Highschool Of The Dead - The Last Journey
1 Capítulo 1 - Reencontro dos Mortos
Naqueles tempos de calamidade eu não sabia de uma coisa. Era algo tão ingênuo que nem valia a pena ser citado, mas apenas mais tarde pude perceber o quanto a situação se agravava. Apenas um fato passava despercebido pela cabeça das pessoas. . . O fato daqueles momentos de paz serem apenas reflexo da destruição atrás das paredes que nos cercam.
Enquanto apreciava o céu, que já por infelicidade ou felicidade dependendo do ponto de vista, estava totalmente azul sem aqueles gases poluentes ou outros fatores humanos que degradavam uma bela paisagem em tempos mais remotos, Takashi respirava fundo mas não sem se preocupar com seus próximos segundos consecutivos que ele tomaria dali pra frente. Suas costas já nem doíam mais como no começo, seus pés ficavam inquietos por não estarem mais se movimentando como de costume. Ele jamais imaginou que viveria de maneira tão agitada, talvez nunca esteve tão saudável, em certa época costumava até ser meio sedentário, mas no rumo onde as coisas chegaram, podia-se dizer que virara até um esportista olímpico.
- Por quanto tempo pretende ficar aí parado coçando o saco? Não viemos aqui pra repousar ou ficar de férias. Na verdade, considerando a situação, será impossível para nós tirarmos férias. Eu quero ver agora aqueles preguiçosos reclamarem do período escolar. – Saya se aproximara do rapaz usando roupas novas dadas por uma amiga da mãe de Rei, e se sentindo mais confortável e uma pessoa quase civilizada, a garota voltava a pegar no pé do seu amigo.
- Eu só estava olhando pro céu um pouco droga, será que nem esticar minhas pernas eu posso? – Takashi a olhava com reprovação. Mas de fato, eles não poderiam apenas ficar sem fazer nada enquanto essas pessoas o salvaram.
Depois de os encontrarem na avenida da delegacia municipal, prestes a virarem comida de zumbi (e dessa vez, sem nem poderem revidar) a senhora Miyamoto e outras pessoas que com ela estavam (grupos refugiados que ela encontrara na delegacia horas antes) conseguiram tirar o grupo de estudantes de uma encrenca maior. Depois disso, Miyamoto os levou até um pequeno abrigo perto do litoral, local onde várias barreiras estavam formadas para impedirem o avanço dos mortos vivos. O trabalho feito naquele lugar foi algo profissional. Vários bunkers foram postos de modo estratégico proporcionando não só uma boa visão para os refugiados, mas também impedindo que qualquer zumbi se aproxime sem ficar preso em arames farpados ou armadilhas que lá se encontravam em diversos pontos.
- A Rei realmente mudou depois que encontramos sua mãe, não acha? Ela está até fazendo brincadeiras! Acho que é isso que eu senti alguns dias atrás... e é isso que qualquer um espera sentir em relação a entes queridos que não se tem notícia. – Apesar da expressão triste que Saya possuía ao se referir a seus pais, ela logo voltava a seu jeito habitual confiante de se dizer e fazer as coisas.
- Ei Takashi-San, você quer alguns desses biscoitos de maisena? É incrível como eles conseguiram mantimentos aqui! Além da mãe da Rei ser outra gost... Er, você quer, Saya-Chan!? – Kouta havia chegado perto de Takashi carregando um pequeno pote de biscoitos em sua mão e os comia sem arrependimentos ou preocupações, mas quando via Saya com seus olhos em chamas o fitando, logo seu comportamento mudara para o de um cachorro sem dono em apuros pedindo por ajuda.
- Seu gordo do caralho, onde você consegue essas coisas!? – Saya se aproximava do mesmo e pegava alguns biscoitos para ela, apesar das críticas anteriores.
- Pessoal, parece que a reunião vai começar, e a expressão nos olhos da senhora Miyamoto não deixa de ser algo... interessante. – Saeko chegava ao local trajando sua roupas tradicionais, mas agora, limpas, graças a lavanderia que se encontrava naquela casa que mais parecia um hotel. A garota falava mas mantinha seus olhos atentos em Takashi que parecia despreocupado para o líder do grupo, grupo cujo qual estava mais uma vez sobre o cuidado de ‘adultos’ planejando algo grande.
