Highschool Of The Dead
15 A Missão Parte II - Problemas na Decolagem
Notas iniciais
– Takashi, vamos! – Acordei com a Rei me balançando, olhei para um relógio que ficava em cima da escrivaninha do lado cama, ele marcava AM 5:00, murmurei uma coisa qualquer e voltei a dormir.
– Tudo bem, então fica ai e morre. – Eu levantei rápido e fiquei encarando-a.
– Meu Deus, você tá convivendo muito com a Saya. – Ela riu e se aproximou de mim, e eu a abracei.
– Takashi, vamos ficar sempre juntos, certo? – Ela perguntou ainda abraçada comigo.
– Sempre Rei, sempre. – Concordei e fiquei acariciando os cabelos dela.
– Ei, ei, ei vocês dois! – Entrou Saya com tudo no meu quarto e atrapalhou todo o clima, fazendo a gente se separar do abraço. – Estamos tentando fazer uma missão de sobrevivência aqui e vocês ficam se pegando? A qual é né? Tenham um pouco de "semancol". – Ela fechou a cara emburrada.
Eu e a Rei nos entreolhamos e sorrimos concordando com a cabeça. Fomos correndo em direção a Saya que nos olhou assustada, e então, eu e a Rei abraçamos ela bem forte, só pra tirar toda aquela tensão. Rimos nos primeiros segundos, mas logo depois, a Saya voltou a ser a Saya.
– O.K.! Sem tudo isso cara... Urgh! – Ela fazia cara de enojada enquanto ríamos.
– Acho que você precisava mesmo de um abraço Saya, você está muito tensa, relaxa um pouco. – Disse Rei e eu concordei com a cabeça.
– O.K., agora sério, vamos dar o fora daqui, todos já estão se reunindo no refeitório, vamos? – Saya disse enquanto eu colocava meus tênis.
– Vamos. – Disse eu e Rei em uníssono.
Caminhamos até o refeitório, e lá tinham...
– Filas? – Perguntou Rei.
– É, foram formadas filas das pessoas que irão para o tanque, das pessoas que são exceções e por último, das pessoas sem classificação. – Explicou Saya.
– Hm... Entendi. – Eu falei e fomos em direção aos outros.
Ficamos na fila em silêncio durante mais ou menos uns dez minutos, acho que durante esse tempo, eles estavam arrumando os últimos preparativos. Depois o Sr. N e Yukio apareceram e foram chamando as filas em ordem.
– Por favor, as pessoas que ficarão no tanque, podem ir. – Falou Yukio e a fila dos tanques se encaminhou para fora do refeitório.
Depois de um tempo para eles se organizarem dentro dos tanques, o Sr. N se pronunciou.
– Agora, as exceções, podem ir para o ônibus.
Saímos em fila e quando chegamos lá fora, fomos direto para o ônibus, mas é claro que dei uma olhada básica em volta. Os zombies estavam muito, muito mesmo em cima do portão e dos muros, eu fiquei com a impressão que a qualquer momento aquilo vai cair.
– Cara, como vamos sair daqui com todos esses zombies? – Perguntei olhando para Saya.
– Por que você sempre pergunta as coisas olhando para mim? – Perguntou Saya indignada e eu engoli em seco, depois ela revirou os olhos e continuou. – O.K., provavelmente eles irão acionar aquele “Atraidor de Zombies”.
Todos assentiram e fomos nos sentar no fundo do ônibus. Como eram duas pessoas por banco, ficamos eu e a Rei, a Saya e a Saeko e por fim, a Srta. Shizuka e a Alice com o Zeke. Ficamos lá por mais ou menos meia hora até tudo se ajeitar e os últimos preparativos estiverem prontos.
– Agora vamos galera! – Disse Yukio, enquanto entrava, ele foi o último a entrar no ônibus, porque foi o dever dele ligar o “Atraidor de Zombies”, como diz a Saya.
