Hey, Ho. Let's Go!
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Ele olhou pra mim com aqueles olhos, feliz, embora estivesse se perguntando por quê eu não estava em casa e vestida daquele jeito, logo de manhã.
_Oi...
Eu não sabia o que dizer. "Oi'' seria a resposta mais óbvia, mas eu não conseguia o ouvir direito. Quer dizer, ainda estava desligada, distante. Não triste, mas distante.
_O que você está fazendo aqui?_ falei, com a maior naturalidade.
_Olha, Magda, eu não queria que a gente ficasse brigado... digo, a gente não pode fingir que não aconteceu nada entre nós.
Olhei para ele, que ainda me recebia com os olhos alegres, de um jeito que falava que iria ter paciência com qualquer bobeira que eu pudesse falar.
_Acontecer, aconteceu, né, Miguel?
Ele me olhou, esperando eu continuar o que eu falava. Mas eu comecei a rir. Ele olhou feio pra mim, como nunca tinha feito antes, e, então, começou a reparar em mim: as roupas amarrotadas, cabelo meio bagunçado, cara de sono. Cheiro de bebida.
_Você está bêbada?!
_Não te interessa, Miguel._ disse, de um jeito educado.
Então, eu comecei a lembrar do Afonso. Ele morava tão perto! E eu nunca havia visto ele. Ele era bonito... Miguel tolerou minha infantilidade e perguntou:
_Não vai me deixar entrar?
Abri a porta de um jeito meio tonto, afinal, demorei um pouco pra acertar a chave na maçaneta, e escondia um risinho para que ele não brigasse comigo.
_Pronto._ sorri, mas quando olhei pra ele, fiquei séria_ pode entrar. Aonde você quiser._ comecei a rir histericamente.
Ele sabia que eu não falava essas coisas quando sóbria. Mesmo querendo me beijar ou... "me obedecer", digamos assim; ele sentia o dever de cuidar de mim.
Ele me pegou no colo e me levou pro bainheiro.
_Magda, você precisa tomar banho... de água fria.
Eu comecei a me sacudir no seu colo, numa esperança de o interromper.
_Não, Miguel, não faz isso comigo...
Ele trancou a gente no banheiro e tirou meu casaco.
Quando percebeu que eu estava de top e mini-saia, me olhou estranhamente, como se quisesse se controlar. Então, ligou o chuveiro e me empurrou pra baixo dele. Eu gritei, furiosa.
_Seu filho da mãe.
_Cala a boca, vadia.
Eu o olhei, estranhando sua resposta.
_Você podia ter xingado mais quando ainda estávamos juntos_ ri.
Ele ali, grande e grosseiramente forte, no comando. Ele tirou meu top e minha mini-saia, e pegou meu shampoo.
_Você não podia fazer isso, sabia?
_Quantas vezes eu já te vi nua, Magda?! Anda, passa shampoo nessa cabeleira.
Quando ele disse "cabeleira", eu tive uma crise de riso. Ele me ignorou, mesmo querendo rir também.
_Onde você passou a noite?
_Na casa do Afonso._ eu respondi, mesmo querendo falar que não interessava, de novo.
Ele me olhou, querendo esconder a raiva misturada com ciúme. Já não tínhamos mais nada.
_Então quer dizer que você já está dando por aí?
_Ah, Miguel, me poupe, né? Não foi você quem se separou de mim?!
Ele ficou quieto, e eu me senti péssima, mesmo não sabendo o por quê.
_Ah, desculpa, Miguel._ eu abracei ele, nua e toda molhada. É, ainda estava bêbada...
Ele ficou surpreso por eu ter feito aquilo, ainda mais nas condições em que eu estava. Ele me afastou dele, tentando o quanto podia não olhar pro meu corpo.
_Tá, tá bom, Magda. Acaba de tomar banho, aí._ e saiu do banheiro antes que eu (ou ele) pudesse fazer algo a mais.
Saí do banheiro e ele me esperava na sala. Eu estava de toalha, e permaneci desse jeito.
_Não vai colocar roupa?
_Não.
Ele me olhou, pensando "não tem jeito", e me levou pro meu quarto.
_Vai sim, Magda.
Eu o olhei, como se ele fosse o meu pai. Ele pegou um pijama e jogou na minha cama.
_Anda, veste. E não reclama, você vai me agradecer depois.
Eu fui andando até a gaveta de calcinha e meia. Ele já ia sair pra não ter uma "recaída", quando eu o interrompi:
_Não, fica aqui.
Ele sabia que não devia, mas ele queria. Queria ficar ali comigo, mesmo não sendo nada meu, queria poder fazer as coisas que um melhor amigo faz. Que Nicolas fazia. É, de repente, ele se tornara o "Nicolas" da minha vida. Só que mais responsável.
_Por que você veio atrás de mim?_ disse, tirando a toalha, sem reparar que ele estava concentrado demais em mim para responder_ Bebeu, também, é?_ comecei a rir.
Ele ficou vermelho. Nunca havia passado por essa situação de "querer e não poder" comigo. Poder, até podia, mas não era... "correto". Miguel era todo certinho, até quando envolvia suas emoções. Não podia negar que ainda me queria, só não achava certo fazer algo gostando de duas.
_Eu queria ver como você está. Você sabe que eu não quero ficar brigado contigo.
_Ah, que se dane você, Miguel. Vai lá pra Paola, vai.
Pus meu pijama, ainda meio molhada, e fui pro sofá da sala. Ele sentou do meu lado.
_Você não vai embora, não?
_Você quer mesmo que eu vá?
_Ou você vai pra rua, ou pra minha cama._ eu comecei a rir.
Ele se levantou, como se tivesse desistido de mim.
_Tchau, Magda.
_Tchau. Fecha a porta.
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