar de suas palavras, mantinha seus olhos preocupados focados em um horizonte que não podia enxergar, ele amava Rei, queria protege-la com todas as suas forças, não só ela mas todos os seus amigos que ali estavam, e como líder do grupo, se sentia acuado em uma situação às cegas.

- O problema maior é outro, vocês ouviram, não é? Só temos 16 horas restantes, temos que levar em conta a probabilidade do navio já não estar mais lá, ou acham que somos o únicos sobreviventes no Japão? – Saeko ainda mantinha uma aura obscura, estava enfurecida com suas derrotas, tanto no amor, como fisicamente, seu sangue borbulhava, mas ela já tinha algo em mente, seu orgulho não a deixaria ser derrotada de maneira humilhante, sem ao menos, tentar dar a volta por cima e revidar.

- Não se preocupem com isso, o navio estará seguro, alguns dos meus homens estão lá, aquela região pode não ser das melhores mas é mais pacífica que o sul, que já está totalmente detonado. – Howard, dirigindo a van, parecia animado e confiante.

- E por sinal, vocês dois não estão muito próximos ultimamente hein!? Você já foi mais independente, Rei. – Saya parecia emburrada com a aproximação repentina da garota para com Takashi.

- Er, bem... o que você tá falando caramba? Eu estou como sempre! – Naquele momento Rei se afastava gradativamente, seu lado tsundere não poderia ser quebrado por sentimentos que ela não gostaria de assumir.

- Se você está com inveja, podemos ficar juntos de uma maneira melhor também Saya-Chan. – Kouta se jogava para Saya mas era golpeado em seu nariz por um forte soco na menina que se estressava mais ainda.

- Hahaha, como é bom ser jovem, me lembro quando tinha a idade de vocês, o que foi a muito tempo, mas é incrível, como vocês sobreviveram até agora, todos vocês tem um dom especial, eu diria. Mas jovens, sei que isso é repentino, mas queria perguntar: Vocês desejam saber a verdade sobre essa catástrofe? – Howard aumentava a velocidade da van, seus olhos se encolhiam enquanto ele mordia rapidamente sua boca.

-

- Você acha que a Rika-San conseguiu chegar na baía? Ouvi dizer que depois da ponte, aquela merda tá lotada de comedores. – Escondidos atrás de uma grande rocha, em um pequeno vilarejo, um grupo de soldados, 12 deles, observavam o movimento dos mortos vivos que pareciam estar em grande número destruindo o que ainda restavam da vila e dos cadáveres jogados no chão, seus corpos eram comidos lentamente até sobrarem apenas ossos e carcaça humana.

- Mano, foda-se ela, nós temos um problema maior aqui. Temos que chegar no alto daquele pico ali, mas olha a quantidade lá embaixo, com nossa pouca munição, será impossível. – Um deles se sentava no chão conformado com a possibilidade de não avançar. A missão deles ali era de chegar até um casa no alto daquele vilarejo, mas haviam vários zumbis espalhados por todos os cantos.

- Não. Há um jeito. Ainda temos um galão de combustível com a gente...

- Espera, essa é a única gasolina que temos pra voltar!

- Ou voltamos sem fazer nada, ou ficamos aqui e cumprimos nossa missão.

- Merda, eu não vou morrer por nada! – Um dos soldados se exaltava, ele pegava seu rifle e partia no sentido contrário da vila.

- Por nada, você diz? Nós podemos descobrir o segredo de todo esse caos! Se recomponham seus filhos da puta, nós somos soldados do Japão, muitos de nossos companheiros morreram lutando, não vamos recuar aqui, nós podemos entrar pra história, mesmo que sacrifiquemos nossas vidas, vamos até lá! – O rapaz que parecia ser o comandante conseguia influenciar os outros soldados com seu discurso, e juntos, eles pegaram o galão de combustível e armaram uma estratégia. Um deles caminhou com o galão até o meio do vilarejo, sendo coberto por três soldados com snipers da parte de cima, todos os zumbis que tentavam se aproximar do homem eram abatidos, ele espalhava a gasolina em diversos pontos, mas logo, os zumbis começavam a se juntar com mais intensidade.

- Cacete, não vamos mais aguentar, a munição tá indo pra bosta.

- Acho que já está bom, Riki, pode voltar! Pessoal, acendam essa porra. – O comandante dava as ordens e um dos soldados deixava um fósforo cair na trilha de gasolina deixada pelo soldado que se arriscou. O fogo começava a subir em vários pontos da vila, queimava várias casas e zumbis.

- E agora? – Perguntou um dos soldados pra seu comandante.

- Agora vamos com tudo. – Sem perder tempo, o homem deu os primeiros passos em direção ao vilarejo. Com ajuda do fogo espalhado eles podiam simplesmente fugir dos zumbis, alguns foram pegos no caminho, mas no fina da vila, 5 homens conseguiram chegar a salvos, e agora, só restaria ir até a casa, já que se tratando de um pico bem inclinado, os zumbis não poderia os seguir.