O portão estava se abrindo automaticamente, os zombies já estavam dominando o espaço no exterior da base e agora estavam tentando entrar no interior, ou seja, aquele zumbido para atraí-los estava funcionando. Os tanques começaram a passar por cima dos Zombies esmagando-os, e assim, abrindo caminho para o ônibus. Os malditos nem ligavam pra gente, graças ao zumbido. Conseguimos sair da base militar e estávamos indo para o leste, lá se encontrava o Aeroporto Internacional de Tóquio. Durante a nossa saída, foi possível ver nosso antigo ônibus, ele ainda estava pegando fogo, devido... Aquilo. Eu olhei para meus amigos, eles também tinham notado o ônibus e depois olhei especialmente pra Saya, ela estava bem cabisbaixa e Saeko estava consolando-a.
– Pois é, poderia ter sido diferente. – Murmurou Rei em uma altura para que somente nosso grupo ouvisse. – Se eles não tivessem desligado aquele som, o Kouta não teria... – Ela ia continuar, porém não conseguiu, ela estava quase chorando.
– Rei... – Disse Saya também com lágrimas nos olhos. – Não se faça de mentirosa.
Após Saya falar todos do nosso grupo arregalaram os olhos, ela realmente estava puxando uma briga agora? Justo agora?!
– Eu não estou acreditando... – Disse Rei em um olhar com lágrimas direto pra Saya, que estava no banco ao lado do nosso. — Você está realmente falando que eu não gostava do Kouta?! – Ela perguntou já em um tom mais alto.
“Pronto, agora ferrou.” – Disse pensando na próxima reação da Saya.
– Eu não disse isso. — Saya ainda mantinha o seu tom de voz baixo. Ainda bem! — Eu só disse pra não se fazer de mentirosa, afinal, mesmo se eles não tivessem desligado o zumbido, o Kouta não teria sobrevivido, muito pelo contrário, nenhum de nós teríamos sobrevivido.
– Como assim? – Rei perguntou já mais calma.
“Obrigado por elas não terem discutido aqui no ônibus.” – Pensei olhando para o céu.
– Simples, se eles não tivessem desligado aquele som, eles só teriam atrasado nossa morte, porque assim eles não teriam energia para abrir o portão, que se você não percebeu ele é elétrico. E assim, a gente teria voltado e se nós tivéssemos voltado, não saberíamos o plano dos EUA, não saberíamos do plano de evacuação do Japão e também não saberíamos de merda nenhuma! Nem ao menos conseguiríamos falar com o seu pai, lembra que nossos celulares não funcionavam? Ou seja, só conseguiremos sobreviver nessa porra de apocalipse por causa daquele idiota do Kouta! Entendeu?! Então, não se finja de mentirosa dizendo que se eles não tivessem desligado o som, o Kouta não teria morrido! – Disse Saya enquanto enxugava as lágrimas e por fim se virou para a janela, apoiando a cabeça na mesma.
– Desculpe... – Murmurou Rei e depois também enxugou as lágrimas virando-se para a janela.
“O que eu faço, o que eu faço?” – Pensei nervoso.
Passei meus braços envolta do pescoço da Rei, puxando ela para mim e fazendo ela se recostar em meu peito, depois fiquei fazendo cafunés nela.
– Err... – Eu sussurrei para Rei enquanto procurava o que falar. — Não ligue para a Saya, ela às vezes se... Exalta um pouco.
– “Um pouco.” – Ela sussurrou fazendo um sinal de aspas com os dedos e eu dei um sorriso de canto.
Olhei para Alice, ela estava dormindo no colo da Srta. Shizuka, que também estava quase adormecendo. E Zeke, estava sendo abraçado por Alice e dormindo também. Ainda bem que eles dois estão sempre um ao lado do outro fazendo companhia. Depois de ver que tudo estava em ordem naquele banco, olhei para Saya e para Saeko. A Saya ainda estava encostada com a cabeça no vidro da janela, e Saeko, havia se recostado em seu ombro. Ambas estavam quase dormindo também.
“Se todos estão praticamente dormindo, então acho que posso dar uma cochilada também.” – Pensei enquanto fechava os olhos lentamente.
Estava quase adormecendo quando o ônibus “pulou”, fazendo todos se assustarem e Zeke dar um pequeno grunhido.
