Notas iniciais
Oi de novo! Sei que demorei pra postar esse capítulo e peço desculpas, mas tive uma falta de criatividade muito grande nesses últimos meses, muito grande mesmo, mas está passando, então... Boa leitura!

O vermelho escuro em linhas faz um desenho quase poético na pálida pele de Quinn. Ela sabe que não deveria estar fazendo isso, mas é o único alívio que consegue achar no caos que é a sua vida. Ela havia prometido a si mesma que ia parar. Aos poucos, ela sente a habitual fraqueza e ilusão de calma e liberdade que os cortes a proporcionam. Mais uma vez, ela passa a gilete pelo pulso, fazendo um corte superficial. Respirando fundo, ela deixa o braço mutilado pender ao lado do corpo. Devia parar antes que aquilo se tornasse realmente sério. Ninguém poderia saber o que ela fazia consigo mesma, a achariam fraca. E Macy... Bem, Macy ficaria decepcionada.

O toque do sinal tira Quinn de seus pensamentos por um momento. O último tempo de aula havia terminado e logo o banheiro não estaria mais vazio. Ela tenta limpar os cortes com papel higiênico rapidamente, mas sua letargia é evidente devido à falta de sangue. Quando finalmente termina e coloca suas pulseiras em cima dos cortes, a garota abre a porta do banheiro devagar. Para sua sorte, só há uma pessoa no banheiro. Para seu azar, esta pessoa é Rachel Berry. A morena está na frente do espelho penteando o cabelo e se vira para Quinn no momento que a vê, boquiaberta.

– Minha nossa, você está me seguindo?

– Claro que não, estrelinha. – As palavras saem com dificuldade da boca de Quinn. Ela se sente muito, muito fraca. – Eu estava apenas… matando aula.

Rachel nota o olhar distraído e a postura desequilibrada de Quinn. – Está tudo bem? – Ela pergunta, um pouco preocupada. Então, do nada, assume uma posição acusadora. – Você andou se drogando aqui dentro?

Pontos escuros começam a dançar na frente de Quinn. A imagem de Rachel se torna embaçada.

– Não, eu… – E ela não consegue mais falar. Nada mais está embaçado. As coisas simplesmente desaparecem.

***

Parece que segundos se passaram no momento em que Quinn abre os olhos. A primeira coisa que passa pela sua cabeça é o rosto de Rachel. Foi o que ela viu antes de tudo sumir… Mas aonde ela estava agora?

– Quinn? Ela acordou.

Aquela voz lhe é familiar e Quinn não demora a reconhecê-la. Rachel.

– Rachel? – A voz sai de sua garganta com ainda mais dificuldade. Tudo parece tão surreal.

– Oi, Quinn. Nós estamos na enfermaria. Tente não falar muito. – A voz da morena soa mais preocupada do que repreensiva. Quinn fecha os olhos com força e torna a abri-los. A luz branca da enfermaria fere seus olhos sem piedade, mas ela vê a silhueta de Rachel pairando sobre ela.

– Por que… – Droga, estava realmente difícil dizer alguma coisa. – Por que você está aqui?

– Você desmaiou na minha frente… Você acha que eu ia simplesmente deixar você caída no banheiro?

– Eu… Nossa. Você sabe?

Rachel assente. – Seu desmaio tinha que ter um motivo, Quinn. – Ela aponta para os pulsos da garota. Pela primeira vez, Quinn nota que há curativos onde ela fez os cortes mais cedo. – Descobriram que foi, afinal, a perda de sangue.

– Merda. – Ela suspira e esconde o rosto atrás da mão. – Você tem que me prometer que não vai contar pra ninguém.

– Senhorita Fabray? – As duas garotas olham para o rosto da enfermeira, que está atravessando a cortina para ver Quinn. – Vejo que acordou. Tentamos contactar a sua mãe, mas ela não respondeu a nenhuma de nossas ligações. Há mais alguém para quem possamos ligar?

– Isso é mesmo necessário?

– Na sua condição? Sim. Você precisa da presença de um responsável urgentemente. Também consideramos idas à conselheira da escola.

– Ah, não. Não mesmo. – Quinn agora está na defensiva.

– Ok, falaremos sobre isso depois, mas realmente precisamos saber se há alguém a quem possamos ligar.

– Eu não quero…

– Quinn. – Rachel interrompe a frase da garota. Seus olhos mostram preocupação e sua mão alcança a dela. – Há alguém?

Quinn engole em seco. Por que diabos ela está tocando em sua mão? – Sim. Macy. – Ela dá o telefone da mulher. A enfermeira assente e sai do quarto. O olhar de Quinn segue seu braço no canto da maca e para onde a mão de Rachel está apoiada. A morena percebe o olhar curioso de Quinn e se dá conta do que está fazendo. Ela tira a mão rapidamente e a posiciona em seu colo, envergonhada.

– Por que? – São as únicas palavras que saem da boca da garota de cabelo rosa. Rachel continua a encarar suas mãos.

– Eu já disse. Não ia te deixar ali. É… Eu ainda tenho alguns tempos de aula hoje. Você quer que eu fique até… qual o nome dela?

– Macy?

– Sim. Você quer que eu fique até ela chegar ou posso ir?

– Por que está fazendo isso? Você já me ajudou, estrelinha. – Ela diz, ainda com uma voz preguiçosa. Um pequeno sorriso se forma em seus lábios. – Por que ficaria aqui?

– Porque você pode precisar.

– Está tudo bem. Pode ir.

Rachel faz uma linha com os lábios e assente, levantando-se da cadeira. Quinn não sabe o que dizer ao ver a morena sair, até que lhe ocorre.

– Estrelinha?

Rachel se vira para trás. – Você nunca vai parar de me chamar assim, vai?

– Obrigada. – Quinn murmura, ignorando a pergunta. – Obrigada por se importar.

Ao invés de dizer algo, Rachel apenas assente novamente e sai pelas cortinas. Quinn se ajeita na cama para ficar confortável, ainda estarrecida pelo fato de Rachel ter encostado nela, o que era estranho considerando a quantidade de pessoas com quem já havia estado… Um simples toque não devia ter esse tipo de efeito nela. Porém, de algum modo, esse teve. A energia de Rachel ainda está presente no cômodo, viva e fresca. Com essa serenidade em mente, Quinn fecha os olhos e, mais uma vez, adormece.

***

– Por que, minha menina? – Macy pergunta a Quinn. Assim que as duas chegaram em casa, a mulher pediu para que se sentassem frente a frente pois precisavam ter uma conversa séria. Era uma das coisas das quais Quinn amava em Macy. Ela não a repreendia com agressividade, mas se preocupava como ninguém.

– Eu não… Não vejo propósito em viver.

– Desde quando? – Ela diz, acariciando o rosto de Quinn com preocupação.

– Há muito tempo.

– Lucy, você precisa dar uma chance a vida… Pode parecer não valer a pena agora, mas você tem que aguentar. Pense no futuro.

– Eu não vejo futuro.

– Dê uma chance.

Quinn encara Macy, seus olhos presos nos dela. Ela nunca foi tão sincera. Do nada, ela joga seus braços em volta da mulher e enterra seu rosto no peito dela. Então, Quinn faz algo que não fazia há muito tempo: Ela chora.

– Shhh… Está tudo bem, menina. – Macy murmura enquanto Quinn treme nos seus braços, os soluços enchendo a sala de estar.

– Não, não está. – A garota murmura entre soluços.

– Vai ficar. Acredite em mim, Lucy… Vai ficar tudo bem.

Notas finais
Se gostaram, por favor, comentem! Quanto mais incentivo, melhor. Até a próxima. X
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.