Higanbana em seu próprio universo
1 Prólogo – Equinócio outonal
Notas iniciais
Higanbana em seu próprio universo
Começos trágicos têm fins trágicos, e Akane tinha certeza daquela frase naquele momento. O vento tocou sua pele e levou os longos fios chocolates, fazendo-a sentir seu próprio cheiro. As luzes da cidade brilhavam mais naquela noite de outono, o ar lhe trazia as lembranças de um passado que no futuro seria esquecido. E naquela ponte, ouvindo as buzinas dos carros e o sentindo cheiro da poluição, nunca havia se sentido tão viva. Algo começou a nascer dentro de si, uma leve sensação revigorante fluía pelo seu sangue, dando-lhe a calmaria necessária para terminar aquele dia.
Seu suspiro foi calmo e silencioso com um leve tom de cansaço, sua máscara era potente e graciosa. Observou a agressividade das águas em baixo de si e sentiu a nostalgia atingir em cheio sua alma. E toda aquela inquietação, toda aquela movimentação misturada com agonia, a fazia quase querer chorar. A verdade era que ninguém nunca estaria totalmente acomodado com a ideia de um fim. Se pudesse, ela viveria mais mil anos com Hakai. Seria uma boa serva, não levantaria mais a mão, seu tom de voz diminuiria, e se até mesmo Hakai quisesse, ela mudaria seu pensamento. Deixaria de ser ela mesma. Mas como todas as pessoas, Akane não estava preparada para o que o destino lhe reservava. Não que estivesse arrependida de seus atos, tudo o que fizera foi apenas puro amor por Hakai. Mataria e morreria por aquele que um dia havia sido seu tudo.
Mas como as águas daquele rio, Akane seguia seu próprio futuro e não era mais a mesma. Mas nunca queria ter mudado. Estava perfeitamente confortável no seu casulo, sendo protegida pela loucura de seu amor. O rio desaguará no oceano e se misturará com outras águas. Elas nunca foram elas mesmas. Essas águas que Akane via era seu próprio reflexo. Em toda a sua vida, as decisões não eram para si. Em momento algum era somente Akane Yamazaki. Sua vida era igual uma pluma, sempre sendo levada pelo vento, nunca por si mesma. E o que separava sua dependência e sua liberdade era apenas um passo.
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