– Calma pessoal, só foi um zombie que ficou preso na roda dianteira. Já iremos resolver o problema. – Disse Yukio saindo do ônibus.
Estava demorando demais para Yukio voltar, olhei para Rei e ela concordou com a cabeça de forma como quem sabia no que eu estava pensando, olhei para Saya e Saeko e elas fizeram o mesmo.
– Srta. Shizuka, já vamos voltar. Fique ai mesmo com a Alice, só iremos ver o porquê dessa demora. – Disse Saya para a Srta. Shizuka e ela assentiu.
Fomos em direção à porta de saída do ônibus, mas quando íamos sair, fomos impedidos.
– Ei crianças, aonde vocês vão? Se quiserem ir ao banheiro, é só lá atrás. – Disse o motorista e Saeko revirou os olhos, eu posso até imaginar no que ela está pensando, e posso garantir que não tem nada haver com o papo de “ir ao banheiro” (N/A: What The Fuck? É meio óbvio que não!). Elas odeiam quando eles mencionam a palavra “crianças” direcionada a nós. Na verdade todos nós odiamos, em relação à Alice tudo bem, mas em relação a nós? Ah qual é!
– Senhor motorista, em primeiro lugar não somos crianças, e em segundo lugar, vamos descer para ver o que está acontecendo, porque infelizmente não podemos ver nada lá do fundo! – Disse Saya.
O motorista levantou de seu banco, e nos encarou com uma cara, digamos que... Nada agradável.
– Vocês são crianças por estarem na lista de exceções! Mas mesmo vocês sendo meras crianças, se vocês saírem sem permissão, não faremos a mínima questão em esperar por vocês! – O motorista nos encarava com um olhar superior, mas Saya fazia questão de encarar de volta com um olhar mais superior ainda.
Cutuquei de leve a Saya e depois direcionei um olhar para ela, como se eu tentasse falar: “Saya, vai dar merda” e ainda bem, ela percebeu. Depois ela simplesmente deu de costas para o motorista e foi para o fundo do ônibus de novo e nós a seguimos.
– E ai? – Perguntou a Srta. Shizuka quando chegamos lá.
– E ai que nada. – Respondi sentando em meu lugar.
– Eles simplesmente acham que somos criancinhas como a Alice... – Completou Saya. – Meu Deus cara! Temos 16 anos, quer dizer, eu tenho 16 anos. O Takashi e a Rei tem 17 e a Saeko tem 18! Como ainda somos crianças?! – Saya indagou indignada e nós apenas levantamos os ombros em forma de dúvida.
– Dane-se, pelo menos dessa vez demos sorte em entrar pra “lista de exceções”, ou seja, até que dessa vez, tudo bem sermos comparados com crianças. E Saya tente se controlar quando acontece essas coisas, essa é a nossa única chance de sobreviver e temos que aproveitar. – Eu disse.
– É eu sei, por isso mesmo que eu voltei para cá. – Ela falou e fez uma cara emburrada.
– Mas aquele cara foi meio grosseiro. Principalmente na parte: “não faremos a mínima questão em esperar por vocês!” – Disse Rei imitando o motorista com uma careta e voz engraçada nos fazendo rir.
Já estávamos em silêncio quando, finalmente, o Yukio voltou.
– Pronto pessoal problema resolvido! Já podemos continuar com nosso percurso.
O ônibus deu partida e começamos a andar de novo.
– Bom... – Falou Srta. Shizuka, e deu uma pausa antes de continuar. – Parece que tudo ocorreu bem.
– É pode ser, mas eu não sei o porquê de eu ainda estar insegura com alguma coisa. – Falou Saeko pensativa e todos olharam pra ela. – Ah sei lá, o portão do interior da base militar não é tão resistente quanto o portão do exterior da base, ou seja, mais cedo ou mais tarde, os zombies com certeza irão conseguir entrar, e se eles conseguirem... – Ela deu uma breve pausa antes de continuar. – Eles irão chegar ao barulho e irão destruí-lo. E ai...
– O barulho irá parar e eles sairão daquele “transe” e virão atrás da gente de novo. – Completou Saya.
