Hiato
5 Realidade é o pesadelo do mundo dos sonhos
Notas iniciais
-Esaú Wendler
“-POW Danny! AQUI!- Tom gritava como um retardado, eu só fazia rir. Gente, vocês não imaginam como é delicioso irritar o Tom.
-Ele tá nervosinho, gente- A risada virou gargalhada. Fui acompanhado por Dougie e Harry, ambos jogados no sofá. -Será que os dois podem parar e ajudar aqui?- Tom colocou a mão na cintura, completamente gay. Eu deixei o amplificador no lugar certo, e virei o corpo com o maior sorriso do mundo.-É isso ai, dudes. Mais dois shows em Londres e ai... AQUI VAMOS NÓS TURNÊ- Dei um pulo animado correndo na direção dos dois. Quando eles perceberam que seriam esmagados eu já estava em cima deles os esmagando.-Criança- Brincou Tom, mas apesar do jeito sério dele, nós todos bem sabíamos que era só para fazer uma média. Não havia um ali que realmente fosse sério, nosso espirito era de criança.-Morrendo! MORRENDO!- Dougie gritou enquanto estapeava minhas costas para que eu saísse de cima dele.-O que foi? Não estou te ouvindo Dougie- Gargalhei e logo em seguida Harry me empurrou do sofá fazendo com que eu batesse com tudo no chão.-Seu puto- Passei as mãos nas costas, assim que ergui os olhos Tom me encarava com toda aquela seriedade e braços cruzados, mas não aguentou por muito tempo, logo depois soltou uma risada e me puxou. É bom ter amigos, saber que nada no mundo realmente te machuca quando se tem alguém ao seu lado, a única pessoa que pode fazer isso é aquela em quem você confiava plenamente e acabou te traindo. Meus amigos nunca iriam me trair, e por conta disso eu me sentia o dono do mundo. Faz todo o sentido.-O show vai começar, para com isso ou vai acabar se machucando sério- Ninguém me machuca! Ok, mesmo assim balancei a cabeça concordando com Tom, de vez em quando eu finjo que o escuto.Não demorou muito para que anunciassem nossa entrada no palco, adoro o nervosismo pré entrada. Um frio na barriga inexplicável, como eu queria que durasse pra sempre. Cheguei a dar alguns pulinhos antes de realmente entrar no palco e sentir meus olhos brilhando com a multidão. Lar doce lar, como diz uma de nossas músicas olar é onde fica o coração, nunca, em toda a minha vida, eu me sentia tão acolhido como quando estava ali podendo dizer a todo mundo que nasci para isso, eu nasci para ser dos meus fãs.Se eu pudesse passaria minha vida inteira descrevendo a sensação de estar aqui, vendo cada pessoa erguendo sua mão e cantando junto todas as letras que já escrevemos. Lembro-me de como cada uma surgiu, a maioria em meio a devaneios meu e dos meus colegas de banda, tomando banho e fazendo as necessidades, usando papel higiênico para escrever, usando guardanapos para marcar. Sempre me recordo disso quando vejo meus fãs reunidos em uma só massa. A força que emitem é incrível, quase posso ver aquela névoa que os rodeia, é como uma esperança focada em nós. Eu queria ser essa esperança, provar que eles não me escolheram para idolatrar em vão, fazer a diferença.O show chegava ao fim, Dougie anunciava qual era a última música junto da sua grande simpatia. Ergui uma sobrancelha quando ele anunciou cada integrante da banda, fiz uma reverencia assim que meu nome foi dito, me aproximei rapidamente do microfone apenas para gritar:-Ele se esqueceu de falar que sou o mais gostoso também- Mostrei a língua ouvindo a risada de todos os presentes, a maioria meninas. Em Londres elas não são tão histéricas como em outras partes do mundo, já viajamos o suficiente para provar isso. Sinceramente, eu gosto dos gritos. Certo que quando acontece o tempo inteiro é irritante, mas em meio a um show não há nada mais animador do que a vibração, a emoção de estar realmente sendo amado naquele momento. Eu podia sentir o amor daquelas meninas, elas não simplesmente gostavam de estar ali, era como se estudassem tudo que sou. Às vezes tenho a manha de dizer que me conhecem mais do que Georgea, mas prefiro deixar esse pensamento de lado, é simplesmente errado.-Deixa de palhaçada, toca ai e vamos arrebentar hoje! Afinal, todas vocês são nossas STAR GIRL!!- A voz deTom se fez ouvir em meio à multidão, os gritos continuaram mesmo depois do começo da música.Hey, I'm looking up for my star girlHey, eu estou procurando minha garota estrelaI guess I'm stuck in this mad worldEu acho que estou preso nesse mundo malucoThe things that I wanna sayAs coisas que eu quero dizerBut you're a million miles awayMas você está a milhões de quilômetros de distânciaAnd I was afraid when you kissed meE eu estava com medo quando você me beijouOn your intergalactical FrisbeeNo seu Frisbee intergalácticoI wonder why, I wonder whyEu me pergunto por que, eu me pergunto por queYou never asked me to stayVocê nunca me pediu para ficarPular de um lado para o outro, cantar junto. Eu estava no meu lugar. E queria que todas aquelas meninas viesse comigo, cantassem comigo. Esse era meu mundo, minha realidade, eu estava feito na vida e nunca estive tão feliz.
