High And Low
6 Capítulo 6
Notas iniciais
POV RACHEL
Quando vi que o rosto de Tom estava cada vez mais perto, gelei. Não estava pronta para isso, não ainda. Mas não tinha outra saída, ele chegou ainda mais perto e acabou com a distância existente entre nossos lábios. Sua língua pediu permissão para aprofundar o beijo e eu cedi. Não estava acreditando, eu devia estar paralisada. Mas era como se meu corpo estivesse agindo por mim, no automático. Passado alguns segundos, meu cérebro foi se acostumando com a ideia de que eu estava beijando o Thomas Anthony Parker e eu fui começando a prestar mais atenção no que estava acontecendo. Minhas mãos estavam fazendo círculos em seu cabelo enquanto as dele estava uma na minha cintura e outra em meus ombros, num abraço apertado sem deixar ter um mínimo de espaço entre nossos corpos. Ainda nessa posição, ele me empurrou, me deixando contra a parede.
— Quem é o idiota agora? – Ele mordiscou de leve o lóbulo de minha orelha. Arrepios percorreram meu corpo.
— Eu. – “Por querer que esse momento durasse para sempre!" Completei mentalmente, escondendo meu rosto em seu peito. – Você beija bem, Parker. – Ele deu uma risada rouca escandalosa.
— Quer experimentar de novo? – O seu hálito contra com meu corpo me fez suspirar.
— Com certeza.
Ele levantou meu rosto e passou os braços em meu pescoço, para começar um novo beijo, calmo. Que não durou muito.
— TOOOM! Vem, já liguei o jogo! – FILHA DA PUTA! Essa porra de jogo não pode esperar um pouco, não?
Ele partiu o beijo e olhou para mim com uma carinha de dar dó. Ta vendo Mel? Deixou TODOS infelizes!
— To indo, Mel! – Ele gritou em resposta.
Me virei para a panela com o brigadeiro, que graças a Thomas, estava começando a queimar. Ele pegou meu queixo e virou minha cabeça, obrigando-me a olhar para ele.
— Depois a gente termina isso. – Eu aposto o que você quiser que meu rosto ficou vermelho nessa hora. Sorte que ele me soltou e eu pude me virar rápido, sem deixar que ele percebesse.
Senti ele saindo da cozinha enquanto eu apagava o fogo e despejava o brigadeiro num prato. Botei a panela na pia, depois lavava isso, e botei o prato do lado da janelinha, para esfriar mais rápido.
Sai da cozinha, indo para a sala. Lá encontrei Tom, Mel e Lily.
— O que vocês tão fazendo? – Perguntei olhando para Mel.
— Vamos jogar um jogo idiota de dança. – Quem respondeu foi Tom. Olhei para ele. Arrependi-me no mesmo segundo. Só olhar naqueles olhos me trouxe de volta tudo o que aconteceu na cozinha e eu corei.
— Ah, vou querer jogar também!
— Ok. Quem começa? — Mel falou.
— O Tom! — Eu e a Lily dissemos juntas.
— Posso saber por quê? — Kkkk, ele tava puto!
— É simples! Você dança muito mal, e se você for antes da gente, vai passar mico primeiro. Encorajando-nos a pagar mico também! — Sorri.
— Espertas! Mas não adianta. Porque o voto da Lily não vale, já que ela não vai jogar. E eu voto em você para dançar primeiro!
— Haha, então o meu voto que vai decidir quem vai começar! Como eu sou importante! Hmmm, vamos ver... Eu concordo com a Rach! Tom loser! Haha.
— Poxa, e eu pensando que minhas fãs eram boas, que me ajudariam e talz... — Cara de decepção? Ele realmente é um bom ator!
— Pensou errado, bonitinho! Vai logo, vai!
Ele chegou lá e escolheu uma música agitada que eu nunca tinha escutado.
Rir é bom para saúde? A eternidade que me espere! Todo mundooooo, merece ver o Tom "dançando". Ele é todo duro, não tem equilíbrio e fica todo concentrado, com uma cara engraçada. Nos primeiros dez segundos eu tentei me segurar, porque provavelmente não era melhor que isso, mas aí, mandaram ele dar um giro e um salto em seguida. O giro ele deu quase caindo, e quando deu o salto, tropeçou no próprio pé, que o fez cair quando chegou ao chão. Pronto, foi o que bastou. Eu e as meninas caímos na gargalhada. Ele acabou a dança e ficou vermelho quando percebeu que a gente tava rindo dele.
— Rachel, como você foi à segunda com mais votos, vai ser você agora, linda. — Ele falou, ao contrário do que você deve estar pensando, no deboche.
Escolhi uma música qualquer, não estava com paciência para procurar e uma música conhecida não iria me impedir de passar mico.
Acabou que era uma música estilo rap e me dei bem. Quase o dobro da pontuação de Tom.