- O Riki, Utado... Makio... eles não conseguiram.

- Não é hora de se lamentar aqui. Eles lutaram por nossa nação, não podemos desistir agora, não tem nada mais pra nos impedir. Assim que encontrarmos ele, poderemos finalmente acabar com isso. – O capitão esboçava um vasto sorriso em seus lábios, parecia vitorioso de alguma forma.

- Ele, você diz? Kashima Yukio, o homem que sabe sobre a verdade dos zumbis. Parece que ele se isolou aqui nessa vila depois de ser ameaçado, mas não acaba aqui, temos que sair vivos depois de obtermos a informação.

- O oceano está logo atrás daquelas rochas, vocês aguentam nadar? – Um dos homens parecia já disposto em colocar tal ideia em prática.

Todos subiram até a suposta casa de Kahima Yukio, e ao chegarem lá, o homem estava sentado em uma cadeira de madeira olhando para o céu como se estivesse apenas esperando o fim, tranquilamente.

- Você é Yukio?

O rapaz respondia respirando profundamente:

- Estive a sua espera. Fiquei entediado demais aqui, enquanto ouvia aqueles putos gritarem comendo os moradores da vila, não foi nada lega sabe. Mas aqui ninguém podia me pegar, estava de camarote assistindo o derramamento de sangue, e até isso conseguiu me entediar. Bem, eu acho que não tem outro jeito né? – Yukio tirava uma pequena carta do bolso de seu paletó e estendia sua mão para entrega-la a algum soldado.

- Cara, você é maluco? Tem muitas coisas que precisamos saber. Quem está te ameaçando? – Um dos soldados pegava a carta rapidamente, mas antes de coloca-la em seu bolso, Karasuma, o comandante daquele grupo, começava a dizer:

- Muito obrigado, minha equipe, vocês lutaram bravamente até aqui, finalmente, a nossa missão está cumprida. – Pegando um revólver, Karasuma atirava impiedosamente em todos ali, tiros certeiros na cabeça de cada um, exceto de Yukio, que observara tudo perplexo mas, com uma expressão de conformismo.

- Eu imaginei isso. Estava apenas esperando pra ser morto por você, Karasuma-San.

- Não me entenda errado. Não vim aqui pra te matar, vim aqui pelo bem do Japão, pelo bem do nosso mundo. – Pegando a carta do corpo do soldado caído, Karasuma a rasgava. – Seja grato por esse fim, então. – Com dois tiros no peito de Yukio, Karasuma jogada o seu revólver de lado, e se aproximando da beirada daquele pico que levava até os zumbis na superfície plana, dizi suas últimas palavras:

- Essa é... nossa evolução. – O homem se jogava dali caindo no chão e rapidamente sendo devorado pelos zumbis.

- Bastardo... você achou mesmo... que eu não faria nada? – Yukio dava os seus últimos suspiros antes de morrer, mas estava feliz, pois algumas horas atrás, havia posto a verdadeira carta em uma garrafa e jogado no oceano. A carta onde continha toda a verdade sobre os mortos que caminhavam no planeta.

-

O grupo de Rika havia finalmente chegado até a ponte que dava ao porto onde o navio os esperava, mas logo ali, um grande empasse os pegava desprevenidos.

- Mas que caralho... eu bem que poderia imaginar isso tudo. – Rika parava seu jipe e balançava a cabeça negativamente. Em toda extensão da ponte haviam centenas de zumbis, parecendo com que eles foram colocados ali propositalmente.

- Eu não disse? Estava tudo calmo demais, não seria tão simples? – Saeko rapidamente descia da van sem dar explicações.

- Você ainda está machucada Saeko-San, não pode lutar. – Takashi também saía, todos ali estavam preocupados com o que se encontrava pela frente.

- Não diga o que eu não posso fazer. – Saeko olhava de maneira furiosa e fria para Komuro, que recuava e era também repreendido por Kouta.

- Acho que não temos outro jeito de resolver isso, se não indo pro pau mesmo. – Kouta já pegava várias armas e munições caminhando até o veículo de Shizuka e Alice.

O grupo todo se reuniu, e, a poucos metros da ponte, decidiram o que fazer.

- Escutem, falta só atravessar essa ponte pra chegar até o porto, podemos ir nadando, se bem que até sairmos da água vai ter alguns zumbis nos esperando na orla. – Um dos rapazes do grupo de Rika tentava achar uma solução, mas sua ideia não era muito bem vista.

- Assim como você disse, é loucura isso, só precisamos limpar essa ponte, o problema é; Como? Um de nós poderia simplesmente passar com uma van pra tentar abrir um pouco do caminho mas, pelo que eu já notei, são centenas deles, não sei como todos foram agrupados ali, é bem pavoroso, uma simples van não aguentaria tantas batidas, nem mesmo uma Scania. – Saya colocava a mão em seu queixo tentando pensar rapidamente.