O show acabou, voltamos para o camarim em meio a gargalhadas e brincadeiras de empurrão, tudo estava nos eixos até aquele momento. Harry queria uma pizza e um balde de gelo, Dougie uma cama com uma mulher (safado cofcofo), e Tom a paz e um pouco de fãs. Por incrível que pareça aquele lá adora dar autógrafos e conversar com as meninas.Resolvi que não faria mal nenhum acompanha-lo, eu também gostava disso apesar de estar cansado demais para ficar atendendo a todas. Para isso existiam os pontos estratégicos que só as espertinhas alcançavam,Tom considerava que aquelas mereciam sua atenção. Eu só fazia rir.-A gente encontra vocês na casa do Harry- Sorri ajeitando a blusa listrada no corpo. Tinha trocado de roupa depois do show, odeio ficar com blusa soada.-Epa, quem convidou?- Harry brincou em forma de protesto.-É você que vai pedir a pizza, ninguém mandou ser esfomeado- Dougie respondeu, pareciam um casal de madames. Os dois eram as madames. Só tive tempo de ver a careta de Harry e rir antes de sair seguindo os passos de Tom. Fomos até a porta dos fundos, onde algumas grades impediam as garotas de avançar na gente. Abri um sorriso largo ao ver algumas meninas ali, elas não estavam se debatendo para tentar ultrapassar a grade como teria acontecido em outro lugar, estavam tranquilas, apenas esperando nossa saída. Nesse sentido, eu prefiro as londrinas.Me aproximei de duas delas, conversaram tranquilamente, mas tinham aquele tom de voz, aquele que faz parecer com que você se conheça menos do que elas conhecem.Honestamente, esqueço-me dessa capacidade que as meninas têm em me fazer parecer um panaca de primeira.-Pena que agora só voltam a fazer show no ano que vêm aqui em Londres- Uma delas disse encolhendo os ombros. Eu estava muito feliz, iria viajar pelo mundo mais uma vez!-Que isso, muitas meninas estão esperando por nós- Respondi como quem reprova uma garota de quatro anos por falar besteira. A garota balançou a cabeça concordando comigo, e foi nesse exato momento que uma terceira garota apareceu...Ela se pendurou na grade, abriu um sorriso iluminado na minha direção, parecia agitada e exalava uma felicidade extrema. Seus cabelos caíram de leve sobre o ombro e eu podia ver um brilho incomum em seus olhos, como de quem idolatra demais uma pessoa para deixar ir embora. Por alguns segundos, preso era como eu me sentia.-Eu quem o diga- Sua voz me assustou. Despertei rapidamente apertando os olhos na sua direção, sem entender direito porque ela havia falado aquilo.-Oi?-Meninas, esperando vocês em outros lugares do mundo... Eu quem o diga. Elas realmente esperam- Me respondeu descendo da grade e franzindo a testa- O que foi?-Ahn, nada, seu sotaque..-Sou do Brasil- Dei dois passos para trás- Calma, não vou pular em cima de você.Soltei uma gargalhada com aquele comentário, de fato as meninas brasileiras são bem efusivas e invasivas, admito que sinto um certo medo delas. Nunca se sabe o que pode acontecer com seu físico quando se aproxima demais de uma garota assim, aquela ali parecia muito animada.-Meu nome é Luiza- Disse como se isso pudesse me acalmar, e o mais engraçado é que acalmou. As outras duas garotas me cutucaram de leve.-Relaxa, ela pergunta se pode morder antes de morder- Brincaram fazendo com que eu arregalasse os olhos. Onde eu havia me mentido? Observei Luiza das um soco de leve nas amigas, se não fosse o medo eu até poderia considerar aquela ato um tanto quanto divertido.-Não liga para elas, estou fazendo intercambio. Que bom que vocês vão fazer mais shows no Brasil, minhas amigas de lá vão adorar saber- A voz da garota era tão animadora, voltei a me aproximar inconscientemente. Ela me estendeu um caderninho, abaixei os olhos vendo a assinatura de Tom ali e sorri ao fazer a minha e lhe entregar. -Obrigada- Disse avaliando minha assinatura. Eu estava bem próximo dela e não havia recebido nenhum abraço espontâneo demais, era uma meninas diferente das brasileiras que conheci. Definitivamente uma fã pelo modo que se vestia e o brilho em seus olhos quando olhava na minha direção, mas ela sabia se controlar.