Hey, Ho. Let's Go!
37 Capítulo 37
Notas iniciais
Finalmente chegamos ao meu apartamento.
Ele percebeu que eu ainda estava chocada com Talita.
_Olha..._ ele passou a mão no meu rosto._ Não fica assim, não. É isso que ela quer. Você vai deixar ela ganhar?_ ele me deu um beijo._ Te garanto que ela não está tão mal quanto ela mostrou estar. E nem era pra tanto, você viu? Do jeito que ela estava... “ se humilhando”, parecia que tinha mais alguma coisa pra se desculpar.
_Como assim?
_Não sei. Parecia que era mais do que aquilo que aconteceu no restaurante, como se alguém tivesse forçando ela a se desculpar, sabe? Mas deixa isso pra lá, às vezes é coisa da minha cabeça...
Entramos no meu quarto para ver algumas roupas minhas que podiam ficar na casa dele.
Afonso já foi logo abrindo meu armário.
_Você só tem roupa curta, Magda?_ ele começou a rir.
Eu ri também, e já ia em direção a ele quando percebo que tenho uma nova mensagem no computador. Corro imediatamente pra ver. Era uma promoção de televisão.
_O que foi?
_Ah... nada. Eu pensei que era outro e-mail. Mas, então.._ fui ver as roupas do armário, escolhendo quais iriam sair.
E aí, de repente, meu telefone toca.
_Alô?
_Magda! Eu estava desesperado. Não conseguia falar contigo desde ontem, e você não atende o seu celular...
_Quem é?!
_Magda, sou eu, seu pai. Você está bem, minha filha?
_Estou, sim, pai. É que o meu celular quebrou e..._ “e eu passei a noite na casa do meu namorado!”_ o telefone não estava funcionando.
_Ah, bem. Como você quebrou o seu celular? Eu vou mandar um pra você hoje de tarde, então.
_Ele escorregou da minha mão na escada e saiu rolando... tá bom. Pai, tudo bem por aí?
_Tá, sim. A gente está indo pra Holanda semana que vem. Depois que voltarmos, acho que eu vou precisar voltar pro Brasil pra reorganizar umas coisas do trabalho.
_Ah, que ótimo! Estou com saudade de você e da mamãe. Beijo.
_Também estamos, filha. Fica com Deus. E não se preocupe, a gente não esqueceu do seu aniversário._ ele ri e desliga o telefone.
Meu aniversário? Bem, eles podiam até não ter esquecido mas eu tinha, totalmente. Virei para Afonso, meio confusa.
_O que foi?
_Nada... é que o meu pai me ligou. E me lembrou do meu aniversário.
Ele me olhou, sorrindo, se aproximando.
_Ah! Então quer dizer que a senhorita faz aniversário por esses dias?
_Sim...
_E a senhorita se lembra que dia?_ ele começou a rir.
Eu olhei no calendário. É claro, eu sabia que dia caía meu próprio aniversário, estava apenas checando o dia da semana.
_E então?
_Dia 30 de Junho. Cai num domingo._ disse, apertando as sobrancelhas.
Afonso olhou no relógio, depois voltou-se a mim.
_E hoje é dia 20. Sério que você não lembrava?!
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Quando estávamos acabando de escolher as poucas peças que iriam pra casa, percebo que alguém está me mandando chamada de vídeo pelo Skype. Cheguei perto do computador e vi que era Nicolas, quase não pude conter a minha felicidade. Afonso apenas observando.
_Oi, Nicolas!
_Oi, baixinha... quanto tempo que a gente não se vê!
Nicolas estava totalmente diferente. Seu cabelo liso havia crescido até os ombros e ele estava mais lindo que nunca antes. Seus olhos azuis agora aparentavam tranquilidade, não mais rebeldia. Não que ele não fosse mais aquele Nicolas irresponsável, porém responsável pelos meus porres e pelos meus devaneios. Ou talvez ele realmente não fosse mais o mesmo.
O lugar de onde ele falava comigo era muito branco, talvez fosse a casa do tio dele. Ele usava uma jaqueta verde escuro e tinha um porte bem diferente daquele garotinho que eu estava acostumada a conhecer.
_Então, cara! O que você está fazendo aí? Digo, como estão as coisas?
_Estão super bem. Conheci uns amigos do meu tio aqui, saí com um pessoal...
Uma coisa era ignorar os sentimentos pelo Miguel e outra praticamente impossível era esconder meus sentimentos pelo Nicolas. Enquanto ele ia falando, eu ia percebendo o quão feliz ele realmente estava. Parecia outra pessoa, de verdade, não mais aquele mimadinho que fazia o que queria pra chamar a atenção de todo mundo.
Então eu resolvi perguntar uma pergunta quase incabível da minha parte, porém que me interessava muito a resposta. Fingi que estava curiosa “positivamente” e então arrisquei:
_Conheceu alguma menina?
Afonso me olhava, discretamente, porém eu já podia saber que ele não estava gostando muito da conversa. Ele estava do meu lado, então ele não via Nicolas, que não via ele.
Nicolas colocou o cabelo atrás da orelha, rindo de canto da boca, olhando intensamente para mim. E então disse:
_Não. Ainda não esqueci a Talita... e nem quero esquecer assim.
Querendo ou não, eles já eram amigos há mais tempo que eu e ele, afinal de contas foi ela que me apresentou ele. Eles já foram amigos, acima de serem namorados. Tinham muita história gpara contar mesmo que sequer quisessem revê-las. Ele não sentia mais raiva dela, nem arrependimento por ter me beijado, nem nada. Ele estava zerado.
_Hm... entendo.
_E você aí, baixinha? Como está você e o Miguel?
_Não está...
Afonso se contorcia de ciúme.
_Eu estou namorando outra pessoa. O Afonso.
_Sério que você conseguiu largar o Miguel? Não posso acreditar!_ ele sorria, como sempre ousava a fazer_ Você era vidrada nesse cara.
_E-É... eu era. O Afonso está aqui... quer conhece-lo?
_Se ele quiser me conhecer...
Afonso já se apresentava, rapidamente, louco para saber quem era aquele menino.
_Oi.
_Oi, Afonso! Cuida bem dela, viu?_ Nicolas sorriu.
Afonso olhou para mim como se dissesse “mais um?” e retribuiu o sorriso:
_Ha há... pode deixar._ e saiu discretamente.
Eu pude ver o quão grosso Afonso foi com Nicolas, mas o segundo de fato não estava nem aí pra isso.
Nicolas sempre me tinha. Eu podia estar namorando, casada, mas eu era exclusivamente dele. Só ele uma vez pode me entender, foi com ele que eu tive uma felicidade infinita. Os outros me mostraram que eu era fraca demais pra eles; Nicolas me mostrou que ia me ajudar a me tornar forte.
De repente, chegou uma menina loiríssima com o cabelo enorme, chamando o Nicolas para fora.
_É, então, Magda... a Sarah está me chamando. A gente vai comprar uns preparativos pra festa de aniversário do meu tio... a gente se fala depois?
_Sim, nos falamos, com certeza! Beijo.
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_Quem era aquele tal de Nicolas?
Afonso me olhava feio. Eu o encarei, sem paciência:
_O Nicolas é o meu melhor amigo. Ou pelo menos foi. Ele foi embora para o Canadá e a gente quase não conversa mais. Feliz?
Virei, não muito crente de que ele iria vir atrás de mim.
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