Hide

5 Pedaço de insanidade


- Preciso ir ao banheiro. — Sussurrei baixo para a garota aos meus braços. Ela assentiu e caminhou até alguns convidados, que à receberam com sorrisos e aconchego. E eu sabia que não seria recebido assim pela pessoa que me esperava.

Enfiei as mãos dentro do bolso de minha calça e caminhei, fitando o chão, até o corredor onde ficava o banheiro masculino. Pude ouvir os passos em uma longa distância, me seguirem. O vento fez com que a porta do banheiro batesse forte quando eu entrei.

Encarei-me no espelho. Um sorriso superfícial, escondendo toda a tristeza que Bert conseguiria ler fácilmente em meus olhos, que permaneciam sem-vida para quem os conhecesse tão bem. Não sei se era a fraca luz do banheiro ou a natureza de minha pele, mas meu rosto parecia extremamente pálido. Não era branco, como sempre foi. Era mais do que isso, era de uma palidez doentia, que estava visível para qualquer um que prestasse atenção. Cheguei à conclusão de que realmente a noiva é a atenção principal de um casamento e agradeci mentalmente por isso.

Ouvi a porta abrir e encarei pelo vidro do espelho, Bert aproximando-se, hesitando.

- Parabéns. — Ele disse friamente, um leve tom irônico em sua voz.

- Obrigado. — Respondi no mesmo tom, mas muito mais baixo, o tom em que minha voz conseguia pronunciar-se.

Bert parou ao meu lado, com as mãos igualmente enfiadas em seu palitó, e seus olhos encontraram-se com o espelho à nossa frente. Permanecemos assim, talvez durante segundos ou minutos, nos encarando pelo vidro, sem coragem para encararmos um ao outro diretamente nos olhos. Bert foi o primeiro à interromper o silêncio.

- Acho que você tem que voltar para lá.

- É... Bert... — Mordi meu lábio, hesitante. — Você não tem mais nada para falar?

- Eu já disse tudo que tinha pra falar. — Ele respondeu, simples, tranquilo. Lhe encarei pelo espelho e na mesma hora seus olhos o traíram. Ele desviou o olhar.

Meu corpo girou, fora de meus comandos, para ele e minhas mãos automaticamente seguraram em seu rosto, o levantando para mim. Seus olhos se desviaram algumas vezes, até que meu corpo colou contra o dele, enquanto minha mão abaixava até as suas que permaneciam dentro dos bolsos. O verde de minha visão misturou-se rapidamente com o azul da sua, suas mãos deixaram o palitó e tocaram nas minhas, hesitantes, até que eu às entrelacei fazendo com que nossos dedos segurassem um ao outro, como uma base para não caírmos diante daquela situação. Aproximei meus lábios até os dele e rapidamente, mas ao mesmo tempo em um movimento lento, nossas bocas colaram uma à outra, engatando em um beijo intenso. Nossos olhos se fecharam para nossos rostos em baixo de nossas pálpebras.

And I\'ll keep on making more just to prove that I adore every inch of sanity. All I\'m asking for is, all I\'m asking for is... Empurrei levemente o corpo de Bert contra a pia, enquanto nossas línguas ainda dançavam uma com a outra, em uma valsa melhor do que à do baile lá fora. Nossas mãos embaraçavam uma à outra enquanto tiravámos nossas roupas em uma velocidade recorde, às jogando para o chão em seguida. Bert mordiscou meu lábio quando eu tentei afastar-me e eu selei nossos lábios um contra o outro, em um gesto simples e delicado. Meus olhos se abriram enquanto nossos lábios permaneciam colados um contra o outro, nós dois ofegantes. Observei Bert de olhos fechados, respirando, de certo pensando na insanidade que aflourava em nossas peles de um modo desesperado, faminto. Eles se abriram lentamente, para que eu pudesse encará-los e lê-los em silêncio.

Um sorriso tomou meu lábio, pela primeira vez naquele dia, um sorriso verdadeiro.

- Eu te quero agora.

- Eu sei. — Sussurrei próximo à sua boca, roçando as duas uma à outra. Íamos engatar em um beijo até que eu me afastei, correndo até a porta. Observei Bert ali, sentado na pia e me olhando, avaliando minha expressão com um de seus sorrisos mais lindos, sabendo que eu não faria nada para chatea-lo naquele momento. Um bolo tomou conta do meu estômago, quando me dei conta que, realmente, não iria chatea-lo naquele momento, e sim depois. Mas não importava, eu era egoísta o suficiente para fazer o que estava prestes à fazer. Não podia perder aquilo, não agora.

Fechei a porta com o trinco, à trancando. Em seguida, corri de volta para Bert que me apanhou de braços abertos, me envolvendo em um abraço enquanto voltavámos à nos beijar. Quase como um vulto, ele desceu da pia e, sem aviso prévio, me empurrou contra ela, presando meu corpo entre a madeira e seu próprio corpo.

Senti sua mão, mais leve do que uma asa, deslizar sobre meu corpo até chegar onde desejavámos. Um gemido escapou dos meus lábios quando senti a mão de Bert apertar meu membro, que já pulsava fortemente. Ele o acariciou lentamente, me torturando ainda mais do que estava torturando à si próprio, se demorando em seu trabalho. Senti aquela mão, leve mas que tinha tanto efeito sobre mim, deslizar para dentro de minha box enquanto os dedos envolviam meu membro, masturbando-me lentamente. Com a outra mão, ele abaixou completamente o tecido, me deixando sentir seu membro pulsando sobre a minha entrada. O ar fugia de meus pulmões aos poucos, eu ofegava. Seus lábios maciam tocaram meu pescoço, enquanto eu inclinava a cabeça para baixo, oferecendo totalmente minha pele à aquela boca e à aqueles lábios.

Bert me penetrou devagar dessa vez, estudando seus movimentos para que não me machucasse, porém eu empurrei-me contra seu corpo, logo gemendo em seguida. Fora um gemido de prazer, e isso tive certeza de que ele percebeu, já que lhe era conhecido. Os movimentos aumentaram aos poucos, ao mesmo tempo que meu prazer aumentava e eu sentia-me cada vez mais sedento do que estava por vir. Suas mãos trabalharam rápido ao mesmo tempo que suas investidas se intensificavam e não demorou muito para que eu me derramasse sobre a pia, sentindo ele seguir meu exemplo, logo depois, derramando-se sobre mim.

Nos olhamos no espelho por um determinado tempo. Suados, ofegantes, cansados.

These hands stained red from the times that I\'ve killed you and then, We can wash down this engagement ring with poison and kerosene. We\'ll laugh as we die, And we\'ll celebrate the end of things with cheap champagne