Highly Dangerous

2 You're so dark


Notas iniciais
Estou adorando escrever essa história, espero que vocês gostem tanto quanto eu. Boa leitura! Ah, e a música do início é "You're So Dark", Arctic Monkeys.

You got your H.P Lovecraft

Your Edgar Allan Poe

You got your unkind of ravens

And your murder of crows

Catty eyelashes and your Dracula cape

Been flashing triple

A passes at the cemetery gates

Quinn balança os braços e os quadris ao som da música que acredita descrevê-la. Ela balança os fios cor de rosa no refrão:

Cause you’re so dark, babe

But I want you hard

You’re so dark, baby

You’re so dark

You’re so dark

You’re so dark

E ela está imersa na melodia sombria e peculiar da música. Ela se sente viva, mais calma do que nunca. Seus ombros se movem por conta própria e ela está girando. Ela gira, gira gira e gira.

And you’re so misteryous

Got that obsession with death

I saw you driving your prius

And even that was Munster Koach-esque

You watch Italian horror and you listen to the scores

Leather-Clad and spiked collar

I want you down on all fours

Agora ela segura a saia longa com a mão livre e gira mais um pouco, enquanto a outra está ocupada com o cigarro daquela coisa, ah, aquilo que faz suas preocupações se esvaírem com uma só tragada.

Cause you’re so dark, babe

But I want you hard

You’re so dark, babyyyyyyy…

Ela mal percebe quando está de joelhos no chão, o corpo se contorcendo com o som do baixo da música. Agora ela falava a letra da música, suas palavras vacilando um pouco. Mais uma tragada. Fumaça.

I know you’re nothing like mine

Cause she’s walking on sunshine

And your love will tear us apart

And I know i’m not your type

Cause i don’t shun the daylight

But baby i’m willing to start

Agora Quinn já não sabe mais onde a música está, mas ela escuta a melodia. E dá mais uma tragada. O mundo começa a ficar divertido e ela ri e ri e ri até deitar no chão. A pobre garota ri da própria tragédia. Mas aonde ela estava agora?

Alguns segundos se passam, ou minutos, ou horas, ela não tem certeza, mas ainda está no chão. O carpete azul cobre a superfície onde ela está deitada e ela se levanta com um gemido, a cabeça doendo. O que ela havia feito?

– Puta merda, estava começando a achar que você não ia acordar nunca. – Ela ouve uma voz masculina atrás de si e vira-se para encarar o dono da voz. É um homem que aparenta ter vinte e poucos anos, talvez se aproximando da casa dos trinta. Ele está sem camisa, usando apenas uma bermuda branca e, se não fosse pela confusão do momento, Quinn teria o achado atraente. Bom, pelo menos o corpo dele. Seu rosto se contorceu em súbita irritação. – O que você ainda está fazendo aqui? Dê o fora da minha casa. Era pra você ter saído daqui no momento em que eu enchi aquela camisinha, mas eu não imaginava o quanto era fraquinha e abobada só com um pouco de maconha, porque se eu soubesse não teria deixado você dar nem um trago. Agora saia daqui.

Os olhos de Quinn se arregalam e ela pergunta: – Nós… O que?

– Saia daqui antes que me meta em confusão. – Ele se afasta dela e vai até a cômoda do quarto, pegando um maço de cigarro e acendendo-o. – Anda logo.

– Eu quero que você me diga o que aconteceu aqui.

– O que você acha? Você veio comigo, bebemos, fumamos, transamos, aí você dançou que nem louca e dormiu aí mesmo. E agora você vai dar o fora daqui.

Quinn fica com o rosto pálido, pega por um medo profundo… – Nós nos protegemos?

– Não ouviu a parte sobre a camisinha? Sim, eu não quero contrair nenhuma doença de alguma putinha que nem você.

– Com licença? – O rosto de Quinn fica vermelho e ela sente um calor subir pelo seu corpo. A raiva.

– Não esquece de colocar uma blusa, se bem que eu acho que você não se importaria de mostrar os seus peitinhos pra todo mundo na rua.

Quinn olha para o próprio peito nu e fica com mais raiva ainda. – Se eu transei com você, é porque eu tenho desejos e eu quis satisfazê-los, seu imbecil filho da mãe. Eu nunca, nunca – Ela diz isso apontando um dedo para ele – transaria com um cara pra satisfazer somente a ele. Sendo assim, eu não sou a sua putinha!

O rosto dele permanece indiferente, mas algo mudou. Ele sente que não deve tocar mais no assunto.

– Está certo. Agora dê o fora.

Mas a ordem só deixa Quinn com mais raiva. Ela junta as suas coisas e se veste devidamente enquanto o homem está na cozinha. Subitamente, ela tem uma ideia que é uma burrice evidente e uma completa mentira (Ela não estava nem aí para o que aconteceria a esse cara, ela tem certeza que quis transar com ele), mas que a deixaria satisfeita por saber o nervosismo que isso afetaria no seu mais recente parceiro. A caminho da porta, ela para no batente da cozinha e pergunta, com sua voz mais ameaçadora:

– Você sabe o meu nome?

– Que merda de pergunta é essa? Você acha aque eu vou atrás de você ou algo do tipo? Foi só uma transa, garota, você vai superar. Nessa época de faculdade, vocês transam com todo tipo de cara, eu sou mais um e logo você me esquece. – Ele responde, virado para o fogão enquanto frita um ovo. Depois vira-se para ela rapidamente. – Se não esquecer, é realmente uma pena.

