[Hiatus] The Hunter & The Wolf
3 Blue Eyes
Notas iniciais

Stuart
Jogo-me na cama e começo á olhar para o teto do quarto
“Bryan. Esse garoto é bem familiar. Talvez eu tenha o visto antes, quando eu morava aqui. Mas aqueles olhos azuis que me lembram do mar, são bem familiares e aquele cabelo castanho claro. Preciso conhecer aquele garoto melhor.”
– Stuart. Tudo bem? – Meu pai aparece na porta do quarto, me tirando dos meus pensamentos.
Sento na cama – Tudo sim.
– Se prepara, que daqui á 2 mêses teremos a lua cheia. Não é um bom dia para ficar saindo.
Assenti com a cabeça – Não se preocupe, vou ser cuidadoso.
Ele encostou-se ao parapeito – Eu sei que você não queria vir para essa cidade, mas não tínhamos outro lugar – Admitiu.
– Olha pai. Eu não queria mesmo vir para cá, não gosto de lembrar – Confessei – Mas eu sei que em um dia ou em outro tínhamos que voltar. Principalmente agora que eu já sei o que aconteceu e como funciona esse mundo.
Ele suspirou e sorriu fraco – Sua mãe teria orgulho do garoto que você se tornou.
Fico em silêncio por um tempo, olho para a escrivaninha e vejo a foto da minha mãe comigo no colo e do meu pai, ali éramos bem felizes, até a tragédia.
Não me lembro de muita coisa sobre a minha mãe, já não conseguia imaginar o seu rosto muito bem. Mas só lembro-me dos gritos, rosnados e sangue.
Arrepio-me ao lembrar daquilo. Não sei quando, mas só sinto o meu pai colocando a mão no meu ombro – Eu também sinto falta dela.
Sorrio de canto – Obrigado pai.
– Vou deixar você sozinho – Ele se afastou – Qualquer é só pegar ás armas.
Rio – Pode deixar.
Ele saiu do quarto e deito na cama novamente, viro para o lado e começo a lembrar do lobo que eu tinha visto ontem na floresta.
– Quase que eu fui visto... Tudo culpa daquela maldita aranha... – Resmungo e estremeço ao lembrar – Será que hoje ele vai estar na floresta?
Levanto e vou até a janela, noto que anoiteceu – Acho que sim – Sorrio de canto e pego uma blusa de frio com capuz e duas pistolas que coloco uma em cada lado da minha cintura.
Saio do quarto e olho em volta, procuro por meu pai, mas ele deve estar assistindo ou descansando, desço ás escadas e vou para a entrada. Abro a porta lentamente sem fazer barulho e fecho.
“Plano A: Sair de casa sem fazer barulho foi concluído com sucesso.”
Sorrio e começo a andar. Fecho a porta e coloco o capuz indo rumo á floresta.
‘-‘
– Sério, cadê os lobos dessa floresta? – Bufo e paro de andar – Vou voltar para casa, está difícil encontrar alguma coisa hoje – Resmungo e dou meia volta.
No momento que me viro dou de cara com um lobo marrom de olhos dourados, rosnando para mim.
“Eu e a minha boca grande...”.
Continuo o encarando, mas começo a me afastar lentamente.
– Ora, ora – Escuto uma voz e olho para trás notando um homem que saiu de cima de uma árvore e se aproximava – Está perdido garoto?
O lobo atrás de mim parou de rosnar e foi ao lado do homem.
“Ótimo, encontrei uma parte de um grupo. Espero que sejam só esses dois.”
– O que foi? Não consegue falar? – Ele começa a rir e a andar em minha direção, mas antes pego ás duas armas e aponto uma para ele e outra para o lobo ao seu lado.
– Não se aproxime – O encaro.
O lobo rosna e escuto uma risada – Você não sabe usar isso – O homem disse sorrindo.
– Paga para ver – Exclamo e carrego a arma ainda apontando para os dois.
Ele me encara – Você não teria coragem.
Atiro no seu ombro – Uma bala se foi, tenho mais 5 – Sorrio para ele – Acho que eu tenho coragem.
Ele olha para mim com raiva – Você não deveria ter feito isso – Ele me encara e noto os seus olhos ficarem vermelhos, suas garras aumentarem, o pelo em sua cara crescer e ás suas presas aparecerem. Logo depois, vejo um lobo enorme e negro na minha frente com os olhos vermelhos.
“Olhos vermelhos de alfa...”.
Afasto-me e ele começa á rosnar para mim, o lobo ao lado dele avança em minha direção, mas consigo atirar nele o acertando. Olho para o lobo negro e ele me encarava rosna mais alto, não penso duas vezes e começo á correr, mas quando olho para frente noto olhos azuis me encarando entre a mata.
“Os mesmos olhos de ontem...”.
Ele começa a sair lentamente do local e graças à luz do luar consigo observa-lo melhor.
“É o lobo de ontem, o lobo acinzentado.”
Saio dos meus pensamentos quando escuto o lobo dos olhos azuis rosnando e correndo em minha direção.
“Dois lobos atrás de mim e um na minha frente... Agora que eu morro...”.
O lobo dos olhos azuis corria em minha direção e faltando poucos metros para ele me alcançar, deslizo por baixo dele e ele salta por cima. Conseguia o ver saltando por cima de mim em câmera lenta.
Assim que ele passa por cima de mim, me levanto e corro em direção á mata, mas antes consigo olhar para trás e noto o Alfa e o outro lobo marrom rosnando para o novo intruso. Aproveito a deixa que eles estavam rosnando um para o outro e saio dali.
Continuo correndo sem rumo até que eu tropeço em uma raiz de árvore e acabo rolando no chão.
– Você está bem garoto? – Escuto uma voz e olho para cima, notando uma garotinha.
Olho em volta e noto que consegui chegar à estrada da floresta.
“Incrível, de repente o caminho de casa é mais rápido”
Levanto-me e começo a bater nas minhas roupas tirando um pouco de sujeira da mesma – Estou bem – Sorrio e olho para a garotinha.
– O que você estava fazendo na floresta? – Ela me encarava com um olhar inocente.
“Ótimo, como falar com uma criança curiosa...”
Penso em alguma coisa – É que eu perdi o meu cachorro, ele foi correndo para o meio da floresta. Tentei ir atrás dele, mas acabei o perdendo.
– Que triste... – Ela segura a minha mão – Espero que você encontre o seu cachorro. Qual era o nome dele?
“Essa garota quer demais né?”
– Ben – O primeiro nome que veio na minha cabeça.
– Gostei do nome – Ela começou a sorrir – Ele ainda vai voltar, o cachorro nunca abandona o dono.
Assenti e sorrio para ela – Obrigado. Vejo você depois garotinha – Bagunço o cabelo dela – Preciso ir para casa, por hoje chega de busca.
– Ok. Até mais – Ela acenou e se afastou.
“Preciso escrever um livro de como criar ás melhores desculpas de última hora”
Começo a andar em direção á minha casa.
“Espero meu pai não tenha notado o meu sumiço”
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