Highschool Of The Dead - The Last Journey
11 Capítulo 11 - Incidente dos Mortos
Em uma parte remota daquela ilha, enquanto os primeiros raios solares invadiam os olhos de Takashi, o mesmo bocejava olhando para o acampamento que haviam montado com algumas barracas emprestadas pelo grupo que os despejaram. Estavam sozinhos agora, afinal, haviam suspeitas de que existia um assassino entre aquelas pessoas vindas do navio. Komuro, juntamente dos dois soldados do grupo de Rika ficaram responsáveis por revezarem na vigia noturna enquanto todos dormiam, o garoto foi o último no posto mas o sono estava quase o fazendo desmaiar.
- Takashi-Kun, você está acordado a muito tempo? – A primeira pessoa a acordar era Frau, uma adolescente que parecia cheia de energia.
- Digamos que estou acordado o suficiente pra me sentir exausto. Acho que se eu me deitar em qualquer lugar eu desmaio. – O garoto dizia enquanto observava as pequenas barracas montadas a alguns metros do pequeno tronco serrado de madeira onde o jovem estava sentado segurando uma escopeta em seus braços.
- Não faz bem ficar sem dormir, acho que alguém deveria ficar no seu lugar, já que é um jovem. – Takashi percebia que a menina não era totalmente sincera em suas palavras, tinha longos cabelos loiros, olhos grandes e um rosto aparentemente bonito, seu corpo era magro e transmitia um ar bem mais jovem do que supostamente teria, enquanto se levantava, Takashi pareceu ouvir sussurros vindos da selva que ficara logo atrás do acampamento, ignorando as palavras da menina, mas fingindo lhe dar atenção.
- Você ouviu isso? – Os olhos entre abertos do garoto ficaram mais atentos e fixavam-se naquela mata fechada e que trazia breve escuridão ao olhar pelos troncos mais rasteiros.
- Deve ser alguém roncando, essa noite mesmo o Scot roncou igual a um porco, acho que vou me candidatar pra ser uma das pessoas que vigiam a noite, já que mal consegui dormir.
- Eu não ligo pra barulho nenhum, apesar de, desde quando tudo isso começou, não durmo nem 4 horas por noite.
- Aliás, Takashi-Kun, quem você acha que poderia ser o assassino? – A pergunta repentina da garota levantou sérias dúvidas em Takashi. Ela dizia isso de maneira tão monótona com um sorriso nos lábios que duvidava da índole que ela havia transmitido inicialmente.
- Eu não faço ideia, mas garanto que do meu grupo que não é. E você é a Frau-San né? Não sou muito bom em decorar nomes, me perdoe se estiver errado.
- Pelo visto não é tão ruim assim não, mas, não precisa do San, afinal, eu sou mais nova que você! – A garota dizia com um ar vitorioso, mas Takashi não via a vantagem que ela enxergava na afirmação.
- Bom, espero que você não seja a assassina então, Frau-Chan. – Quase como instantaneamente, após Komuro proferir suas palavras olhando para os olhos castanhos da menina, um grito agudo pode ser ouvido vindo de umas das barracas, em questão, da barraca onde estavam a estrangeira Teresa, Masataki, Koukai e, anteriormente, Frau.
- Isso não é um bom presságio. – Frau voltou imediatamente para sua barraca seguida por Takashi, e ao chegarem na mesma, se depararam com o corpo de Koukai com sua barriga aberta, seus intestinos estavam expostos, as tripas percorriam a extensão do seu tórax enquanto metade do seu coração era visível do ângulo em que o cadáver se encontrava, virado de barriga para cima no chão. Teresa tremia abaixada em um canto, Masataki apenas olhava com uma expressão paralisada, ambos se depararam com o morto após acordarem devido ao mal cheiro.
Em explicação dos dois, Teresa, dificilmente pode ser compreendida, já que era Italiana, Masataki, entretanto, tentou explicar para todos que, reunidos no centro do acampamento, tentavam entender o que havia acontecido.
- Eu juro que acordei com o cheiro de sangue que senti, quando vi o corpo chacoalhei Teresa, e quando ela acordou, soltou um berro como se estivesse sendo atacada. – A mulher, apesar de não entender claramente o que seu companheiro de barraca dissera, confirmava o veredito do mesmo, ela gesticulava algumas coisas e falava de maneira enrolada tentando traduzir algumas frases para o inglês.
