Hey Lord!
15 Sua governanta, tão descuidada
Notas iniciais
Pov. Keyko
Como sempre ontem à noite meu chefe tarado me agarrou, mesmo sabendo que eu e Soma estávamos juntos.
"Doshite Ciel? Você é meu amigo, me deixa em paz"
Desde que ele me disse aquilo, isso tem mexido profundamente com meus sentimentos e me deixando muito confusa, confesso que não faço ideia do que seja isso.
Me aprontei para a escola, já fazem dois dias que não falo diretamente com bocchan, a não ser pelo trabalho. Segui para minha sala, e normalmente tive minhas aulas. Durante o intervalo como sempre fiquei com meu príncipe e nossos amigos, Ciel nunca deixou de ficar junto conosco, mas nunca disse nenhuma palavra.
Rapidamente foi a hora da saída, e ultimamente eu tenho saído mais cedo, para não ir junto com Ciel, mas notei que o Soma estava atrasado. Ele sempre ia comigo para casa, já que íamos para o mesmo caminho. Fiquei preocupada, então fiz o caminho de volta para escola.
Perto dela havia um beco, não excitei em olhar por lá. Sou obrigada a falar que quase tive um ataque quando vi.
Ciel e Soma, brigando, ou melhor, quase que se matando. Eles trocavam socos e chutes, e não tinham dó nem piedade um do outro. Eles agarravam o colarinho das camisas do adversário acertando em seguida seus rostos.
Cobri minha boca com as mãos, com uma expressão de terror observei por alguns segundos mais a cena, até que eles realmente se machucaram a ponto de sair sangue. Corri em direção deles, e abracei o Soma, em plena briga. Eles parram na hora e ficaram me encarando assustados.
- Parem com isso!- eu disse com uma voz chorosa- por favor!
Soma retribuiu meu abraço preocupado. Eu o soltei e olhei em seus olhos. Sua boca sangrava, e seus braços e rosto estavam com várias marcas, assim como os de meu jovem mestre.
- Por quê?- perguntei indignada com eles
Com o polegar delicadamente limpei o sangue que escorria pelo queixo do maior e segurei em seu pulso. Logo puxei tanto a ele quanto Ciel para casa. Enquanto tentava não xingar os dois no caminho.
Chegando em casa, um pouco brava mandei eles se sentarem no sofá, e logo com medo de mim eles obedeceram. Foi até o banheiro e logo voltei para sala com a maleta de primeiros socorros.
Eu estava limpando e fazendo um curativo no corte que havia um pouco acima da boca do príncipe.
- Agora, se expliquem- eu disse autoritária e guardando as coisas de volta na maleta
Eles ficaram em silencio por um momento, mas logo Ciel se manifestou.
- Eu estava resolvendo um assusto- ele disse seco
Ele e Soma se encararam com um olhar mortal, então me levantei e me sentei entre os dois.
- Que tipo de assusto senhor?- perguntei séria mas ao mesmo tempo irônica- precisavam quase se matar para resolver isso?
Eles abaixaram a cabeça e não disseram nada. Logo o silencio foi quebrado pelo telefone do príncipe que tocava alto de dentro de seu bolso. Ele logo puxou o aparelho e o atendeu. Não pude deixar de estranhar a expressão de preocupação dele.
- Não tio, eu sei, desculpe ja estou indo...- ele disse para pessoa do outro lado da linha, que provavelmente seria Agni- eu sei que estou atrasado, mas houve um pequeno problema e...- ele parou por um momento- me buscar? Ta... Estou na mansão Phantomhive. Certo tchau- ele desligou e guardou o telefone
- O que foi?- perguntei
- Eu tinha esquecido... Vou ir até o aeroporto com meu tio buscar uma pessoa...
- E por que esta tão preocupado?- perguntei novamente esquecendo a existência de Ciel do meu lado
- É que a pessoa que eu vou buscar é... Meu pai- ele disse apoiando os cotovelos no joelhos e respectivamente sua cabeça em suas mãos
Ciel riu indiscretamente.
- Que legal pra você ein príncipe- ele debochou- o que será agora de sua relação?- ele disse sarcástico
Parei para pensar um momento sobre o que ele disse para meu namorado, claro, após dar um tapa no ombro dele. E me lembrei. O pai de Soma é um rei indiano, ele não aceitaria meu namoro com ele.
- O que o príncipe vai fazer agora?- Ciel continuou- papai vai te por de castigo se souber da sua namoradinha?- ele disse provocando
Soma se levantou serrando os punhos.
