Notas iniciais
Preciso muito que vocês me digam o que estão achando! Reviews!

Oito


Ao chegarmos à cafeteria, impressionei-me com o pedido de Miguel. Enquanto eu pedi a minha clássica e querida Coca-Cola, ele pediu café gelado com creme de avelã. Parecia-me mais um tipo de café que eu nunca tinha ouvido falar, mas para ele, soava tão comum quanto água.

_Então... de onde você vem, senhorita Magda?_ ele puxa o café para perto da boca, com as mãos gigantes e olhos concentrados nos meus, sem tentar ser sensual, acabou sendo.

_Venho de Juíz-de-Fora. Minha família é de lá, mas agora eu moro sozinha. E você, senhor Miguel?_ ri.

_Eu venho de Petrópolis. Bem, eu também moro sozinho... tenho 23 anos._ Finalmente descobri quantos anos ele tinha. Não me aparentava mais que 20, mas ele tinha 3 a mais, e ainda era mais novo que Nicolas_ e você?

_19.

_Hum... uma garotinha, certo?_ acho que entendi o que ele quis dizer...

_Não, não._ ri_ Vivi coisas que não podia viver e não tenho coragem de fazer o que eu queria_ lembrando-me da minha situação no momento: Talita com Nicolas, apaixonados e felizes, e eu ali, triste por causa deles.

Nesse momento, Miguel olhou para meu rosto como se eu tivesse falado o que ele tanto tentava esconder: ter feito o que não queria, querer o que não se tem coragem. Era mais fácil para a gente se não tivéssemos coragem de fazer o que não podia, e querer o que se tem que fazer. Sorriu, pela primeira vez, e voltou-se ao café.

_Está acostumada com esse friozinho?

_Sim_ sorri_ na verdade, não acostumada, mas... habituada. Eu prefiro calor_ olhei para ele, mas não como se olha para uma pessoa normal; ele sempre me tinha olhando nos seus olhos.

_Calor? Bom, eu gosto de calor. Mas em ocasiões especiais. Para trabalhar, eu gosto de frio.

_Em ocasiões especiais?_ levantei a sobrancelha.

_Sim_ e aí tudo em volta desapareceu, eu só conseguia ver seus olhos penetrando nos meus, e logo mais, descendo até meu pescoço, e quando eu penso que ele ousaria olhar no decote do meu vestido, ele volta a olhar nos meus olhos. Tão comum como se fôssemos íntimos.

Acabei com a garrafinha de Coca-Cola que ainda estava na metade, e ele, o café gelado. Ambos quietos, sem muitas reações, esperando o que o outro iria fazer, mas acontece que nenhum dos dois fez nada.

_Bem, está na hora de voltarmos pra lá_ ele apontou para o hospital_ mesmo o Nicolas querendo ficar com a namorada dele, bem... eu não posso deixa-lo nas condições que ele se encontra. Vamos?

Saímos da cafeteria e entramos no hospital, quando ele para no corredor, de frente para mim e diz:

_À propósito, aquela garotinha que eu estava falando com você no outro dia... bem... ela não era da minha família. Ela era uma paciente minha, que estava aqui há pouco tempo. A mãe dela era drogada, os avós mal tiveram tempo de trazê-la pra cá. Sinto muito por aquele dia...

_Não se preocupe, tá tudo bem_ olhei para ele e tentei sorri, como forma de consolo.

Entramos na sala onde Nicolas estava, e Talita estava conversando com ele. Miguel deu alguns medicamentos ao Nicolas e fez curativos na sua perna.

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Fui para casa com a Talita, a gente precisava conversar.

Subimos até o meu apartamento, já era umas 7h30min.

_Nossa, Magda_ ela me olha estranhamente.

_O-o que foi?_ olhou para meu corpo, reparando se havia algo de errado com meu vestido.

Ela ri e diz:

_Você não viu como o Miguel te olha?

Fiquei em silêncio. Até agora não tinha pensado nele, quer dizer, não desse jeito. Estava vidrada no Nicolas, que nem prestava atenção em mim.

Ela pôs as mãos na cintura, bem como a minha mãe costumava fazer quando nos víamos, e continuou:

_Com os meus 22 anos, bem, eu já sei quando os olhares são, assim..._ ela começou a fazer caretas sedutoras, numa tentativa de imitar o rosto de Miguel.

A gente riu juntas.

_Sabe, Magda? Ele te olha sério, de um jeito hipnotizado. Está na hora de você conhecer um cara legal, né, amiga?

Aquilo foi como um estalo de dedos no meu cérebro. Miguel já tinha mostrado suas intenções sobre mim, mas eu, burra mal pude ver, preocupada com Nicolas. Não que Nicolas houvesse se tornado menos importante, mas não era mais a prioridade; ele era da Talita, e ela era dele também.

_Pois é, Tatá_ sorri.

Fizemos brigadeiro e ficamos vendo um filme velho do Batman, que estava passando na televisão. De repente eu percebi que tudo o que eu precisava mesmo era que alguém me tirasse daquela prisão de amar o Nicolas sem ser do jeito que ele me amava. Alguém que me desencantasse, que me desintoxicasse. Eu precisava da minha melhor amiga, a Talita.

_Posso dormir aqui?

_Claro, mas liga pros seus pais.

_Ai, Magda-certinha, estava com saudades!_ ela ri.

Acabou que quase não dormimos: ficamos conversando sobre a vida dela na outra cidade, dos amigos novos que ela fez, das propostas que ela tinha recebido para publicar seus poemas num jornal, depois colocamos Skid Row para tocar na maior altura_ às 10h00min da noite_, depois ficamos com fome de novo e fizemos um pacotão de pipoca, assistimos a um filme de terror, e fomos dormir às 3h46min.

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O dia amanheceu quente e ensolarado, bem como tinha que ser. Do alto do meu apartamento dava para ter uma bela vista da cidade, embora desse para a vista mais “urbanizada” do prédio: muitos carros e barulho de buzina, de cachorro latindo, de pessoas falando alto, tão movimentado quanto a minha cabeça.

Talita me puxou para o hospital, e lá fomos nós.

_Olá!_ disse para o Miguel.

_Oi! Como você está?_ ele sorriu e me abraçou apertado.

_Estou bem. Só com um pouco de sono_ apontei para Talita, que estava dentro do quarto do hospital, com Nicolas_ fomos dormir às três horas ontem! E você?

_Você está me perguntando se eu estou bem as horas que eu fui dormir?_ rimos_ Estou bem, não dormi tão tarde quanto vocês. À propósito, por que vocês foram dormir tão tarde?

_Bem..._ passei a mão na nuca_ Coisas de amiga_ sorri.

_As coisas que estou pensando, ou coisas como pintar a unha e comer pipoca?_ nós rimos juntos, ele por estar realmente em dúvida e eu por ter ouvido aquela pergunta.

_Coisas como ouvir rock enquanto os vizinhos reclamam, ver filme de terror, e, sim, comer pipoca. Nada demais, viu?

_Ufa.

A gente riu como crianças bobas, mas por motivos adultos. Era com isso que eu estava acostumada, com essas brincadeiras, com esse tipo de riso. Eu me sentia bem assim, com pessoas de verdade.


Notas finais
Espero que estejam gostando! Mandem reviews com a opinião de vocês, por favor.