Todos se reuniram na varanda principal daquela casa. Era realmente um lugar agradável, uma enorme piscina com grama verde em volta e várias cadeiras de praia deixavam o ambiente menos carregado, até os grunhidos dos mortos vivos do lado de fora não afetavam o falso sentimento de segurança vindo dali.
- Takashi-San! Encontrei você, a mamãe não te contou, não é? – Enquanto todos estavam observando até que Miyamoto subisse no palco, Rei se aproximava trajando uma blusa mais leve e um pequeno shorts com uma aura mais positiva do que jamais havia demonstrado.
- Eu não estou sabendo de nada... tudo que ela nos disse foi o que ouvimos juntos, que ela estava reunida aqui com 17 sobreviventes, dentre eles, 8 policiais que sobreviveram ao fugirem da delegacia... e também que havia bastante comida e uma boa vista daqui, haha, ela realmente estava certa.
- Vocês garotos são mesmo despreocupados né? – Saya franzia sua testa e estufafa suas bochechas demonstrando emburramento.
- Na verdade, esse discurso não é apenas um monólogo pra motivar sobreviventes e aquele blá blá blá de sempre, parece que... ela encontrou ‘algo’! – O algo em questão era bem relevado na frase de Rei, ela, que por sinal, estava bem agitada, decidida a seguir os planos de sua mãe.
- Ara ara, pelo que estou vendo todas essas pessoas aqui são bem competentes. – Shizuka julgava isso ao ver todos ali portando armas dos mais variados tipos, todas de um calibre alto, algo que Kouta não havia deixado de notar e logo fora de bicão tentar fazer amizade com aqueles policiais barra pesada.
- Eu acho que não pareço mais assim tão inútil Shizuka-Sensei! Olha o que eu consegui daquele policial careca ali! — Kouta, todo sorridente e com ar de vitorioso apontava para o policial careca sentado em um pequeno banco e mostrava para Shizuka e os outros um cartucho de uma Minimi 7.62mm — 2006, arma que ele jamais abandonaria mesmo que apenas servisse de peso.
- Kouta-san, isso é potente pra matar mais de 10 zumbis? – Alice parecia feliz ao ver Kouta empolgado.
- Você realmente é um tarado por armas ou por mulheres? Não imagino como deve ser suas fantasias sexuais! – Com um ar de desgosto, Rei olhava para o rapaz que a ignorava enquanto admirava seu cartucho carregado.
- De toda forma, vamos ouvir, parece que a nossa ‘representante’ da vez irá se pronunciar. Á partir do que ela dizer... você poderá nos dar a nossa próxima jogada, Takashi-San. – Olhando para o garoto que corava aos poucos, Saeko ficava cada vez mais próxima do rapaz, e Rei, apenas olhando de lado, se incomodava, mas não sem prestar atenção em sua mãe que subia em um pequeno palanque e falava em voz alta:
- Escutem, todos vocês! – Ela olhava para as 24 pessoas reunidas ali naquele momento, com um ar de total seriedade e serenidade. – Agora que encontramos mais sobreviventes, sobreviventes importantes, como todos vocês podem perceber, não podemos mais esperar. – Miyamoto fez uma pausa enquanto olhava para Rei. – O meu chefe de Shinjuku conseguiu se comunicar comigo através do Onogi-San. – A mulher olhava para um rapaz de óculos com uma postura máscula e agressiva que se encontrava em pé encostado em uma palmeira. – E através dele, conseguimos a confirmação de uma ilha... uma ilha que pode ser o nosso refúgio por um bom tempo. – Por alguns segundos, todos ali ficaram em silêncio, mas depois de olhar para Takashi, Miyamoto voltou a falar:
- Uma ilha com recursos e o principal: Longe desses miseráveis comedores de tripas.
-
Horas Atrás
Longe dali, em um pequeno ginásio de esportes em uma região ao sul de Tóquio, um grupo de sobreviventes era surpreendido por um bando de zumbis que começavam a se debater na porta de entrada de maneira violenta.
- Cara, o Mike já confirmou o número de zumbis lá fora? É impossível ser menos de 50 com todas essas batidas e gritos, e olha que colocamos 14 carros na frente pra proteger a entrada... – A expressão de todas as pessoas ali era preocupante. Hiroi, um garoto de 24 anos que aparentemente era o líder daquele grupo verificava com Mike o número de mortos vivos que tentavam entrar no lugar.