- Ora cale a boca!- ele disse bravo
Ciel apenas sorriu com o canto dos lábios desafiadoramente como quem diz "e agora, vai fazer o que?". Eu puxei o príncipe pelo braço fazendo-o sair de sua posição de "vou te bater se não calar a boca" e olhando repreensiva para o conde. O príncipe olhou pra mim preocupado e me puxou pelo pulso. Me levantei e fui até a porta, onde ele estava me levando.
- Parece que você entendeu o porque do Ciel estar falando sobre aquilo né...- ele disse cabisbaixo
Assenti com a cabeça pegando em sua mão.
- Ele não aprovaria isso não é?
- Não... Principalmente porque ele esta vindo para me falar sobre a nova "noiva" que ele me arrumou- ele me abraçou
- Seu pai ainda cumpre a tradição de escolher a noiva, se for assim, imagino o que ele imaginaria de seu filho estar namorando uma inglesa de classe média...- eu disse um pouco triste
- É só por uns dias, ele só vai discutir comigo, eu posso negar as propostas, e quem sabe da tempo para eu tentar me legalizar e morar no seu país...
- Tem certeza...?
- Eu nunca gostei dessas coisas do meu país, eu sempre quis vir morar aqui, você se tornou mais um dos motivos pra eu querer ficar aqui
- Então... Até la, seu pai não pode nem se quer desconfiar de nós, não é?
- Receio que sim...
Ficamos abraçados mais um pouco até que a campainha tocou, e ao abrir a porta nos deparamos com Agni, e ele parecia bem apressado. Ele olhou um pouco assustado ao ver o príncipe com alguns roxos e um curativo na boca, que a esse ponto ja estava inchada.
- Posso saber o que houve?- ele perguntou sério- esse foi o motivo do atraso?
O príncipe assentiu com a cabeça com um pouco de medo de seu tio.
- Espero que seu pai não pense mal de você por isso, mas que não se repita!- ele disse e logo voltou seu olhar para mim- vocês sabem que eu não me importo com isso, vivo na Inglaterra a alguns anos, mas o rei não vai gostar nem um pouco se descobrir- ele disse num tom compreensivo
Assenti como a cabeça, logo ele fez um sinal para que Soma fosse embora com ele. O príncipe voltou para mais perto de mim me dando um beijo. Como sempre eu tive que ficar na ponta dos pés para beija-lo. Logo ele sussurrou um "isso não vai demorar muito" e foi embora com seu tio.
Entrei novamente na mansão e encontrei Ciel estirado no sofá sorrindo vitorioso. Foi em sua direção e perguntei o menos fria o possível.
- Você esta bem?
- Hã?- ele me olhou confuso se sentando direito no sofá, é provável que ele tenha achado que eu daria uma bronca nele- e-estou...- ele respondeu corando
- Não vou te obrigar a falar o motivo da briga e nem nada, e também não vou reclamar com você por rir dele, ouviu? Mas por favor, pare com isso ta legal?
Tirei do bolso um remédio para dores no corpo que eu havia pego da caixa de primeiros socorros e coloquei na mesa de centro em frente a ele. Me retirei da sala e fui me trocar para trabalhar sem dizer mais nenhuma palavra.
***
Pov. Ciel
Ela provavelmente esta chorando por dentro. Ela deve estar com ódio de mim. Deve estar preocupada com o príncipe. Por que esta sendo gentil?
O que me levou a rir dele daquela forma? O que me levou a criar motivos tão ridículos para brigar?
Eu nunca irei entender o que esta acontecendo comigo ultimamente. E nunca irei contar para ela que o motivo da briga foi... Bem, eu disse ao Soma que se ele a fizesse sofrer por conta desse namoro proibido eu o mataria. Mas ele me perguntou o porquê de eu estar me importando tanto, eu disse "estou apaixonado pela Keyko, farei de tudo para ve-la feliz". Logo ele me disse que queria me ver mesmo era longe dela. Eu me enfureci e parti para cima dele.
E foi no meio disso que eu deixei escapar que roubei um beijo dela, e talvez esse fosse o motivo dela estar tão confusa ultimamente.
É esse o tipo de loucura que dizem que o amor nos faz fazer? Pra mim esta mais para idiotice! Mas de qualquer forma, eu não quero me livrar desse sentimento. Eu nunca amei ninguém.
Passei o dia trancado no meu quarto. Não falei com mais ninguém sobre nada. E se passaram mais três dias assim. Com a diferença que Keyko e Soma agora só ficavam juntos na escola durante o intervalo.
***
Pov. Keyko
Já fazem três dias desde que o pai de Soma veio para Inglaterra, ele tem levado e buscado seu filho na escola, impedindo que ficássemos juntos em algum período sem ser o intervalo. E ele tem ficado em casa todos esses dias por causa de seu pai.
