High School Evil!
3 Capítulo 3
Notas iniciais
PÉÉÉM – O sinal bate, sinalizando o fim da cansativa aula de Geografia.
Lorenna foi sozinha para o seu armário, sozinha pela primeira vez em anos. Ela se encostou no armário e sentou com o livro “Eu sou um mensageiro”, de Markus Zusak. Ela abriu na bendita página onde se lia:
“Tem gente que morre de mágoa, um troço que afeta o coração. Uma porrada de gente morre de ataque cardíaco. E é o coração que mais dói quando as coisas dão errado e se desmoronam.”
Naquele exato momento tudo estava se desmoronando.
– Tá tudo bem? – Lorenna olhou para cima, com cara de peixe morto e descobriu Finkle – Ta, acho que não ta tudo bem, que pergunta idiota... — O tom foi amargurado.
– Uh... Acho que não estou num dia exatamente bom. Sério, o que aconteceu com Siri? Ela não apareceu na primeira aula. – disse Lo.
– Cara, eu juro que não tive nada a ver com isso! – Finkle ergueu as mãos em posição defensiva. Lorenna olhou para ele, chocada, já imaginando o pior. – Foram Tom, Midas e uns outros amigos dessa turminha.
– Tá! Eu não quero saber quem fez ou quem não fez o que, Finkle! – gritou Lorenna.
– Eles foram para a Playa de Rose! Certo, satisfeita? Agora, dá licença, que eu to começando a te descobrir como uma pessoa louca. – Finkle se levantou.
– O quê?! Como você pode não impedi-los? Você tem alguma noção do perigo? Essa praia é conhecida pela areia movediça, pelo forte puxo... Meu Deus... – Lorenna se desesperou.
– Cara, eu vou fazer o quê, em Lorenna? Os caras tinham fumado um haxixe, tavam endoidadinhos... Além disso, você acha mesmo que eu consigo segurar 5 pessoas? Olha, to indo, Senhorita Neurótica. Você não devia estar se preocupando tanto assim, Siri estava adorando... – respondeu Finkle.
– Tá, desculpa, fica! – implorou Lorenna, mas Finkle continuou andando. Ah, Meu Deus! Ela precisava de um carro para chegar a Playa de Rose. Ela estava sem, pois havia pegado carona com Siri. No desespero, ela falou:
– Finkle, fica... Me leva para a praia e você terá uma hora sozinho comigo, na praia. – Finkle continuou andando, nada interessado pela proposta. – E, você poderá fazer o que quiser comigo...
Finkle desafiou-a com o olhar. Lorenna não sabia explicar o quanto ela odiava aquele jeito ridículo e perverso de Finkle. Mas ela fez cara bonita e sussurrou:
– O que você quiser, combinado?
– O que eu quiser... – ele falou para si mesmo, olhando para o corpo de Lorenna, daquele jeito que fazia com que ela se sentisse horrível, nojenta. Finkle chegou mais peto dela e falou em seu ouvido:
– O que eu quiser, em... Vamos para a Playa de Rose.
E a Ferrari acelerou.
Lorenna tremia de medo. Ela conhecia Finkle e suas atitudes extremas. Ele era fã de algumas drogas radicais demais. Ele foi, por exemplo, o primeiro a trazer o Haxixe para a sala, para as festas. O resto ainda estava naquela fase “boba” da maconha. O haxixe só aparecia de vez em quando no cardápio.
Lo logo se preocupou com Siri... Ela era propícia às drogas. No fundo, era uma necessidade de se provar. Entre haxixe e narguile, Siri logo escolhia haxixe, só por ser mais forte. Ela não queria ser chamada de fraca, queria que todos esquecessem os tempos de nerd dela. Mas, o que mais amedrontava Lorenna era o grupinho de Tom. Dava para perceber que eles eram bem aventureiros, radicais em suas atitudes. Chegavam a ser abusados. Uma das garotas-modelo do grupinho acendeu um cigarro no corredor da escola, o que é estritamente proibido.
Chegaram à praia. Os dois correram em direção Leste, o lado mais “divertido” da praia, segundo Finkle. Uma garrafa de Red Label vazia estava jogada na areia. “Droga” pensou Lorenna, assim que encontrou outras 5 garrafas. E ainda, a blusa de Siri, jogada na areia. Com lágrimas escorrendo pelas bochechas, Lorenna correu e correu, gritando o nome de Siri e Tom. E, finalmente, alguns minutos depois, ela ouviu o som da estridente risada de Siri. Lo correu desesperada atrás da amiga. E lá estava ela, seminua, com Tom e Midas a rodeando, enquanto Siri, caindo de bêbada se esfregava em Tom. E uma garrafa de Red Label na mão de Siri, mais uma. Tentava beijar Tom, chupava seu pescoço, queria subir em cima dele, mas Tom não queria nada com ela, e apenas a afastava delicadamente. Midas não negava nada, por sua vez. Era ele que puxava ela para os beijos violentos, mas era óbvio que Siri queria Tom. Então, Midas sussurrou algo no ouvido do amigo, que fez Siri rir daquela forma forçada e irritante.
– Pode vir, cowboy. – Siri mencionou a camisa xadrez de Midas.
– Cara, sério. Ela já ta de sutiã e calcinha, ta ótimo assim, não abusa... – advertiu Tom.
– Se não quer, sai daqui – disse Midas, abrindo o fecho do sutiã de Siri.
Foi nesse momento, que Lorenna interferiu, seguida do ofegante Finkle.
– Você pode parar por aqui, Midas. Isso aqui é uma Sex Party, ou o quê? Seja o que for, arranje uma garota não-bebada para se aproveitar dela... Sinceramente! E o mesmo vale para você, Tom. – Ela e Finkle tiraram Siri dos braços de Midas e a enrolaram no cardigã de Finkle. Siri não estava entendendo nada, e só concordou em ir com eles se pudesse levar a garrafa de bebida. Lorenna, cansada, cedeu por fim. Os dois levaram Siri para casa. Enquanto Finkle esperava no carro, Lorenna dava banho em Siri, que estava na fase depressiva da embriaguez. Quando Siri se deitou na cama e não queria levantar pois se julgava muito fraca, Lorenna sentiu que era hora de ir embora. Quando entrou no carro, disse com a voz pesada:
– Dizemos a todos que matamos aula, ok? Não quero mesmo expor a Siri...
– Claro.
– Obrigada por tudo, Fin... Foi bem legal da sua parte...
– Tudo certo, desde que aquela hora com você esteja garantida, lembre-se disso. – Finkle a lembrou, e se aproximou dela, querendo lhe dar um beijo na bochecha. Lorenna se afastou, decepcionada com o comportamento de Finkle.
Quando Lorenna tentou enxergar a bondade em Finkle, ele havia a lembrado que não possui bondade nenhuma. Todos os gestos bons daquela manhã foram em troca de prazer material. Lorenna riu, pensando em como foi burra ao acreditar que havia outro lado em Finkle. Ele seria sempre o garoto tarado, perverso.
As pessoas não mudam, lembre-se disso, Lorenna.
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