– É isso ai. – Concordou Saeko.
– Mais cedo ou mais tarde, né? Então tomara que seja mais tarde, e que seja quando já estejamos no aeroporto. – Eu disse.
– É concordo. Agora, a única coisa que podemos fazer é: ficar sentados. – Disse Rei emburrada.
– Infelizmente. – Completei.
O restante do caminho foi tranquilo, dentro do possível. Ou seja, com a palavra “tranquilo” eu quis dizer que não fomos perseguidos por nenhum zombie, mas mesmo assim tivemos vários atrasos, não com zombies, mas sim, com pequenas paradas. Tivemos que fazer várias delas, e na maioria das vezes eram inúteis, mas como não podemos fazer nada mesmo, decidimos apenas ignorar.
Passaram-se algumas horas até que chegamos ao aeroporto, ele estava vazio, sem pessoas e sem zombies, o que era um bom sinal. Os tanques entraram com tudo, derrubaram os muros e passaram por cima das grades, quando vi pela janela, já estávamos naquela área onde tem a pista de decolagem. O lugar era bem alto, a decolagem tem que dar certo. (N/A: Cara, em um apocalipse zombie nada da certo.)
– Agora teremos que ser rápidos pessoal! – Exclamou Yukio e todos se levantaram.
– Alice, está na hora. — Murmurou a Srta. Shizuka enquanto balançava Alice para acorda-la.
Alice acordou e se espreguiçou, Zeke fez o mesmo e depois ele pulou para o colo dela quando a mesma já estava em pé.
– Exceções, venham rápido! – Disse Yukio e fomos correndo até ele.
Eu não entendi o porquê de tanta rapidez se o aeroporto estava vazio, mas depois que nós saímos do ônibus, eu vi o motivo. A Saeko estava certa, os Zombies voltaram, eles devem ter destruído aquele aparelho que produzia o zumbido e agora eles estão aqui.
– Venham logo! – Gritou Yukio e nós corremos até ele, depois fomos em direção ao avião.
Chegando lá, corremos para dentro e ficamos sentados esperando.
– Eu preciso ajudar eles. – Eu disse me levantando, mas fui impedido pela Saya.
– Takashi, senta e fique quieto, você sabe que eles não querem ajuda. O melhor a fazer agora é ficar sentado. Se não podemos ajudar, então também não vamos atrapalhar. — Ela disse e depois tirou as mãos da minha frente. Voltei para o meu lugar e fiquei sentado, sem fazer absolutamente nada.
"Que saco!" — Pensei enquanto batia na minha própria testa.
Não sei quanto tempo demorou, mas talvez depois de uns cinco minutos, eles chegaram. Estavam todos desesperados, dava pra ver pelas suas caras, mas mesmo assim mantinham a ordem.
– Por favor, pessoal, coloquem o cinto de segurança e permaneçam sentados, iremos iniciar a decolagem. — Falou uma voz da cabine de voo, que era ouvida pelos auto-falantes presentes em cada superfície, de cada banco. Essa voz era irreconhecível por mim, talvez seja aquele "único piloto" que eles disseram.
Todos colocaram o cinto de segurança e logo após, o avião começou a andar. Ele estava se pondo na posição certa, e depois que isso aconteceu, ele acionou um turbo e estávamos decolando. Na verdade, estávamos QUASE decolando, quando os malditos zombies entraram na pista de decolagem. O avião estava passando por eles numa boa, parecia que nada iria acontecer, mas quando o bico do avião levantou voo, a roda traseira direita passou por cima de um zombie e isso desequilibrou o avião, fazendo com que ele entrasse em estado de emergência.
– Oh meu Deus! — Disse uma senhora fazendo o sinal da cruz, provavelmente, ela era uma das enfermeiras.
As luzes internas ficaram piscando enquanto o avião ficava tremendo. Ele estava desequilibrado, mas mesmo assim ele levantou voo, porém não teve força suficiente para subir.
– Droga! Estamos caindo! – Disse Saya e todos se entreolharam assustados.
"Ferrou".
Fale com o autor