— Pega essa! Ninguém barra a bolada aqui não! — Cara, eu não me acho, eu sou!
Era a vez de Mel, ela pegou Poker Face da Lady Gaga e foi bem, só errou um passo.
— Quem ganhou? AH rapaz, a Rach aqui é fodona. Tá pensando o que?
Tom só ria. Acho que já estava acostumado a ser humilhado na dança.
— Vamos fazer algo que eu sou pelo menos razoável agora? Já passei mico e fui humilhado pela minha própria fã. Não tem mais nada que o mundo possa fazer para ser mais cruel.
— E no que você é razoável, Parker? — Perguntei receosa, não percebi nenhum sarcasmo na sua voz, mas é o Tom Parker, de quem você pode esperar tudo!
— Hmmm, acho que sou bom em karaokê.
— Ah, vai te fuder, Parker! Mentira que tu é razoável, né? Não, não vamos cantar, principalmente na sua frente!
— Hm, a Rachzinha ta amarelando é? Ouch.
— Ah e é assim é? Challenge Accepted!! Vou arrebentar nessa porra! – ME arrebentar, só se for né? O Tom ia acabar comigo.
Ele foi primeiro de novo, mas sem reclamar dessa vez, e escolheu Wonderwall – Oasis (http://www.youtube.com/watch?v=npM2FI67xRQ) e ele foi muito bom. Já o tinha visto fazendo o cover dessa música no YouTube, mas ao vivo é melhor ainda. Era impossível eu cantar melhor do que ele. Escolhi I Gotta Feelin' — Black Eyed Peas eu amo essa música!
Eu fui bem. Tipo, é porque é meio difícil ser boa no karaokê quando se tem o Tom Parker para lhe humilhar, então, fui razoável.
— Nada mal, Skinner. — Ele e as meninas aplaudiam.
— Obrigada Thomas. — Fiz uma reverência. — Mas você só falou isso porque não tem coragem para me humilhar. — Ele estava chegando perto.
— Sabe, coragem até que tenho. — Seu rosto estava a poucos centímetros do meu. — Só não quero mesmo.
— Tá, meninas vão com o Tom na cozinha para irem comendo o brigadeiro que eu vou lá em cima botar uma roupa mais confortável ok? — Elas confirmaram com a cabeça.
— Ei, que papo é esse? Eu quero que a chef esteja do meu lado quando eu provar. Quero expressar minha opinião, tá?
— Tá. Espera aqui então que eu já volto.
— Não, eu subo com você. — Não respondi só me virei em direção às escadas, deixando que ele me seguisse. Entrei no quarto e peguei uma roupa simples. (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=48805350&.locale=pt-br) E fui em direção à porta do banheiro, mas Tom ficou parado na minha frente, me impedindo de passar.
— Erm, Tom, licença?
— Isso já é um progresso, tá vendo? — Ele falou tentando seduzir. Conseguiu.
— Pode me dizer o que é, exatamente, um progresso? — O cara enlouqueceu?
— Você deixou de me chamar de Parker, linda. Isso é um progresso. — Ô droga! Devia ter continuado fazendo-me de difícil, mas na primeira noite já estraguei tudo.
— Não, eu não deixei, Parker. Licença? — Falei furiosa, ele deve ta pensando que é com ele, mas é comigo mesmo.
Ele se esgueirou na parede, dando-me um pequeno espaço para passar. Quando estava no soleiro da porta ele esticou-se e deu um beijo na minha bochecha, só para eu bater a porta na cara dele, pela segunda vez na noite.
Ao invés de ir logo me trocar, eu me encostei-me à parede e deixei meu corpo deslizar ao chão. Eu tinha que pensar em algo, ele estava sendo demais comigo, eu iria resistir por muito tempo assim. O meu problema, era Thomas Anthony Parker. Com todos outros garotos que eu já quis fazer esse joguinho de me fazer de difícil, dava certo. Os meninos ficam loucos com isso. Acabei de perceber que o Parker não é normal. E eu tinha que resolver isso de alguma forma.
— Rachel, tá tudo bem? — Tom perguntou. Droga, fiquei pensando e esqueci que o ele me esperava.
— Tá sim, dois minutinhos que eu já saio! — Me troquei logo e sai do banheiro. Tom estava encostado no soleiro da porta, e só me olhou sair.
— Vai ficar parado aí mesmo ou vai descer comigo? — Levantei a sobrancelha.
— Vamos.
POV TOM
A gente desceu e já deu para sentir o cheiro. Sim, esse brigadeiro deve ser uma delícia. Chegamos à cozinha e encontramos Mel e Lily já comendo o doce.
— Se vocês comerem muito disso vão acabar ficando gorda, mas tipo não é gorda de 3Kg não. É tipo OBESAS, eu vocês parava de comer isso...
