(Hiatus) The Soul

8 Parte Três - Capítulo Um, Oitavo Olho Cinzento


Notas iniciais
Olá meus amores!! Um pov lindíssimo de Ian e sua lacraia. Vamos esclarecer só uns aspectos: Oitavo Olho Cinzento é o nome da alma inserida no Ian; a cela (a mesma que Peg ficou) não é como a cela descrita no livro e nem como a cela mostrada no filme - é uma fusão das duas; e aguardem, não se desesperem! Todas as perguntas deixadas nos capítulos da parte dois serão respondidas gradualmente... Espero que não fiquem confusos e perguntem se acharem que tem necessidade. Responderei caso isso não envolva spoiler!! HAUHAUHAAH Boa leitura!!

— E aí, Oito? – pergunta Jake, excitado e ao mesmo tempo indiferente com o meu retorno à “cela”. Seus olhos castanhos intocados varrem meu corpo com curiosidade.

— Olá, Jake – eu uso meu tom mais neutro possível. Não quero que ele me questione sobre nada, mas sei que nada do que eu disser vai mudar esse viés provável do futuro.

— O que ela disse? – ele arqueia as sobrancelhas e me encara cheio de expectativa.

— Ela passou mal e o Doc mandou que me tirassem de lá – eu resumo da melhor forma possível os fatos que se antecederam.

— Sinto muito – ele se encolheu em seu canto do minúsculo buraco no qual nos enfiaram. Respira fundo como se estivesse verdadeiramente chateado. Ainda não sei dizer se as expressões de testa enrugada misturada com olhos semicerrados significam alguma coisa.

Ele está pensativo, idiota.

Cale a boca, Ian.

Você é muito grosseiro para uma alma, sabia disso?

— Então, Jake – eu digo o mais alto que posso, na tentativa de afastar Ian da minha mente. – Você acha que ela vai me perdoar? – eu pergunto, porque realmente quero saber a resposta.

— Sinceramente? – ele me olhou pesaroso – Não... – ele parece querer acrescentar algo, mas não sabe como.

Suspiro alto. Não sei mais o que fazer. Ando tendo sonhos intermináveis com a Peregrina por culpa do Ian, que não consegue controlar a si mesmo. Acho que ele faz isso para me torturar; joga imagens tentadoras quando bem entende, e quando eu torno a procurá-las, ele ergue uma enorme barreira que me impede de tocá-las. O fato de ele não ser chegado a conversas também não ajuda em nada. Sinto-me perdido o tempo todo.

— Aberraçãaaaooo! – Kyle grita, posso ouvir seus passos ecoarem na Caverna.

A única coisa que impede de Kyle me matar de pancadas é que estou inserido no corpo do irmão dele. Do contrário, acho que eu já estaria morto. Bem morto, encaminhado para o planeta mais distante o possível da Terra.

Controlo-me para não respondê-lo. Ian sabe uma porção de palavras feias, e às vezes, a adrenalina que ele sente quase o tempo todo me sufoca, fazendo com que eu sinta uma vontade quase instransponível de dizer besteira.

— Chame o Jake – ele fala ríspido. Kyle ao menos gosta de trocar olhares comigo.

Ele deve saber que Jake vai ouvir tão bem quanto eu sua ordem. Porém, deve achar muito prazeroso encontrar uma oportunidade de me chamar de aberração. Olho para o canto e vejo que Jake já está de pé, arrumando suas vestes sujas de poeira. Limpa a garganta rapidamente e põe sua melhor expressão de enfezado no rosto, que pelo menos a mim, não engana nem de longe.

— Foi dada a minha sentença? – ele pergunta em seu típico timbre petulante, dramático e irônico, uma mistura de emoções que me faz rir toda vez que ele diz alguma coisa. – Irei morrer, não é mesmo, ó grande Kyle? Deixe-me dar meu suspiro final ao lado de meu boníssimo amigo – ele diz teatralmente.

— Cale a maldita boca, moleque – ele fala meio impaciente, mas tanto eu tanto Ian, caso resolvesse se manifestar, diríamos positivamente que ele quer rir.

Sou deixado sozinho uma vez mais. Não é novidade que eles nutrem muito mais afeto pelo o humano do que por mim, embora eu já tenha sido um deles. Esse buraco é o lugar mais monocromático de toda a Caverna, mas eu não ousaria reclamar; o mundo terrivelmente incolor do qual eu vim é uma lembrança agonizante se posta em comparação com as cores deslumbrantes e vívidas da Terra. Até mesmo as emoções têm cores e sabores. Aqui as aranhas são apenas um pontinho preto em meio a uma paleta infinita de misturas e combinações de todos os arco-íris já existentes.

