Hey, Ho. Let's Go!
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Vinte e cinco
Eu não sabia se eu ia pra casa ou pro hospital. Eu não sabia se ele iria querer me ver, nem se eu queria ver ele. E de qualquer forma, ele não fugiria de mim.
Voltei pra casa e liguei pra Talita, e resolvi chamá-la pra minha casa, pra contar o que aconteceu. Eu não sabia se era a coisa certa a fazer, mas, de fato, eu não sabia nada. A Talita seria a única pessoa próxima de mim que podia me ajudar, agora. Ainda tinha a Roberta, mas eu não queria ocupá-la com os meus problemas.
_Oi!_ a Talita me abraçou ao entrar no meu apartamento.
_Oi...
Eu a abracei, e simplesmente comecei a chorar. Eu não sabia nada, não sabia o que estava fazendo; as coisas sem o Miguel eram muito estranhas pra mim, como se antes de conhecê-lo eu não soubesse o que é viver, e sem ele, acontecesse a mesma coisa.
_Magda, por que você está assim?! Calma, senta aí no sofá. Eu vou pegar uma água pra você e...
_Não, Tatá, tá tudo bem, é só que... bem... eu e o Miguel não estamos mais juntos.
Ela me olhou como se eu tivesse a pior coisa da minha vida, e eu realmente já considerava essa hipótese válida.
_O que?! Mas por quê?!
_Porque ele encontrou uma ex-namorada e ele ainda ama ela e...
_Ah, o Miguel não parece ser desse tipo que larga uma pra ficar com a ex, deve ter algum mal entendido, vocês têm que conversar...
É mesmo. A gente tinha que conversar. Mas isso não queria dizer que voltaríamos.
_Tá, a gente tem que conversar, sim, mas... já está resolvido. E a namorada dele, bem, não é qualquer namorada... ela tem câncer. E ela não sabe se ela vai viver, então ele quer ficar com ela pra ver no que vai dar...
_Mas não seria mais lógico ficar com você? Porque se ela morrer, ele vai ficar sem nenhuma das duas.
_Mas o que adianta ficar comigo, se ele não me ama mais?
_É verdade... mas você tem certeza que ele não te ama mais? Porque não se para de amar assim, de um dia pro outro...
_Ele pode até me amar, mas ele também ama ela, também. De alguma forma, eu sinto que ele não é mais o mesmo. Sabe? Ficou muito triste quando recebeu a notícia de que ela estava doente, nem tentou se explicar, só chorava. O Miguel chorou, Talita!
_Sério? Bem, então deve ser grave, né... mas, Magda, não fica triste, não, sabe, vocês podem ser amigos. Tenho certeza que o Miguel não se importaria de continuar falando com você....
_Isso não vem ao caso... digo, eu não iria querer falar com ele, isso me machucaria muito. Ver o homem que eu ainda amo com uma outra mulher..._ comecei a chorar. E se o Miguel fizesse realmente aquilo que eu estava tanto temendo?
A Talita me abraçou. Não havia mais nada o que e fazer, a não ser conversar com ele.
Nesse exato momento, alguém bate à porta. Era Miguel. Talita abriu a porta, e deu de cara com aqueles olhões tristes e perdidos, que por um momento ficaram confusos por não terem encontrado os meus.
_Oi, Miguel_ disse Talita, fria. Foi nessa hora em que eu paralisei. Não sabia o que fazer, muito menos agora que tinha oportunidade.
_Oi... onde está a..._ Talita abre a porta, deixando-o me ver, sentada no sofá, chorando.
Parecia que um enorme buraco se abrira entre eu e ele, e estivéssemos tentando contorná-lo, pra nos encontramos. O buraco se chamava Paola.
Ele entrou rápido, com o impulso de me confortar, mesmo sem saber se eu deixaria.
_Ah, Magda! Se acalma, por favor... eu... eu queria conversar contigo...
Miguel olhou pra Talita, que rapidamente fechou a porta e sabe lá pra onde foi. Eu não conseguia o encarar, por mais que eu quisesse. Não me pertencia mais a vontade de ter uma explicação, de perguntar a ele o que aconteceu. Eu já não queria olhar pra ele, por medo, ou por raiva.Miguel já não era mais o meu namorado.
_Magda..._ ele sentou-se do meu lado, passando uma mão na outra, como se estivesse procurando as palavras certas pra não me deixar mais magoada ainda. Ele continuou_ eu não queria, mesmo, te deixar triste do jeito que você ficou. Eu estou confuso com isso, não sei o que pensar... eu ainda amo a Paola. Mas eu ainda amo você, também.
_Como você pode amar as duas, Miguel?
_Eu não sei! Eu não controlo o que eu sinto, Magda, a Paola saiu da minha vida e voltou com a mesma intensidade. Estávamos bem, na verdade, ótimos juntos. Mas aí ela teve câncer e não quis me contar e...
_Por que você nunca me disse isso?
_Por que eu diria?! Ela havia saído da minha vida, e falar dela com você seria como uma comparação... eu não sabia que ela ia voltar, Magda. As coisas não são tão simples assim.
Uma pausa.
_Por que você veio atrás de mim?
_Você não iria atrás de mim se eu saísse da sua casa e não te atendesse no celular?
“Eu fui...”
Outra pausa.
_A Paola não tem culpa de nada... e nem você. Eu que sou idiota, não sei ao menos o que eu sinto. Ela significa muito pra mim, Magda.
_Então estamos separados?
Ele resistia pra não chorar.
_Estamos.
Miguel falou justamente o que eu não aguentaria ouvir. Estamos separados. Comecei a chorar, feito criança, sequer escondendo dele. Ele, ainda forte demais pra chorar, recusava-se a ver-me sofrendo, pra talvez não voltar atrás no que acabara de dizer.
_Sai daqui, Miguel.
Ele me olhou como se pedisse pra ficar, mas eu o ignorei.
_Sai, Miguel.
_Magda, eu sinto muito por isso, não queria ficar brigado contigo...
_Sai daqui!
Ele levantou-se rapidamente, sem demonstração de afeto ou dor. Foi caminhando lentamente até a porta, onde se virou e a fechou a sua frente. Simples assim.
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