— Não nos importamos, você só tá dizendo isso porque quer a gente deixe tudo para você! — Mel começou...
— Pois é, não lhe daremos esse gostinho! Você iria perder o seu tanquinho de deus grego! — ... A Lily continuou...
— E fora que não queremos ser esfoladas pelas outras fãs por sermos as culpadas disso! Então, comeremos mais para salvar a nossa e a sua pele! — E a Rachel terminou.
— Porra, tá bom então hein, depois desse sermão para cima de mim não falo mais nada! — Levantei as mãos, em frustração.
— Tá, mais pelo menos um você vai experimentar. Sério que quando vocês foram ao Brasil não lhe deram brigadeiro para provar? Todo mundo come isso lá!
— Não, a única coisa brasileira que nos deram para provar, foi a caipirinha, uma bebida muito boa para ser sincero! – Eu enlouqueci quando bebi aquilo!
— Que ótimo. Toma aqui então! – Ela pegou uma colher cheia desse chocolate e botou na minha boca.
— Cassete! Isso é bom demais! Por que não nos deram isso antes? – Elas só riam da minha cara. – Não, mas é sério. Caralho, isso é perfeito! – Peguei uma colher com uma generosa quantidade.
Ficamos lá conversando sobre como elas conheceram a banda. A Rachel ouviu All Time Low, gostou e foi procurar mais sobre nós. A Mel soube pela internet. E a Lily, porque já nos apresentamos na escola da irmã dela, que chegou em casa cantando nossas músicas e quem acabou ficando fã foi a Lily, eu ri com essa viu.
— Poxa, já acabou o brigadeiro? Merda! Raach faz mais. Por favooor! – Tentei fazer uma cara de pidão, mas provavelmente saiu mais como uma careta.
— Eu não. Vocês vão ficar todos hiperativos. Vamos lá pro meu quarto e resolvemos algo para fazer.
Pegamos alguns pufs e levamos pra lá.
— Tá, vocês querem o que? – Lily perguntou. – Topo o que vier!
— Vamos assistir um filme. – Mel falou.
— Tá, mas vai ser de terror, então Tom, nada de chororo, viu? Se quiser fechar os olhos nas partes fortes tem problema não!
— Tá, linda. O problema é que a única criança que ficará com medo aqui é você!
— E do que você acha que uma criança como eu teria medo?
— De mim, talvez. – Eu falei indiferente, mas tinha um segundo sentido, que só a Rachel entenderia.
— Ok, escolhe um filme aí que eu vou fazer pipoca e trazer coca. Mel, vem comigo para me ajudar.
Elas saíram e eu peguei um filme sobre espiritismo, Lily ficou arrumando os pufs e almofadas no chão. Me joguei sobre a cama e fiquei lá até que as meninas chegaram, a Lily já tava deitada no puf e a Mel em outro, só a Rachel que estava fechando as cortinas e pegando os controles.
— Raach, fica aqui comigo! – Pedi, abrindo espaço para ela se deitar.
— Ok, só espera um pouquinho que eu vou lá embaixo apagar as luzes que a tapada da Mel não fez o que eu pedi. Pode dando play já. – Fiz o que ela mandou e me afundei nos cobertores. – Abre um espaço aí pra mim, Tom! – Ela se espremeu e botou a cabeça no meu peito. Na boa? Não assisti nada do filme, só prestava atenção quando Lily dava os gritos. Só pensava em Rachel nos meus braços, que agora estava dormindo. O filme acaba e estava nós dois.
(...)
Acordei com uma luz em cima de mim. Porra, as meninas ligaram a luz logo em cima da gente é foda né? Tudo bem que eu tinha que acordar e tudo mais, mas não precisava judiar tanto com minha pessoa!
— Porra, para com isso, caralho, ta doendo meu olho! – Eu falei com a voz mais rouca ainda, se é que é possível e as idiotas não responderam. Acabei por ter que abrir os olhos, mas não adiantou muito, a luz ofuscaste que vinha da janela cegava meus olhos, deixando minha visão escura.
Calma aí. Janela? Esfreguei os olhos e me obriguei a ver alguma coisa. Sim, A janela estava aberta, mas o que me incomodava é que estava claro lá fora. Olhei para meu lado e vi a Rachel dormindo que nem um anjo com as mãos no meu braço. Eu não acredito que eu dormi com ela! Onde estavam as meninas? O que será que Rachel vai achar de eu ter dormido abraçado com ela? Mas eu tenho que falar com ela antes sair.
— Linda, tenho que ir agora. Depois a gente se fala, ok? – Sussurrei em seu ouvido, me levantando.
— Tom? Já vai? – Ela perguntou sem abrir os olhos.
— Sim.
— Promete que vamos ficar trocando mensagens para sairmos de novo?
— Sim, prometo. – Dei um beijo em sua bochecha e sai do quarto, esperando voltar sempre.
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