– Eu só quero ter certeza que você pelo menos vai lembrar dessa noite. – Ela muda seu tom de voz para algo mais sedutor.

– É claro, Jessie. Eu vou me lembrar. – Ela sorri. Até bêbada ela lembrava da regra de dar um nome errado a estranhos.

– Ótimo. Quero que se lembre muito bem, querido. – Ela diz, já se afastando. – Pois você acabou de transar com uma menor de idade e isso pode ser bem ruim pra você, considerando que eu sei aonde você mora. Bom dia. – E sai rapidamente pela porta, deixando seu parceiro para trás, estupefato. Ela corre escada abaixo, dando graças a Deus de que o homem morava no primeiro andar do prédio e corre pela rua. Pelo menos ela reconhece esta rua. Mais uma vez a sorte se mostra estar ao seu lado e um táxi aparece na rua bem no momento em que ela sai. Ela faz sinal para ele e entra rapidamente, indicando que precisava sair e rápido dali. E assim acontece.

***

É sábado de tarde e Quinn está jogada na cama do seu quarto repassando os acontecimentos da manhã. Foi realmente burrice ter dito aquelas coisas para aquele homem pois por menos que ele soubesse sobre ela, ele sabia sua aparência e não deviam ter muitas garotas com cabelo cor de rosa em Lima que frequentam os poucos clubes noturnos do lugar. Mas ela estava com tanta raiva, tão indignada com os insultos daquele homem que precisou provocá-lo de alguma forma, mesmo que não fosse uma forma tão inteligente assim. Agora as lembranças da noite anterior se clareavam pouco a pouco na sua cabeça e ela se lembrava de ter ido ao “Davie's Nite Club”, como fazia com frequência quando queria se divertir. O lugar parecia um buraco na parede, mas pelo menos eles aceitavam a carteira falsa de Quinn sem pestanejar. Ela conseguia drogas com facilidade lá dentro e decidiu que queria relaxar no dia anterior, então conseguiu negociar alguns baseados em troca de… favores. Para Quinn, aquilo não era algo degradante para as mulheres nem nada, já que ela estava lucrando também com a troca. Ela se lembra vagamente de ter encontrado um cara musculoso, bem como o que ela tinha encarado mais cedo, ficado com ele e deixado a festa com ele. Alguns flashes da noite deles passavam pela cabeça dela e ela se divertia com a imagem. Foi por vontade própria, afinal. Quinn tinha medo que aquilo que aconteceu tivesse acontecido a força, mas fica evidente que não foi bem assim. Ela suspira, aliviada.

– Lucy! – Ela ouve uma voz familiar vinda do andar de baixo e subitamente levanta da cama e sai do quarto.

– Macy?

– Sim, querida, já cheguei. Você por acaso sabe onde está a sua mãe?

Quinn suspira. A sua mãe.

– Não faço ideia. – Ela responde, descendo as escadas para dar de cara com Macy, uma mulher de meia idade que trabalhava a família Fabray. Ela tinha a pele morena, os cabelos negros, era um pouco cheinha e tinha uma expressão em seu rosto que transbordava bondade. Quinn amava Macy como a mãe que nunca tivera. Já na sua frente, ela continua. – Eu também saí ontem logo depois do colégio, então nem cheguei a vê-la em casa.

– Sei. – Ela olha para o relógio na parede da sala. – Minha nossa, já é uma da tarde! Você comeu alguma coisa, menina? – Quinn faz que não com a cabeça. – Meu deus, você deve estar morrendo de fome. Vamos ver o que dá pra fazer com a comida e daqui a pouco você já almoça, está bem?

– Ok. – Macy pega as sacolas que tinha deixado do lado da porta principal e dirige-se até a cozinha.

– Você comprou essas coisas pra cozinhar pra gente?

– Bem, eu não esperava que o estoque de comida de vocês estivesse dando conta. – Macy abre um dos armários da cozinha e o encontra praticamente vazio. – E estava certa.

– Macy, você não precisa comprar comida pra gente. Não precisa tirar isso do seu dinheiro.

Macy fecha o armário e se dirige até Quinn, tomando seu rosto entre as suas mãos. – Você sabe que eu faço isso por você, menina. Se depender da sua mãe nessa casa, você passa fome, se bem que eu sei que você sabe se virar sozinha, mas mesmo assim… Eu te conheço desde menininha, Lucy. E desde que seu pai morreu… – Sua voz falha um pouco. – As coisas têm sido difíceis, eu sei. Mas eu vou cuidar de você até você se formar e sair daqui, porque você é a minha menina.

Os olhos de Quinn se enchem de lágrimas com aquela demonstração de afeto, coisa que ela não recebia há muito tempo. Ela era tão sozinha que às vezes se esquecia de como era boa a sensação de ter alguém se preocupando com você. Ela puxa Macy para um abraço e, apesar da ligeira surpresa da mulher, ela abraça de volta.

– Um dia, menina, você vai amar alguém e essa pessoa vai te amar de volta. Quando isso acontecer, nada disso vai importar mais e essa dor que você sente vai embora. Escute o que estou dizendo.

– Assim espero, Macy… Assim espero.

Notas finais
E aí, gostaram? Não se esqueçam de comentar!