Pessoas da mídia tendem a ser infelizes. Escondem tudo que sentem apenas para não decepcionar aqueles que não os apoiariam. Jungkook e Jimin faziam parte dessas pessoas que sempre escondem tudo que podem, mas não conseguiam manter em segredo tudo que sentiam um pelo outro. E esconder isso poderia custar caro, porém era só botar os olhos um no outro que eles esqueciam de tudo que podia dar errado.

Aquele dia era mais um dos inúmeros onde combinaram de se encontrar no quarto de Jungkook, o único integrante do grupo que possuía um quarto só para si – algo que facilitava e muito os encontros dos meninos.

Jimin e Jungkook escondiam um namoro há mais ou menos onze meses, ninguém além dos dois sabia sobre, e sabiam que deveria permanecer daquela forma por todo o tempo, até viverem em um mundo melhor onde poderiam assumir o relacionamento.

— Oi, amor. – Jungkook cumprimentou, murchando o sorriso que tinha nos lábios assim que viu a feição chorosa do loiro. – O que houve com o meu bebê, uh?

— Nosso produtor me chamou para ter uma conversa. – Murmurou, vendo o olhar de Jungkook vacilar por alguns instantes.

— Está vindo terminar comigo, não é? Não faça isso, nós podemos dar um jeito, seremos mais discretos, só... não, por favor.

Jimin não disse nada, apenas abraçou o maior, enterrando seu rosto no peito do mesmo enquanto sentia os braços dele ao seu redor. Empurrou Jungkook até que o mesmo já estivesse sentado na cama e então colocou-se sobre as pernas do Jeon, ficando ainda mais agarrado a ele.

— Para o bem do nosso grupo eu deveria fazer isso, mas eu não conseguiria mais sorrir se terminasse com você depois do tanto que nós lutamos para ficarmos juntos. Não seria justo com nenhum de nós. – Começou o Park, acariciando o rosto do namorado. – A conversa não foi agradável, mas eu neguei até o fim, não importando o quanto me machucasse. Eu só queria poder gritar para o mundo que você e eu somos sim um casal, mas nós não podemos, e isso me machuca mais do que qualquer outra coisa.

— Sei disso, meu amor. Eu também queria. – Garantiu o moreno. – O que ele falou com você? Não quero que passe por isso sozinho, pode me contar.

— Ele disse que nós estamos muito escancarados na frente das câmeras, que não conseguimos conter nossos olhares ou sorrisos, disse que isso implica e muito para que façamos sucesso. – Jimin riu sem vontade, negando com a cabeça. – Será que eles não conseguem enxergar que nossas fãs criam histórias e mais histórias sobre nós e que tem surtos cada vez que nós fazemos uma interação? Ele mesmo já pediu para que fizéssemos propositalmente!

— Mas na época ele não via que poderia se tornar algo de verdade. Ele sabe que estamos juntos, ele não é idiota, por isso quer acabar com isso, já que não pode nos controlar. E é isso que ele quer, controlar cada passo que nós sete damos, até a forma que respiramos. Somos como escravos dessa empresa, mas não podemos fazer nada até o contrato acabar. – Jungkook disse, abraçando melhor o namorado. – O que podemos fazer é ultrapassar a empresa. Se conseguirmos aumentar o sucesso do nosso grupo, acabaremos tendo mais, como eu poderia dizer? Algumas regalias, entende? Seremos algo que eles não vão querer perder, então talvez consigamos expor nosso relacionamento ao menos para os meninos e nossa equipe. Temos que dar passinhos de bebê, mas daremos um jeito.

— Você vai aguentar ficar escondido comigo?

— Eu aguento qualquer coisa com você.

Jimin sentiu toda sua pele se arrepiar pelas palavras de seu namorado e não pensou mais muito antes de ir mais para frente e selar seus lábios aos dele de forma calma. Não tinham muitos momentos a sós, e mesmo quando tinham precisavam ser cuidadosos.