Eu gostaria muito mais que você fosse uma aranha. Odeio aracnídeos.

Aposto que adoraria. Você é não é nada gentil como Peg costuma descrevê-lo nas suas lembranças. É sempre tão frio comigo.

Não a chame de Peg. Peregrina pra você. Aliás, não a chame.

Como você pode amá-la e odiar a mim? É tão confuso.

Pobre Melanie, agora eu a compreendo perfeitamente. Bom, vejamos, pra começar, você é um mentiroso. Eu não me lembro de almas não sentirem remorso algum em mentir, no entanto, você é uma rara exceção.

Só porque eu disse a eles que você havia sido suprimido? Que bobagem. Você sabe que eu tenho medo dos buscadores. Eles vão me tirar de você se souberem disso, e inserirão uma alma mais resistente que fará picadinhos de você.

Olhe em volta, gênio. Não há buscadores aqui. Admita que você não quer deixar meu corpo. Não é altruísta como deveria ser. Você é corrompido.

Não há nada de egoísmo em querer tê-lo bem. Você ficará melhor comigo. Ficará mais bondoso. É isso o que os buscadores nos dizem...

Pensei que você tivesse medo dos buscadores.

Tenho porque eles nos ameaçam. Mas não quer dizer que eu não concordo com o que eles dizem.

Acredita em tudo o que dizem. Pelo menos ingênuo você é. Não pode se dizer que não é uma alma, afinal de contas.

Está bravo porque quer seu corpo de volta.

Você não está se sentindo horrível por ter a oportunidade de entregá-lo a mim e se recusar por egoísmo? Deveria.

Não vejo tal oportunidade.

Admita. Você é o que você mais teme; corrompido.

Não sou!

Ian?

Volte aqui, Ian!

Acho que ele não volta mais. Sempre some, sempre dono da palavra final. Não sou corrompido. Jamais me deixei ser afetado pelo DNA de nenhuma outra espécie durante qualquer inserção que já fiz, então por que teria sido diferente com o humano? Mentira! Ele não quer aceitar que sou puro.

Ouço alguns passos calmos se dirigirem até onde estou. Sinto um medo esquisito percorrer por mim. Não que alguém vá me bater; fantasiado de Ian, ninguém tem coragem de encostar um dedo em mim. Mas não são muito hospitaleiros.

— Quem está aí? – minha voz é aumentada algumas vezes devido ao eco. Soa potente e mais grossa do que realmente é.

— Sunny – ah, Sunny. Ela parece ser a única que me compreende. O problema é que ela me entende pelos motivos errados. Ela acha que Ian está suprimido e que estão me pressionando, quando na verdade ele inferniza minha mente todos os dias.

— Que bom que é você – eu digo honestamente. Ela não quer me arrancar do meu hospedeiro e parece ser a única (sim, considerando que eu disse a eles que Ian está suprimido. Depois eu quem sou egoísta!).

— Jake vai ser aceito no grupo. Mel acabou de confirmar que ele os ajudou na fuga. O Evan não resistiu e faleceu... – ela diz o nome de Evan saudosamente. Ela devia ter gostado dele. Eu não gostei. Achei falso. Um homem muito falso e hipócrita. Desconfiei dele desde o começo e achei merecido que tenha morrido.

Desconfiar não é uma coisa natural das almas, é Oito?

— Fico feliz por Jake – eu digo balançando a cabeça, tentando afastar Ian ao mesmo tempo em que me concentro para responder Sunny. Eu queria terminar aquela conversa naquele momento, agora não mais. Quero que ele suma. Seja finalmente suprimido.

Vá sonhando.

— Fique tranqüilo. Você não será expulso. Peg não irá permitir – não sei se me sinto aliviado ou mais angustiado. Aliviado, talvez.

— Vá embora. Se Kyle te pegar aqui... Nem sei o que é capaz de fazer – eu digo, estremecendo somente em pensar na reação dele quando a vir, sua preciosa Jodi, conversando com a Aberração. Embora não seja Jodi e embora a aberração seja seu irmão.

— Ian era um rapaz maravilhoso. Mas eu lhe compreendo. De quê adianta tudo isso se não há mais volta? Eu os farei enxergar a razão, Oito, prometo. Eles irão lhe tirar daqui. Quem sabe Peg não goste de você? – ela falou esperançosa, conforme se levantava do chão duro da Caverna.

— Quem sabe – eu me limito a dizer, um ar de sonhador. Quem sabe.

Eu sei. E a resposta é não.

Suma, vá embora, saia daqui Ian. Chispa.

Notas finais
E aí, o que acharam do Oito? Manifestem-se, hein humanos!! Quero saber a opinião de vocês. Xoxo, darlings!! Ah, Peg ou Oito-Ian narrando o próximo?