- E se fizermos com que a van exploda no meio da ponte? Vários seriam mortos. – Shizuka propunha uma boa ideia, mas sem meios de conduzi-la.

- Não tem como, não temos nenhuma bomba ou munição suficiente pra isso, derrubar a ponte também é impossível. – Miyamoto tentava olhar para os cantos ali procurando alguma saída.

- Ah, foda-se, eu vou nadando mesmo! – Um dos homens de Rika, Okabe, pulou repentinamente na água e junto de sua mochila, tentou chegar até o porto nadando.

- Isso pode dar certo, tem apenas algumas dúzias de zumbis lá do outro lado, se formos em conjunto podemos dar conta deles. – Takashi já se preparava para também se jogar no oceano. Não havia outra saía para chegar ao porto, não perto dali.

- Espere... Takashi-San, o que diabos é aquilo? – Rei segurava novamente o braço de Takashi parecendo assustada. Todos olhavam na direção em que a garota indicava com o seu dedo e viam vários zumbis que estavam na ponte, se jogando na água.

- Como isso é possível!? Que absurdo! – Um dos soldados de Rika não acreditava no que estava vendo. Os zumbis começaram a nadar de maneira bizarra indo em direção a Okabe.

- Okabe-San, saía daí! – Alice gritava inutilmente para o rapaz que mal podia escutar.

- São... eles. SÃO ELES CERTAMENTE! – Jouchi começava a rir de maneira descontrolada. – São os predadores mais fortes, os malditos que me atacaram, eu disse que provaria a vocês, hahahaha! – Todos ali viram os zumbis se aproximarem de Okabe e o devorarem com mais violência do que monstros normais fariam.

- Então é mesmo verdade? Sendo assim, que se foda. Peguem suas armas pessoal, não temos muito tempo. – Rika ordenava um ataque em conjunto, mas Miyamoto se negava.

- Não podemos! Você acabou de ver? Eles não são apenas monstros normais... – Ela olhava para sua filha, e ao mesmo tempo, via Saeko carregando sua katana se aproximar da ponte e arrancar a cabeça de dois zumbis.

- Maldita apressada, não poderia começar sem mim. – Kouta subiu em cima da van e após preparar sua metralhadora 899, começou a disparar contra monstros que iam em direção à Busujima.

Um dos soldados de Rika pegou uma das vans e foi pra cima de vários mortos vivos, ele conseguiu chegar até certa parte da ponte, mas logo fora atacado brutalmente pelos que pareciam ser os zumbis mais fortes.

O grupo começou a lutar contra todos os monstros da ponte, usavam toda munição que tinham, afinal, depois daquele caminho, estava possivelmente, a salvação que esperavam.

- Saeko-San, saía daí, você vai ser atingida! – Saya mirava em alguns zumbis tomando cuidado com Saeko que estava quase na metade da ponte apenas usando sua katana e dilacerando corpos podres.

- Não me atrapalhe apenas. – Ela cortava um ao meio mas, atrás de si, um zumbi parecia a encarar.

- Então, você é um dos especiais, né? – Tentando desferir um golpe contra o mesmo, ele parou sua katana com as mãos, mas ela conseguiu se esquivar. – Valentão, né? – Naquele momento, Takashi e Rei chegavam juntos, usando bastões para darem cobertura a Saeko.

- Não tente fazer tudo sozinha ok? – Rei não olhava diretamente para Saeko, ela golpeava um dos zumbis na cabeça mas parecia não ter surtido efeito algum.

- Que porcaria é essa? – O zumbi a agarrou fortemente, mas Takashi surgiu dando um chute contra o mesmo que caía no chão e logo se levantava como se não fosse nada.

- Esses filhos da puta... – Vários tiros tomavam conta do local, Rika, Kouta, Miyamoto, Saya e os dois soldados restantes tentavam limpar a ponte mas parecia impossível.

- Vamos recuar, estamos correndo perigo aqui. – Takashi segurava no braço de Saeko a puxando com violência para longe dos zumbis que não se cansavam de aparecer.

- Ei pessoal! Eles estão vindo mais rápido! – Alice percebia que atrás de alguns zumbis lentos, haviam 4 que corriam em direção a Saeko, Rei e Takashi, eles possuíam olhares tenebrosos e antes que pudessem chegar até os jovens, um tiro de doze espalhava os miolos de um deles pelo asfalto da ponte.

- Vocês não conseguem nem varrer a porra da rua? Tsc, mas já podem se retirar, parece que vocês acharam um bom ninho de diversão pra gente, não é mesmo, Lúcifer? – Atrás do jipe de Rika, Lúcifer, Satan e Asmodeus, os anjos do apocalipse, decidiram entrar na batalha.

Notas finais
Próximo Capítulo: Depois de conseguirem atravessar a ponte, todos parecem estar mais seguros no navio, mas no fundo a fora as lutas sangrentas ainda continuam, e a verdade sobre os zumbis mais fortes é revelada, um novo campo de massacre é aberto para os sobreviventes.