- Você... não vai acreditar. – O rapaz estava ofegante e com sua pele em um tom amarelado enquanto descia de uma bancada.
- Qual o problema porra? Quantos são? – Hiroi jogava uma doze para o homem que mal conseguia segurá-la.
- Eu não tenho certeza mas... pelo que eu contei... eram apenas 15! – Todos que ouviram tal afirmação começaram a duvidar da vericidade ou da contagem do rapaz.
- Você está tirando com a minha cara porra? – Hiroi fora ver por ele mesmo. Ele subia as arquibancadas do ginásio e olhando pela janela da frente observava tudo que acontecia do lado de fora. Algo que jamais havia visto desde o começo daquele caos. Apenas quinze zumbis conseguia empurrar o portão... usando força! Ele parecia estar sonhando, mas eles estavam se empenhando como seres humanos saudáveis, com mais um pouco de esforço, eles entrariam ali.
- Caralho, todo mundo, peguem suas armas e fiquem preparados pra sair do outro lado!
- Mas Hiroi-Kun, do outro lado estaremos sem saída, tem mais deles descendo aquela ladeira. – O grupo de 20 pessoas ali estava sufocado e sem ter escolhas.
- Sendo assim, não vamos abandonar o nosso ‘lar’. Mesmo com o que eu tenha visto... são apenas quinze. Vamos dar conta. – Todos se indagavam com o ‘tenha visto’ do homem, mas mesmo assim, pegavam suas armas que não passavam de espingardas ou mesmo pedaços de ferro e se preparavam para a provável entrada dos zumbis.
- Agora! – Com um grito estridente, Hiroi indicava o começo do ataque. Mas era um começo que ninguém podia esperar.
- Impossível... – Um dos zumbis havia entrado e corrido com ‘velocidade’ em direção a uma das pessoas ali, e agarrando-a instintivamente, como ele nunca poderia imaginar ou não tivera visto desde sua caminhada até aquele ginásio, o zumbi que usava óculos e um terno preto mordia fortemente o pescoço da vítima arrancando todos os seus nervos fazendo com que as veias saltassem espalhando sangue por toda a região em volta da pessoa.
- Não recuem porram, não recuem! – Quando todos viram aquela cena, muitos correram pra a outra saída, mas já não havia tempo. Três zumbis haviam dado a volta rapidamente e já cercaram o local.
- Mas que diabos Hiroi!? Como pretende lutar contra isso? — Segundos depois de proferir tais palavras, Mike tinha seu braço mordido por um dos zumbis que parecia rir enquanto se alimentava da carne vermelha do rapaz. A cada golpe que e tiro que as pessoas desferiam contra os mortos vivos, menos tempo de vida eles tinham. Hiroi tentou acertar a cabeça de um, mas com agilidade, ele se esquivou e enfiou sua mão fortemente na barriga do rapaz, arrancando seu intestino e o espalhando pelo chão.
- Não tem jeito, vamos todos morrer, todos morrer! Esses zumbis não são normais! – Um dos rapazes do grupo, Jouchi Kiyama conseguia abrir a porta dos fundos enquanto alguns monstros se distraíam devorando um coração de uma das sobreviventes (não mais sobreviventes) dali. Ele corria sem olhar para trás enquanto deixava no ginásio aqueles 15 zumbis que mais pareciam soldados devorando todos sem piedade.
-
Depois do discurso de Miyamoto, Takashi e seu grupo havia se reunido ao redor da piscina, todos estavam indecisos com a proposta da mulher.
- Parece uma proposta interessante... visto que teríamos comida, sombra e água fresca. Mas o problema mesmo... – Kouta interrompia Shizuka que parecia sonhadora com suas ideias.
- O problema são as pessoas, não é mesmo? – O gordinho colocava uma expressão preocupante em seus olhos pequenos.
- Você se pergunta quantas pessoas já estão ou vão estar nessa ilha, não é? – Miyamoto ouvia a conversa e se aproximava do grupo, sem ninguém ter percebido sua presença modesta.
- Mãe... nós realmente achamos uma ótima proposta e tudo mais, mas ainda assim, sobrevivemos até agora...sozinhos! E mais, tem muitos furos nessa sua teoria. Sei que explicou que há suprimentos lá e um helicóptero será usado pra buscar mais quando acabar, e que há um navio no porto esperando pela nossa chegada, isso tudo é bom demais pra ser verdade. – Takashi se colocou ao lado de Rei que o olhava surpreendida.