Hoje durante o intervalo ele estava animado, dizia que seu pai havia liberado ele pela tarde para ele sair, e que ele iria ficar comigo la em casa. Não demorou para hora da saída, fui com ele até a porta normalmente apenas como amigos, lá estava o pai dele na porta. Era um homem com feição séria, usava roupas indianas, ele era alto, até mais que o próprio Agni, ele tinha cabelos negros e cortados como os do príncipe e presos num rabo de cavalo. Ele esperava por seu filhou com um belo sorriso.
"Ele parece feliz por estar com o Soma, se ele quisesse vir morar aqui, suponho que esse sorriso colgate vire uma expressão triste..."
Passei o dia como sempre trabalhando, e mais ou menos umas cinco horas o príncipe tocou a campainha, vindo para minha casa assim como havia dito. Meu horário já havia acabado, eu já tinha tomado banho e vestido roupas normais. Uma saia preta e uma camisa de mangas curtas na cor azul.
Abri a porta e fui recebida por um abraço alegre que me tirou do chão dando algumas voltas ao entrar dentro de casa. Soma me pôs no chão e me beijou. Ele parecia muito feliz.
- Ótimo, eu não aguentava mais ficar tanto tempo longe de você!- ele riu e me beijou de novo- eu estava com saudades desse seu beijo- ele sorriu
Logo escutei passos, os de meu pai. Puxei ele pelo braço até as escadas, as quais subimos correndo. Logo entramos no meu quarto e eu fechei a porta. Ambos não podemos deixar de corar com a situação, mas logo começamos a rir.
Passamos bastante sentados e abraçadinhos na cama conversando. Nós falamos sobre o presente, o passado e até mesmo o futuro, o qual ele disse que ficaria para sempre comigo, e por ele estaria bem próximo.
Não pude deixar de pensar por um momento, sobre o "para sempre", eu sou uma meio demônio, uma criança imortal. O para sempre existe mesmo para mim, mas não para ele.
Por um instante fiquei com uma expressão triste e com a cabeça baixa. Estávamos sentados um de frente par o outro em cima da grande cama de casal. Meu lindo indiano olhou para mim com uma expressão de desafio.
- Fiquei sabendo que Ciel te roubou um beijo...- ele disse olhando nos meus olhos, eu não pude deixar de corar
Tentei desviar o olhar, mas ele puxou meu rosto de volta para ele delicadamente pelo queixo para mais perto dele. Nossos rostos estavam muito próximos, e ele me encarava com uma expressão provocadora.
- Parece que ele te deixou bem confusa quanto seus sentimentos- ele disse sem tirar os olhos dos meus- você foi uma menina muito má, acho que vou ter que puni-la- ele disse com um sorriso malicioso no canto dos lábios
A esse ponto eu ja deveria estar completamente vermelha de vergonha. Ele me puxou delicado para mais perto dele me dando um beijo calmo e gentil. Mas ele foi se tornando cada vez mais intenso. Parei de perceber qualquer coisa ao meu redor por alguns momentos.
O beijo ficava cada vez mais quente. Alguma coisa estava esquentando ali, e não era só o beijo. Quando me dei por conta ele estava deitado e eu de quatro sobre ele ainda beijando-o, e sem ao menos perceber abrindo sua camisa.
Separamos-nos por um momento em busca de ar, o que nos deu um tempo para nos observarmos. Eu estava sobre ele, voltei a corar brutalmente quando vi que eu mesmo estava tirando suas vestes. Ele sorriu, colocou as mãos no meu ombro nos virando na cama, trocando nossas posições. Agora que estava dominada era eu.
Ele voltou a me beijar, dessa vez de um jeito diferente, era... Excitante.
Eu sabia no que aquilo provavelmente levaria. Preocupada? Sim. Com medo? Muito. Mas deixei de me importar com as consequências do futuro e me entreguei ao momento.
***
Pov. Sebastian
Eram oito horas da noite, eu continuava com meus afazeres até que a campainha tocou. Atendi a porta e me deparei com dois indianos, um deles tinha cabelos curtos de e platinados, o outro tinha cabelos negros e presos num cabo de cavalo.
- Olá senhor Sebastian- disse Agni, o psicólogo da minha filha
- Olá
- Eu vim buscar o príncipe, ele disse que estaria aqui, mas esta atrasado para voltar para casa
- Ah, certo entrem- estiquei a mão sinalizando para que entrassem- irei chama-lo, ele deve estar com Keyko e o conde- eu disse indo em direção as escadas
Quando Ciel apareceu vindo da direção da cozinha para o mesmo caminho que eu.