- Isso é difícil de acreditar, sabe. E a loira aí? Ela estava na mesma barraca também, e o que tudo indica, ela se dirigiu até o Takashi logo de manhã. Ela pode ter ido distraí-lo para que Masataki pudesse atacar sem ser visto, ou então, ela mesma cometeu o ato. – Miyamoto fazia julgamentos precipitados mas, em julgar pelas circunstancias, possíveis, mas logo era ofendida verbalmente por Frau que demonstrava cólera intensa.
- Você está querendo dizer que sou culpada vadia!? Só por ser uma policial não quer dizer que sabe tudo, eu como já disse, acordei e nem reparei em quem estava dormindo, muito menos senti cheiro de sangue, fiquei indisposta deitada naquele amontoado de palha e me dirigi até o Komuro-Kun pra conversar, isso é tudo. – Seus olhos miravam os da mulher com imensa fúria.
- Olha como fala com minha mãe sua baixinha, não vou permitir essas coisas aqui. – Rei se impusera na frente da garota demonstrando certa coragem, mas sua mãe a interrompia ignorando a atitude extravagante de Frau.
- Não vamos entrar em suposições e discussões sem fundamento, com essa, são três, ou então, várias mortes, levando em conta que, o ‘ataque’ no navio também pode ter sido causado por esse assassino. – Miyamoto colocava uma de suas mãos sobre se queixo e se pusera a pensar. Takashi e seu grupo estavam reunidos tentando administrar a situação.
- Quem vocês acham que fizeram isso? – Alice olhava especialmente para Saya, visto que, até ela percebia que a garota era a mais perspicaz e observadora do grupo.
- Não podemos ter certeza nem fazer julgamentos sem levantar dados. Mas realmente, Frau e Masataki são os principais suspeitos. Shizuru também não pode ficar de fora. – Saya comi uma maçã enquanto fechava seus olhos tentando clarear sua mente.
- Também havia pensando em Shizuru, foi ela e seu namorado falecido que abriram o convés onde os mortos vivos estavam no navio, certo? – Saeko fazia alguns desenhos aleatórios na areia e olhava diretamente para Jouchi.
- Aquele velho também tem algo de muito errado. Desde que chegou vive olhando para todos e bem eufórico na maioria das vezes, eu não deixaria ele ficar com a gente! – Rei sentia repugnância ao falar de Jouchi, mas não poda descartar as demais pessoas de serem suspeitos.
- Tirando a Miyamoto e a Rika, acho que os outros se encaixam como culpados. Principalmente aquela garota ruiva estrangeira que não fala nenhuma palavra, ao contrário de Teresa que especula com as mãos e fica agitada, ela sempre se mantém calada e com a expressão fechada, ela me da medo. – Kouta sentia um forte arrepio ao olhar para a menina que, no momento, estava sentada olhando para o céu com uma calma que o grupo não compreendia.
- Os olhos dela não parecem estar vivos. Sinto que ela passou por maus bocados, talvez, até bem piores do que passamos. – Shizuka podia perceber a aura triste que a ruiva emitia, sentia dó da menina ao contrário dos demais.
- Ei pessoal, os soldados da Rika-San já investigaram os ferimentos do cadáver e... constaram que aquilo foi feito com... – Yasu, um dos sobreviventes do navio, se dirigia até o grupo com a notícia, mas ficara aflito ao conta-la por completo, com seu rosto repleto de medo.
- Hã? Com o que? – Takashi mais uma vez podia ouvir ruídos que aparentavam vir de longe, com a direção do vento, parecia vir de dentro da floresta, no meio daquela ilha. Sentia que estava começando a ficar louco, mas ao olhar para Yasu, temeu o pior.
- Com as próprias mãos, cara! As marcas na barriga e na abertura do pâncreas foram feitas por uma pessoa, um ser humano! – O grupo todo ficou em alerta naquele momento, não podiam acreditar em tal afirmação, rapidamente, todos se dirigiram até a barraca onde Scot, Urui, Miyamoto e Rika se encontravam, juntamente do cadáver do rapaz.
- Que merda é essa mãe? Como assim uma pessoa fez isso? – Rei falava de maneira alto o que facilitava com que outros, fora da barraca, pudessem ouvir. Logo uma multidão se formou em torno de Rika e seus soldados, exigindo explicações.
- Mas que caralho é esse Rika-San? – Howard ficava pálido rangendo seus próprios dentes freneticamente.
- Kouta-Kun, tem algum zumbi entre nós? – Alice puxava Kouta pela blusa, mas o garoto estava atento apenas ao corpo que fitava com precisão, realmente, a ferida parecia ter sido feito com duas mãos, mas logo analisou a situação e soube que se isso realmente havia acontecido, o assassino não poderia mais se esconder.
