Notas iniciais
Ui, vamos ver no que isso vai dar! Boa leitura!

Vinte

Finalmente, ainda de tarde, entro no note book do Miguel e vejo que recebi o e-mail do Nicolas:

Oi, Magda, tudo bom?
Bem, acho que está, já que você está com o Miguel.

Sei que não somos mais amigos tão próximos quanto éramos no ano passado. Lembra daquele dia em que você se perdeu de mim na boate, e foi caminhando em direção à praia? Então, estava lembrando desse dia, agora, e percebi que não somos mais “melhores amigos”, mas sim “conhecidos”. Nos afastamos demais, sem perceber. Fizemos coisas novas, sem mesmo contar um pro outro. E eu percebi que ficamos ainda mais distantes quando comecei a namorar a Talita, que agora é uma completa estranha pra mim, também.

À partir daí, percebi com grande decepção, que o que eu fazia só me fazia mal. Agora eu posso ver que antes eu era imaturo demais pra ela, e até mesmo pra você. Estou triste comigo mesmo, me arrependo de ter me afastado de você, e mais ainda de ter de beijado. Eu te amo, sem dúvida, mas não posso fazer nada enquanto eu não me desbagunçar todo. Me sinto assim, uma bagunça. Preciso separar o que é Nicolas de verdade do que é influência, do que é ruim, que me afasta desse jeito das pessoas que eu gosto. Por isso eu decidi de última hora que iria viajar com o meu tio, pra dar um tempo pra você, pra Talita, e principalmente pra mim.

Não sei quanto tempo vou ficar aqui, nem se vou voltar, de fato. As coisas por aqui são bem menos estressadas, talvez por eu não conhecer ninguém, só o meu tio. Ainda não estamos no Canadá, mas estamos quase lá. Paramos em Acapulco, uma cidade do México. Seria mais legal se eu estivesse de bem comigo mesmo, mas não consigo fazer isso.

Eu gostaria que você pegasse as minhas coisas com a Talita. Não são muitas coisas, você nem precisa ir na casa dela se você pedir pra ela ir na sua. Tenho apenas uma camisa minha e a chave da minha casa. A chave pode ficar com você, não tem problema. E a camisa também, se você não se importar. Magda, quero que você veja a dimensão das coisas: não vamos nos ver “amanhã”. Talvez nem nos veremos mais. É claro que eu não vou esquecer de você, isso é impossível, mas as coisas já estavam desse jeito, bagunçadas, distantes. Eu só fiz o favor de empurrá-las para frente, e ver no que isso tudo vai dar.

Caso mude de endereço ou de telefone, por favor me mande o novo. Não quero perder o contato caso eu apareça por aí, novamente. Não está brava comigo, né, baixinha? Eu sei que você vai compreender isso mais rápido que a Talita, se é que um dia ela vai me compreender.

Peço desculpas novamente, por ter deixado as coisas chegarem até onde elas chegaram. E peço desculpas também ao Miguel. Eu não precisaria viajar se estivéssemos tão bem quanto pensávamos, mas de agora em diante, eu sei que você vai ver o buraco que tinha entre nós. Talvez ele se feche com o tempo, quem sabe?

Eu te amo, baixinha, não se esqueça disso. E não se esqueça de mim, também.

Eu ali, olhando a tela como se olhasse nos olhos azuis de Nicolas, que talvez nem voltaria a ver mais. Não sabia que era algo tão definitivo, nem tão profundo quanto era. Digo, não sabia que ele realmente amava Talita à ponto de ficar tão mal, e nem que o beijo entre nós, sendo acidente ou não, tinha sido algo até mais grave pra ele do que foi pro Miguel. Chorei.

_O que foi, Amor?_ Miguel reaparece pela porta entre a sala e o corredor, com o rosto surpreso por me ver chorando.

_Nada... é que o Nicolas... bem... eu não vou ver mais ele.

_Ele morreu?

_Não. Ele vai ficar lá no Canadá.

Ele mostrou indiferença.

_Bem, vamos ver até que dia ele fica lá.

E saiu da sala.

Miguel nunca iria entender o que eu estava sentindo. Mas não o culpava. Nem eu mesma sabia. Era uma mistura de dor e perda, como se eu nunca mais, mesmo, fosse vê-lo, como se num instante fosse Magda, Nicolas, Miguel e Talita e depois Magda, Miguel e Talita. Não havia mais um “grupo”, havia um trio. Um casal e uma louca. E agora tudo estava sem sentido. Ainda não tinha caído a ficha de que Nicolas não estava mais ali. Talvez por meses, anos. Décadas. Quem sabe nos veríamos?!

Nicolas partiu da minha vida na esperança de encontrar a dele.

_________________

De noite, Miguel estava lindo. Não que essa característica fosse exclusiva de um período ou de uma hora do dia, mas ele estava especialmente lindo. Seus olhos verdes estavam mais verdes, ele estava mais... Miguel.

_Miguel?

_Oi?

_Você está tão lindo.

_Não, Amor, estou de camiseta e cueca._ riu.

Seu celular dele toca. Era outra mensagem, mas dessa vez ele estava longe do celular, então eu o peguei e li a mensagem. Ou pelo menos tentei, antes que ele pudesse pegá-lo de minha mão.

_Magda!

_Miguel! O que é que tem eu ler a mensagem?

_É coisa minha...

_Coisa sua? Como eu vou saber que não é uma mulher te mandando mensagem?

Ele olhou pra mim, cansado, e apenas disse:

_Confiando em mim.

Notas finais
Reviews?