- Que que tem eu?- ele perguntou
- Nossos convidados vieram buscar o príncipe- eu disse enquanto ele se virava para observar os indianos
- Soma? Ele esta aqui?- ele perguntou confuso
Não respondi, e nem esperei que ele dissesse mais alguma coisa, simplesmente subia as escadas.
"Minha bebe esta sozinha num quarto com um garoto? Que talvez seja namorado dela? Se estiver acontecendo alguma coisa eu...!"
Fui em direção ao quarto da menina, e sem nem bater eu abri a porta. Deparando-me com uma cena bem desagradável. O que você pensaria no meu lugar se visse um marmanjo sem camisa agarrando sua filha e tirando a blusa dela, enquanto eles estão sozinhos e trancados num quarto?
"ORA SEU...!"
Não demorou para que eles percebessem minha presença. Eles se soltaram, o príncipe saiu de cima dela se sentando na cama e logo depois ela fez o mesmo mas se escondendo (e escondendo que estava sem sua camisa também) atrás dele, abraçando-o por trás.
- P-papai...?- ele tentou dizer algo um pouco assustada- eu posso explicar...
Eu apenas os encarei sério, me segurando pra não começar a praguejar o rapaz.
- Olha... Nós não estávamos fazendo nada de mais...- ele tentou falar, ambos estavam extremamente corados
- Se não fizeram ou estavam fazendo eu tenho certeza que iam fazer!- eu disse muito bravo e serio ao mesmo tempo- anda saída dai!- fui em direção à cama e puxei o garoto pelo braço- saia já desse quarto!- eu disse puxando-o até a porta
- Ei cara! Me solta!- ele tentava se soltar, ele alcançou sua camisa jogada no pé da cama e tentou vesti-la, sem sucesso, apenas a colocou e nem deu tempo de abotoa-la
- Ande logo!- eu disse furioso mandando um olhar que provavelmente o assustou, sem soltar do braço do mais novo me voltei a minha filha que ainda estava sem camisa e assustada sobre a cama dela- e você senhorita Michaelis, não saia daqui até eu voltar!- eu disse serio
Praticamente arrastei o garoto até o andar de baixo onde se encontravam seu pai e seu tio. Eu segurava o braço dele no alto, fazendo o garoto ter dificuldades para se soltar. Logo eu disse serio.
- Aqui esta ele- e o soltei
O garoto tinha uma expressão de terror ao ver os dois indianos em sua frente. Assim como os mesmos tinham uma expressão aterrorizada com a aparecia momentânea do mesmo. Cabelos soltos e bagunçados, camisa amaçada e aberta, calça? Atrevo-me a dizer que da forma que ele estava, ia ser tirada logo se eu não aparecesse naquele quarto.
- Príncipe...- Agni disse rouco e preocupado olhando para o rapaz e para o homem a seu lado algumas vezes
- Quero você longe da minha filha!- eu não excitei em falar isso, frio e seco
O homem de cabelos negros se enfureceu, e começou a falar alto e brigar com o rapaz em hindi. Logo novamente ele foi puxado pelo braço, dessa vez por seu pai, que ainda praguejava coisas em sua língua. Eles dois foram até a porta e nem falar nada. Agni se voltou para mim se curvando de leve e me pedindo desculpas. Logo o mesmo também saiu e assim fechando a porta.
Ciel estava sentado na escada desde aquela hora, sua expressão era de indignação, e ódio. Ele se levantou e foi para seu quarto.
Fui novamente até o quarto de Keyko bati na porta dessa vez antes de entrar, escutei algo rouco como um sim e entrei. Ela ja estava vestida e estava sentada no canto da cama com uma expressão de medo. Fui em direção ao ela ainda serio e me sentei a seu lado.
- Pai... olha, nós não fizemos nada...- ela disse com a cabeça baixa
- Eu sei disso... E pelo que te conheço você também não queria fazer isso, não é?
Ela assentiu.
- Agora eu só tenho uma coisa pra dizer- eu disse deixando de lado meu jeito serio- avisa seu namorado, que se ele não manter o amiguinho dele dentro das calças, eu vou castrar ele — eu ri
- Pai...!- ela disse me repreendendo e ao mesmo tempo corada
- Que foi? É serio!- eu zombei- sabe quem tava la em baixo esperando ele?
Sua expressão mudou para preocupada.
- Não me diga que era o pai dele...
- Era sim, por que?- perguntei confuso
A garota arregalou os olhos, e uma lagrima se escorreu por seu rosto. E então eu juntei as pecinhas do quebra cabeças. O pai dele não podia saber sobre isso.
- E-e agora...?- ela olhou para mim com aquela cara gatinho perdido que eu não resisti
Eu a abracei, ela retribuiu começou a chorar.
- Vai ficar tudo bem filha...
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