- Pessoal, eu – Antes que pudesse dar sua explicação, Saya se colocava na frente do garoto, magoando-o por não dá-lo a oportunidade de parecer legal na frente de todos.
- Se alguém daqui fez isso mesmo deve haver sangue ou alguns vestígios nas unhas da pessoa, tirando que suas roupas ficariam manchadas e até mesmo seus braços, é impossível alguém fazer um estrago desses e tentar esconder, ao menos, nessa ilha.
Todos do acampamento foram verificados, um por um, suas mãos foram revisadas e nenhum deles continha sinais de sangue, pele, ou outros resíduos de corpo humano, o que deixava Saya com um enorme ponto de interrogação na cabeça, e a dúvida de todos quanto ao crime ter sido feito com mãos humanas.
- Isso é um pouco fantasioso, se pensarmos bem. Uma pessoa não teria força pra rasgar a barriga de alguém, e olha que Koukai era bem gordinho, o que deixaria tudo ainda mais difícil. – Scot se dirigia até Takashi negando seu discurso.
- Não meu jovem, eu fui perito médico no exército, eu sei do que estou falando, tenho toda certeza do mundo que o estômago do gorducho foi aberto com duas mãos. – A maneira como Scot se expressava não agradava nem Takashi nem os demais do seu grupo, o rapaz possuía olhos que não davam confiança, seu rosto era pequeno, seus cabelos raspados e várias cicatrizes na parte esquerda de sua face, era alto e com um físico atlético, demonstrava ser prepotente e autoritário na maior parte das vezes.
- Mas então não é ninguém desse grupo. – Segundos depois da hipótese de Shizuka, Masataki apareceu saindo de um pequeno rastro que dava até a floresta ofegante, chamando o resto do grupo.
Quando se dirigiram até o local designado pelo garoto, Saeko fora a primeira a bater seus olhos em um par de luvas ensanguentado jogado na beira de um pequeno córrego que dava passagem a uma nascente de algum rio que existia no meio da ilha.
- Parece que agora as coisas estão começando a serem explicadas. – Scot pegou as duas luvas e junto de Rika, analisaram e chegaram a conclusão de que aquilo fora utilizado pelo assassino e em seguida, jogado naquele local.
- Mas que merda... Isso só complica mais ainda as coisas! – Saya dava um soco na areia enquanto ela juntamente de Kouta e Takashi, minutos depois da descoberta das luvas com sangue, dialogavam em frente ao oceano violento daquela manhã onde o vento parecia chorar ao colidir com as folhagens da diversidade de plantas tropicais daquela ilha.
Por quê? Pra mim, as coisas estão mais fáceis agora! – Kouta se distraía e devorava um pedaço de melancia não dando atenção para Saya que retirava a fruta da mão do garoto e a jogava longe.
- Não é hora pra comer porcalhão, isso é ruim porque agora temos mais suspeitos. Aliás, suspeitos em alta.
- O que quer dizer com suspeitos em alta? – Takashi olhava seriamente para sua amiga.
- Dando a perceber, pelo laudo de Scot e a afirmação de Rika que também entende do assunto, o crime aconteceu um pouco antes do sol nascer, alguns minutos antes de você ficar de vigia, Takashi, agora, me diga, antes de você, quem era que estava de guarda? – Os três, naquele momento, ouviam um som alto vindo de trás de algumas rochas do centro norte da ilha, olhando rapidamente para onde o som vinha, Kouta arregalou seus olhos ao ver um helicóptero caindo em determinado ponto da ilha.
- Que porra é essa agora? – Todos do acampamento haviam visto o objeto rodopiar várias vezes antes de colidir com uma das enormes rochas presentes na região norte da ilha e em seguida, cair proporcionando um breve estrondo e sons de galhos se quebrando.
- Eu vou verificar isso, vem comigo vocês! – Scot pegava uma de suas armas e chamava Masataki e Howard para o seguirem até o local onde o helicóptero havia caído. Enquanto isso, Rei chamava Takashi ao ver que algumas coisas não estavam corretas.
- Takashi-Kun, venha até aqui, o Jouchi pirou de novo! – Rei segurava a mão de Takashi e o arrastava até a barraca onde Jouchi discutia violentamente com Rika e era segurado por Shizuru.
- Ele ficou louco meu Deus, alguém desmaie logo esse bastardo! – Rika aplicava uma injeção com um leve calmante no velho, o mesmo ia se acalmando apontando para Rika e dizendo ao sorrir:
- Eles.. eles estão aqui! Dentre nós, eles estão! Aquelas criaturas bizarramente fortes. – Naquele exato momento, Saya endireitava seu óculos em seu rosto decifrando o enigma todo.
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