- Bom demais é uma palavra que não me agrada. – O rapaz olhava para todo seu grupo. – Não quero discordar de você mas, há um limite nessa ilha? – Ao ver o sorriso de Miyamoto, Takashi fazia um olhar estranho.
- Haha, você acha que é uma fuga desesperada e precipitada? Se engana, rapaizinho. Esse é um arquipélago desconhecido de muitos, e pelas informações do sargento... há apenas 10 pessoas naquela ilha no momento. A capacidade total, tendo em vista o suprimento e o local apropriado para se viver é de 100 pessoas. O grupo do sargento conta com mais 30 pessoas... juntando com a gente, ainda sobrará ‘espaço’, então quanto a isso, não precisam se preocupar. Estaremos longe disso, longe de toda essa merda. Qualquer outro problema será dos menores. – A policial parecia sincera e decidida, o que animou Alice.
- Então lá estaremos longe dos monstros? Poderemos andar por aí sem se preocupar? – Saya a respondia.
- Só cuidado com pedófilos como esse gordo aí que continua comendo biscoitos. – Ela olhava para Kouta ainda com raiva.
- Mas eles estão bons demas! – Ele se sentia envergonhado.
- Então isso é um sim? – Miyamoto olhava para todos esperando uma resposta.
- O que nos diz... líder? – Saeko colocava sua mão direita no ombro de Takashi e a percorria por suas costas. Rei vendo isso, segurava a mão do garoto e o puxava sem delongas para junto dela mas de maneira que não parecesse proposital.
- O Takashi já decidiu, nós vamos junto, mãe. – Rei olhava para Takashi um pouco sem jeito, mas todos ali pareciam concordar. Será que havia sido a melhor decisão?
Horas mais tarde, enquanto Rei descascava uma laranja sentada na beira da piscina, um rapaz chamado Fukiyama se aproximava da mesma com os olhos sedentos por carne de uma jovem.
- Você é a filha da Miyamoto, né? Hehe, prazer, sou Fukiyama, é incrível, sabe, a maneira como vocês sobreviveram lá fora, digo, por estarem... – Rei se levantava já percebendo as intenções do rapaz. Ele também cheirava a maconha e parecia bêbado.
- Estarmos a sós sendo um grupo de jovens? Já ouvimos isso o bastante, agora, se me dá licença... – Ele segurava o braço de Rei com certa força deixando a laranja e a faca da menina caírem na piscina.
- Estamos em um grupo melhor agora, minha querida. Não acha melhor aproveitarmos algo a sós do que ficar com aquele playboizinho sem graça? Estará bem mais segura comigo. – Naquele momento, enquanto Rei estava prestes a gritar, Takashi chegava por trás e com um forte soco no braço do garoto o afastava de Rei.
- Não sei o que tá acontecendo mas não quero você perto dela de novo entendeu? Não mexa com ninguém do MEU grupo. – Takashi parecia pronto para matar, assim com fazia ao se aproximar de um zumbi, mas antes que o rapaz pudesse revidar, eles viam uma pessoa pulando o muro toda ensanguentada devido aos arames farpados, ela gritava por socorro:
- Por favor, alguém, alguém! – Várias pessoas foram em direção ao homem ferido e o acudiam.
- O que aconteceu? Você foi mordido? – Miyamoto perguntava se abaixando.
- Não.. eu não fui! Vocês precisam saber... eles devem estar vindo pra cá! – Takashi e Rei se aproximavam para ouvir o que ele dizia.
- Eles quem? – Perguntou Miyamoto com certa preocupação.
- Os zumbis... os zumbis mais fortes, os quize mais fortes!
Com todas as atenções voltadas para o rapaz, Fukiyama se aproximava de dois amigos seus, Katou e Hoshido.
- Conseguiu convencer a peituda a deixar a gente dar uma chupada nela? – Hoshido fumava um pequeno cigarro de maconha em um local isolado da casa onde os três estavam.
- Aquele playboi veio estragar tudo... – Fukiyama parecia furioso.
- Nem precisa dizer. Já sabe o que devemos fazer né? – Os três, sem se preocupar com o novo sobrevivente, olhavam para Takashi planejando o pior.
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