-Vai fica muito tempo por aqui?- Perguntei apoiando meu braço na grade. Dessa vez foi ela quem se assustou e se afastou um pouco. Olhei em volta estranhando sua atitude, talvez não esperasse tamanha simpatia ou interesse da minha parte.-É... Bem, eu já estou há sete meses, acho que vou terminar o ano aqui. Uma pena, não vou vê-los no Brasil- Respondeu rapidamente, Luiza voltou a se aproximar depois de ter guardado o caderninho no bolso da calça. E então... Os gritos.-O que está acontecendo???- A voz de Tom foi tudo que ouvi depois disso, todos dirigiram os olhos para a multidão que corria desesperadamente. Os seguranças vieram na minha direção falando sobre se afastar do perigo, estavam em cima de Tom também, as meninas em volta da grade saíram correndo, menos Luiza que me olhava com desespero nos olhos. -Espera!- Gritei para um dos seguranças. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa uma pessoa de mascara no rosto estava de frente para mim, não conseguia enxergar muita coisa de longe já que usava apenas preto e era noite, mas eu sabia que ela iria atirar em mim. Ela queria atirar em mim e estava com a arma apontada na minha direção... Por quê? Por que alguém iria querer me matar com tanta vontade? Mesmo que fosse o dinheiro aquela era a forma mais imprudente de se conseguir alguma coisa. Eu nunca fiz nada de errado, até onde sei. Pelo formato do seu corpo eu via que era uma menina, uma garota prestes a me matar com toda a sua vontade. E ela puxou o gatilho sem piedade, sem pensar em machucar outra pessoa que não fosse eu... Mas ela errou.Pior, ela não havia errado a mira.. Só não contava com alguém entrando na frente para me salvar.Luiza.. Meu coração disparou no momento que vi seu corpo recebendo o impacto da bala, a garota de mascara começou a correr ao ver que sua oportunidade tinha se perdido. Eu não pensei duas vezes ao pular aquela grade que me separava de Luiza, a garota conseguiu segurar na barra da grade por algum tempo, mas depois escorregou e eu a segurei em meus braços.-AJUDA, ALGUÉM CHAMA UMA AMBULÂNCIA!!- Meus pulmões doíam por mal conseguir respirar enquanto a segurava. Suas mãos agarraram minha camiseta e eu via o exato lugar que a bala tinha atingido. A cabeça, bem na cabeça! Tanto lugar para atingir e a maldita levou o tiro na cabeça! Onde eu levaria no meu coração. Aquilo devia ser um sonho, não podia estar acontecendo. -Luiza, por favor, fique acordada, fique acordada- Eu repetia como um mantra enquanto outras pessoas se aproximavam, completamente assustadas. Tom correu na minha direção, mas não disse nada, eu apenas o via pela visão periférica que começava a se embaçar por conta dos meus olhos que ardiam. -Não morra...- Foi dizendo isso que ela fechou seus olhos. Pensei que naquele momento Luiza tinha morrido, e eu era o seu assassino. Uma garota tentou me matar e acertou em alguém inocente, em uma garota que saiu de seu país para conhecer o mundo e eu tirei isso dela!Eu não era um herói, era uma pessoa idolatrada por muitos e que oferecia esse tipo de risco. Era vulnerável e podia me machucar, não há nada de invisível em alguém que pode causar isso a alguém como Luiza.Um monstro... Naquele dia, eu me tornei um monstro.”