Por esse motivo já não tinham nenhum momento mais íntimo fazia mais de um mês, já que nunca tinham chance de fazer mais do que dar uns beijos um no outro. E claramente sentiam falta um do outro, sentiam falta de tudo que podiam fazer juntos, até de dormir abraçadinhos como raramente acontecia.

Mas naquele noite eles se permitiram arriscar um pouco. Precisavam disso, precisavam um do outro.

~#~

Na manhã seguinte Jungkook acordou sozinho, mas sorriu pequeno por lembrar-se da noite que tivera com Jimin.

Como o próprio Park dissera, era doloroso esconder, mas mais doloroso ainda seria perderem um ao outro por se descuidarem, por os outros não aceitarem ou por uma simples e ridícula regra da empresa.

Sim, eram colegas de trabalho, talvez fossem antiprofissionais por fazerem isso, mas eles também eram humanos e não escolheram se apaixonar. Simplesmente aconteceu.

Jungkook não sabe como se apaixonou, mas os motivos para tal eram bem óbvios aos seus olhos. Jimin era um homem incrível, fofo e lindo. Ia de uma pessoa sexy a um serzinho fofo em poucos segundos. A forma que ele dançava, tão alinhado com os outros, em uma leveza que o fazia parecer uma pluminha.

O sorriso... ah, o sorriso de Jimin deveria ser considerado a oitava maravilha do mundo. E mesmo que fosse lindo, os meninos sempre diziam que o sorriso de Jimin parecia ganhar vida quando quem o fazia rir – da forma gostosa que levava os outros a rir junto – era Jungkook. E isso inflava o ego do moreno de um jeito sem igual.

Não importava quais eram os motivos para ter se apaixonado, afinal sabia que era uma mistura de todos eles, o que importava é que amava Park Jimin com todas as forças, e usaria tais forças para lutar contra tudo que fosse necessário para conseguir enfim assumir o namoro com ele para todo mundo.

Saiu de seus devaneios e foi para o banheiro, arrumando-se rapidamente antes de encaminhar-se para a cozinha, encontrando os amigos ali, estranhando porque justamente quem ele procurava não estava ali.

— Onde está o Jimin? – Perguntou aflito, afinal o namorado estava bem na noite passada.

— Levou um tombo porque o Jin derrubou água sem querer no chão, aí ele caiu de costas e ficou com dor. Nós demos água para ele e pedimos que ele ficasse deitado um pouco antes de irmos para o ensaio. – Taehyung avisou, deixando o moreno ainda mais preocupado.

— Eu preparei o café para ele. – Avisou Jin. – Você leva?

Jungkook assentiu, pegando a bandeja com o café da manhã e indo até o quarto que o namorado dividia com Hoseok. Abriu a porta, vendo um amontoado de cobertas encolhido no meio da cama. Sorriu automaticamente e se aproximou, deixando a bandeja na mesa de cabeceira e sentando na cama ao lado de Jimin.

— Eu realmente não quero nada, Tae.

— Não é o Tae. – Sussurrou, sorrindo ao ver Jimin virar-se em sua direção. – Como você está, amor? Me disseram que caiu.

— Caí de costas, doeu bastante. – Riu fraquinho. – Minhas costas estão doendo ainda, mas se meu querido... – Bem na hora Hoseok entrou no quarto, pedindo licença porque precisava pegar as roupas que usaria para sair. – Obrigado por se preocupar.

— Ah, sim. Jin pediu para que eu te trouxesse o café da manhã. – Colocou a bandeja nas pernas de Jimin e ajudou-o a sentar.

Depositou um selar amigável na testa do menor e avisou que estaria na cozinha tomando seu café da manhã, saindo em seguida do quarto, engolindo o bolo que se formou em sua garganta.

Até mesmo na frente de Hoseok, seu amigo e colega de trabalho, precisava fingir que era apenas amigo de Jimin.

Odiava passar por tudo isso, esconder seus sentimentos.

Mas por Jimin valia a pena.

Sempre valeria.



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