Hey, Ho. Let's Go!
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Vinte e dois
“E saiu no seu Camaro, à toda velocidade”.
Não sei pra onde, nem por quê, não tive tempo nem de perguntar. É claro que ele sabia que eu estava ficando louca com aquilo, mas se ele não falava, ficar perguntando só iria me deixar mais aflita.
_Fatinha, o Miguel te disse alguma coisa desde o café da manhã?
_Não, não. Ele nem falou comigo, hoje. Só deu “Bom dia”.
Eu ali, como uma idiota, sem saber o que estava acontecendo. Logo o Miguel me deixando naquela situação?! Justo ele, que sempre me pareceu tão correto e livre, ficar daquele jeito, como se tivesse cometido ou presenciado algo tão grave.
A Roberta me ligou.
_Oi, Magda! Estava ligando pro seu telefone, mas ninguém me atendeu.
_Oi, Rô. É que eu estou na casa do Miguel...
_Hm! Miguel?! Eh Magda, hein!
Nós rimos.
_Então, quer ir ao clube, hoje? Tipo, agora?
_A-agora?!
_É, poxa... vamos eu, a Luísa e a Gabi. A Helena não pode vir, vai ter que tomar conta do cachorro da vizinha.
Demorou um tempinho até eu lembrar quem eram elas. Elas eram as mesmas amigas de quando fui pra casa da Roberta ver Jogos Mortais e pintar a unha. A última coisa não aconteceu, porque, bem, o meu celular tocou, e o resto, já sabemos.
Por que eu não iria? Por que eu ficaria em casa? Isso não aliviaria a minha dor, a dor do Miguel, que eu nem sabia que dor era.
_Vou, vou sim. Você pode esperar meia hora? É que eu vou em casa, pegar meu biquíni... você sabe chegar lá, né?
_Sei, sim, claro. A gente se vê lá, então?
_Aham.
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A Roberta demorou dez minutos a mais do que eu previa, o que, de fato, foi melhor, porque eu tinha esquecido onde tinha enfiado o meu biquíni, e demorei um tempão pra procurar, vestir e pegar as outras coisas como o meu chapéu e a “bolsinha de sol”_ com coisas que eu mesma já deixava ali dentro caso fosse pra praia, como o meu óculos de sol e um condicionador de cabelo.
Eu fui na janela do meu apartamento, e por coincidência, elas estavam chegando na mesma hora. Desci aquelas escadas correndo.
_Oi!_ a Roberta me abraçou, e depois a Gabi e a Luísa.
_Oi, meninas, quanto tempo..._ sorri.
_É mesmo! E o seu amigo, ele ficou bem?
“Ah, ele está no Canadá a essa hora, porque ele decidiu ir assim, do nada, ainda mais depois que ele me beijou na frente do meu namorado...”
_Ficou, sim.
Durante todo o tempo em que eu fiquei no clube com as meninas, eu simplesmente não consegui parar de pensar em Miguel. O que ele podia estar fazendo? Eu tinha que ter seguido ele? E como eu faria pra me esconder caso o seguisse? Eu não sabia de absolutamente nada. Miguel era tão lindo, tão certinho e educado, e eu já não conseguia pensar o que podia ter acontecido pra ele ficar tão atormentado. Talvez algo comigo? Então por que ele não me dizia? Por que ele preferia guardar pra ele? Eu poderia ajudar, ou não? O jeito que Miguel estava, preso a algo que eu não podia soltar, era o pior jeito que eu podia encontra-lo. Porque eu não sabia o que estava acontecendo, parecia que ele estava apodrecendo por dentro, e não quisesse que eu o curasse.
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Quando eu voltei pra casa, Miguel estava na cozinha, com uma camiseta tão justa que mostrava todo o desenho de seu abdômen.
_Oi, Amor.
Miguel estava calmo, como se não tivesse saído com aquela pressa toda, sem nem ter me falado pra aonde iria. Joguei rapidamente a minha bolsa de praia no sofá e fui andando até a cozinha, brava, ignorando toda aquela beleza dele.
_Miguel, aonde você foi?! Você está muito estranho! Eu não estou gostando disso!
_Calma, Amor..._ ele olhava para o lado_ eu vou te explicar tudo. Mas você tem que confiar em mim.
_Como assim, confiar em você, Miguel? Você não devia me deixar aqui, do jeito que você deixou, e...
_Eu sei, eu sei._ ele chegou perto de mim e passou seus dedos no meu rosto, como se agora pudesse tocar o que antes admirava_ Mas eu tenho tanto medo...
_Medo de quê?
_De que você não confie em mim, de que você não acredite no que eu vou te contar.
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