+++Acordei devagar, podia sentir algumas lagrimas escorrendo do meu rosto. Tinha chorado enquanto dormia, algo que vem se tornado cada vez mais típico.Todas as noites sonhando com aquele dia, tardes de cochilo indesejáveis também. Queria nunca mais precisar dormir e assim esquecer tudo o que aconteceu para que eu me encontrasse na situação deplorável de hoje.Ergui minha cabeça vendo Luiza adormecida como sempre, um pano enfaixado em sua cabeça, a pele cada vez mais branca. Respirei fundo ao esticar minhas costas e me acostar na poltrona em que estava, passei a mão sobre meus olhos e quanto tirei a primeira coisa que vi foi o caderninho de assinaturas em cima da mesinha ao lado da cama de Luiza.Sorri de leve ao esticar meu braço e puxar o caderno.Luiza tinha um hábito de sempre achar os artistas que gostava, naquele caderno eu encontrei assinaturas de várias bandas e artistas diferentes. Presumi que alguns fossem do Brasil e outros eu até conhecia, como os meninos do One Direction.Coloquei o caderno em meu colo deitando a cabeça no encosto da cadeira. A cena daquele dia não me deixava, dias depois do ocorrido os policiais pegaram a menina que havia atirado em Luiza. Era uma garota perturbada, com problemas mentais e que pensava que eu era a pessoa de sua vida. Encontraram pôsteres meus espalhados por todo o quarto da garota, seus pais não faziam ideia do que estava acontecendo. O que eu fiz? O que eu fiz com a minha vida para que essa situação chegasse a tal ponto. O que Luiza fez não deixa de ser uma doença assim como a da garota que tentou me matar.
Uma tentou me matar por pensar que eu devia só pertencer a ela, e a outra me salvou porque.. Por quê?Inclinei meu corpo desejando que Luiza acordasse para me explicar a loucura que passou por sua cabeça. Menina tola, muito, muito tola! Repetia isso mentalmente enquanto segurava na sua mão e apertava de leve.-Sr. Jones?- Soltei rapidamente a mão de Luiza ao ouvir a voz de Rose, virei o rosto na sua direção- DiogoPohl, Ele está na porta querendo falar com o senhor. Tudo que eu precisava, uma dose da amargura de Diogo para melhorar o meu dia. Levantei da poltrona agradecendo Rose com um acendo de cabeça e seguindo até a porta de entrada. Ao chegar lá Diogo segurava uma enorme caixa de papelão, passou por mim como quem não precisa de permissão para entrar e jogou a caixa em cima da mesa de jantar.-Posso vê-la?- Perguntou duro e ranzinza. Eu fiz um gesto com a mão e ele subiu as escadas. Estou testando ser um cara mudo.Assim que Diogo subiu meus olhos foram direto para a caixa em cima da mesa. A curiosidade foi maior, dei os passos necessários até poder ver seu conteúdo. Não entendi inicialmente o que eram aquelas coisas, vasculhei com as mãos o conteúdo. A primeira coisa que tirei de lá foi um urso amarelo e todo peludo, logo depois um livro estranho com uma estatua de anjo na capa, depois um caderno cheio de rabiscos e vários CDs. -São as coisas de Luiza- Ele me disse já descendo as escadas. Eu soltei o que segurava assim que ele falou- Achei que ela ia gostar de ter suas coisas favoritas quando acordasse.O ouvi fungar, isso não podia piorar! Um monstro destruidor de lares, foi nisso que me tornei.-Ouvi dizer que saiu do McFly- Diogo arranhou a voz colocando as mãos no bolso- É verdade?-É- Não olhei para ele quando respondi, apenas coloquei o ursinho na caixa.-Bom- Foi o que sua voz se limitou a dizer, ele parecia contente com a minha infelicidade, mas talvez contente seja uma palavra forte demais. Devo usar, satisfeito ou vingado- Emilho.-O que?-Era como ela chamava o ursinho...- Ele apontou para a pelúcia em minhas mãos. Eu encarei aquela coisa peluda e amarela- Ele parece uma espiga de milho- Diogo riu- Se vai ajudar minha irmã.. Comece tentando conhece-la do mesmo jeito que ela te conhecia.Ouvi a batida da porta logo em seguida, mas eu já estava em outro mundo. O mundo onde eu conhecia Luiza bem o suficiente para entendê-la.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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